[O que estou fazendo] ‘O Atlas ageográfico de lugares imaginados’ finalmente tem uma primeira versão

Sim, isso mesmo.

Finalmente consegui terminar um romance – no momento, estamos no começo da primeira revisão e com 85 mil palavras. É uma sensação estranha. Eu achei que terminar um romance iria me tornar uma pessoa diferente, mas só me deixou com fome e com sono, ou seja, do jeito que sempre estou.

Muitas pessoas tem me feito algumas perguntas sobre o Atlas e reparei que, apesar de falar muito sobre ele nas redes sociais, raramente eu o defino ou o explico.

Então, vamos ao FAQ:

1 – O que é o ‘O Atlas ageográfico de lugares imaginados’?

É um romance de literatura especulativa. E também um livro ficcional que aparece nesse romance.

2 –  É fantasia?

Mais ou menos. O Atlas trata de assuntos  como memória, lembrança e autoconhecimento, em um cenário especulativo que tem muito de fantasia (deuses, magia, seres estranhos) como de FC (viagens interdimensionais, multiversos, realidades paralelas).

3 – De onde veio a ideia?

De várias coisas.

De dois contos que escrevi de Fantasia Urbana. Da vontade de fazer algo que se ligasse de forma indireta ao Ladrão-de-Sonhos. De explorar uma estrutura de romance diferente.

E de um desafio que eu me autolancei ao dizer ao estagiário que um dia escreveria um romance sobre aquela música do America, ‘Horse with no name’.

4 – Vai sair quando e por qual editora?

Não sei x2.

O livro ainda não está pronto. Ele foi escrito, mas falta muito prele chegar ao ponto de ser publicado. Só quando chegar nesse ponto é que vamos procurar uma casa. Ele não deve sair pela Aquário, pois na editora não estamos querendo publicar romances, mas de resto tudo pode acontecer.

5 – Afinal, sobre o que é?

A sinopse atual é essa:

Um deserto que existe, apesar de ser impossível, entre tempos e dimensões.

Um homem-morcego que carrega sozinho a dor de ter perdido seu mundo, e que não pode compartilhar essas lembranças.

Uma jovem cuja única pista para seu passado é um livro em branco.

Um rei exilado pelos demônios que comprou para se tornar mais poderoso.

Um cavalo sem nome.

Uma criatura que aparece e reaparece, sempre com um desafio.

Um universo multiplanar ameaçado.

Três dias de jornada em busca de respostas e lembranças, enfrentando obstáculos invocados por três entidades misteriosas.

Mas também posso dizer que é sobre uma moça sem memória, um homem-morcego, uma estátua dourada que se mexe, um cavalo e um deserto no qual eles foram parar sem saber bem porquê. E sobre cidades obliteradas, memórias trancadas, lembranças perdidas, amores desencontrados, viagens transdimensionais… e um Viajante que sabe mais do que os outros.

Ou seja: anos de trabalho, 85 mil palavras e eu não sei bem como responder sobre o que é esse livro.

Mas pelo menos ele existe:

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Inclusive em uma única e exclusiva cópia física – a única que jamais haverá dessa versão – já entregue às mãos do meu-melhor-amigo-e-grande-apoiador:

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(Sim, foi com um morceguinho desses incluso)

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E 2015, o que vai trazer?

É Ano Novo.

Outra volta ao redor do sol.

Eu espero que traga muitas novidades. O ano já vai começar com duas: o Anacrônicas 2, agora com o título ‘Anacrônicas – contos trágicos e mágicos’, e meu conto em ‘O outro lado da cidade’ (que é ligado ao universo do Atlas, que eu espero que seja concluído em 2015). Os dois saem pela Aquário, que é a empreitada do meu marido no mundo editorial – sim, eu ajudo, né.

Tem outras coisas vindo, outras sendo gestadas, e algumas só pensadas.

Eu espero que seja um ano maravilhoso. Pra mim, para vocês. Para o mundo.

(Pronto, agora vou voltar a jogar videogame)

anacronicas

outrocidade

George Martin e eu

Oi, pessoas.

Essas semanas tem sido confusas, agitadas e estressantes. Muito trabalho, Estevão de férias, falta de tempo para escrever.

