Por onde anda a traça?

Oi, pessoas!

Sumi, mas juro que foi por excelentes causas!

Mas assim…

Vou postar algo aqui hoje que não é muito do meu feitio… mas não tive como deixar de postar isso aqui. Afinal, o seguro morreu de velho.

“Olá,
Meu nome é Bruna e tenho dezesseis anos. Gosto de trocar mensagens, conhecer pessoas pela Internet e adorei seu blog. Por isso, escolhi você para ser meu novo amigo. Eu acredito que vamos nos dar muito bem.
E para isso acontecer, poste esse email no seu blog. Torça para ter sete comentários, ou então você terá MUITO azar.
Se não postar? Vai ser muito pior. Mas você não faria isso.
Você não recusaria o pedido de uma morta, né?”

Vocês devem estar achando que eu sou muito bobo ou que estou pregando uma peça em vocês. Depois de ver o vídeo abaixo, vão entender porque eu tive que fazer isso.
E por favor, COMENTEM!

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Cartas aos jovens – Inve$$$tir na carreira de escritor

Olá, queridinhos da tia Ana.

A pergunta de hoje veio do formspring, um serviço interessante:

“po, sua escrota! vc fik flando mal das editora que publica estorias boas cmo Andross! eh recalque cm ctz! seus ctos saum ruim, aposto q foram recusadus! oq vc tem contraqm invezti na carreira?”

Vamos por um momento ignorar o homicidio doloso cometido contra a última flor do Lácio e nos concentrar na questão do investimento na carreira (de escritor).

A primeira coisa a ser dita é que pagar para publicar um conto em uma coletânea de qualidade duvidosa não é investimento. É egotrip.

E desculpem, mas é humanamente impossível fazer uma coleção de 50 contos de escritores amadores dispostos a qualquer coisa pra publicar ser boa. No máximo, regular – e até agora, não vi nenhuma.

Publicar o seu próprio livro? É um investimento? É, mas de alto risco. Para cada Eduardo Spohr e André Vianco, há dúzias que mal e mal consegue vender seus livros aos parentes, amigos e conhecidos. E centenas que ficam com encalhes eternos na garagem de casa.

O melhor investimento que um escritor pode fazer é em busca de seu aprimoramento profissional.

Isso se traduz em:

– Comprar livros de ficção para acompanhar o mercado editorial.
– Comprar livros sobre a profissão, em todos os seus aspectos. O Brasil ainda é fraco em livros nesse quesito, porém sempre dá para achar um.
– Custear a participação em eventos nos quais você possa entrar em contato com editores, escritores e leitores.
– Fazer cursos, oficinas, seminários. Você pode pensar que isso não existe, pelo menos não voltado à escrita. Bem, você está errado. Cursos e oficinas ligadas à escrita e literatura pululam por aí. O que você precisa é de discernimento para investir no lugar correto. Se você escreve Fantasia, não adianta pagar para participar de uma oficina com um escritor muito premiado mas que tenha preconceito com a literatura de gênero. Você vai sair de lá frustrado (acredite em mim!)

O melhor é ir a lugares que entendam e respeitem a sua escolha de gêneros. Se você mora em São Paulo, o negócio está excelente!

A editora Terracota mantem o Espaço Terracota, que está com inscrições abertas para três cursos.

Um é a pós lato sensu em Criação Literária. Por mais que você possa torcer o nariz para isso, lá fora a escrita criativa é tratada dentro da Academia. Aqui, o curso da Terracota começa a se firmar como uma das melhores alternativas para quem quer realmente seguir este caminho (e se você ainda não se graduou, o curso também é oferecido como curso de extensão). O quadro de professores inclui Nelson de Oliveira e Marcelino Freire e o programa do curso abrange desde a criação literária em blogs até a escrita de romances. Veja mais aqui.

