[O que está acontecendo] Encontro Irradiativo com workshop

Oi, migos!

Estamos aqui, trabalhando na revisão do Atlas e em quatrocentas outras coisas. Uma delas é o Encontro Irradiativo, que vai acontecer no próximo final de semana em São Paulo!

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Uma lindeza, né? E isso é apenas parte da programação. Teremos várias outras atrações, incluindo uma edição pocket do meu workshop, com a participação especial da Maria Claudia Muller, falando da experiência com o wattpad.

Vamos falar sobre registro, revisão/copi, formas de publicação, contratos e tirar dúvidas sobre publicação online. Vagas limitadas, então não perca tempo!

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Na noite das fogueiras…

É preciso deixar claro.

Não sou a neta das bruxas que eles não conseguiram queimar.

Eu sou as que queimaram. Todas as que morreram por um sistema de crenças machista e patriarcal, por um sistema de governo que reprime manifestações culturais e religiosas populares e que ameaçam seu status quo.

Sou todas elas e jamais iremos nos calar.

Magic Circle - J. W. Waterhouse

Magic Circle – J. W. Waterhouse

[O que estou fazendo] ‘O Atlas ageográfico de lugares imaginados’ finalmente tem uma primeira versão

Sim, isso mesmo.

Finalmente consegui terminar um romance – no momento, estamos no começo da primeira revisão e com 85 mil palavras. É uma sensação estranha. Eu achei que terminar um romance iria me tornar uma pessoa diferente, mas só me deixou com fome e com sono, ou seja, do jeito que sempre estou.

Muitas pessoas tem me feito algumas perguntas sobre o Atlas e reparei que, apesar de falar muito sobre ele nas redes sociais, raramente eu o defino ou o explico.

Então, vamos ao FAQ:

1 – O que é o ‘O Atlas ageográfico de lugares imaginados’?

É um romance de literatura especulativa. E também um livro ficcional que aparece nesse romance.

2 –  É fantasia?

Mais ou menos. O Atlas trata de assuntos  como memória, lembrança e autoconhecimento, em um cenário especulativo que tem muito de fantasia (deuses, magia, seres estranhos) como de FC (viagens interdimensionais, multiversos, realidades paralelas).

3 – De onde veio a ideia?

De várias coisas.

De dois contos que escrevi de Fantasia Urbana. Da vontade de fazer algo que se ligasse de forma indireta ao Ladrão-de-Sonhos. De explorar uma estrutura de romance diferente.

E de um desafio que eu me autolancei ao dizer ao estagiário que um dia escreveria um romance sobre aquela música do America, ‘Horse with no name’.

4 – Vai sair quando e por qual editora?

Não sei x2.

O livro ainda não está pronto. Ele foi escrito, mas falta muito prele chegar ao ponto de ser publicado. Só quando chegar nesse ponto é que vamos procurar uma casa. Ele não deve sair pela Aquário, pois na editora não estamos querendo publicar romances, mas de resto tudo pode acontecer.

5 – Afinal, sobre o que é?

A sinopse atual é essa:

Um deserto que existe, apesar de ser impossível, entre tempos e dimensões.

Um homem-morcego que carrega sozinho a dor de ter perdido seu mundo, e que não pode compartilhar essas lembranças.

Uma jovem cuja única pista para seu passado é um livro em branco.

Um rei exilado pelos demônios que comprou para se tornar mais poderoso.

Um cavalo sem nome.

Uma criatura que aparece e reaparece, sempre com um desafio.

Um universo multiplanar ameaçado.

Três dias de jornada em busca de respostas e lembranças, enfrentando obstáculos invocados por três entidades misteriosas.

Mas também posso dizer que é sobre uma moça sem memória, um homem-morcego, uma estátua dourada que se mexe, um cavalo e um deserto no qual eles foram parar sem saber bem porquê. E sobre cidades obliteradas, memórias trancadas, lembranças perdidas, amores desencontrados, viagens transdimensionais… e um Viajante que sabe mais do que os outros.

Ou seja: anos de trabalho, 85 mil palavras e eu não sei bem como responder sobre o que é esse livro.