Mas recebi a confirmação de uma boa notícia semana passada e gostaria de compartilhar com vocês.

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Fui convidada pelo Cesar Alcázar para participar dessa antologia, uma iniciativa maravilhosa de reunir o melhor na produção internacional de Espada & Magia com a nata da ficção fantástica nacional – e o Cesar achou que meu trabalho tinha gabarito para estar ali.

Sword & Sorcery talvez seja um dos rótulos mais antigos e conhecidos da Fantasia, um caminho que eu explorei pouco até hoje. Geralmente se passa em cenários desesperançados, com heróis sujos e motivos egoístas. Ninguém quer salvar o mundo, mas sim a própria pele. O grande nome é Robert Howard, criador do personagem-símbolo desse estilo, Conan da Ciméria.

Ooooooi, Conan. (OK, o filme é uma droga, mas o ator ficou ótimo)

Além de Howard, o livro conta com os nomes de Karl Edward Wagner, Fritz Leiber e Michael Moorcock (três autores que são essenciais na história da Fantasia, mas pouco conhecidos e publicados no Brasil), Saladin Ahmed (que lançou um romance de fantasia com clima mil-e-uma-noites) e um time brasileiro de dar inveja. Para coroar tudo, é a primeira vez que divido páginas com Max Mallmann, um dos meus escritores brasileiros preferidos.

A história ali contada faz parte do cenário do Grande Continente (antes conhecido como Finisterra), passando-se em um Portugal do século XIII que luta para expulsar os hassamitas de seu território. Jovens vão para a guerra, abandonando suas aldeias – e em uma delas, o pequeno lugarejo das Lameiras, próximo da vila de Ponte de Tábuas, a jovem curandeira Laurindinha se vê as voltas com decisões e mistérios envolvendo a Anta das Virgens.

Foi ótimo poder contar essa história, que me martelava a cabeça faz algum tempo. Tentei ser S&S sem ser muito presa ao que se espera do gênero, ou seja, fiz a minha releitura disso tudo do meu jeito. Só me resta esperar que vocês gostem.

Cada conquista dessas me dá um alívio, de estar conseguindo aos pouquinhos o meu lugar. Ralo bastante, enfrento muitas críticas – algumas bem injustas e de onde se menos espera – mas não desanimo. Se estou no meio de um time desses, não pode ser apenas por ‘conhecer as pessoas certas’, mas porque meu texto tem qualidades e eu não me escondo embaixo de uma pedra. Estou sempre colocando a cara a tapa e publicando onde tenho oportunidade.

E quem quiser conhecer mais sobre George R. R. Martin e o que acho do Mau Velhinho, não deixe de escutar o Literatus Cast 19, comigo!

 

 

O quotidiano de um ladrão-de-sonhos

Rober Pinheiro me chamou para participar de algo muito bacana, o projeto Quotidianos. Como minha vida anda mais incerta que o destino dos direitos humanos neste nosso país, não pude assumir uma coluna quinzenal – pena, pois ficaria muito bem acompanhada. O projeto reúne alguns dos melhores novos escritores da literatura fantástica brasileira (e vendo a lista, pensei ‘ainda bem que não pude aceitar, pois estaria deslocada no meio de tanto talento’) fazendo dupla com ilustradores realmente fantásticos.

Aos trancos e barrancos, porém, consegui escrever um conto e assim estrear a lista de convidados do site. Todo o sábado, uma dupla fora da lista de colaboradores cotidianos apresenta um trabalho. E meu conto ‘Sono de beleza’ inaugurou com ilustração do Estevão Ribeiro!

Quem for lá ver, vai se deparar com um personagem que já apareceu antes, o Ladrão-de-Sonhos cuja origem foi contada aqui. Foi bem difícil  principalmente porque o Rober queria textos pequenos, para leitura na web e eu – pasmem vocês que me acompanham desde sempre – ando com dificuldade de escrever qualquer coisa com menos de 3000 palavras. Além do mais, queria pegar o espírito da coisa e fazer algo bem… quotidiano.

Passem por lá e leiam! E não esqueçam de conferir os outros textos. Essa semana estrearam por lá Jim Anotsu, Tânia Souza, Cirilo Lemos, Claudio Parreira e Alliah. Semana que vem, mais cinco autores irão aparecer: Felipe Castilho, Fernando Salvaterra, Osíris Reis, Rober Pinheiro e Sumaya Sarran.

