“Ai, adoro seu trabalho…”

“… queria poder ajudar!”

Queria? Ou quer?

Quer? OBA!

Então, senta aí que a tia vai te explicar como você pode ajudar seu autor preferido e pobre a ganhar algum dinheiro e continuar escrevendo!venda.jpg

– Compre o material dela!

Pode parecer meio óbvio, mas é sempre bom reforçar. Inclusive porque é comum pensar que depois que compra um exemplar, fez tudo o que podia.

Bem, você sempre pode… dar de presente! Sim, ao invés de roupa, perfume, hidratante, dê livro! E ainda reforce dizendo ‘adoro esse livro/ essa autora, espero que você goste’ e coloque uma dedicatória bacana.

Ah, e vá atrás de ebooks e coletâneas em que ela participe. Procure sempre comprar direto com ela, pois o lucro é maior e mais direto, mas se não for possível (quem assina com editora grande nem sempre tem exemplares para venda, por exemplo), compre assim mesmo!

– Apoie as iniciativas dele

Siga nas redes sociais. Acompanhe nos eventos. Compre os livros na pré-venda. Participe do financiamento coletivo. Apadrinhe se ele tiver um financiamento coletivo recorrente…

Pera. Bugou?

Existem financiamentos coletivos para ajudar empreendedores/produtores a colocar um projeto/produto em andamento, certo?

Existe uma outra modalidade, em que você é um apoiador mensal, apoiando aquele produtor para que ele continue fazendo arte, recebendo alguns mimos em troca – mas não necessariamente uma troca direta por um produto ou serviço.

(Por acaso, esta que vos fala está pensando em fazer o financiamento coletivo do seu próximo livro, mas já fez seu Padrim, um financiamento coletivo recorrente.)

“Ana, tô sem grana… como ajudo?”

– Divulgue!

Você tem um blog? Fale sobre o trabalho dele. Escreve prum site? Idem.

Está em redes sociais? Tire foto com o livro, faça montagens com trechos e frases. Dê estrelas no skoob, comente no Goodreads, faça auê por ele.

– Ajude a divulgar!

Compartilhe e curta o que o autor posta. As redes sociais estão diminuindo cada vez mais o alcance orgânico das postagens, pra obrigar os produtores de conteúdo a pagarem pela divulgação. Então quanto mais pessoas interagirem com o conteúdo, mais relevância ele ganha e mais ele aparece.

– Fale sobre o trabalho dele

Viu alguém pedindo indicação de livro? Sugira o dela.

Tem gente armando um festival literário na sua cidade? Que tal convidá-la?

Jornalista amigo precisando de pauta? Autores nacionais geralmente tem histórias bem interessantes para contar.

– E o mais importante: comente o trabalho dele.

Sério, gente, falo aqui de coração. Não há nada pior do que publicar alguma coisa e não receber nenhum feedback, principalmente quando você disponibiliza de graça na internet.

Leu, curtiu, gostou? Comenta. Tá sem tempo? Aquele ‘curti muito’, quando é de coração, vale ouro. E se dá para se alongar, fala o que você mais curtiu.

 

Gostou e quer ajudar a ter mais conteúdo no blog? Torne-se um padrim e tenha acesso a conteúdo exclusivo.

 

 

 

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Sobre livros de mulherzinha…

Estou enfrentando um novo desafio na minha carreira. Depois de escrever o Atlas…, minhas agentes acharam que eu poderia escrever algo mais leve e, inspiradas pelo tom de crônica das minhas postagens nas redes sociais, sugeriram uma chick-lit que tivesse a minha cara, com ironia, humor ácido e situações constrangedoras.

Eu aceitei, claro, assim como aceitei, anos atrás, o desafio lançado pelo Nelson de Oliveira de escrever um conto de Fantasia Urbana, o que acabou levando ao Atlas….  E assim como foi com meu livro de Fantasia envolvendo realidades paralelas e um deserto, estou me divertindo e me exasperando na escrita em igual medida. São preocupações por vezes diferentes – cronologia é um elemento muito importante no Atlas, nesse novo projeto acertar o tom dos diálogos para dar personalidades distintas aos personagens vai ser mais difícil – e a diversão vem de pontos diferentes, mas estou adorando a experiência – e pela resposta que tive das minhas agentes sobre as primeiras 30 páginas, elas também.

Aí, comentei no Facebook sobre essa experiência e não demorou vinte minutos para que eu fosse questionada. Segundo a pessoa – um desses perfis que saem adicionando todo mundo e que eu acabo aceitando pra não me estressar – eu, como pessoa “culta, politizada e inteligente”, não deveria incentivar esse tipo de “subliteratura”, “sem valor artístico, um mero produto comercial”. Respondi que ele era um idiota preconceituoso e que eu escrevo o que quero.