Mas pelo menos ele existe:

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Inclusive em uma única e exclusiva cópia física – a única que jamais haverá dessa versão – já entregue às mãos do meu-melhor-amigo-e-grande-apoiador:

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(Sim, foi com um morceguinho desses incluso)

Das lutas de cada uma.

Hoje é aniversário da Ursula Le Guin. Uma das escritoras mais influentes da ficção fantástica mundial. Um exemplo para todas nós, pois escreve desde quando era estranho uma mulher escrever FC. Eu deveria falar sobre ela.

Mas hoje a comissão de ética da Câmara dos Deputados do Brasil aprovou uma lei que vai a votação para depois passar a reger as vidas das mulheres. Por essa lei, a mulher vítima de violência sexual não vai poder ser informada sobre seus direitos em relação a prevenção de uma gravidez indesejada. Uma câmara dos deputados que tem uma representação feminina mínima.

Mas ontem um programa mostrou crianças cozinhando e as redes sociais brasileiras foram inundadas com… seres vagamente similares a humanos que anunciavam aos quatro ventos seu desejo de natureza totalmente sexual por uma MENINA.DE.DOZE.ANOS.

Eu estou de estômago embrulhado. Realmente não consigo acreditar que vivo em um país… não, em um mundo que permita coisas assim. Mas vivo. É pior do que muitas distopias que li, é pior do que os futuros apocalípticos que escritores mais imaginativos que eu criaram.

É pior porque é absurdamente real. Não vai acabar quando fecharmos um livro ou desligarmos o ereader. Vamos acordar amanhã sabendo que se uma mulher pobre, que não teve acesso às informações que eu (classe-média-intelectual-do-sudeste) tive, for estuprada, ela correrá um grande risco de engravidar de seu agressor. E terá que carregar o fruto dessa violência por meses, pois ninguém a informará sobre seus direitos, sobre suas escolhas.

Tem mulheres, tem pessoas maravilhosas que lutam mesmo, vão às ruas, aos hospitais, à Câmara e tentam impedir esses absurdos. Que gritam. Todo meu amor, todo o meu carinho, todo o meu apoio a elas.

A minha luta é mais sutil. Mais lenta e talvez menos significante, mas é onde eu acho que consigo ajudar melhor. Não sou boa de retórica e se tem algo que meu envolvimento no movimento estudantil me ensinou é que minha militância nas ruas é péssima – sou lenta demais e alvo fácil.

Luto para que mulheres (e outras pessoas invisibilizadas seja por sua cor, por seu gênero, por sua sexualidade e por vários outros motivos) sejam ouvidas e vistas na literatura. Principalmente no que chamamos de literatura fantástica.

Como disse, é uma luta menor, eu sei. E se tiver algum resultado, vai ser a muito longo prazo. Mas foi assim que escolhi lutar, porque acho que é nos livros que temos um dos caminhos para mudarmos a sociedade em que vivemos, principalmente se falarmos de literatura fantástica, que atrai jovens e crianças. Reclamo e vou reclamar  sempre de livros sexistas e com poucos personagens femininos de relevância, pois acredito que a literatura tem o poder de influenciar positivamente quem lê. Vou continuar apontando sempre que eu notar o apagamento da diversidade quando se falar de literatura fantástica, seja em que meio for, em que mídia estiver, pois todos precisam e devem ser vistos.

Por causa disso, vai ter quem me chame de ‘chata’? De ‘arrogante’? De ‘egocêntrica’? De ‘militonta’? De ‘babaca’? De ‘feminista raivosa’? De ‘social justice warrior’? Sim, vai.
Não ligo.
Porque penso na possibilidade de ser por causa dessa minha luta que, um dia, uma menina pegue um livro para ler e veja na capa o nome de uma autora. Depois, ela vai abrir o livro e descobrirá que lá dentro tem uma personagem feminina que importa, que age, que é relevante. E ela vai se sentir menos sozinha. Vai ver que ela importa.

Ou talvez um menino pegue esse mesmo livro e ao conhecer essa personagem, reconheça as dificuldades da menina ao seu lado e a respeite mais, não tente apagá-la ou ignorá-la.

