A cara a tapa. E o traseiro na janela.

Povo bonito, uma dica sincera sobre algo que eu venho sentido faz tempos. Sei que muita gente que me acompanha é escritor, ou quer ser.

Hoje, resolvi dar minha contribuição pro dia internacional da mulher – que é amanhã – colocando no ar uma lista de trabalhos disponíveis online e gratuitamente de nossas escritoras fantásticas. Passei umas duas horas pescando na internet e o resultado está aqui.  Queria ter colocado contos de todas as autoras que citei na lista principal do meu post anterior. Mas foi bem complicado encontrar material de algumas, principalmente porque estava com tempo curto e não podia ficar procurando muito.

Senti falta da profusão de sites para contos  - ou mesmo de uma melhor organização dos blogs e sites pessoais que facilitasse o trabalho de quem tem interessem em encontrar esses trabalhos. Moleza foi encontrar vários contos e trabalhos curtos na Amazon, sempre muito baratos… mas pagos.

Gente, eu sei que a Amazon é um lugar bacana pra tentar ganhar um troco com nossos trabalhos mais curtos. Porém, vocês não podem esquecer de que web é principalmente a nossa vitrine, ainda mais para quem está começando, é indie ou trabalha com pequenas tiragens. Se você não coloca o seu trabalho a disposição das pessoas, como elas vão conhecer tudo o que você é capaz? Mesmo que seu conto lá esteja o mais barato que a Amazon deixa, se a pessoa não sabe quem você é e não tem ideia se gosta ou não do que você escreve, por que ela iria gastar seus tostões com você?

Vocês já pararam para se perguntar como eu, que tenho apenas um livro solo de contos, consegui meu lugar ao sol (que é pequeno, mas é limpinho)? Não foi com as coletâneas, pois acho que das muitas em que participei, só duas ou três devem ter batido os 1000 exemplares vendidos. Foi a minha atuação online, e não só com a ironia e acidez que me é peculiar! Tem um monte de trabalhos meus online por aí (aqui, eu listei uma parte dos que estão fora do blog. Os que estão publicados aqui, tem sua própria categoria – e fica a sugestão dessa organização para quem tem material online!)

Quando eu comecei, todo o escritor novato colocava contos online – em seus blogs, no blog dos outros, onde desse. Hoje, está mas difícil ver esse material para poder conhecer um pouco mais do trabalho de quem começou agora. O pessoal tem preferido colocar em antologias ou jogar na Amazon, mas isso atrapalha a descoberta.

Escritores fantásticos do Brasil, coloquem a cara a tapa e a bunda na janela virtual! Usem as ferramentas que temos – existem várias espalhadas por aí.

A Literatura Fantástica Feminina no Brasil – 20 obras online para conhecer

talkativebookworm:

Completando o post de segunda-feira, umas dicas de leituras.

Postado originalmente em Literatura Fantástica Brasileira:

Para complementar o meu post no meu blog pessoal, resolvi fazer uma lista de 20 trabalhos online das nossas autoras para serem lidos e degustados. Aproveitem as comemorações do dia internacional da mulher e conheçam o talento feminino.

Adriana Rodrigues – Bram e Vlad (webcomics)
Alliah – Quem atirou na minha cabeça? (audio)
Ana Cristina Rodrigues – A morte do Temerário
Ana Lúcia Merege – Linha de montagem
Camila Fernandes – Verde efêmero do Éden
Carolina Munhoz – Fui uma boa menina?
Flávia Côrtes – Taxidermia e Quiromancia
Giulia Moon – Bananas, bananas
Kamille Girão – White Queen
Ludmila Hashimoto – A verdade é como o sol
Maria Claudia Muller – Eu queria ser um dinossauro e Desmortos (um livro infantil e um Young-Adult completos)
Maria Helena Bandeira – Eu mesmo e De longe, entre as bétulas
Martha Argel – O mal que as estatísticas ocultam
Nikelen Witer – Minicontos…

Ver original 28 mais palavras

11 Escritoras fantásticas brasileiras que você precisa conhecer

Por causa de alguns comentários desagradáveis, retirei a caixa de comentários deste post. A lista, como expliquei antes, é pessoal, completamente subjetiva e parcial. Não tem a pretensão de ser uma lista indiscutível de melhores escritores, ou uma relação completa. São as que EU acho que as pessoas devem conhecer.

Então, ano passado, eu levantei um ponto quando do nerdcast sobre literatura fantástica: existem mulheres escrevendo literatura fantástica no Brasil. Sendo bem sucedidas, publicando em editoras médias e grandes, sendo adotadas em escolas – mas que o público nerd/ do fandom tente a ignorar por causa de nomes mais ”vistosos”.

Fiz uma lista no twitter na época, mas hoje a Gizelli Souza me pediu a lista de novo. Para ficar aqui de futura referência – já que conseguir achar coisas no twitter é impossível, uma breve listagem de autoras cujo trabalho eu conheço, gosto e recomendo.

Ou seja, essa lista é baseada em gosto pessoal, não tem a pretensão de ser uma lista completa e extensa. Se você sentiu falta de alguma escritora, que tal fazer a sua própria lista? ;)

Então, eis a minha seleção! :)

Alliah – escritora de new weird, ilustradora, ciberativista e fangirl. Mais sobre ela e seus trabalhos.

Ana Flávia Abreu – autora da série ‘Kôra’, a qual eu tive o prazer de editar o 2o volume (e estou aguardando o 3o ansiosa!)