Quer dizer… fantasia-espada-e-feitiçaria, cheia de testosterona, homens musculosos que salvam donzelas virgens (que é um dos tipos de literatura que vi o tal questionador elogiar – e ei, curto também!) tudo bem. Mas que os deuses da literatura nos livrem de ler sobre mulheres e seus problemas e atividades cotidianos? Ou sobre suas fantasias e desejos? Ninguém me questionou quando eu, historiadora fascinada por fantasia épica e histórica, passei a flertar com a fantasia urbana… Por que esse tipo de pergunta só por eu estar experimentando um gênero marcadamente feminino?

Vamos confessar… Eu também já tive esse preconceito e tenho vergonha disso. Faz um tempo, a autora Courtney Milan falou, no seu perfil no twitter, sobre como foi a sua aceitação de que sim, ela gostava de livros de mulherzinha e não via problemas nisso. De como ela, que só lia Fantasia e FC a sério (como eu), começou a se interessar pelo romance dos personagens desses livros sérios (como eu), e depois já começou a procurar livros não tão “sérios” só por causa do romance (como eu), para finalmente admitir que muitas vezes estava lendo mais pelo romance do que pela trama (como eu!) e por fim passar a acompanhar os romances históricos e contemporâneos, além dos chick-lit. Como eu. (Ainda não curto muito os “hot”, romances sensuais ou eróticos que dão menos atenção a plot ou trama, mas isso é gosto meu, não diminui a qualidade desse gênero em nada)

Por que a gente reluta tanto em admitir que gosta? Primeiro, por sermos ensinadas desde bem cedo que ser mulher é errado, é menor, é pior (e isso hoje continua, de uma forma um pouco mais cruel, pois já vi ‘feministas’ dizer que meninas não devem brincar de casinha, pois isso as torna vítimas do machismo opressor. Eu acho que meninas e meninos brincam do que quiserem, thank you very much). Depois, também vem a noção de que mulheres são inimigas uma das outras, então para que ler sobre elas?

(E se você por acaso se interessa por Fantasia e/ou Ficção Científica, isso é ainda pior. O meio é absurdamente machista e cansei de ver leitores inteligentíssimos desprezarem livros por serem escritos por uma mulher ou por terem “romance demais”. Eu comecei literariamente nesse meio, o que explica um pouco a minha relutância em admitir que sim, gosto disso.)

Ou seja, romances e chick-lit foram categorizados como lixo, livros para gente burra e fútil, literatura de mulherzinha. E lógico, quem escreve e consome esse tipo de coisa seria igualmente burra e fútil.

Qualquer preconceito que eu ainda pudesse ter contra o gênero sumiu quando, por causa do meu trabalho na SdE e meu curso de pós, tive contato com a Elimar Souza, Verônica Lisboa e Natália Alexandre. Elas trabalham com esse tipo de literatura, divulgam, fazem eventos, comentam, resenham e me indicaram autoras novas e surpreendentes, como Lisa Kleypas, Tessa Dare (essa, sugestão da Taíssa Reis) e Mary Balogh – que são autoras de romance de época. E também com leitoras, nos eventos que acontecem periodicamente no Rio de Janeiro. Não, não são “burras”, não são “fúteis”, são mulheres inteligentes, ativas, cheias de compromissos e trabalho, que gostam de ler e de falar sobre o que leem, compram e agitam o mercado.

(E mereciam um pouco mais de respeito do mercado, aliás, já que muitas edições nacionais que li vieram cheias de erros de tradução e revisão, tsc tsc…)

Aos poucos tem se consolidado também uma produção nacional, seja para as mais jovens, seja para as mais adultas. Tenho visto surgir livros nacionais para o público feminino de todos os tipos, do romance histórico ao chick-lit, da fantasia ao erótico – e que também estão conquistando público e fãs. Autoras engajadas, preocupadas com o que estão passando para as suas leitoras, querendo emponderá-las e mostrar que elas são importantes.

Talvez seja isso que incomode tanto: ver que descobrimos a nossa voz, que podemos escolher como manifestá-la (e que iremos exercer esse direito de escolha) e que não iremos nos calar.

Pronto, desabafei, agora posso voltar para as desventuras de Bia e seu emprego burocrático. Atravessar um deserto com um homem-morcego seria melhor do que a papelada…

 

 

 

Pelo direito de colorir, descolorir, destruir e etc…

Mercado editorial adora uma moda. É pior que Milão e Paris juntos.