Porque pode ser que um post, um tweet, um comentário meu incentive uma autora a não desistir, um autor a criar uma personagem feminina relevante. Ou que faça um leitor abrir um livro que mude a sua visão do mundo.
Se isso acontecer ao menos uma vez, pode o mundo inteiro me chamar do que quiser. I don’t care.

Vai ter tudo valido a pena.

[O que estou lendo] Duas lendas se encontram na Terra das oportunidades – resenha de Golem e o gênio, Helene Wecker

Criaturas encantadas são tema importante na literatura fantástica desde sempre. Muitas vezes como antagonistas ou como catalistas de situações, mais raramente como protagonistas. E poucas, muito poucas obras dentro das muitas que li conseguiram captar a estranheza de ser inumano tão bem quanto The Golem and the Jinni de Helene Wecker. Publicado em 2013, foi indicado um dos indicados ao Nebula desse ano. Apesar de alguns o colocarem como ‘Young Adult’, é uma obra para todas as idades, para todas as pessoas.

A história se passa no começo do século XX, em uma Nova Iorque cheia de vozes e povos diferentes, começando a tentar se entender. Nessa cacofonia, surgem duas criaturas, Chava, uma golem construída para ser a noiva perfeita, e Ahmad, um gênio – sim, daqueles que moram em lâmpadas e que teoricamente realizariam desejos. Apesar de aparentemente os dois terem papeis bem claros no mundo, as circunstâncias de suas vidas acabam sendo muito diferentes do previsto e os fazem ter trajetórias paralelas em uma cidade que fala muitas línguas e reza para muitos deuses.

São duas criaturas completamente deslocadas, que não entendem o que acontece ao seu redor, que sentem que não pertencem a esse mundo – ou a qualquer outro. A construção deles, da identidade e da história deles, nos traz surpresas a cada passo, até o momento em que os dois inevitavelmente se esbarram e uma nova trama acaba surgindo. É um livro sobre memória, identidade, pertencimento e poder, sobre o que faz de nós aquilo que somos e o que precisamos deixar de lado para nos construir.

Todos os personagens são construídos com cuidado – até demais, em um excesso de minúcias que torna a primeira parte do livro um pouco arrastada. Aliás, se The Golem and the Jinni tem alguma falha mais grave é na irregularidade do seu ritmo. Se a história de Chava e Ahmad é narrada detalhadamente no começo, entre idas e vindas, flashbacks e memórias não lembradas, muito mais a descrição de um cotidiano do que o desenrolar de uma trama, o terço final é apressado, como se a história subitamente precisasse ser terminada.

Porém, a forma como ela consegue entrelaçar as tramas e os personagens, transformando a Nova Iorque real em algo ainda mais extraordinário, ajuda a compensar essa diferença no ritmo. Outro ponto alto também é a sutileza com que Wecker contrasta duas culturas, afinal golens são crias de rabinos e portanto tem origens judaicas, enquanto gênios vivem nas lendas e mitos das areias da Arábia mesmo antes do Islão. Os personagens, principais e secundários, estão imersos nessas sociedades enquanto confrontam-se com a nova realidade de imigrantes nos EUA, de forma sensível, sincera e verossímil. Em um momento como o atual, torna-se uma leitura ainda mais essencial.

As motivações dos antagonistas às vezes quebra um pouco a sensação de realidade que os personagens tem, mas isso não estraga a leitura recomendadíssima dessa história que se sustenta sozinha no meio do mar de sagas gigantescas – mesmo que a autora tenha confirmado recentemente que haverá mais uma história nesse mesmo universo.

The golem and the Jinni

Helene Wecker

Harper

2013

512 páginas

(Edição brasileira: Golem e o gênio, Darkside, 2015)

Voltando e despachando livros!

Oi, gente.

Prometo que vou tentar, semana que vem, postar sobre a experiência dos lançamentos e dos shows do Fernando Ribeiro e dos Moonspell no Brasil. Tá difícil processar as emoções todas que vivi nessa semana. Melhores férias da minha vida. Mesmo tendo trabalhado pra caralho.