O curso do meu querido Sergio Pereira Couto é sobre um assunto que faz falta a muitos autores brasileiros. Sergio vai falar sobre a pesquisa literária, fundamental para quem quer escrever sobre QUALQUER assunto. As pessoas tem o hábito de pensar que se vai escrever sobre o cotidiano, a pesquisa é desnecessária. Aí, sai um monte de abobrinhas. O Sergio tem cacife para falar do assunto, tendo escrito 35 livros, entre eles romances com um profundo teor histórico. Informações aqui.

E mestre Fábio Fernandes me faz almadiçoar a falta de teletransporte. No seu curso sobre a história da literatura de Ficção Científica, a relação de autores e temas é de dar água na boca:

“cyberpunk – steampunk – space opera – new space opera – new weird – new wave – E.E.”Doc” Smith – Edmond Hamilton – Leigh Brackett – Philip Nowlan – Alex Raymond – Hugo Gernsback – John Campbell – Isaac Asimov – Robert A. Heinlein – Arthur C. Clarke – Frederik Pohl – Hal Clement – Cordwainer Smith – Chad Oliver – Frederic Brown – Poul Anderson – Dan Simmons – Frank Herbert – Iain M. Banks – Samuel Delany – Larry Niven – Octavia Butler – Gene Wolfe – Joanna Russ – John Brunner – Ursula K. LeGuin – Jay Lake – Pat Cadigan – Jeff VanderMeer – William Gibson – China Miéville – Bruce Sterling – Kage Baker – Rudy Rucker – Nancy Kress – John Shirley – M. John Harrison – Greg Bear – Charles Stross – John Varley – Cory Doctorow – Gregory Benford – Neal Stephenson – Carl Sagan – John Meaney – Jack McDevitt – David Marusek – Roger Zelazny – Adam Troy-Castro – Philip K. Dick – Paolo Bacigalupi – Theodore Sturgeon – Robert J.Sawyer – Alfred Bester – Cherie Priest – Joe Haldeman – David Louis Edelman”

(Sim, boa parte desses autores não saiu no Brasil. Se isso é um problema, talvez seu primeiro investimento deva ser um curso de inglês)

Se o Lula me pagasse um salário digno, até dava para tentar ir a São Paulo uma vez por semana durante seis semanas. Como não é o caso, fico aqui, morrendo de inveja dos paulistas. Se você é de Sampa ou é um afortunado que pode bancar o vai-vem, as inscrições são aqui.

No Rio, tem o curso de Eduardo Spohr, autor de ‘A batalha do apocalipse’, fenômeno de vendas, sobre a Jornada do Herói no Cinema e na Literatura. Vale a pena, mesmo que vocÊ não queira usar a jornada em seus escritos. Fica mais fácil sabendo o que evitar. Inscreva-se aqui.

Porém, se você não mora nem no Rio nem em São Paulo, não desanime. Centros e espaços culturais, além de faculdades, costumam dar cursos livros e de extensão sobre o assunto. Fique de olho nos suplementos literários e nos blogs culturais da sua região.

Stay tunned!

Escrevi meu livro, e agora? – Novidades

Olá, pessoas!

Eu tenho boas notícias. Fiz contato com uma editora, melhor que Clube dos Autores, que pode publicar o livro inspirado na apostila. Isso me fez parar para pensar no que mais eu poderia colocar, comecei a juntar material, links, livros, revirei meus cadernos… e vi que seria um trabalho completamente diferente da apostila, apesar de tratar do mesmo assunto. Continuaria a ter um tom leve, mas sem tantas piadinhas. Talvez colocar ilustrações, etc…

“Pô, Ana, desistiu de liberar o ebook?”

Não, muito pelo contrário. Acabo de dar uma atualizada na apostila e já a disponibilizei no Scribd. Então, vocês já podem baixar, ler e meter o malho aqui nos comentários.

Mas atenção: vocês irão perceber que não tem tudo que falei no outro post. Explico: esta é a versão que apresentei no workshop. Atualizei algumas coisas, mas em essência é o mesmo. Os demais capítulos irão entrar no livro e serão disponibilizados também online assim que o livro for lançado.

É bom porque vamos discutindo o assunto e amadurecendo, trocando links e etc.

