Onde encontrar ‘Anacrônicas – Contos Mágicos e Trágicos’?

Então…

Ando muito, muito atolada de serviço e este blog acabou ficando meio de lado. É difícil se manter fiel ao bom e velho blog e não cair no canto da sereia da praticidade e da instantaneidade das redes sociais. Dá a impressão de que blogs perderam espaço, pouco se comenta ou acompanha nessas plataformas.

É sempre uma questão de tempo!
É sempre uma questão de tempo!

Mas blogs são muito mais permanentes, as informações muito mais fáceis de encontrar e tem uma universalidade que as redes não tem. Afinal, você não precisa se logar, criar mais uma conta e coisa do tipo para ver um post em um blog.

Vou tentar colocar mais informações aqui, principalmente sobre minhas leituras e trabalhos.

Vamos começar com a pergunta da semana: “Ana, onde posso comprar seu livro?”

– Diretanacronicas2o comigo, via depósito bancário no Banco do Brasil, autografado e com amor. Mande email para anacrisrodrigues@gmail.com

– Direto na Aqualoja, a loja da Aquário, nossa editora. Lá, aceita cartão e outras facilidades.

– Nas lojas da Blooks, no Rio e em São Paulo!

– Na loja física da Arte & Letra, superparceira da Aquário.

-Na Nerdz, a loja da Jambô.

– Na Baratos da Ribeiro, em Botafogo

E online, nas grandes redes

Saraiva 

Cultura

Travessa

Livraria da Folha

Martins Fontes

Comix

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Livros, livros, livros! Conheçam Anacrônicas – contos mágicos e trágicos

Dia mundial dos livros!

(Segundo diversos posts nas redes sociais! Se não for, tudo bem, aqui em casa todo dia é dia de livro!)

Cinco anos se passaram, muitos contos foram publicados e finalmente resolvei juntar meus continhos novos (além de antigos favoritos) em um novo volume de Anacrônicas. Ao contrário do primeiro, esse vem apenas com contos de fantasia. Mas também tem uma ilustração por conto, feitas – assim como a capa – pelo meu marido e editor (sim, a Aquário é nossa!) Estevão Ribeiro.

Você pode comprar direto comigo – e levar autografado – ou esperar um pouco, pois o livro chega nas livrarias em maio.

anacronicas2

A lista de contos escolhidos:

O mapa para a Terra das Fadas

Anacrônicas, 2009

Campeonato de beijar sapos

Crônicas da Fantasia, 2012

Deus embaralha, o Destino corta

Anacrônicas, 2009

Queda e paz

A Casa do Escudo Azul

Anacrônicas, 2009

A morte do Temerário

Espelhos Irreais, 2009

Lenda do Deserto

Anacrônicas, 2009

Mudanças

A princesa de toda a dor

Anacrônicas, 2009

A vila na areia

Como nos tornamos fogo

Anacrônicas, 2009

Viagem à terra das ilusões perdidas

Anacrônicas, 2009

Maria e a fada

Imaginários 3, 2010

O Ladrão-de-Sonhos

Fábrica dos Sonhos, 2014

Sono de beleza

Quotidianos, 2014

O eremita

Anacrônicas, 2009

Carta a monsenhor

Paradigmas 2, 2009

O longo caminho de volta

Cidades Indizíveis, 2011

Vida na estante

Anacrônicas, 2009

A menina do Val de Grifos

Bestiário, 2012

Os olhos de Joana

Anacrônicas, 2009

O ensurdecedor silêncio dos deuses

Arte e Letra, 2014

“É tarde!”

Anacrônicas, 2009

A dama de Shalott

Anacrônicas, 2009

Coloquei no Pinterest algumas fotos e ilustrações do livro. 🙂

quedaepaz

Mãe.

“Ana, acende a luz, tá ficando escuro pra continuar lendo! Menina, sai desse computador, vai na rua! Ligou para sua madrinha? Já deu comida pro periquito? Não, não pode tomar sorvete de noite. Você está de dieta, larga esse bolo. Você passou no vestibular! O dinheiro tá curto, mas vai tudo dar certo. Ai, não sei como você aguenta essa música alta. Vai sair? Me liga assim que chegar. Isso são horas? Que cheiro é esse, é cerveja? Não gostei desse cara, ele colocou a cara nas minhas panelas. Mandou email pra sua prima?Tira esse gato daí agora ou eu faço um tamborim dele! Ana Cristina, vem já aqui. Você precisa ter mais paciência com seu pai. Olha, vai ser difícil, mas vou ficar do seu lado se você quiser ter esse filho. Vai dar tudo certo. Passou no mestrado? E isso é bom, né? Não brigue assim com Miguel, ele é só uma criança. Chegou o telegrama da Biblioteca Nacional! Gostei desse rapaz, ele é alto, né? Ele vai vir pro Rio? Sua tia-avó ligou e quer ver o Miguel. Ana Cristina de Campos Rodrigues, você não tem vergonha dessa pia cheia de louça? Ah, seu livro é curto demais, você precisa escrever um livro de verdade. Não tem problema, depois você faz o doutorado de novo. Você precisa é fechar a boca, não operar. Mas não tem jeito então? Eu vou com o Estevão no hospital. Não se preocupe. Vai dar tudo certo.”