Vampiros, autoajuda, livro de padre, new adult, fantasia com sexo…

E ao contrário do que pensa a elite culta que só lê livros recomendados pelo Bloom, eu acho isso ótimo. Sou defensora radical da bibliodiversidade e ela só pode existir em um mercado saudável, que movimente dinheiro, que gere negócios, que mantenha empresas e empregos. As modas fazem isso. Uma editora encontra o nicho, as outras a seguem, o mercado se movimenta, meia dúzia de títulos parecidos vendem muito…

E a editora se fortalece financeiramente para poder investir em coisas que talvez não sejam venda tão certa – ou tão grande. Resumindo: Está feliz porque pode ler Locke Lamora em português? Agradece aos milhares e milhares de exemplares que a Sextante vendeu de ‘A cabana’. Adorou o livro do Eric Novello, com seu clima noir, sendo encontrado em todas as livrarias? Abrace uma fã da Paula Pimenta e da Bruna Vieira.

A moda da vez são os livros interativos. Depois da onda de destrua esse diário, amasse esse livro, cheire estas páginas (Esse último eu já vi gente fazendo em livraria. Eu não. Só abraço o ‘Tigana – A voz da vingança’), chegou a vez dos livros de colorir para adultos. Vendidos como livros anti-estresse, são uma espécie de ovo de colombo. Livros em preto e branco, com ilustrações detalhadas para serem pintados. Já existem de todos os tipos: o pioneiro da onda ‘Jardim Secreto’ é de plantas, bichinhos e elementos bucólicos, mas já vi com arte celta, paisagens e até um só de mandalas que vem em um formato que emula um caderno de esboços. E tem o de surubas, que eu ainda não vi.

A Sextante colocou esse ovo em pé, várias outras editoras seguiram e isso tem movimentado o mercado. Ontem, em pleno feriado e precisando comprar uma editora, vi a megastore da Saraiva do Plaza abrir e receber um grupo ávido, que saiu comprando um exemplar de cada modelo exposto. A livraria estava sem lápis de cor, e eles partiram para as Americanas. Deixaram um dinheiro bom ali, que vai agitar as vendas de várias editoras que estão apostando nesse nicho: Alaude, Gutemberg, Ediouro, Best Seller, V&R.

Esses livros tomaram de assalto a lista dos mais vendidos. Como não é uma classificação óbvia, colocaram na de Não-Ficção. Foram para o topo. Mas se tivessem ido para a de Autoajuda, teriam dominado igualmente. Em qualquer categoria, seriam os campeões. Inclusive se houvesse a categoria de Livros Mais Vendidos entre os Mais Vendidos.

E tem gente falando que não é livro, que é triste verem as pessoas comprando esse tipo de coisa. Coisa não. É livro. A agência do ISBN dá o código. A CBL faz a ficha catalográfica. É em formato de códice. Alguns tem até orelhas. O que faz dele não ser um livro? O fato de só ter ilustrações? E os livros infantis que só tem imagens? Também não são? É o fato de serem objetos interativos? Porque um livro desses, como os ‘Destrua esse diário’, só se completam, só ganham significado e significância plena com a ação do leitor-artista. São livros que surgem na interação, na intervenção.

Nisso, eles são iguais a qualquer outro livro – o que muda é o grau da interação. Nenhum livro é completo e pleno sem o leitor, que vira suas páginas, virtuais ou de papel. Nenhum personagem ganha existência sem a mente que o criou e sem a mente que o capta nas letras.

Vários fatores fazem surgir esses narizes torcidos, essas caras feias e julgamentos. Um é a sacralização do objeto livro. Na faculdade de História, eu perdi essa ideia besta do livro intocado, do livro puro, virgem e casto. O historiador não resiste e marca o livro, se relaciona com ele diretamente, assinala, põe páginas sangrando de vermelho e marca-texto, escreve nas margens. Livro bom, livro vivo é aquele em que praticamente se vê o leitor tanto quanto o autor.

Ninguém é obrigado a isso, claro. Eu sei que tem gente que desmaia só de ver o cantinho da página dobrado – fico imaginando essas pessoas vendo meus livros do Bourdieu e do Elias. Mas sabe o que somos obrigados? A respeitar o gosto alheio.

As pessoas estão curtindo esses livros. Estão se divertindo, se desestressando. Tiram fotos, trocam ideias de cores, procuram lápis diferentes. E há um outro fator que pode explicar o porquê desses livros causarem tanta má vontade. A grande maioria desses leitores são mulheres, jovens e senhoras. Sabemos que “livros de mulherzinha” são um “atentado ao bom gosto”, não é?