Bárbara Morais – o primeiro livro da Bárbara, ‘A ilha dos dissidentes’, saiu pela Gutenberg e é uma distopia voltada para o público jovem. Recebeu o selo ‘Miguel aprova’ aqui em casa.

Carolina Munhoz – a rainha das fadas. Em se pensando em venda direta (em livrarias e etc), é a mais bem sucedida dessa lista. Está para estrear na Rocco.

Finísia Fidelli – uma das melhores contistas da Ficção Científica nacional. Devia publicar mais.

Flávia Cortes – essa moça querida escreve para jovens e crianças com delicadeza narrativa e poesia. Adorei o seu ‘Senhora das Névoas’.

Giulia Moon – a senhora dos vampiros. A série ‘Kaori’, lançada pela Giz, consolidou o lugar da Giulia na literatura nacional, que ela já merecia por seus contos vampirescos.

Lídia Zuin – raridade, a Lídia escreve cyberpunk (pós? retro? afff, é cyberpunk e ponto)

Martha Argel – a dama dos vampiros. As histórias de Clara e Lucila são imperdíveis para quem curte os sanguessugas.

Nikellen Witter – “Territórios Invisíveis” é um dos melhores livros para jovens que já li.

Roberta Spindler – essa moça promete. Li alguns contos dela e gostei muito!

(Sim, tem outras, como Kamille Girão, Helena Gomes, Cristina Lasaitis, Camila Fernandes, Natália Azevedo, Rosana Rios, Ana Lúcia Merege, Celly Borges, Carol Chiovatto, Suzy Hekamiah, Maria Cláudia Muller, Adriana Rodrigues e várias outras. Mas onze já fazem um time!)

Doctor Who ou Como parei de me preocupar e amar a TARDIS

“Ai, Ana, você tem que ver Doctor Who, é excelente! Os roteiros são ótimos!”

“Você vai amar Doctor Who! Tem viagem no tempo e alienígenas!”

“Como assim, você gosta de Ficção Científica e ainda não viu Doctor Who? É a melhor série inglesa de FC!”

Vou ser sincera: toda essa pressão social só me fazia ser reticente para ver a série. Odeio hype meio hipster, de ‘veja essa coisa obscura e entre para nossa sociedade secreta pois somos poucos os escolhidos’. E também sou meio escaldada com fandons, principalmente os que tem nomes. Sim, estou falando dos trekkers.

Aí, eu vi o primeiro episódio da série de 2005 quando passou na Cultura (?) e até gostei. O tal Doctor  parecia um personagem interessante, a coadjuvante é que me pareceu um pouco ‘mary-sue’, como se fosse uma fanfiqueira entrando no seu universo ficcional preferido (embora, sendo sincera, a Rose não me pareça ser nerd a ponto de escrever fanfics).

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Mas a vida é conturbada e eu não tenho mais saco de ficar presa a um compromisso semanal com a televisão. Então, anotei mentalmente que um dia iria tentar ver o resto da temporada e deixei de lado. Fui acompanhando ao longe as notícias, descobrindo que a série é muito antiga, que o ator principal muda de vez em quando e que parte do fandom whovian odeia o Moffat.

‘Doctor Who’ (a série nova) entrou na programação do Netflix. ‘Ah, ótimo, um dia eu vejo’. Um dia que nunca chegava. Via fotos e gifs, a cara de bobo do Tennant e a de criança do Smith que substituíram o rosto sério e cansado do Eccleston.

Até que um dia – sempre ‘um dia’ – alguém me disse que Doctor Who, principalmente nas duas primeiras temporadas, por baixo da correira, dos aliens, de viagens no tempo, era uma história de amor. E apesar da minha fama (merecida) de má, da minha ranzinzice e ironia. sempre, SEMPRE fui louca por histórias de amor.

Aproveitei as férias e vi as duas primeiras temporadas de Doctor Who. E estou absolutamente obcecada, a ponto de estar planejando comprar os dvds, as edições nacionais dos livros, ebooks dos que não irão sair aqui, bonequinhos. Até uma tatuagem com a TARDIS já foi cogitada.

Essa semana, um amigo muito querido me perguntou ‘O que te fascinou tanto em Doctor Who?’

Foi a deixa para que eu começasse a destilar um monte de motivos e episódios e tramas, mas ele – que me conhece MUITO BEM – me fez cortar a bobagem e repetiu a pergunta.

Parei e pensei. Pensei bastante (ele é um bebado paciente e eu estava sóbria).

O que realmente me fascinou nessas duas primeiras temporadas de Doctor Who foram seus personagens, principalmente seus dois protagonistas, o último Senhor do Tempo e a menina loura, recém-saída da adolescência, que decidiu acompanhá-lo.

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Sim, os roteiros são bons. Alguns são *muito bons* e os episódios de tons mais sombrios foram das melhores coisas que vi na TV desde sempre. Os cenários e figurinos na primeira temporada, assim como os efeitos, são um pouco mais toscos, mas melhoram consideravelmente – chegando a beira da perfeição na reconstituição de um vestido da França do Rei-Sol.

Mas o que me prendeu foi saber o que iria acontecer com aquelas pessoas, com aquele par tão estranho, um alien de 900 anos e uma jovem de 19, e as pessoas que os rodeiam, que vão e voltam. E é disso que as boas histórias são feitas, não? De bons personagens. Se você não se importa com eles, a trama serve de muito pouco.

Ainda não estou pronta para falar da 2a temporada (the feels…)

feels

Mas acho que posso dar algumas impressões da 1a. Sim, eu vou tentar evitar spoilers com toda a força do meu único coração. Só não garanto nada.

(No finalzinho, tem um spoiler, mas tá escondido!)