Para dona Marina, que sempre faz dar certo.

O que vem por aí – AnaCrônicas, o ebook

Bem, o título é auto-explicativo.

O primeiro ‘AnaCrônicas’ foi uma iniciativa semi-independente, auxiliada por uma gráfica de Vitória, e que teve 550 exemplares. Hoje, olhando no nosso armário de livros, fiz uma contagem rápida e devo ter uns 25 exemplares.

Não fiquei rica, não fui um estouro de vendas, mas em três anos, sozinha e com presença em poucas livrarias (nelas, devo ter vendido uns 50, 60 livros), consegui colocar meio milhar de livros na mão das pessoas. Considerando que a média de leitores por um volume no Brasil é de quatro (ou seja, a cada livro vendido, quatro pessoas irão lê-lo), 2 mil pessoas viram meus contos no formato impresso.

Nada mal para quem começou com fanfics e só querendo contar histórias.

Alguns podem achar que o livro já encerrou sua carreira, mas tenho recebido perguntas e emails perguntando sobre o livro. Esses últimos 25 ficam por aqui. É sempre bom ter uma reserva técnica de seus livros solos, aliás, fica a dica pros meus amigos escritores.

Por acreditar no formato digital, na cauda longa e no potencial desse simpático volume de 90 páginas, feito em parceria com meu marido Estevão Ribeiro, vou relançá-lo em formato digital pela Editora Draco na coleção Contos do Dragão.

O Erick está fazendo os últimos ajustes na diagramação e vocês devem tê-los em suas mãos digitais em breve! Acreditem, estou tão ansiosa quanto vocês.

E em 2013, tem muita novidade chegando!

UPDATE!

A capa da versão digital, feita pelo Erick Sama sobre a arte original da capa, feita pelo Estevão Ribeiro.

anadigital

 

Aquela esquina – o que se perde e o que se ganha.

Papai tinha uma padaria em Icaraí. Na verdade, ele teve duas no bairro, no espaço de duas décadas. Antes disso, ele trabalhou em outra por dez anos. Faça as contas: eu tenho 33 quando escrevo essa tentativa de crônica, então isso significa que a maior parte da minha vida foi dentro de um lugar que vende pão. Fato que obviamente explica a minha silhueta que sempre tendeu pro rechonchudo, mas que também me ajudou a ter uma relação muito forte com o bairro.

Não sei como era no resto do país, porém em Niterói padarias eram até o final da década de 1990 negócios majoritariamente familiares, firmemente ligados à colônia portuguesa e que serviam como ponto de encontro de vizinhos e amigos. Não foram poucas as vezes que minha mãe serviu de conselheira e psicóloga, enxugando lágrimas de esposas traídas, porteiros demitidos. Assim como não foram poucas as pessoas que ela acompanhou da infância à idade adulta, seus sobrinhos que iam comprar balas – e sempre levavam uma quantia muito maior do que a teoricamente compravam – e que anos depois iam levar seus filhos para fazer a mesma coisa. Papai se tornou uma figura conhecida, quase uma lenda urbana. Seus chistes e manias eram conhecidos pela cidade e ter trabalhado com seu Leopoldo era referência suficiente para ser contratado.

Padarias, para mim, sempre foram refúgios. Primeiro, o cheiro. O cheiro interno de uma padaria tinha um quê de azedo, por causa do fermento e da farinha, matérias-primas de 95% do que é feito lá. Já o cheiro do salão de vendas era bem distinto. Uma mistura de pão quente, mortadela sendo cortada, bolo de aipim com coco e salgados recém-fritos que aos finais de semana tinha a adição do frango assado. Existe algo mais cheiroso que frango assado de padaria? O tempero dos frangos foi, até o amargo fim, receita de mamãe, levando orégano, vinho branco, azeite, louro e outras especiarias, preparado por um português tramontano que em sua terra guardava cabras.