Falando nisso, no tópico sobre isso, o pessoal do Oficio Editorial mandou uns bem bacanas, porém o WordPress comeu. Vou colocar aqui pra vocês. Até mais!:)

Congresso internacional do livro digital

O trabalho do editorial

Direito Autoral: eis a questão

Dando notícias

Gente, eu sei que prometi o livro/ebook para quinta-feira passada, mas minha mãe resolveu nos dar um susto. Passou o dia e boa parte da noite internada com pressão alta (culpa das estripulias de seu Leo, meu querido progenitor, como sempre…). E fiquei com ela, fui ao médico e conferimos que na verdade era uma crise de labirintite que, em um efeito dominó, acabou por elevar demais a pressão.

Bem, tudo resolvido, posso voltar a editar o livrinho e terminar as reformulações no blog. Mas como já atrasei mesmo, vou perguntar a vocês: o que querem ler no ‘Escrevi meu livro, e agora?’?

O índice é esse:

1 – Primeiros passos – O que fazer quando se coloca a palavra fim no seu livro
2 – Protegendo o seu original – Creative Commons, registro no E.D.A. e direitos do autor
3 – Os primeiros leitores – Beta-readers, leitores críticos e a diferença entre leitura crítica, copidesque e revisão
4 – Como chegar às editoras – Como, para quem e quando apresentar seu original
5 – Viva, viva, viva a Sociedade Alternativa – Edições independentes online e impressas
6 – Assinando contratos e sobrevivendo a eles – Dicas e conselhos sobre as minucias juridicas a que estamos expostos quando finalmente chegamos lá.
7 – Como mover mundos e fundos para publicar – Vale a pena pagar? Quanto? Para quem? E pelo que?
8 – Afinal, com quantos livros se faz uma canoa? – Tamanho de tiragens e suas vantagens e desvantagens
9 – Divulgação em tempos de web 2.0 – Blogs, redes sociais, eventos, malas diretas, como se chega ao leitor?
10 – Considerações finais

Espero as sugestões de vocês até amanhã a noite, ok?:)

Já tem até capa!

***

Em outra nota, hoje vou aparecer lá na Livraria da Travessa do Shopping Leblon pra adquirir meu exemplar de ‘O caçador de apostolos’, primeiro romance não-atormentado do Leonel Caldela. Confesso que não gostei da trilogia passada no universo do cenário de RPG nascido na extinta Dragão Brasil, mas o autor foi tão recomendado que resolvi dar uma segunda chance.

Quem quiser aparecer por lá, a partir das 19h30, o endereço é Av. Afrânio de Mello Franco, 290.

Fantasia Histórica – Modo de Usar

Não é surpresa para ninguém o quanto gosto de Fantasia Histórica – é bem obvio ao ler a seleção de contos de AnaCrônicas (em que 6 contos podem ser assim classificados) ou no conto que integra a coletânea Espelhos Irreais.

E estou preparando para lançar mais um conto nesse subgênero. ‘Maria e a Fada’ – que assim como ‘Carta a monsenhor’, ‘Os olhos de Joana’ e ‘A morte do Temerário’ pertence a uma série intitulada Burgundia Phantástica – foi selecionado para a coletânea Imaginários III, organizada por Erick Santos para a editora Draco.

A série é composta por contos relativos aos duques da Borgonha, de Felipe de Rouvres a Carlos V. Nem sempre eles são protagonistas: em ‘Carta a monsenhor’, que saiu no primeiro volume de Paradigmas, Felipe de Rouvres é apenas citado por sua morte prematura e em ‘Os olhos de Joana’, Felipe o Bom é o antagonista de Joana d’Arc. Um ponto em comum entre ‘A morte do Temerário’ e ‘Maria e a Fada’ é o seu protagonista, um personagem real bastante influente na corte borgonhesa, o cronista e mordomo Olivier de La Marche. Se no conto da coletânea Espelhos Irreais, o servidor é um narrador, em ‘Maria e a fada’, ele testemunha os fatos:

Era o final do inverno de 1482 e La Marche estava chegando em Gand, uma das cidades mais rebeldes de todas as que compunham os domínios da Borgonha. Maximiliano fizera com que ele viajasse por todos os burgos dos Países Baixos e agora o encaminhara para a Flandres. Era uma tarefa árdua, já que os habitantes daquela região tinham, na visão de La Marche, uma grande tendência à rebeldia e a insubordinação.