Ainda aqui? Bom. Allons-y.

 

Um resumo geral para quem estava em Marte e não sabe bem o que é Doctor Who: O Doctor pertence a uma raça alienígena muito semelhante aos humanos, os Time Lords (ou Senhores do Tempo), que dominou a habilidade de viajar no tempo e que é praticamente imortal. Sem dar muitos spoilers, sabemos que ele é o único sobrevivente do seu povo depois da Time War (Guerra do Tempo) e que ele foi o responsável pelo fim da guerra, algo que o marcou e que o fez ser – literalmente – o homem que ele é hoje.

Viajando em sua TARDIS, sozinho e desesperançado, ele verifica que a Terra de 2005 está em perigo por causa de uma raça alienígena e decide voltar até lá. No meio da sua tentativa de salvar o mundo, encontra a jovem Rose Tyler, que tem um subemprego, mora sozinha com a mãe e tem um namoro completamente apático.

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Claro que eles salvam o mundo e claro que ela aceita – depois de alguma relutância – acompanhá-lo. Isso resume o primeiro episódio, ‘Rose’, que cumpre bem a sua função de reintroduzir o personagem e situar os novos telespectadores, sem ser cansativo ou didático demais. Falha um pouco na construção da Rose, mas ela cresce durante a temporada.

Acho que mais do que comentar episódio por episódio, vou falar primeiro dos que eu não gostei, depois dos que me foram indiferentes e, por fim, dos que me conquistaram. Bom, nessa primeira temporada, não gostei dos episódios envolvendo os slitheens (uma raça alienígena que tenta invadir a Terra e que tem uma certa… peculiaridade gasosa), que são Aliens of London/World War III e Boom Town. São episódios passados no ‘presente’ da série ( no caso, podemos acompanhar isso pela vida das pessoas que Rose deixa para trás, a mãe – que é sensacional, uma das melhores mães da FC – e Mickey Idio… Smith, o ex-namorado já mencionado) e até apresentam alguns fatos importantes e fazem os personagens evoluírem.

boomtown

Porém, as tramas são um pouco inconsistentes e confusas, os slitheens são oponentes um pouco rídiculos (tá, isso pode ser dito até dos daleks, os grandes vilões da série…). Enfim, talvez seja porque eu gosto mais das histórias que se passam em épocas ou lugares diferentes.

Com exceção de ‘The End of the World’, que se passa no fim da Terra e que é o 2o episódio da série – e provavelmente o episódio que menos gostei nas duas temporadas. Ele destoa dos demais no tom – um whodunit até razoável, no cenário – em que eles gastaram boa parte do orçamento da temporada e na contribuição no arco de histórias dessa temporada.

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‘Dalek’ e  ‘Father’s Day’ são os episódios meio-barro-meio-tijolo da temporada (junto com ‘Rose’). ‘Dalek’ tem o grande trunfo de (re)apresentar vários elementos que serão importantes para a série, como o seu personagem-título, e por apresentar o lado sombrio do Doctor, mas visto em separado, a trama ajuda pouco e os coadjuvantes que aparecem são pouco carismáticos. ‘Father’s Day’ apresenta o drama familiar de Rose e ajuda a desenvolver a personagem e a relação dela com o Doctor se define ainda mais. Não é ruim, mas empalidece principalmente ao ser comparado com os dois episódios que o seguem.

Sim, porque ‘The empty child’/’The Doctor dances’ são dois TREMENDOS episódios. Juntos, formam um pequeno telefilme passado na 2a Guerra Mundial,  na nossa Londres bombardeada pelos nazistas. Uma criança estranhamente deformada, um hospital lotado de pacientes, um charmoso Agente do Tempo… e ‘Moonlight Serenade’. Além de ser o primeiro episódio do capitão Jack Harkness, tem excelentes dialogos, uma atmosfera aterradora e um roteiro excelente, que consegue usar a viagem no tempo de forma segura e que faz sentido e sustenta a história.

E prova que o mundo não para quando o Doutor dança.

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O episódio ‘The unquiet death’ entra entre os melhores por causa de Charles Dickens. Sério. O Doutor e Rose vão parar em Cardiff no século XIX, no meio de manifestações psíquicas (?) e o escritor – do qual o Doutor é um grande fã – vai junto. Vale também por apresentar a moralidade do Time Lord, ainda indefinida e ambígua.

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“The long game” se passa em uma base espacial que também é uma emissora de televisão. O grande trunfo do episódio é preparar o terreno para os dois episódios finais – mas sua crítica a massificação do jornalismo e a interação Rose x Doctor também o fazem valer a pena.

Dificilmente alguém começa a ver Doctor Who atualmente sem saber que, no final dessa temporada, o Doutor deixa de usar o rosto de Christopher Eccleston e se torna David Tennant. Então, não é spoiler dizer que ‘Bad Wolf’/’Parting of the ways’ são os últimos do Nono Doutor. Inserindo os personagens em realities shows de uma grande emissora de TV, reapresentam velhos inimigos, solucionam o grande mistério da temporada e dão a essa encarnação do Doutor um final digno de um herói trágico.

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(Ok, acho que aqui vai ter um spoiler bem grande: na minha opinião, o grande motivo do amargurado e quebrado 9th Doctor virar o 10th, mais ‘novo’, mais ‘bonito’ e menos amargo é o amor. A nona encarnação do Doutor nasceu das cinzas da Time War, em fogo, fúria e sangue. A décima nasceu do amor de um Time Lord de 900 anos por uma menina de 19, que moveu o próprio tempo para salvá-lo. Só isso já faria desse recomeço de Doctor Who uma bela história de amor. Aí vem o final da 2a temporada e confirma isso, adicionando um elemento trágico de fazer inveja aos gregos.)