Acompanhem que é um projeto que promete revitalizar a produção webficcional da literatura fantástica nacional.

Saindo da Llyr

Esse é só um update rápido, porque eu prometi.

Tive que sair da Llyr. Ao contrário do que as tricoteiras maldosas do fandom possam dizer por aí, não foi por briga ou estresse ou qualquer desentendimento. Simplesmente, precisei assumir uma função nova no Proler e não ia poder continuar.

Uma pena, mesmo. Eu me divertia – apesar do trabalhão que dava – e pude descobrir novos autores, além de trabalhar com grandes amigos. O selo continua, mas vai passar um tempo em hiato, se reestruturando.

Bons ventos para a Llyr!

 

O que vem por aí – ‘O rei-máquina’

O céu de inverno na Cidade Sem Nome é completamente igual ao de verão. Íbis sente falta do tempo em que circulava pelo mundo e podia ver o Sol. Sente saudade de estar em algum lugar e de servir a um senhor. No momento, Íbis está em nenhum lugar e não serve a ninguém.

Desavisados podem considerar que Íbis deveria estar feliz por ter conquistado a sua liberdade. Que é um absurdo lamentar estar livre de grilhões. Por isso são desavisados e provavelmente não sentem as correntes presas aos seus próprios tornozelos.

O trecho acima é a abertura de ‘O rei-máquina’, conto meu que vai estar presente na coletânea Fantasias Urbanas, a ser lançada em breve pela editora Draco.

Quando o Eric me chamou para participar, eu fiquei bem receosa. Sou leitora de fantasia urbana desde antes de conhecer o termo e me apaixonei de vez com a coletânea Paper Cities. Mas nunca achei que fosse capaz de escrever um conto nesse gênero, imagine dois – para mim, a minha capacidade de urbanicidade fantástica tinha se esgotado no conto publicado em Cidades Indizíveis.

 ‘O longo caminho de volta’ me custou muito para ser escrito. A história da rebelde que volta à Cidade-Biblioteca foi uma catarse para mim, expurgando vários demônios interno. Curiosamente, um ano e meio depois de ser escrito, os conflitos entre Clio e sua cidade natal tomaram paralelos no nosso mundo real, como apontou o Jr Cazeri. Então, Biblos nasceu pronta, vomitada, feita de coisas que eu precisava dizer. Clio foi simplesmente um alter-ego e seus questionamentos refletem muito dos meus. Pensei que meu contato com o gênero como escritora iria parar por ali mesmo.

Afinal, se você me acompanha faz um tempo já percebeu que aos poucos montei a minha identidade de escritora em torno da História. É minha principal fonte de inspiração, temas, personagens, tramas e cenários. Tenho três universos ficcionais construídos nessa base e um quarto que foge um pouquinho, mas ainda tem raízes lá (falo mais sobre isso em breve).

Então, estava cheia de dúvidas para aceitar o convite – e o fiz por um motivo. Eu queria sair da minha zona de conforto, fazer algo diferente, arriscar como eu tinha arriscado em “O longo caminho de volta”.

Um detalhe interessante é que o primeiro trecho do conto, o que retrata a Cidade Sem Nome, já estava rabiscado no meu celular. Sim, eu esbocei aquelas descrições nas teclinhas miúdas de um smartphone. Eram apenas palavras soltas, mas quando surgiu a oportunidade comecei a arranjá-las. Aos poucos, fui pensando no que eu poderia contar ali, o que poderia realmente acontecer.

E foi quando surgiu a ideia de algo maior, de que a Cidade Sem Nome poderia ser um nexo, um foco de várias realidades que tem a função de recolher desgarrados, degredados e desesperados de forma geral. Eu só precisava de um personagem que se encaixasse nessa descrição, que estivesse perdido no mundo e precisasse se encontrar.

Íbis surgiu em uma tarde de chuva, quando vi um morcego desesperado tentando permanecer no galho. Morcegos são criaturas majestosas quando estão no domínio da situação, mas se caem no chão ou se são pegos pela chuva, ficam completamente perdidos. E era isso que eu queria pro meu protagonista. Ao contrário de Clio em ‘O longo caminho de volta’, que é cheia de decisões e certezas, Íbis não sabe direito o caminho que vai seguir, depois de ter perdido tudo.