Amargo fim?

Três anos atrás, a esquina que a padaria de papai – uma casa com oitenta anos de atividade, comprada de um conterrâneo dele – ocupava foi vendida a uma empreiteira. Negociações e acertos feitos, em pouco menos de seis meses o prédio foi ao chão e a esquina de ponto de encontro virou um canteiro de obras. Na verdade, um fim anunciado. Mercados em todos os seus tamanhos e tipos – super, hiper, extra, mega, ultra – vem aos poucos acabando com o tipo de negócio que o meu pai sabia fazer. Nos poucos espaços que essas grandes multinacionais vem deixando, quase não há espaço para estabelecimentos em que o dono toma cafezinho com o freguês – papai sempre ressaltou que padarias não tem clientes – enquanto discutem o técnico do Vasco. Aos poucos, padarias de esquina, em que vizinhos marcavam hora pra ir e bater papo, vão fechando e sendo substituídas por ‘butiques de pão’ em que gerentes treinados sorriem vazios para clientes cujos nomes não são importantes, franquias cujo pão vem congelado e a mortadela já embalada, cujos salões de venda cheiram a aromatizantes industrializados e os frangos… ah, essas já quase não cheiram.

Senti falta disso ao andar pelo ‘Jardim Icaraí’, um pedaço da divisa entre Icaraí e Santa Rosa que os corretores apelidaram assim para atrair os incautos do outro lado. Não havia um lugar em que pudesse encostar no balcão e pedir uma coca-cola. As padarias viraram butiques de pão, os botecos se transformaram em bares com mesas, cadeiras e latas de refrigerante a R$ 4,00.

Prédios e mais prédios onde só haviam casas, dez construções em um espaço de seis quadras, quase nenhum comércio e nenhum ponto de encontro. Niterói está crescendo, ganhando novos moradores, supermercados que fazem promoções de parar o trânsito – literalmente.

Mas perdeu os Leopoldos e as Marinas que ficavam atrás do balcão esperando os fregueses com pão quente, mortadela recém-cortada, um sorriso no rosto e um espaço no coração.

Uma crônica

O que sobrou do céu

Para P. H.

Vocês realmente já olharam as estrelas?

E não adianta dizer que todas as noites, do alto da janela do seu apartamento no meio do Rio de Janeiro – ou qualquer grande cidade, não importa – empinam os narizes no ar cheio de fumaça e vêem uma meia dúzia de pontinhos piscando atrás do fog-smog nosso de cada noite. Isso, meus caros, não é olhar estrelas, é apenas entrever um pedacinho mínimo de sua beleza.

Falo de realmente ver estrelas. De parar, olhar para cima e perceber que o céu é realmente da cor do veludo negro e que aquele monte de pontinhos brilhantes não podem ser outra coisa senão pequenos diamantes bordados naquele tecido quase cremoso por artesãos mais habilidosos do que os nossos. De conseguir perceber o enfumaçado das nebulosas, de conseguir desenhar as constelações, de se perder no emaranhado daquelas luzes que estão tão distantes que toda uma vida não seria suficiente para alcançá-las.

Pois é, perdemos o céu, principalmente o noturno. De dia, a luz ainda consegue ultrapassar as barreiras de fumaça e poluentes, o sol força sua entrada e por entre prédios e avenidas, conseguimos ver o que sobrou do céu.

Porém, a noite nos foi roubada. O céu estrelado, aquele manto negro que tanto assustou aqueles que vieram antes de nós, é um grande desconhecido. Mal o conseguimos entrever, ofuscados que estamos por luzes, letreiros, faróis… E por nós mesmos.

Para ver esse céu, é preciso sair da agitação que nos cerca, nas vidas sem tempo. Afastar-se de tudo o que conhecemos, deixar para trás tarefas que clamam por nós, obrigações, deveres, elos. É tentar não sermos mais nós mesmos. Buscar algo que está há muito tempo adormecido, esquecido, quase morto. Precisamos escarafunchar dentro de nós mesmos memórias ancestrais, do tempo em que tínhamos medo e reverenciávamos a sombra e a escuridão.

Porque para poder realmente olhar as estrelas temos que lembrar que somos feitos da mesma matéria sideral que aquelas imensas bolas de gás penduradas no cosmo. E que nem sempre a escuridão é a ausência de luz. Que somos maiores que nossas agendas, compromissos, direitos civis. Somos mais do que nossas filiações, nossas vontades, até mesmo que nossos quereres.