 

E foi essa a temporada que me fez ficar levemente obcecada com Doctor Who – ainda não é o bastante para me chamar de whovian, mas estamos trabalhando nisso. Por enquanto, o Eccleston ainda é o meu Doctor favorito, porém tem muita coisa para ser vista ainda!

E está sendo…

fantastic

 

 

 

 

Fé cega, faca amolada

(Sim, faz algum tempo que eu prometi, mas a partir de semana que vem, tem atualização lá no Wattpad. Para refrescar a memória de vocês, fica o primeiro capítulo!)

- Tom?

A voz conhecida vinha da sala. Ele sabia de quem era mesmo antes de ouvi-la. A chave rodando na fechadura tinha sido a indicação, pois somente uma pessoa poderia ter feito isso sem ativar os feitiços de alarme e defesa. Terminou de enxugar a cabeça e pensou em se vestir, mas resolveu não se dar ao trabalho. Carlos o conhecia desde criança, já o vira em estado muito pior do que apenas de toalha.

- Estou aqui no quarto.

Saiu e encontrou o homem alto sentado no sofá de dois lugares, ocupando-o como se fosse uma poltrona. Carlos era musculoso devido ao treinamento dos neotemplários, e mantinha os cabelos e barba negros bem aparados. Estava de uniforme, calça cargo e blusa de malha justa pretas, jaqueta prateada e botas reluzentes. O rosto moreno fechado de preocupação ajudava a compor uma figura quase sombria.

- Tudo bem? Não é que eu não adore a sua visita, mas estamos no meio da tarde e alguém pode ter visto você…

- Eles te descobriram, Tom. A ordem de caça está na mesa do Bispo-Comandante.

As pernas do mago falharam e ele sentou na poltrona marrom em frente ao amigo.

- Quanto tempo eu tenho? Quando eles vão vir atrás de mim?

- Mauro falou que amanhã mesmo ele vai separar uma equipe. Com o tumulto na Catedral no último fim de semana, a Ordem está doida para se redimir com a mídia.

Os olhos castanhos do caçador de magos encararam os de Tom por alguns poucos instantes.

- Você vai estar na equipe?

- Não. Mauro acha que eu estou comprometido por causa da sua amizade com Elisabete.

Uma onda de alívio percorreu Tom, que deu um suspiro. Ter que se tornar um fugitivo seria ruim o bastante, sem ter que se preocupar em enfrentar alguém tão querido para se defender.

- Obrigado por tudo. Você tem sido um amigo melhor do que eu mereço.

Carlos levantou e foi até ele. Tom abaixou os olhos, intimidado pela proximidade, mas o soldado levantou seu queixo e o fez encará-lo.

- Amigo, Tom? É assim que você me vê?

Tom se irritou com condescendência que ouviu na voz dele.

- Você sabe que não. E faz muito tempo que ri de mim por causa disso, não é? Afinal, é mesmo ridículo um mago renegado se apaixonar por um caçador…

Antes que continuasse, foi interrompido pela boca de Carlos na sua. Lábios ásperos que escondiam uma língua macia, que invadiu sua boca sem pedir, explorando cada canto e fazendo uma corrente elétrica percorresse seu corpo. O choque inicial passou e Tom correspondeu ao beijo com a mesma fúria. Quando finalmente ficaram sem folego, separaram-se, olhos fixos um no outro.

- Você é muito mais para mim do que um mago, Tom. Desejo você desde que o vi com Bete.

- Eu… Pensei que você não gostasse…

- Você pensou por tempo demais, Tom. Chega.

E o beijou novamente, dessa vez puxando o corpo esguio para os seus braços fortes. Tom, mais seguro de si, reagiu, jogando a jaqueta de Carlos no chão. Sua toalha caiu no chão, deixando-o nu, sentindo o tecido roçar em sua pele. Depois, talvez até tivessem tempo para discutir ou para delicadezas. Agora, precisavam aplacar tantos anos de frustração.

Na madrugada, Tom acordou sozinho. O quarto estava na semipenumbra típica da noite do centro de uma grande cidade e seu corpo todo doía. Olhou ao redor, mas sabia que Carlos já tinha partido, consciente de que ele deveria sair cedo.

Sua vida era realmente irônica. Entrou no banho pensando em quantas vezes se tocara pensando em Carlos, para finalmente tê-lo em sua cama na véspera de se tornar oficialmente um fugitivo. Teria que deixar tudo para trás, não só Carlos, mas seu apartamento, suas coisas, seus amigos. Sua vida antiga tinha terminado para que outra começasse. Seria difícil, mas sobreviveria. Estava sobrevivendo há cinco anos.

Saiu do chuveiro. A mochila de fuga estava pronta, com duas mudas de roupas, alguns artefatos mágicos e uma caixa que ele tinha trazido da casa dos pais. Evitou a tentação de abri-la, pois não tinha tempo para memorias de uma infância que não tinha lhe pertencido.

Foi até a janela e ficou satisfeito ao ver a chuva fina. Colocou a calça jeans preta e uma blusa de malha branca. O sobretudo cheio de bolsos já estava pronto em cima da cadeira, devidamente equipado. Olhou-se no espelho e ficou satisfeito. O rosto bem barbeado não era tão bonito nem tão feio que chamasse atenção. Não era alto o bastante para se destacar em uma multidão e o cabelo preso ajudaria no disfarce.