O conto também foi pensado em questões de estilo. Tentei ter um cuidado maior na construção de frases, mas sem tornar o texto pesado ou enfadonho. Não sei se consegui, isso vocês que vão ter que dizer.

E os dois contos – ‘O longo caminho de volta’ e ‘O rei-máquina’ – são a ponta de um iceberg que aos poucos vou apresentar a vocês.

O que vem por aí – A Fantástica Casa da Leitura

Pois é, como vocês já devem saber eu trabalho no Programa Nacional de Incentivo a Leitura – Proler. Agora, no ano de 2012, entre ameaças do fim do mundo e a literatura fantástica bombando em nosso país, vamos começar um projeto que vai ajudar a divulgar ainda mais nossos livros e autores.

É o projeto ‘A Fantástica Casa da Leitura’, que vai acontecer durante todo o ano na sede do Proler na Casa da Leitura – e quem sabe, em outros lugares do Brasil, nos mais de 70 comitês filiados ao Proler. Teremos palestras, bate-papos, encontros com o autor, minicursos e várias outras atividades. Em breve, vocês saberão mais!

Para começar com o pé direito, o projeto pegou emprestado um dia que já é tradicional nos eventos da Casa, nas Terças Culturais, aproveitou que março é o mês em que se comemora o dia internacional da mulher e tascou um bate-papo com duas escritoras super talentosas, simpáticas e com muito a dizer.

Dia 20 de março, terça-feira, eu vou mediar a  conversa com Eliane Raye, autora de ‘O portal’, e Flávia Côrtes, autora de ‘Senhora das névoas’, a partir das 17:00 hs. Estamos esperando todo mundo lá!

(Confira o evento no Facebook! E lembrando que o Proler já tem página lá!)

A Llyr em 2012!

É, eu sei. 2011 passou e eu nem mencionei a Llyr. Mas foi um ano muito estranho, entre a própria novidade de editar, algumas mudanças, a temporada anual de Seu Leopoldo no hospital e meu próprio pré-operatório (já operei, fiz a gastroplastia, estou me recuperando muito bem, obrigada).

Ano passado foi a descoberta de como é bom, cansativo e estressante a vida de editar livros. Aos poucos, estou tomando jeito e me acertando. Acho que esse ano vai ser melhor/mais fácil.

Em 2011, tive o prazer de publicar pessoas que eu já admirava de longa data, como Martha Argel, participar de uma coletânea organizada pelo grande Nelson de Oliveira e na companhia do mito Fausto Fawcett, conhecer o trabalho da Ana Flávia Abreu – que tem na sua saga uma das promessas do ‘YA’ fantástico nacional – e do Júlio Rocha, um dos autores mais ecléticos do Brasil… e  de descobrir dois novos escritores que tem tudo para construirem longas e saudáveis carreiras: Dennis Vinicius e Adriano Villa.

(Além de publicar um livro fofo de gatos do meu marido…^^)

E o que vou publicar esse ano?

‘Investigação Paranormal – O círculo dos inquisidores’ do Sergio Pereira Couto. O Sergio é um grande amigo, uma pessoa super-querida, um escritor muito talentoso e que tem uma habilidade imensa para a pesquisa. No ‘Investigação Paranormal’, ele juntou a Inquisição, igrejas e mosteiros espalhados pela Europa e as mais modernas técnicas de… caçar fantasmas. O resultado é uma história surpreendente, com personagens carismáticos. Enquanto o livro não sai, siga o Sergio, leia seu blog e saiba mais sobre o assunto!

‘Palladinum’ de Marcelo Amaral. É um livro bem voltado para o público jovem, uma fantasia de portal dinâmica e bem construída, relatando as aventuras da turma do jornal Página Pirata no Pesadelo Perpetuo. É o primeiro livro do Marcelo, que é designer e ilustrador (a capa é dele). Tem várias ilustrações – que você pode conferir exemplos aqui – e o livro ficou LINDO!