Que ultrapassamos mesmo a soma de tudo isso, mais nossos amores, amigos e famílias, com nossas recordações, ganhos, perdas, lucros, sucessos e fracassos.

Para ver estrelas, você às vezes precisa fazer uma loucura. No meu caso, voar dois mil quilômetros, em direção ao centro do país, para encontrar alguém que nunca vi pessoalmente. Superar um trauma absurdo e andar de moto, coisa que jurei jamais fazer. Confessar segredos a uma pessoa que ao mesmo tempo que é um conhecido de pouco tempo, tive certeza que é um amigo de muitas e muitas vidas.

Em cima de uma ponte, no meio do Brasil, ouvindo o choro de um rio represado, eu finalmente olhei para cima e vi estrelas. Por um segundo, não compreendi o que se passava, até que meus olhos conseguiram captar toda a beleza e a majestosidade do céu estrelado. Não consegui sequer chorar ante tanta grandeza.

Mas lembrei do que sou feita, do que fui feita, aliás. Afinal, de uma forma ou de outra, também somos todos estrelas, apesar de termos perdido o céu.

La cour, le roi et la revolution

Ai ai.

Tenho que escrever um pequeno texto sobre a corte de Versalhes. Mas é pequeno MESMO. Três mil caracteres com espaços. Meu esboço está com 3100… É, não vai ser tão fácil quanto eu pensei.

Anyway, estive pensando: vale a pena escrever por nada? Quer dizer, nesse país não se pode pensar em ganhar dinheiro escrevendo. Pode vir a acontecer, mas não é certo, so… Melhor não criar falsas esperanças.

Então, a gente escreve para ter um único retorno: o do público. Ok, eu sei que esse não é o blog mais comentado do mundo. Mas de forma geral, as coisas que publico aqui e ali acabam tendo uma boa recepção e o mais importante, geram comentários, o famoso e almejado feedback.

Há, no entanto, uma exceção: para ajudar um amigo, estou colaborando com a revista de uma comunidade no Orkut. Escrevo a parte cultural, um conto e na última edição coloquei uma crônica. Até agora, foram 4 edições… e se recebi dois elogios (porque há diferença entre comentário e elogio) foi muito. Ok, talvez eu esteja exigindo muito de uma comunidade de pegação e de interação social para pessoas fora do padrão social de beleza vigente (i.é, gord@s) . Só que pra mim, crônica é algo novo. Realmente difícil… pedi na comunidade para que as pessoas falassem o que acharam.

Silêncio sepulcral.

Nada. Nem uma linha.

Pergunto-me: valhe a pena isso? Porque escrever ‘por encomenda’ nunca é fácil. É sempre algo não espontâneo.

Estou começando a pensar seriamente em não insistir. Escrever só para preencher ‘páginas virtuais’ não está nas minhas perspectivas. Se ninguém comenta nada, é porque ou não quiseram ler (e daí estou tendo trabalho por nada) ou leram e não se incomodaram com aquilo, nem no bom nem no mau sentido. Se é assim, novamente: escrever pra que?

Enfim….

Vida que segue

Bem, acho que tenho muitos blogues inativos. Além do ‘Doces Pensantes’, tenho o ‘Livro de Sombras’ e o ‘Processo de Criação’, não contando o de atualizações (hahahaha) do ‘Canto de Luar’, a minha fracassada tentativa de um blog pessoal secreto e o da ‘Fábrica dos Sonhos’, que em breve irá dar lugar a uma surpresa.

Então, farei uma coisa. Eu vou deixar só esse e o em que eu coloco as atualizaçãos (hahahaha) do ‘Canto de Luar’. Vou deletar os demais, mas vou salvar as postagens. Irei reler todas e aos poucos irei republicar por aqui. Enfim, who cares anyway? Ninguém lê isso mesmo.:)

Combinado? Ok.

***

Detesto sábados chuvosos em que eu tenha que sair de casa por obrigação. Gosto de colocar o nariz na rua por gosto, principalmente em um dia dedicado ao ócio. Sim, porque como sou uma pessoa eclética, aproveito o melhor de cada religião. O meu sábado é judeu, não faço nada de útil à humanidade.

Porém, hoje o dever chamou. E ao invés de aproveitar o friozinho em casa, lendo, vendo filme, jogando, chateando meu filho (o que é muito legal de fazer, agora entendo porque minha mãe gosta tanto disso), fui até a Tijuca para o chá de bebê de duas pessoas lindas, que eu adoro muito. Só gostando muito para tirar a eremita rabugenta de casa hoje.