Vestiu o sobretudo, colocou a mochila nas costas e encantou o seu cajado para parecer um guarda-chuva. Sempre soubera que o dia de fugir chegaria e achava que estaria pronto. Seu engano estava claro na ardência dos olhos e no nó na garganta que sentia. Desesperançado, virou de costas e saiu. Não se preocupou em trancar a porta, afinal os homens do Templo iriam derrubá-la de qualquer forma.

Ao contrário do que a maioria dos humanos pensa, magos não participavam ativamente de uma sociedade secreta que os acolhia quando decidiam fugir da Ordem e seus templos. Havia rumores aqui e ali de entradas para o Submundo, lugar em que seres encantados tinham construído uma sociedade paralela que acolhia esses fugitivos – pelo preço certo. Tom ouvira esses boatos, claro. Mas eram sempre tão fora da realidade que ele sequer dera atenção.

Sua única opção era recorrer a uma figura conhecida de todos os envolvidos com magia, apóstatas ou não. Era chamada de Dama Cristina e tinha sido a grande defensora dos magos quando surgira a primeira legislação de controle. Aposentada precocemente, ela agora dirigia uma casa de lanches no coração de Icaraí. Decidido, Tom pegou um ônibus. A madrugada já começava a dar lugar a manhã, mas mesmo assim as ruas e os coletivos estavam vazios. Aproveitou o momento para tentar arrumar a cabeça. Não pensar, mas organizar.

A eterna fase de transição que vivera desde os dezesseis anos, quando sua magia finalmente aparecera, tinha terminado. Pelo menos tinha vivido tranquilo durante duas décadas, seus pais já tinham morrido e não havia pontas soltas.

A não ser o casal de irmãos a quem amava.

Bete estava no Círculo, já que aceitara as regras do Templo e submetera a sua magia e seu corpo ao domínio neotemplário. Não a vira desde que fora nomeada Arcana-Mor do Templo de Niterói e sabia que jamais a veria novamente. E isso doía ainda, pois a menina de pele morena e cabelos cacheados tinha sido seu primeiro amor. Só tinha amado uma pessoa tanto quanto a amava.

E finalmente chorou pensando na primeira e única noite com Carlos.

Música ambiente quase inaudível o cercou assim que entrou na lanchonete. O jazz suave inundava a loja de duas portas, quase na frente do Campo Bento, lugar que servia de ponto neutro entre magos e neotemplários. Tom já tinha estado na feira dos fins de semana, onde magos devidamente registrados pelo Templo dividiam espaço com meros artesãos para vender seus produtos. Teoricamente, ele não poderia comprar nada ali além do que era liberado para o público em geral, pois nos registros do Templo de Niterói não constava nenhum mago com o nome de Antônio Reis. Porém, os bolsos cheios de poções do seu sobretudo atestavam que o controle não era tão grande quanto o Templo se gabava.

E ali acabava seu planejamento. Ir até ali era a única pista que tinha para encontrar ajuda; e mesmo essa pista tinha sido conseguida de forma torta, em sussurros e gestos. Era a hora de correr riscos então. Sentou numa das cadeiras que acompanhavam o comprido balcão, escolhendo um lugar bem no meio. Mesmo sendo cedo, já tinha movimento. A lanchonete abria cedo para acolher quem saia do turno da noite e quem pegava cedo no trabalho. Taxistas, porteiros, balconistas e vigilantes dividiam o espaço com quem estava indo para academia antes de ir trabalhar ou estudar.

Cacos e ecos de conversa flutuavam ao seu redor. A sua direita, um porteiro comentava com outro sobre o tumulto na portaria por causa da briga de um morador com a síndica. Do outro lado, a menina de top verde-limão e cabelos ruivos exagerados flertava abertamente com o balconista, que a ignorava. E Tom só percebeu isso porque o homem o encarava, mal humorado. Era baixo e pálido. Cabelo cortado rente, sobrancelhas negras unidas, barba feita, mas que mesmo assim deixava uma sombra no rosto. Os braços estavam cobertos por uma blusa de manga comprida que usava por baixo do jaleco do uniforme e ele atendia a menina com gestos automáticos e respostas prontas.

- Já foi atendido?

A voz feminina era grave e o mago sobressaltou-se. Não tinha visto mais ninguém atrás do balcão e surpreendeu-se ao ver a dona do estabelecimento a sua frente. Esperava que a Dama fosse uma mulher de idade, mas foi saudado por um rosto jovem, com menos de quarenta anos, e olhos castanhos que o encaravam. O cabelo estava preso em uma rede preta, mas pareciam ser dourado.

- Não, ainda não. Eu queria um café com leite e um pão com manteiga.

- Eu faço, dona Cristina, pode deixar.

- Obrigada, Zé.

Tom pensou em dizer algo para conseguir manter a conversa com ela, mas não foi rápido o suficiente. O rapaz o atendeu com visível má vontade e ele achou melhor sequer arriscar perguntar qualquer coisa sobre o refúgio. Ia ter que esperar uma oportunidade de falar com ela.

Uma mesa ficou vaga e ele levou seu café para lá. No balcão, ia ficar muito claro que estava enrolando. Comeu devagar, esperou o café ficar gelado. A lanchonete esvaziou e a dama Cristina estava no caixa, enquanto o seu ajudante limpava as manchas de café no vidro de balcão. Era a sua chance.

- Queria pagar.

- Foi só o café e o pão?

- Sim… – estendeu a nota de dez reais e enquanto ela conferia o troco, tomou coragem. – E eu precisava de ajuda para encontrar… um lugar.

Ela parou, erguendo as sobrancelhas enquanto o encarava.

