[O que ando escrevendo] O Atlas Ageográfico de Lugares Imaginados, em sua versão semifinal.

Finalmente.

Sim, finalmente posso dizer que o Atlas adquiriu sua forma final, pelo menos para mim, no que se refere à disposição de capítulos, cenas e presença de personagens. Foi uma jornada interessante, fascinante, em que muita coisa mudou, em que coisas foram incorporadas e cortadas, personagens surgiram e cresceram.

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Durante esses meses, várias vezes as pessoas tem demonstrado curiosidade sobre o livro. Sem dar spoilers, tem algumas perguntas que eu posso responder.

1.É um livro de Fantasia? De Ficção Científica?

É um livro que se enquadra dentro do gênero fantástico, com certeza. Mas ele tem elementos de Fantasia Épica, de Fantasia Urbana, de Retrofuturismo, de FC…

Então, é difícil eu, autora, dar uma resposta final a vocês. Porém, acredito que o mais próximo seja dizer que é de Fantasia.

2. Sobre o que é o Atlas?

É um livro sobre memórias, lembranças e perdas. Sobre cidades que desaparecem, sobre vingança e lugares que não deviam existir.

Também conta a história de três seres completamente diferentes que atravessam o deserto com um cavalo sem nome, sem saber direito o que vão encontrar no final.

Em resumo, é um livro sobre uma jornada que muda a vida dos envolvidos. E talvez de todo o universo conhecido.

3. Vai ter sequência?

Mais ou menos. A história do Atlas se encerra nela. Porém, certas coisas que vemos, certos personagens que conhecemos, vão aparecer, pois é um livro que tem a ver com um ciclo de criação e entropia.

4. Quem são os personagens principais?

Clio, a moça que acorda sem memória. Íbis, o homem-morcego que não pode revelar as suas lembranças. E o Rei-máquina, que talvez se lembre de mais do que deixa transparecer.

5. Quais foram as maiores influências desse livro?

As duas principais foram ‘O mágico de Oz’ do L. Baum e a série ‘As crônicas de Amber’, principalmente os dois primeiros livros (‘Os noves príncipes em Amber’ e ‘Armas de Avalon’). O primeiro por causa da jornada e das estranhas conexões, inclusive sendo subvertido e negado por várias vezes.

Já os livros do Zelazny foram uma surpresa que só fui perceber depois, com o livro já bem formado – também falam sobre memórias partidas e perdidas, lugares que somem e a grande tentativa do auto conhecimento. E fazem isso em uma fronteira tênue entre Fantasia e FC, embora ao primeiro impacto pareçam ser Fantasia.

Além disso, há forte influência de Guy Gavriel Kay, principalmente de ‘Tigana’, que também é um livro sobre memórias e lembranças. A fantasia urbana e estranha, que foge do romance sobrenatural, de Jeff Vandermeer, Jay Lake, China Mieville e Ekaterina Sedia moldaram alguns dos capítulos do Atlas, principalmente os que envolvem Biblos e Xanadu. Borges, por mais que eu não seja grande leitora, também influenciou muito em várias coisas, em relação à imaginação e em elementos de worldbuilding.

A mitologia – grega, chinesa, celta, romana, cristã – e o fabulário europeu, medieval e moderno, deram base para alguns plot points e para a formação de personagens. Clio tem nome de musa e segue um pouco o mito de Prometeus. O Rei-máquina segue uma antiga lenda chinesa, mas seu título veio de um estudo antropológico sobre Luís XIV, que usava o epiteto para si – aliás, isso influencia um pouco a personalidade dele, que não diz ‘O Estado sou eu’, porém tá quase lá.

E Íbis… ele é um pouco de todo o herói trágico, mistura Dedalus e Batman. E talvez seja o personagem mais ‘eu’ do livro.

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Íbis na visão do Estevão Ribeiro.

6. Por que escrever o Atlas?

Um dia, eu virei pro meu então estagiário e disse, inspirada pela música do America: “Vou escrever um livro sobre viajar no deserto em um cavalo sem nome.”

Disso, saiu o livro. Acho que o ponto do cavalo não ter nome e da música dizer que no deserto você perde suas lembranças porque não há ninguém para lhe causar dor provocaram a base do Atlas ser memórias e lembranças

7. Atlas… Vai ter mapas?

Nenhum. Não tem mapas, não tem coordenadas, não uso em momento algum as palavras ‘direita’ e ‘esquerda’. Ele ser ageográfico o define. Ele é um atlas de palavras, de memórias perdidas para serem encontradas e de lugares imaginados e de destino ignorado.

8. E agora?

Agora, vamos procurar editora. Não, não quero lançar pela Aquário, que é voltada para outro tipo de projeto. Torço para o livro sair ainda esse ano, mas vai saber.

9. Vai ter biscoito, como teve pro Anacrônicas?

Prometo: assim que a editora fechar capa, encomendo os biscoitos pro lançamento.

10. Quem te ajudou?

O trabalho de escritor é solitário, mas tende a angariar o apoio de muita gente.

Mas principalmente, no caso do Atlas:

Meu marido, Estevão, ajudou a delinear o primeiro storyline/argumento do livro, o que me deu um esqueleto pra rechear.

Eric Novello e Nelson de Oliveira me chamaram para escrever os contos que deram origem ao livro.

Jaques Barcia e Lucas Rocha aguentaram algumas explosões de ideias. Max Mallmann nunca me deixou desistir do livro, mesmo quando eu achei que ele era estranho demais.

As meninas da Increasy compraram essa ideia e me ajudaram a colocá-la na forma que está hoje, um livro que não está perfeito, mas que eu consigo ler e dizer ‘ei, valeu a pena todo esse esforço’.

E todo mundo que nesse ano e meio postou fotos e gifs de morcego e se interessou. Sei que tenho uma base de leitores pequena, mas que está se mostrando querida e fiel. Espero que a jornada de Clio, Íbis e do Rei-máquina (com o cavalo sem nome) valha a espera e a confiança de vocês.

cidade biblioteca

 

Sobre talkativebookworm
Eu trabalho numa biblioteca. Estudo História. Escrevo. Leio. Traduzo. Uma traça que fala, basicamente.

One Response to [O que ando escrevendo] O Atlas Ageográfico de Lugares Imaginados, em sua versão semifinal.

  1. Oi, Ana! Adorei saber mais sobre o Atlas. Torcendo muito para ter boas notícias sobre ele em breve porque parece realmente algo que estou querendo ler hoje em dia, que não se delimite muito em gêneros e traga referências diversas numa história, por isso, rica. Todas as fotos e gifs de morcegos nesses tempos ajudaram muito na expectativa pelo livro! rs

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