E fazia muito frio.

Já via as torres da cidade ao longe e suspirou aliviado. Tinha quase sessenta anos, não era idade para andar a cavalo de um lado para o outro como se fosse mero arauto ou mensageiro. Decidiu que seria sua última missão para o arquiduque. Retirar-se-ia da corte e terminaria suas memórias.

De repente, alguma coisa brilhou no seu campo de visão. Perguntou ao jovem escudeiro que o acompanhava.

– Viu aquilo?

Não esperou resposta e encaminhou seu cavalo naquela direção. Novamente, viu um brilho de relance, como se algo estivesse fugindo dele. Seguiu por alguns minutos até chegar a um lugar sem saída. Só conseguiu ver a ponta de uma cauda dourada sumindo para dentro da terra. No lugar onde passara, algo brilhava no chão. Sentindo as dores dessa sua pequena aventura, desceu do cavalo com cuidado. Aproximou-se e confirmou suas suspeitas. Era uma escama dourada, muito semelhante a que entregara à Maria.

Um arrepio percorreu seu corpo. Lembrou-se das velhas histórias contadas na região de Lusignan sobre a fada Melusina aparecer sempre antes de algo terrível. Montou novamente e retomou a trilha, desta vez mais rápido. Ansiava em chegar logo a Gand.

Meu envolvimento com a Fantasia Histórica começou na época de faculdade. Sempre me fascinava, ao ler sobre eventos e personagens, a possibilidade de uma intervenção fantástica. Como se fosse uma História Alternativa – só que o elemento do ‘e se…’ é do plano do sobrenatural e do implausível. Desde que comecei a publicar textos com essa temática – contos ou trechos de Finisterra – tenho recebido comentários e perguntas sobre como conseguir escrever assim, na fronteira do Romance Histórico com a Fantasia.

Bem, vou tentar resumir esse processo em alguns passos:

1- Escolha bem o seu plot para evitar anacronismos. É muito comum, por exemplo, ao querer trabalhar com bruxaria escolher falar da Inquisição na Idade Média. A Inquisição Medieval é muito mais preocupada com a caça aos hereges como os albigenses do que com bruxas e feiticeiras.

2- Após definir o periodo e o local em que sua história vai se passar, é hora de aprofundar a pesquisa. Você pode pensar que jogar no google e ler a wikipedia por alto pode ser suficiente, porém o diabo mora nos detalhes e em ficção histórica os detalhes são os que dão a atmosfera. Caça às bruxas, por exemplo, é muito mais forte nos países protestantes do que nos católicos.

3- Essa questão dos detalhes é importantíssima ao se escrever ficção histórica, sendo fantasia ou não. Mais do que veracidade, o ponto é a verossimilhança – o seu leitor tem que identificar o período histórico sendo retratado.

4- Equilibre as informações que você está compartilhando, sabe como é chato ler ‘Senhor dos Aneis’ quando o Tolkien começa a despejar nomes de reis, batalhas e etc.? Não é por serem reis, batalhas e etc. reais que fica legal. Se duvidar é até mais chato, fica com cara de livro paradidático oficial.

5- Linguagem é tudo. Seu camponês do século XVII não pode falar igual a um caminhoneiro do XXI. Nessas horas, a pesquisa é fundamental e mais complicada. Leia livros escritos na época em que se passa a sua história e preste atenção aos regionalismos. Se sua história se passa em um país em que se fale outra língua e não o português, tente inserir expressões de época na língua local. Mas sem fazer como italianos de novela da Globo. Seu leitor precisa entender o que está sendo discutido.

6- Cuidado com o pedantismo. Não é por estar escrevendo sobre o século XVI que você tem que escrever como se estivesse no século XVI – isso torna a leitura cansativa, dá um tom fake que desagrada ao leitor e fica chato pra caramba. Tente equilibrar a narração usando um português mais correto e sem contrações e gírias.