- O que você quer dizer com isso?

- Me disseram que a senhora podia me ajudar. Estou… fugindo…

Na mesma hora, ela fechou a gaveta do caixa e devolveu uma nota de dez a ele.

- Se você não sair daqui em dez segundos, vou chamar a Polícia.

- Eu… – o balconista aproximou-se, pressentindo que havia algo de errado pelo tom de voz da chefe. Tom viu a dama pegar o telefone e soube que ela ia cumprir a ameaça. A nota agarrada na mão, saiu tropeçando da lanchonete.

Do lado de fora, a vida seguia o rumo normal de uma quarta-feira de manhã. O sol estava tímido, pessoas caminhavam apressadas, ônibus paravam no ponto a vinte metros dali. E Tom estava perdido, dessa vez de uma forma muito mais definitiva do que antes. Não podia andar a esmo, ou os neotemplários o pegariam. Não tinha mais família na cidade e os dois únicos amigos em quem confiava a sua vida eram servidores do Templo.

Parado, tentando descobrir uma direção, só despertou quando quase foi derrubado. Alguém esbarrou nele, correndo, sem sequer murmurar um pedido de desculpas.

- Ei, cuidado, pô! – por mero instinto de habitante urbano, colocou a mão no bolso. Daquela vez, o pior tinha acontecido. O desconhecido era realmente um assaltante e tinha levado sua carteira. Sem entender direito o porquê, começou a correr na direção em que vira-o sumir.

Sentia um misto de raiva, frustração e impotência enquanto corria. Atravessou a rua sem ver, deixando para trás buzinas e freios. O bandido entrara pelo portão de acesso do Campo, metendo-se na grande alameda que cortava o espaço, levando da rua até o Templo de Niterói, no outro extremo.

Ele continuou, vendo-o desviar das pessoas que caminhavam. Tom não diminuiu o passo nem tomou o mesmo cuidado e derrubou alguns velhinhos que faziam uma mistura de tai chi com ginástica laboral. Quando o assaltante sumiu atrás do velho coreto, ele acelerou ainda mais.

A porta da entrada de manutenção estava aberta e ele sequer hesitou. Uma raiva surda crescia no seu peito, uma indignação quase assassina. Porém, ali naquele ambiente mal iluminado, respirando uma mistura de mofo e poeira, caiu em si.

- Quem é você e o que fez comigo? – ele tinha estado sobre efeito de uma compulsão. Por isso a corrida desesperada e sem sentido. Não tinha nada na carteira de tão valioso, os documentos estavam na mochila, assim como o grosso do dinheiro. Lembrou da nota que ainda estava amassada em sua mão. Esticou-a e na penumbra pode ler ‘Siga o Coelho Azul’.

- O que isso quer dizer?

Deu um passo para trás, certo de que tinha caído em uma armadilha. Mas antes que conseguisse sair, um calor absurdo o envolveu. Era como se de repente tivesse um cobertor elétrico em cima do seu corpo. A quentura amoleceu seus músculos e sua vontade, as pálpebras começaram a fechar. Ainda lutou, deu três passos curto e sofridos na direção da porta, mas a escuridão finalmente tornou-se total.

Quando recuperou os sentidos, Tom estava em uma cama dura, em um ambiente escuro e que cheirava a terra. Não sentia dor nem desconforto, era como se tivesse acordado de uma soneca no meio da tarde. Espreguiçou-se e estalou todos os ossos das costas.

Olhou ao redor, não esperando muita coisa. Estava certo. Uns móveis gastos, um abajur em cima da mesa de cabeceira que, ligado, mal iluminava até a porta. Suas coisas estavam jogadas em uma cadeira. Levantou, decidido a encontrar respostas.

Andou por um longo corredor, sem encontrar mais ninguém. Uma série de portas iguais fechadas dos dois lados, o número pintado em cada uma era a única diferença entre elas. A luz fluorescente deixava tudo com uma atmosfera de hospital, desmentida pelo cheiro forte de terra e de lugar fechado.

Finalmente chegou a uma sala imensa. Três sofás fechavam um dos cantos, uma televisão de plasma numa das paredes. Uma estante imensa percorria outra parte da sala, com três mesas de jantar na sua frente. Uma mistura de biblioteca, sala de estar e jantar, estranhamente vazia e bem cuidada.

- Boa tarde, Antônio.

Virou-se para cumprimentar a Dama.

- Boa tarde. O que aconteceu?

- Precisávamos trazê-lo até aqui sem despertar muitas suspeitas. Sabemos da ordem de caça e eu já esperava que você nos procurasse… mas não podia parecer que estávamos ajudando um fugitivo. – ela fez um gesto indicando que ele sentasse. Quando Tom se acomodou, ela sentou-se à frente dele.

- Enquanto você estava inconsciente, fizemos uma checagem para saber se tinha algum dispositivo de rastreamento em você. Ainda falta um passo para podermos garantir que você está limpo.

Tom ergueu a sobrancelha. Ele realmente não pensara que fosse tão difícil conquistar a confiança do grupo rebelde, mas teria que se submeter.

- E qual seria, Dama Cristina?

Ela sacudiu a mão.

- Pode ser só ‘Cristina’. O Dama foi invenção daquele blog da Mariana. Não gosto, mas dá uma certa respeitabilidade que ajuda muito a manter o Templo longe dos meus negócios. Bem, por mais que tecnologia e artefatos mágicos sejam úteis, tem uma coisa que não pode ser substituída: um bom farejador.

O mago ficava cada vez mais intrigado.

- Farejador?