Mas chegando em casa, fomos fazer um pequeno levantamento de estoque e descobrimos que meus coelhos estão sumindo!

Sim, isso mesmo.

Recebemos um pedido grande de ‘Anacrônicas – contos mágicos e trágicos’ na volta da turnê de lançamento de Purgatorial e descobrimos algo que me fez ficar (ainda) mais feliz.  A tiragem inicial foi de 1.000 exemplares. Nesse levantamento que fizemos aqui vimos que, entre vendidos e distribuídos, já se foram mais de 650!

Então, tudo dando muito certo – estou otimista e quero comprar uma passagem pra Europa ano que vem, lembrem disso – até o fim do ano essa tiragem esgota.

Quem quiser autografado, na minha mão, por R$26,50 (frete incluso) e biscoito, só falar no inbox.

Não me responsabilizo pelo estado do biscoito ao chegar na sua residência… ou dos coelhos, por falar nisso.

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[O que estou fazendo] Purgatorial, de Fernando Ribeiro

Eu traduzi Isaac Asimov.

Eu traduzi parte de ‘Tigana’, um dos grandes clássicos contemporâneos da Fantasia. E traduzi a trilogia original de Shannara, que deu o pontapé inicial na onda de fantasia nos moldes tolkenianos em que vivemos até hoje.

Trabalhei editorialmente em ‘Outlander’, um dos maiores best sellers do seu gênero. Também mexi em uma coletânea dos grandes George R. R. Martin e Gardner Dozois.

E antes já tinha editado uma coletânea de Nelson de Oliveira.

Mas nunca na vida tinha editado um livro de poesia. Traduzido poesia. Trabalhado com poesia.

Minha relação com rimas e métricas sempre foi de leitora – tirando, claro, aquela fase que todo adolescente com a sensibilidade mais aflorada passa, de tentar expressar-se assim, colocando sentimentos confusos em estrofes e versos. Para o bem da humanidade em geral e da literatura em particular, foi fase, passou e não deixou maiores danos. Só alguns documentos no Word que eu tenho dó de apagar.

Só li.

Os clássicos brasileiros, portugueses (yep, li Pessoa e Camões. Mas li Espanca, Sá-Carneiro, Bocage e por aí vai), os ingleses, os franceses e até os alemães (Ich sprache um pouco de Deutsch, dá pra arranhar um Goethe da vida numa tradução bilíngue).

Aí, numa nessas guinadas que a vida dá, virei editora da Aquário, a iniciativa mais legal do atual cenário editorial brasileiro. E eis que surgiu a oportunidade de trabalhar em um livro de poesia. Portuguesa. Contemporânea.

Do vocalista de uma das minhas bandas preferidas.

É. Eu travei um pouco na hora de cair a ficha. Eu acompanho o trabalho da banda desde 2001, mais ou menos. E sou completamente apaixonada pelas letras do Fernando Ribeiro. É uma questão de identificação e de inspiração – as músicas do Moonspell inspiraram alguns dos contos que mais me são caros, como “Queda e Paz” e “Como nos tornamos fogo“.

Foi difícil conseguir segurar a emoção da fã na hora de ser profissional, mas acho que consegui. Até porque o material que eu recebi é simplesmente maravilhoso.

A edição portuguesa é o conjunto de três livros anteriores do Fernando (Como escavar um abismoAs feridas essenciaisDialogo de vultos) com poesias inéditas. Quando negociamos uma edição nacional, logo surgiu a ideia: e se colocássemos material diversificado junto?

Ele adorou a ideia. E assim, a edição brasileira da Aquário tem mais conteúdo que a original, incluindo pequenos poemas sobre as cidades pelas quais ele passou na última turnê, contos, um ensaio sobre Crowley e pessoa, um extrato de um romance ainda inédito – e o que vai fazer os fãs do Moonspell surtarem: um diário da passagem da turnê Road to Extinction, em que o Fernando destila toda a sua sinceridade, com a qual tomamos contatos em seus posts no blog.