7- Não tenha medo de criar em cima da História. Toda a História, mesmo a que vem nos livros de escola, é um discurso, produzido em determinado contexto. O ponto é que você está assumindo a sua criação como obra ficcional – os historiadores nunca fazem isso.

8- Particularmente, eu gosto de personagens mais escondidos. São menos batidos e geralmente tem histórias fascinantes.

Basicamente, estas são as minhas dicas. Em Finisterra, eu abusei um pouco mais da liberdade criativa do que nos contos, principalmente em ‘Maria e a fada’. Porém, as aventuras de Pero Vaz de Caminha e Rui de Pina ficam para outro post.

Oh, don’t you fell so small…

It’s time we said goodbye,
Time now to decide.
Oh don’t you feel so small,
Dark is the night for all

It’s time we moved out west
This time will be the best
And when the evenings fall
Dark is the night for all

It’s time to break free
It’s time to pull away
For you and me

It’s time to break free.
We need to celebrate the
mystery.

It’s time we said goodbye,
Time for you and I.
Oh don’t you feel so small,
Dark is the night for all.

Pra vocês terem uma ideia, tem três posts com esse título na caixa de rascunhos do Talkative Bookworm. Não foi uma decisão fácil, nem de rompante, muito pelo contrário eu a venho amadurecendo desde a minha saída do Clube de Leitores de Ficção Científica.

Entrei para o fandom numa sucessão de acasos e coincidências por volta de 2oo4, quando comecei a participar da SciPulp. De lá para cá, tenho me batido, me estressado, me esforçado, perdido noites de sono pensando no coletivo. Justo eu que prometi a mim mesma nunca mais tomar a ação pelo bem comum (isso foi depois de uma participação meteórica em uma gestão de D.A. que até hoje é meu exemplo pessoal de como a truculência se manifesta contra os diferentes).

Levantei a bandeira da literatura de entretenimento e de qualidade, apregoei a heresia de que é possível encontrar literatura na web, insisti que nos juntássemos e deixássemos a mentalidade de ‘ninguém nos vê, logo não existimos’. E agora, cinco anos de atuação intensa?

Talvez sejamos menos invisíveis, talvez mais lidos. Porém, infelizmente, não somos e nunca seremos unidos. Eis nosso supremo moinho de vento, que jamais se tornará um gigante e portanto passível de ser derrotado, meus queridos companheiros quixotescos. A nossa quimera se chama União – e ela não é fúcsia.

Em cinco anos, moderei a maior comunidade no Orkut sobre FC literária, editei zines, livros e sites, promovi novos autores nesses meios, fui no rádio e na tevê, dei entrevistas, fiz leitura crítica, participei de debates e mesas-redondas, me despenquei para eventos para vender livros (meus sim, mas principalmente dos outros). Cuidei do coletivo pensando que cada livro de Ficção Especulativa vendido no país era um beneficio de todos.

Ainda penso assim, porém equilibrei na balança e vi que se meu lado produtora emergiu e floresceu, meu lado escritora ficou deixado de lado. E sinceramente? Ser escritor e não ganhar um centavo com isso não me incomoda. Agora, o outro lado, de produzir, de incentivar o trabalho alheio, de graça e ainda ter a cobrança de um profissionalismo a qualquer custo, começou a me incomodar. As pessoas querem que você escreva, edite, divulgue, promova, retuíte, compartilhe, participe, responda, debate, resenhe, comente, critique, modere, sorteie – ao mesmo tempo e em um absoluto grau de perfeição, sem que ninguém se lembre que seu filho vai a uma escola razoavelmente cara, que internet e luz custam dinheiro e que gatos podem ser atropelados e lhe custar uma pequena fortuna.