- Zé! – Cristina gritou, sem responder. O balconista da lanchonete apareceu, a expressão ainda fechada e carrancuda.

- Ele está pronto?

A mulher sorriu e estalou dois dedos. Amarras saíram da madeira e prenderam os pulsos e os tornozelos de Tom.

- O que…

- Mágica, querido. Ou você nunca desconfiou dos meus motivos para advogar pelos direitos dos magos? Só que tive a sorte de ter um pai estudioso de ciências arcanas e tecnologia mágica. – ela colocou a mão no pescoço, onde uma cruz ankh estava pendurada em um cordão de tecido. – Posso beijar um neotemplário na boca e ele não sentiria uma gota de mágica.

Zé rosnou alto com essas palavras.

- Não gosto quando você brinca assim.

- Desculpe, amor. Você sabe que é só para reforçar o poder do amuleto. Quem precisa de um beato bobalhão quando se tem um lobo?

O olhar que dois trocaram fez Tom sentir-se constrangido, como se estivesse testemunhando um momento muito íntimo. Ele deveria ter imaginado – também – que havia algo entre os dois. Ela deu um sorriso cheio de promessas e ele desviou o olhar para o mago recém-chegado.

- O negócio é o seguinte: eu vou cheirar você. Não é agradável para mim, não vai ser agradável para você, mas é necessário para sabermos se podemos confiar em mais um renegado.

Ele se aproximou, mudando gradativamente, cada passo trazendo uma nova alteração. Quando estava tão perto que Tom podia sentir a respiração dele foi que entendeu o que Cristina quis dizer com “lobo”. Zé era um licantropo.

Fechou os olhos, com medo, mas tranquilo. Não tinha nada a esconder e sabia que eles veriam isso. Porém, foi surpreendido quando, na primeira fungada, a criatura uivou.

- Cheiro de neotemplário. Forte e recente! Ele é um espião!

Demorou um segundo para ele entender. Zé tinha sentido o cheiro de Carlos, por causa da noite que passaram juntos. Não teve tempo para se explicar, pois o lobisomem o socou com força no peito, derrubando-o, ainda preso na cadeira. Sentiu uma pressão na barriga e viu Cristina, o pé o prendendo no chão e os olhos em chamas. Ele tentava em vão juntar força mágica o bastante para pelo menos se soltar, mas seu treinamento precário jogava contra ele.

- Bem, você vai morrer de qualquer jeito. Pode ser longo e sofrido, nas mãos do Zé, ou rápido e tranquilo, um feitiço de sono e a garganta cortada. Depende de quanta verdade você disser. – ela gesticulou, uma aura verde se formando ao redor deles. – Fale!

A mão do licantropo estava no seu pescoço. Ele não tinha saída a não ser responder.

- Eu… eu transei com um templário na noite passada. Carlos foi me avisar da ordem de caça, eu gosto dele há anos, não resisti e foi tudo. Não disse para onde vinha e ele saiu da minha casa antes de mim.

A luz ao redor continuou verde. Cristina bambeou um pouco e Zé a segurou com a mão livre.

- É verdade, amor?

- É sim – ela respondeu com voz fraca. – Bete me falou de um amigo do irmão que ainda estava livre. Pelo visto é ele.

Ela tirou o pé de cima dele e sentou numa cadeira próxima. Zé levantou a cadeira e as amarras sumiram. Tom esfregou os pulsos, ainda espantado com tudo que estava acontecendo.

- Vocês conhecem a Bete?

- Sim, ela é um dos nossos contatos no Círculo de Niterói. Não deve estar sabendo da sua fuga ou teria nos avisado e sua recepção teria sido diferente. Desculpe por isso.

- Tudo bem, eu entendo. – e apesar de tudo, ele entendia mesmo. Vidas estavam em risco ali, eles não podiam se arriscar.

Zé estendeu a mão, o rosto já totalmente humano com uma expressão mais leve.

- Antônio…

- Meus amigos me chamam de Tom.

O licantropo sorriu.

- Tom, bem-vindo ao QG da Resistência Mágica Brasileira.

Começando os trabalhos

Arrumei as minhas pastas aqui para começar o ano de trabalho… E aí faço um rápido censo e descubro que tenho exatamente:

25 romances começados
15 só com sinopses

5 contos começados e não terminados
43 ideias soltas que um dia podem ou não virar contos.

ideias
Do que eu preciso?

( ) Foco
( ) Tempo
( ) Vergonha na cara
( ) Sair da internet e escrever

Comitê de boas-vindas

Olá, amigos.

Como está sendo o 2014 de vocês?

O nosso está sendo ótimo – acabamos de voltar de férias. E vocês sabem como é a pessoa que tem bichos e volta de viagem. Fui direto apertar as criaturas peludas que, obviamente, fingiram que nem estavam sentindo minha falta. Aliás, estavam fingindo bem demais, todos muito ariscos. O cheiro estava bem forte, mas uma semana fora, mesmo com a boa vontade da empregada, a caixa de areia não estava a coisa mais limpa do mundo.

(Falando nisso, acabou a areia, amanhã tem que comprar.)

Põe roupa para lavar, guarda as malas, mata saudade de pai e mãe no jantar. Quando voltamos, Estevão comenta que viu umas manchas de sangue debaixo de uma mesa onde os gatos costumam ficar. E lá fui eu, porque é isso que eu faço.

Chego lá, gatos todos inteiros, ainda muito ariscos… e um chiado estranho. Olho na prateleira da estande de limpeza e…

Algo se esconde dentro de uma jardineira vazia

Algo se esconde dentro de uma jardineira vazia

Mas que troço esquisito seria esse?