Mas elas estão pagando por eles, movimentando o mercado.

Então, quando comprar o seu “República dos Ladrões”, o terceiro livro da série do Scott Lynch, mande um abraço para dona Johanna Basford e suas leitoras-artistas-criadoras. Elas merecem.

Eu? Bom, eu sou a pessoa mais estressada que eu conheço. E até tô curtindo a ideia.

Só não me cobrem realismo.

Não, não sei de que cor é um pavão. Fiz História, não Biologia!

Não, não sei de que cor é um pavão. Fiz História, não Biologia!

A Literatura Fantástica Feminina no Brasil – 20 obras online para conhecer

Completando o post de segunda-feira, umas dicas de leituras.

Literatura Fantástica Brasileira

Para complementar o meu post no meu blog pessoal, resolvi fazer uma lista de 20 trabalhos online das nossas autoras para serem lidos e degustados. Aproveitem as comemorações do dia internacional da mulher e conheçam o talento feminino.

Adriana Rodrigues – Bram e Vlad (webcomics)
Alliah – Quem atirou na minha cabeça? (audio)
Ana Cristina Rodrigues – A morte do Temerário
Ana Lúcia Merege – Linha de montagem
Camila Fernandes – Verde efêmero do Éden
Carolina Munhoz – Fui uma boa menina?
Flávia Côrtes – Taxidermia e Quiromancia
Giulia Moon – Bananas, bananas
Kamille Girão – White Queen
Ludmila Hashimoto – A verdade é como o sol
Maria Claudia Muller – Eu queria ser um dinossauro e Desmortos (um livro infantil e um Young-Adult completos)
Maria Helena Bandeira – Eu mesmo e De longe, entre as bétulas
Martha Argel – O mal que as estatísticas ocultam
Nikelen Witer – Minicontos…

Ver o post original 28 mais palavras

Os meus cinco motivos para escrever

Muita, muita coisa acontecendo por aqui. Mas no meio da correria, tomei um choque de realidade e parei para me fazer uma pergunta/reflexão que coloco aqui por duas razões.

Primeiro, para dividir com vocês – e talvez até provocá-los a fazer igual.

E principalmente para ter isso em algum lugar. Se algum dia, eu esquecer dessa lista, peço a vocês, meus amigos, para me lembrarem disso. Podem me bater também, pois provavelmente estarei merecendo.

Então, dona Ana, a senhora escreve por quê?

– Gosto de criar histórias. De pensar em pessoas que não existem, lugares que não podem ser e guerras jamais combatidas. Tramar contra reinos de mentira e conceber deuses de verdade.

– E simplesmente adoro compartilhar essas histórias. Quer me deixar feliz? Elogie um conto ou um personagem meu. Saio dando pulinhos de alegria porque não só contei uma história, como ainda fiz isso de maneira a atingir alguém e provocar alguma reação.

– Tenho uma grande necessidade de me expressar artisticamente. Só que sou uma negação em artes plásticas, música… A única arte em que consegui me expressar razoavelmente foi mesmo a literatura.

– Livros não mudam o mundo. Pessoas mudam o mundo e livros mudam pessoas. O que eu escrevo muda alguém, mesmo que seja só a mim mesma.

– E o principal motivo, aquele que realmente importa. Eu escrevo porque gosto.

Escrevi meu livro, e agora? – O curso

Muita gente me perguntando quando será a próxima oficina e sobre o que.

Acompanhando a movimentação e a necessidade atual do mercado, decidi que seria uma revitalização da oficina ‘Escrevi meu livro, e agora?’

Muita gente até consegue chegar no final do seu manuscrito, mas se perde completamente depois disso. Como mandar para editora? Vale a pena ter um agente? Pagar para publicar é uma saída? Como escolher o melhor caminho?

O curso vai durar 3 meses a partir do dia 11 de março, com encontros semanais de duas horas às 2s feiras, de 17 às 19 hs, e mais duas horas de atividades online/cibernéticas, como chats, hangouts e exercícios. A mensalidade é de R$ 180,00 e a turma fecha com 5 alunos (mas as vagas são bem limitadas, melhor correr).

Os encontros acontecerão no Projeto Cultural CIAMA em Copacabana, na rua Raimundo Corrêa 60, 204 – telefone para inscrições é 2549-6376 e o email é ciamaprojeto@gmail.com

Quem é de fora do Rio e estiver interessado na parte online, entre em contato via meu email anacrisrodrigues@gmail.com para vermos o que se pode fazer!