‘O Vento Norte’ de Claudio Villa. Já me perguntaram se é a continuação de ‘Pelo Sangue e Pela Fé’, primeiro livro do Claudio, auto-publicado pelo autor há alguns anos e já resenhado por aqui. Não é, apesar de se passar no mesmo universo ficcional, o mundo de Mirr. Para quem gosta de intrigas políticas e piratas!

‘O último mágico’ de Dennis Vinicius me surpreendeu ainda mais que ‘A Grande Criação de Nicolas’. É um romance mais adulto, voltado para o povo com mais de 14 anos. Fala de amor, responsabilidade, destino e confiança. O Dennis já divulgou uma prévia da capa.

Vou colocar no mercado também as continuações de ‘O portal’ de Eliane Raye e ‘A casa de ossos’ de Adriano Villa. O livro da Eliane é um mistério fantástico passado no Rio de Janeiro tendo a Pedra da Gávea como centro. Já ‘A casa de ossos’ é terror daqueles tradicionais, de dar pesadelos e te fazer pensar duas vezes antes de ir na cozinha de noite.

E quais as Novidades, com ‘N’ maiúsculo?

Eu precisava de um bom romance sobrenatural, já que as minhas autoras (Martha e Ana Flávia) decidiram que esse ano não teriamos livros novos. Me caiu nas mãos, enviado pela Diana Lima (que também é agente do Dennis) ‘O jardim dos anjos’ de Margareth Brusarosco. O encanto veio na hora, não consegui parar de ler. A história  tem humor e leveza, ao mesmo tempo em que tem um toque sombrio por trás.

Uma das recompensas de ter sido sempre muito ativo no cenário virtual foi ter conhecido muitos novos autores e acompanhado sua formação. Quando ‘O conservatório’ de Adriana Rodrigues chegou na minha caixa de entrada, eu sabia que ali estava uma obra que valia a pena ser lida. E acertei! Vampiros, confusões e aventuras, com um leve toque de humor.

E eu tinha dois vazios no catalogo da Llyr, pois me faltavam dois subgêneros essenciais… mas que foram preenchidos! (ainda tem um faltando, que é o steampunk! Estou esperado!)

‘A ordem do dragão’ de Alícia Azevedo é a nossa fantasia épica! Passada no universo de Alluim, tem personagens cativantes, relíquias poderosas… e dragões! Sim, eu gosto de dragões – e esse é o ano do dragão, né? Como o Herodes, nosso dragão residente (e namorado da Kôra, protagonista da série da Ana Flávia) está de férias, substitui-lo por deuses-dragões!

E finalmente, aceitei um original de Ficção Científica! ‘Quando Deus morreu’ do mestre Gerson Lodi-Ribeiro! É um orgulho imenso publicar uma obra de um autor tão significativo dentro da ficção especulativa nacional!

(… e ainda teremos algumas surpresas!)

Depois que divulguei essa lista no Facebook, alguns amigos perguntaram ‘o que te faz escolher um original ao invés de outro?’ Taí uma pergunta que pode parecer fácil, mas é complicada de responder.

Pra começo de conversa, decidi que só publico livros que eu gostaria de ter na minha estante. Isso me limita? Muito pouco, pois sou eclética, principalmente em se tratando de literatura fantástica. Leio de quase tudo, de terror ao romance sobrenatural, de FC hard a fantasia épica… Então, não vou me limitar por subgêneros, mas pelo livro em si. Não é porque eu gosto de romance sobrenatural que qualquer semi-paródia levada a sério de Crepúsculo vai passar pelo meu crivo.

O livro precisa prender minha atenção, preciso me importar com a trama e com os personagens, ficar curiosa com até onde tudo aquilo vai.  Por isso, eu peço as primeiras 30 páginas do original, antes de receber o manuscrito completo. Se eu passo desse estágio, as chances de querer ler o livro todo são grandes… E já encontrei originais bem escritos, com temas interessantes mas que não me mantiveram presa na frente do computador/papel tensa, querendo descobrir mais. Já larguei originais na primeira página, no primeiro parágrafo…

O autor precisa ter um bom domínio de sua própria língua, CLARO. Até porque, se você não entende a história, como vai se importar com ela? Cuidado na escolha das palavras (sério, para me impressionar não precisa fingir que engoliu um dicionário), evitar erros ortográficos em excesso, olhar bem onde coloca essas vírgulas…

Eu sei que ninguém é perfeito, pessoas cometem erros e originais são diamantes brutos, que precisam ser lapidados. Tem editor que acha que o livro tem que chegar prontinho na sua mão, é só revisar e diagramar antes de imprimir. Eu não. ADORO trabalhar o texto, é a parte que eu mais gosto. Só que quanto menos eu precisar interferir no texto, mais do que o autor escreveu é preservado. E até para agilizar o processo, eu busco escolher os livros que vão me dar menos trabalho.