Chego mais perto e…

"Estevão, tem um gambá aqui, o que eu faço?" "Pega a camera"

“Estevão, tem um gambá aqui, o que eu faço?”
“Pega a câmera”

Claro que eu NÃO fui pegar a câmera – Estevão é que apareceu com ela – e me armei com a vassoura mais próxima. Não para machucar o bichinho, mas para colocar uma distância saudável entre nós.

Obviamente, ele não curtiu muito a estratégia…

O gambá, a vassoura, um saco plástico que ficou fedendo a gambá - e a bagunça generalizada.

O gambá, a vassoura, um saco plástico que ficou fedendo a gambá – e a bagunça generalizada.

E correu pelo quintal (os gatos só assistindo)

Depois de correr pelo quintal, muito p da vida ao ser capturado por Estevão, após se agarrar pelo rabo em uma gaiola vazia.

Depois de correr pelo quintal, muito p da vida ao ser capturado por Estevão, após se agarrar pelo rabo em uma gaiola vazia.

 

No fim, quando Estevão finalmente pegou o bichinho, vimos que estava bem machucado, uma orelha quase cortada pelos gatos, mas nada muito sério.

Antes de ser colocado no seu devido lugar

Antes de ser colocado no seu devido lugar

Para evitar maiores estresses, Estevão o levou para a mata que fica no fim da nossa rua. Aqui, com gatos e cachorros, o destino dele era certo.

Enfim, nada como um comitê de boas vindas para me lembrar que a minha vida nunca é pacata e tranquila! :D

 

 

Adeus Ano Novo, feliz Ano Velho… não, pera!

Fim do ano no calendário oficial do mundo ocidental. E o que você fez?

Aposto que um monte de coisas. Algumas, super-úteis para a humanidade. A maioria nem tanto.

Também poderia apostar a minha alma imortal que teve um outro monte de coisas que você não fez. Algumas, você realmente deveria ter feito. A maioria, nem tanto.

E com certeza quase absoluta, aposto que muitas coisas estão sendo planejadas para 2014. Algumas, bem possíveis de ser realizadas. A maioria, nem sonhando.

Isso não pode te impedir de tentar. Nunca.

Então, que em 2014 você tente. Tente muitas coisas. Algumas, você vai conseguir realizar. A maioria, eu acho dificil.

Mas o saldo vai ser sempre positivo. ;)

Feliz … bem… ahn… Ah, boas festas para todos!

Olha:

Coisa mais chata essa de ateus, pagãos e anti-cristãos em geral de responderem a um ‘Feliz Natal’ com ‘Ah, eu não comemoro Natal porque (um monte de motivos relevantes, mas que não justificam a grosseria)’ ou a um ‘Feliz Ano Novo’ com ‘Ah não sigo o calendário cristão por (mais motivos relevantes que continuam não justificando a falta de educação)’.

O nome não importa. Ao falar ‘Feliz Natal’, a pessoa está desejando coisas boas. Deixemos religião de lado e nos foquemos nos sentimentos, pois estes são os que valem. Ao invés de responder com grosseria, fale um ‘Boas festas para você também’ – e isso vale principalmente para os pagãos, afinal nós ADORAMOS uma festa, não é?

Então, a todos:

Boas Festas e que o ano seja bom. Mesmo que ele não comece agora para alguns de nós!

natal2014

 

E porque eu ainda sonho com um Natal branco:

Um atlas em construção

O ‘Atlas ageográfico de lugares imaginados’ está andando até bem, mesmo com as traduções e o trabalho oficial pegando fogo.

Porém, esse final de semana que passou, uma dúvida me bateu: será que não era melhor ler um pouco, ter mais referências para construir esse universo?

Boa parte do que estou fazendo no ‘Atlas…’ vem de leituras antigas, reminiscências e memórias. Extratos de lendas e de bestiários que li em algum momento da minha vida fazem aparições esporádicas. Claro que Biblos, a cidade-biblioteca, tem uma referência bem clara, que é a Biblioteca de Babel borgiana.

Um dos livros que tenho usado como ponto de apoio desde que tive essa ideia meio estranha de uma construção ageográfica – ou mesmo antes, se pensarmos a escrita de ‘O longo caminho de volta’ como ponto de partida – foi o Dicionário de lugares imaginários de Alberto Manguel, que saiu em uma bela edição da Companhia das Letras. Meu uso desse livro foi pouco… acadêmico. Não o abri procurando uma referência definida, usando o índice. Pegava o livro sem me preocupar, vendo páginas aleatórias. No momento em que algum verbete me chamava a atenção, lia com cuidado, fazendo anotações e depois buscando – na internet ou em algum dos 6874646747 livros que tenho em casa – saber mais, referências cruzadas. Quem pesquisa na internet sabe que de uma pesquisa simples podem vir os resultados mais surpreendentes. Isso aconteceu com alguma frequência nesse caso, felizmente.

O que me fez pensar na necessidade de ler mais e ter mais referências foi ter visto um livro do Umberto Eco. Com o título de História das terras e lugares lendários, a obra segue o mesmo conceito de livro-arte informativo do História da beleza, por exemplo – e apesar de uma edição caprichada, uma leitura por alto me mostrou ser um livro menos aprofundado do que o do Manguel. Será que nessa altura do campeonato, com o livro já traçado, valeria a pena comprar um livro – caro – para acrescentar algo mais?

E se for esse o caso, não seria melhor escolher o Lugares de ningun lugar, de Daniel Tangir, que foi super recomendado pela Nikelen Witter? Em que momento a gente para de pesquisar para só escrever?

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