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O livro recebeu um trabalho gráfico lindo do Estevão Ribeiro (Editor da Aquário e meu marido, pra quem não sabe), que usou como base a capa original portuguesa da Saída de Emergência. Ele realmente caprichou nessa edição, cheia de detalhes que combinam com a essência de um livro tão diverso.

E agora, falo como leitora. Eu sou fã, mas sou crítica. Vocês sabem disso.

Se o livro não tivesse me tocado imensamente, eu não estaria aqui falando dele. Faria meu trabalho e só. Mas as poesias do Fernando Ribeiro tiveram em mim o mesmo impacto que as letras das músicas do Moonspell. Eu li o arquivo com elas de uma vez só, sem pensar em editar, revisar. O primeiro contato foi o de leitora – eu queria ter tido um olhar mais distante, mas foi impossível. Fui simplesmente arrastada.

Não entendo poesia. Sei do que eu gosto. Gosto de Pessoa, Augusto dos Anjos, Tennyson, Keats, algum Baudelaire e nem todo o Bilac.

E do Fernando Ribeiro – que tem óbvias influências de Pessoas, mas que me fez lembrar muito de Augusto dos Anjos, da sua ânsia de minúcias biológicas e escatológicas. Não sei explicar se existe diferença entre ser um compositor e ser um poeta, já que não sou nenhum dos dois. Mas há compositores que nunca me tocaram enquanto poetas. Aqui, o caso foi completamente diferente. Mesmo quando voltei ao livro para editá-lo e revisá-lo (mantendo, na parte em verso,  a grafia portuguesa sem o Acordo, como as poesias foram originalmente apresentadas), por vezes parei e selecionei trechos:

Assiste ao corpo o direito de renunciar ao mundo.
Assiste aos olhos o direito de reclamar legítima
defesa contra as cores.

Mas o estúpido sorriso
E o estúpido caminho
Não me ajudam a
Deixar de estar sozinho.
Uso a táctica do pedestal
Pela última vez
E já ninguém cá chega
Mas também ninguém fica.
(A táctica do pedestal)

Apetece-me o labirinto,
A morte,
A descida.
(Poema d’ amoníaco)

Rastos e restos,
Rasos e fundos.
Armadilhados de sede
no peito desfeito.
Em defesa, acrobacia do nada.
Guerra aberta, dimensionada no tudo.
(Rastos e restos)

Nada espero.
Tudo quero.
Se me dessem o mundo
enfiava-o na mala.
(Mala)

Colher-te das árvores
beber-te das poças
da pele de quem passava
distraído
pela ausência
de quem fomos.
(Bomba de pregos)

Isso é uma amostra. Meu arquivo com quotes desse livro tem quase 25 páginas no Word, só da parte de poesia.

O extrato de romance, ‘O Bairro das Pessoas’, tem uma prosa frenética, desenfreada, enquanto os contos são mais lovecraftianos e lentos em sua composição, com um cuidado especial na construção da atmosfera. Há dois textos de não-ficção: um relato sobre a morte do vocalista do Batóry e um pequeno ensaio sobre Pessoa e Crowley. Os dois, além de informativos, são uma pequena janela para o mosaico de influências que formam a poesia e as composições do autor.

A edição finaliza com um verdadeiro presente aos  fãs do Moonspell: o diário de turnê tem uma sinceridade rasgada, contando as dores de uma turnê, as dificuldades de se manter fiel ao sonho mesmo quando o mainstream musical já não encara o rock pesado (ou melhor dizendo, o rock em geral) tão bem. Sim, o Moonspell é conhecido no meio, tem fãs, mas isso não significa que tudo sejam flores, que os lugares sejam ótimos, que a divulgação ajude – ou que a vida pare de acontecer. E Fernando não esconde nada: o contato nem sempre fácil com os fãs, as más notícias que quebram a rotina, a hipocrisia musical portuguesa… está tudo ali, de forma nua e crua, despudorada, raivosa, amarga, mas gentil e doce por vezes.