E por fim, eu analiso a postura do autor. Não sou babá pra ficar pajeando ‘crianças’ que não sabem o que querem da vida. Sou profissional e quero trabalhar com profissionais.Quero um time de pessoas determinadas e competentes.

Não é fácil se tornar meu autor… parabéns pra quem conseguiu agradar a chata ranzinza aqui o suficiente!

O que vem por aí – Fantasticon 2011

Como já é costumeiro nessa época do ano, vem aí a 5a Fantasticon!

/todoscomemora

E como também é costumeiro, estarei lá!

/acontabancáriachora

Sim, porque além de palestras, mesas redondas, oficinas e etcs, a Moonshadows monta a melhor loja de literatura fantástica do Brasil durante o evento, com lançamentos e raridades!

E dessa vez, eu irei ajudar a esvaziar a carteira de vocês. Estou participando de três coletâneas lançadas lá, além de dois livros editados por mim – sem contar os outros livros dos quais participei, que também estarão a venda!

Até sexta-feira, irei postar sobre esses lançamentos.

Hoje, vou chamar vocês para a mesa-redonda/bate-papo que vai acontecer no sábado, dia 13, sobre História e Literatura Fantástica. Estarei lá falando das minhas duas grandes paixões profissionais, ao lado de Max Mallmann, Christopher Kastensmidt e Roberto Causo. Por juntar pessoas com vivências e formações bem diferenciadas, que escrevem usando a História como ferramenta cada um ao seu jeito, vai ser muito bacana.

Como todo o evento, o bate-papo é gratuito. A distribuição de senhas começa uma hora antes. E vale a pena conferir toda a programação – que está aqui.

Quem quiser me encontrar por lá, estarei nos três dias. Espero vocês por lá!

O que vem por aí – Mulheres insanas

O trabalho do Marcelo Amado a frente do Estronho e Esquesito tem 15 anos. Eu o conhecia de longe/perto, acompanhando pela internet a movimentação, visitando sempre que alguém mandava o link. Nos meados e meandros de 2009 e 2010, começamos a nos aproximar. Pontos em comum não faltavam: ambos somos irremediaveis otimistas e trabalhadores do coletivo, gostamos de escrever contos, de internet e de coisas bizarras.

A aproximação gerou uma grande amizade e uma forte parceria. Tenho contos em 3 coletâneas estronhas e o segundo volume de AnaCrônicas vai sair pela editora Estronho.

E sou a prefaciadora de uma antologia exclusivamente feminina: Insanas… elas matam!

Tive o privilégio de ler os contos em primeira mão e fiquei sinceramente impressionada com a imaginação de nossas escritoras. São autoras que começaram a pouco tempo, algumas publicam pela primeira vez com textos fortes.

Se você é sensível, melhor ficar longe. O sangue aqui escorre sem pudores, sem medos, sem vergonhas. Elas realmente seguiram a linha que o editor pediu e colocaram para fora toda a crueldade humana.

A arte da capa é maravilhosa e aqui vocês podem ver o material de divulgação – tem marcadores e bottons.

Foi uma tarefa ardua para não estragar a surpresa e passar o clima do livro.

Escrevi, além do prefácio, um poema que foi usado na orelha do livro. Como na imagem não dá pra ler muito bem, resolvi postá-la aqui. Enjoy.

Insana

Quando ela diz que te ama,
Isso te engana.

Ela jura que te deseja
Enquanto te beija.

Achas que ela te quer
Que afinal encontrou  a tua mulher.

Ela passa a língua nos lábios
E enche os teus com beijos rápidos

Há um brilho no seu olhar
Ela diz que é por te amar.

Mas quando ela arrancar teu coração,
O sangue quente escorrendo por sua mão.
O rio vermelho que mancha a tua cama
Finalmente verás o quanto ela é insana.