Não houve uma gota d’água. Até porque esse balde não se encheu gota a gota. Ele foi sendo preenchido por um fluxo continuo de aborrecimentos, pressões e cobranças. Mas o ponto definitivo foi o resultado do Prêmio, com o reconhecimento que o meu trabalho como escritora teve. Percebi que eu tenho um público potencial que eu deixo de lado para ajudar meus colegas escritores.

Bem, como eu já havia dito, chegou a hora do fandom se virar sem mim.

Não ia escrever nada, afinal pensava não dever explicações a ninguém. Cai em mim e vi que sim, tem pessoas que merecem entender o que está acontecendo comigo, os amigos que espalhei pela rede virtual – que por muitas vezes a extrapolaram – e que me deram tanto apoio. São muitos e eles sabem quem são, nem vou me atrever a nomear para não ser injusta ao esquecer de alguém.

Resumindo tudo?

Olá, amigos leitores. Sou Ana Cristina Rodrigues, *escritora*. E ponto.

As comunidades no Orkut já não estão mais sob minha moderação – menos a “Ficção Científica’, que aguarda a aceitação do novo dono. Essa semana irei procurar novos editores pro “Letra e Video” e pro “Comunidade FC”.

Agora, com licença, tenho que escrever.

Do prêmio ou de escolhas que devemos fazer…

Ou como respirar fundo e não mandar todo mundo ir pra um lugar escuro e distante.

Vamos começar pelo começo: A pretensão do prêmio era – ainda é – ser um prêmio voltado à LITERATURA dentro da Ficção Especulativa, englobando também obras dedicadas a discuti-la. E a ser uma decisão POPULAR, para o bem e para o mal que isso possa significar.

Houve desvirtuamento dessa pretensão inicial? Sim, houve – por parte de autores que viram nisso uma tentativa de obter um ‘título’ sem se importar com os meios para obter isso. O irônico (eu ia colocar ‘engraçado’, mas é mais triste do que qualquer outra coisa)? Tem escritor reclamando dessa postura e fazendo exatamente igual.  E tem muitos que reclamam e pouco fazem para mudar esse quadro – por exemplo, pouquíssimos membros do CLFC ou da comunidade ‘FC’ no orkut já votaram. Tudo bem que os votos vão até 20 de abril, mas eu pensei que justamente por ter sido esse o segmento que mais clamou por uma premiação do tipo, seriam mais participativos.

Não, não estou satisfeita com o voto de claque. Mas já que querem que seja assim, vai ser. Só que chamei os peixes grandes – autores de boas vendas pra públicos fora do fandom – para participarem, divulgando a votação para os seus leitores. Vamos ver se os autores que convocaram seus amigos e familiares vão achar bacana quando os ouvintes do NerdCast começarem a aparecer – ou os fãs do rpg Tormenta, fieis leitores do Leonel Caldela. Ou as leitoras da Nazarethe Fonseca. É uma pena que o André Vianco não tenha lançado nada ano passado – aí eu queria ver se as mesmas pessoas que agora fazem esse tipo de campanha não iriam reclamar da injustiça de se fazer isso.

De resto, a minha decisão de fazer essa edição do prêmio ser a primeira e única é irrevogável. Aliás, foi a minha última iniciativa em prol de um ‘coletivo de escritores de FC e Fantasia’. Desde que entrei no tal do fandom, tentei realmente ser útil para o todo, mesmo aqueles que me atacavam – e ainda atacam, para aqueles que buscavam – e ainda buscam – deslegitimar o que eu falo. Eu já disse uma vez que acho que um livro que a Nazarethe Fonseca ou o Fábio Fernandes vendam é bom não só para eles, mas para todos nós – o que me inclui, claro. Um mercado mais forte e mais maduro, com leitores mais informados e mais dispostos, torna tudo mais fácil para quem quer escrever e ter seu trabalho reconhecido.

Eu juro que fiz o possível para ajudar nisso desde que fundei a Fábrica dos Sonhos, arranjei briga com Octavio Aragão e fui apresentada ao fandom – e lá se vão cinco anos. Mas chega uma hora que a gente se pergunta se vale a pena. Aliás, desde que assumi a gestão anterior do CLFC venho me perguntando isso.