Este post é para falar desse livro, do qual tenho um orgulho gigantesco. Mas também para convidar vocês para o lançamento. Com autógrafos. Sim, o Fernando Ribeiro está no Brasil, vai tocar no Rock in Rio e vai fazer uma pequena turnê com a banda. Aproveitando, também irá fazer lançamentos do livro. Serão dois no Rio, um em Curitiba e outro em São Paulo – em São Leopoldo (RS), o lançamento vai ser no show.

Eu estarei em todos (menos no de São Leopoldo) e mal posso esperar para compartilhar esse trabalho com vocês!

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Para que serve a Bienal do Livro?

Começou ontem a maior feira literária (ou de livros, já que não são necessariamente sinônimos) da América Latina: a Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Durante dez dias, o longínquo RioCentro se torna um polo cultural, com palestras, bate-papos, mesas-redondas e livros. Muitos, muitos livros.

E filas, mas deixo para falar das filas  no meu Facebook que é para isso que redes sociais servem.

Por falar em ‘é para isso que serve’, queria responder uma provocação, que me chegou tanto via comentários de leitores em um grupo no Facebook (grupo que, aliás, recomendo) quanto da leitura do artigo que saiu hoje na Folha de São Paulo, em especial pela fala da querida Rejane Dias, editora executiva da Autêntica, que diz que um autor adulto pode “ficar perdido na Bienal… para o autor que não é conhecido fica complicado. Se um autor não atrai público, não faz sentido ir.”

Para que serve a Bienal?

Vai depender muito do seu envolvimento com o mundo dos livros e com o mercado editorial. Acompanhem:

  • Se você é leitor, mas consome poucos e bons livros: a Bienal é um lugar excelente para caçar novas aquisições. Editoras que nem sempre tem seus livros expostos nas livrarias fazem estandes. As editoras que tem entrada no varejo costumam levar parte do seu fundo de catalogo e fazem promoções. A diversidade bibliográfica na Bienal é gigantesca e sempre é possível encontrar alguma preciosidade.
  • Se você é leitor consumista, voraz e engajado: bem-vindo ao templo. Tem lançamentos, tem promoções, tem brindes, tem novidades, tem livros difíceis de encontrar. Tem autores internacionais para dar autógrafos. Tem autores nacionais (aos milhares) também. É como se fosse um parque de diversões – tem filas, comida cara, banheiros cheios e gente demais nos fins de semana, mas nos outros dias, depois das escolas, é pra fazer a festa.
  • Se você é autor: e aí não importa muito o tipo, a Bienal é uma excelente forma de crescimento pessoal e profissional. Seu livro está vendendo em um estande? Ótimo. Fique os dias que você conseguir lá! Interaja com o leitor, descubra onde você está acertando, onde está errando. Ainda procurando uma editora para chamar de sua? É um ótimo lugar para fazer contatos, conhecer catálogo e ver onde você tem mais chance no mercado editorial. Agora, atenção. Seja *profissional*. Seja *educado*. Não force a barra. Não ache que alguém tem a obrigação de recebê-lo. Não, não tem.
  • Se você trabalha na cadeia do livro e está procurando oportunidades: maior concentração de pessoas que decidem por metro quadrado. Mas vale o que eu disse ali em cima: Profissionalismo e educação NUNCA são demais.
  • E se você é editor, a Bienal serve para pular o muro que é a livraria e conhecer, olho no olho e cara a cara, o seu público. É onde dá para fazer aquele ajuste fino no marketing e no editorial. Além de ser a chance de rever amigos e encontrar alguns novos. :)

Pra mim?

É meu momento de lembrar que, olha, vale a pena. Não somos um país de leitores nem uma pátria educadora, mas tem esperança. Tem gente fazendo livro. Tem gente comprando livro. De todos os tipos. E isso é LINDO.

Não perco de jeito nenhum.

E estarei disponível para abraços, beijos e discussões acaloradas no estande da Aquário, lançando ‘Meu caderno de perguntas’, ‘Anacrônicas’, ‘O outro lado da cidade’ e corujando os outros lançamentos que Estevão e eu editamos: ‘Purgatorial’, ‘Ser pai de menina é…’, ‘As cores do esquisito’, ‘Tomai e bebei’ e os livros do Carlos Ruas!