Já tinha comprado um pacote de fraldas, mas achei pouco. Passei em uma farmácia aqui perto de casa, antes de pegar o ônibus, comprei mais um pacote das noturnas e umas miudezas importantes (acreditem, mães de primeira viagem sempre esquecem as miudezas). Na caixa, quando eu coloquei as minhas aquisições no balcão, uma senhora – daquele tipo de dona velha que se acha muito nova, descolada e blábláblá – vira pra mim e diz: ‘Ah, é tão bom fazer enxoval. É o primeiro filho?’

Obviamente, eu rosnei ameaçadoramente, respondendo: ‘Não é pra mim. Não estou grávida. Cuide da sua vida.’

Pessoas: não comentem a vida alheia. Principalmente se a alheia estiver presente e de mau humor. Aliás, essa questão de gravidez é um bocado delicada. Mesmo se você conhecer a pessoa, muito cuidado ao fazer comentários como ‘Ah, você tá grávida’. A moça pode só ter engordado. E não estar nada feliz com isso. O melhor jeito é ‘Nossa, você tá diferente…’; se ela estiver grávida, vai contar. Se for quilos a mais e ela estiver bem resolvida quanto a isso (acreditem, alguém deve ficar bem resolvida nesse quesito, I hope), a pessoa irá dizer. Se ela estiver obviamente mais gorda e disser ‘Cortei o cabelo’, MUDE DE ASSUNTO. E evite rosnadas. Ou mordidas.

O convescote (atchim, que palavra empoeirada) estava animado e tal. Voltei para casa satisfeita duplamente. Por ter ido e por saber que em meia hora estaria a caminho do meu lar. No metrô, senta-se na minha frente uma menina, deve ter seus vinte anos. Tão bonitinha, branquinha, de calça jeans, blusa preta de alcinha, cabelos muito negros presos atrás… Sabe a Morte do Sandman? Bem parecida, até o jeito.

Gostei. Porque estou rascunhando um romance passado nos nossos dias e no nosso mundo (ao contrário de quase tudo que escrevo) mas não tinha achado a cara da personagem. E decidi. Seria ela. Ah, queria saber desenhar, pois teria sacado do meu bloco e desenhado a moça ali mesmo. Ela parecia tão feliz, tão satisfeita consigo mesma.

Ainda não decidi sequer o nome da personagem, apenas sei que ela será alguém com força para enfrentar situações muito adversas e extremamente apaixonada por tudo. Se não fosse o medo da guria me achar louca, teria perguntado o nome dela.

Mas fiquei olhando sem encarar, tentando pegar os pequenos detalhes da menina. O jeito de sentar, arrumar o cabelo, olhar para as pessoas. No Estácio, aconteceu algo que nos tornou cúmplices.

Entrou uma mulher jovem ainda, nos seus vinte anos. Reparem, eu antes falava de uma menina dessa idade. Agora é uma mulher. Aliás, fêmea mesmo. Com mais carne exposta que coberta, apesar da temperatura agradável de outono. Costas nuas, micro short, unhas ferozmente feitas (sério, garras me dariam menos medo), salto de oncinha altíssimo, cabelo louco esticado e maquiagem carregada, um namorado com cara de bobo a tiracolo.

O vagão do metrô parou para olhá-la. Os homens com aquela cara de idiotas que ficam sempre que uma mulher medianamente atraente aparece mais despida do que vestida. E quase todas as mulheres com inveja por ser jovem e bonita.

Duas não pareciam olhar assim. Tanto eu como a menina que irá se tornar a minha protagonista olhavamos a fêmea exposta, mas não com inveja. Podia ver nos olhos dela a mesma indagação: como seria ser assim, tão bonita e tão confiante de si mesma?

A minha grande vontade – daquelas que chegam e sabemos que irão se esvair sem se concretizar – foi de pegar nas mãos dela, da menina de cabelos pretos presos, e dizer que ela era imensamente mais bonita. E que seria inspiração para alguém.

A menina me olhou nesse minuto em que a vontade bateu com força. Ela sorriu de canto, no momento em que o alto-falante anunciou a minha estação.

Ao descer do metrô, fiquei com pena de não ter dito a ela o que quis.

Menina, se você ler isso um dia e souber que foi você: é maior do que isso, você é tão mais bonita…

E minha protagonista, no caminho para Niterói, ganhou um nome que se juntou ao rosto juvenil que vi: Marcela.

Porque?

Eu gostei, oras. E a menina tem cara de Marcela.