Chegou o ponto em que não, não vale mais a pena. Eu tenho me desgastado e me ocupado muito mais divulgando e incentivando o trabalho dos outros do que com o meu próprio. Ou mesmo o trabalho da Fábrica que deveria ser a minha prioridade em relação a algo maior. E a recompensa tem sido minima.

Além do trabalho ser pouco reconhecido, as reclamações (que não são críticas, mas simplesmente a velha mania humana de falar mal por falar) tem sido muitas e das mais descabidas possíveis. E a postura do fandom continua a mesma.

Então, no momento, o prêmio continua e fica como está. Estou pensando em um prêmio do Juri para compensar a votação de claque, mas dependo de alguns acertos que devem se concretizar durante esta semana.

A todos que apoiaram, muito obrigada. A quem só sabe reclamar mas na hora de fazer, os outros que façam… bem, sempre tem aquele lugar escuro.

PS: Deixo aqui registrado meu agradecimento a todos os blogs e sites que divulgaram mesmo o Prêmio e não somente fizeram campanha, como a coluna de Roberto Causo e o blog do Cesar Silva – a quem também agradeço o envio de seu material para o próximo Anuário que muito ajudou na correção das listagens.

Melhores do Ano – Momento Eleitoral Gratuito!

Então, queridos, como foram de Ano Novo?

É, mal deu tempo de respirar e postar aqui. Mas tem muitas e muitas novidades vindo por aí. Inclusive relacionadas a este meu puxadim virtual.

Cortando o lero-lero, que está aqui:

Quem gosta do meu trabalho, tem agora a chance de mostrar isso, votando nas minhas iniciativas!

Categoria Antologias:

– AnaCrônicas

Categoria Editores/Organizadores

– Ana Cristina Rodrigues ( Espelhos Irreais/Melhor do Desafio Operário/Letra e Video)

Categoria Sites informativos/resenhas

– FC e Afins

– Observatório a Vapor

Categoria Ezines

– Black Rocket (pq é da galera da Fábrica)

Categoria Coletâneas

– Espelhos Irreais

– Paradigmas 1 e 2

Categoria Site de Contos

– Letra e Video

Categoria Ebooks

– Melhor do Desafio Operário

Categoria Colunistas/Resenhistas

– Ana Cristina Rodrigues (FC e Afins / Observatório a Vapor/ Papo na Estante)

Categoria Não-ficção

– Literaturas Invisíveis

Categoria Revistas/Zines

– Scarium 25

E na categoria Contos?

Sinceramente, eu adoraria que um dos meus contos preferidos publicados em 2009 fosse contemplado – fosse ele Mapa da Terra das Fadas, Dama de Shallot, A morte do Temerário, Carta a Monsenhor ou O templo do Amor. Mas qualquer indicação será benvinda!

Vocês podem votar nos links acima, que levam pro blog ou na comunidade do Orkut!

(E não esqueçam de votar no Coelho Valete pra melhor capa!!!)

Preview da HQ de ‘Correndo nas Sombras’

‘Tão lembrados que eu comentei sobre a adaptação de um conto meu para quadrinhos?

Finalmente ficou pronto.

Eu fiz o roteiro e meu-amigo-de-fé-irmão-camarada Alex Lancaster fez os desenhos. O resultado ficou foda – mesmo, não há outra palavra! Vocês vão conferir na coletânea de quadrinhos nacionais Inkshot – aliás, o Estevão vai estar lá também.

Com vocês, a segunda página da versão em inglês de Correndo nas Sombras

Inkshot2Clica que aumenta.

Curiosamente, é o primeiro trabalho ficcional meu em conjunto com o Lancaster, apesar dos muitos anos de amizade. Certo, antes fizemos o famoso artigo sobre o pulp na Scarium, mas aquilo é outra história.

Espero que curtam.

(Lembrando, o conto é esse aqui)

Ops…

Uma crise renal me tirou de combate nos ultimos dias, atrasando tudo aqui – inclusive atualizações aqui e nos demais blogs.

Até sábado, tentarei colocar tudo em dia.