PS: Vai ter biscoito. E Pirulito.

“O enterro da última quimera” – ebook com conto inédito passado no universo do Atlas.

Muita gente tem estado curiosa sobre o “Atlas”, meu romance-em-processo-de-escrita, que já passou da metade e fala sobre um deserto e os loucos seres que precisam cruzá-lo (contém um cavalo sem nome).

Na aba de Projetos aqui do blog, vocês podem encontrar uma lista dos contos que se passam nesse universo. O mais recente é “O enterro da última quimera”, que fala sobre o que acontece depois da batalha final.

Íbis - que não aparece nesse conto - na visão do Estevão Ribeiro.

Íbis – que não aparece nesse conto – na visão do Estevão Ribeiro.

Coloquei na Amazon esse conto bem curto para aproveitar o concurso #Brasilemprosa, apesar de não levar fé numa possível vitória. Porém, o resultado tem sido bem interessante, inclusive para ver como realmente funcionam os rankings de mais vendidos da Amazon.

Oras, o que mais tinha na minha timeline era autor (e editora micro) comemorando “Meu conto é o primeiro lugar de Terror”, “Meu livro é o 3o mais vendido na categoria de Ficção sobre Baratas” e coisas do tipo. Autores (e editoras) com pouquissimo alcance, com poucos comentários e reviews no site… Será que mesmo assim eles vendiam?

Não.

O ranking é construído em cima de um algoritmo um pouco mais complexo, que leva em conta o tempo de publicação e a quanto tempo o exemplar foi vendido. Ou seja, um livro vendido na última hora pode elevar o seu livro para uma posição a frente de outro, com meses de publicação e o triplo de vendas. E quanto menor e menos conhecida a categoria, menos disputada e mais fácil subir. Ou seja, tinha gente falando que era o mais vendido no ranking, mas na verdade era só o exemplar que ele mesmo comprou.

(Isso, claro, me deu a ideia de DIVULGAR não a posição no ranking, mas quantos livros vendi. Em menos de um mês, vendi 34 livros e me mantive sempre entre os 10 primeiros, geralmente entre os 3 primeiros da categoria de Fantasia Urbana. Uau. Dinheiro. Mulheres. Iates. Mulheres. Automóvel. Mulheres. Banquetes. Mulheres.)

Para recompensar o povo que curtiu e tem elogiado, prometi que quanto chegar aos 50 ebooks vendidos, vou lançar um com as histórias do Ladrão-de-Sonhos que vai ficar gratuito nos primeiros dias e sempre que for possível – a Amazon limita os dias de gratuidade das obras.

Onde encontrar ‘Anacrônicas – Contos Mágicos e Trágicos’?

Então…

Ando muito, muito atolada de serviço e este blog acabou ficando meio de lado. É difícil se manter fiel ao bom e velho blog e não cair no canto da sereia da praticidade e da instantaneidade das redes sociais. Dá a impressão de que blogs perderam espaço, pouco se comenta ou acompanha nessas plataformas.

É sempre uma questão de tempo!

É sempre uma questão de tempo!

Mas blogs são muito mais permanentes, as informações muito mais fáceis de encontrar e tem uma universalidade que as redes não tem. Afinal, você não precisa se logar, criar mais uma conta e coisa do tipo para ver um post em um blog.

Vou tentar colocar mais informações aqui, principalmente sobre minhas leituras e trabalhos.

Vamos começar com a pergunta da semana: “Ana, onde posso comprar seu livro?”

– Diretanacronicas2o comigo, via depósito bancário no Banco do Brasil, autografado e com amor. Mande email para anacrisrodrigues@gmail.com

– Direto na Aqualoja, a loja da Aquário, nossa editora. Lá, aceita cartão e outras facilidades.

– Nas lojas da Blooks, no Rio e em São Paulo!

– Na loja física da Arte & Letra, superparceira da Aquário.

-Na Nerdz, a loja da Jambô.

– Na Baratos da Ribeiro, em Botafogo

E online, nas grandes redes

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