[O que estou fazendo] Purgatorial, de Fernando Ribeiro

Eu traduzi Isaac Asimov.

Eu traduzi parte de ‘Tigana’, um dos grandes clássicos contemporâneos da Fantasia. E traduzi a trilogia original de Shannara, que deu o pontapé inicial na onda de fantasia nos moldes tolkenianos em que vivemos até hoje.

Trabalhei editorialmente em ‘Outlander’, um dos maiores best sellers do seu gênero. Também mexi em uma coletânea dos grandes George R. R. Martin e Gardner Dozois.

E antes já tinha editado uma coletânea de Nelson de Oliveira.

Mas nunca na vida tinha editado um livro de poesia. Traduzido poesia. Trabalhado com poesia.

Minha relação com rimas e métricas sempre foi de leitora – tirando, claro, aquela fase que todo adolescente com a sensibilidade mais aflorada passa, de tentar expressar-se assim, colocando sentimentos confusos em estrofes e versos. Para o bem da humanidade em geral e da literatura em particular, foi fase, passou e não deixou maiores danos. Só alguns documentos no Word que eu tenho dó de apagar.

Só li.

Os clássicos brasileiros, portugueses (yep, li Pessoa e Camões. Mas li Espanca, Sá-Carneiro, Bocage e por aí vai), os ingleses, os franceses e até os alemães (Ich sprache um pouco de Deutsch, dá pra arranhar um Goethe da vida numa tradução bilíngue).

Aí, numa nessas guinadas que a vida dá, virei editora da Aquário, a iniciativa mais legal do atual cenário editorial brasileiro. E eis que surgiu a oportunidade de trabalhar em um livro de poesia. Portuguesa. Contemporânea.

Do vocalista de uma das minhas bandas preferidas.

É. Eu travei um pouco na hora de cair a ficha. Eu acompanho o trabalho da banda desde 2001, mais ou menos. E sou completamente apaixonada pelas letras do Fernando Ribeiro. É uma questão de identificação e de inspiração – as músicas do Moonspell inspiraram alguns dos contos que mais me são caros, como “Queda e Paz” e “Como nos tornamos fogo“.

Foi difícil conseguir segurar a emoção da fã na hora de ser profissional, mas acho que consegui. Até porque o material que eu recebi é simplesmente maravilhoso.

A edição portuguesa é o conjunto de três livros anteriores do Fernando (Como escavar um abismoAs feridas essenciaisDialogo de vultos) com poesias inéditas. Quando negociamos uma edição nacional, logo surgiu a ideia: e se colocássemos material diversificado junto?

Ele adorou a ideia. E assim, a edição brasileira da Aquário tem mais conteúdo que a original, incluindo pequenos poemas sobre as cidades pelas quais ele passou na última turnê, contos, um ensaio sobre Crowley e pessoa, um extrato de um romance ainda inédito – e o que vai fazer os fãs do Moonspell surtarem: um diário da passagem da turnê Road to Extinction, em que o Fernando destila toda a sua sinceridade, com a qual tomamos contatos em seus posts no blog.

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O livro recebeu um trabalho gráfico lindo do Estevão Ribeiro (Editor da Aquário e meu marido, pra quem não sabe), que usou como base a capa original portuguesa da Saída de Emergência. Ele realmente caprichou nessa edição, cheia de detalhes que combinam com a essência de um livro tão diverso.

E agora, falo como leitora. Eu sou fã, mas sou crítica. Vocês sabem disso.

Se o livro não tivesse me tocado imensamente, eu não estaria aqui falando dele. Faria meu trabalho e só. Mas as poesias do Fernando Ribeiro tiveram em mim o mesmo impacto que as letras das músicas do Moonspell. Eu li o arquivo com elas de uma vez só, sem pensar em editar, revisar. O primeiro contato foi o de leitora – eu queria ter tido um olhar mais distante, mas foi impossível. Fui simplesmente arrastada.

Não entendo poesia. Sei do que eu gosto. Gosto de Pessoa, Augusto dos Anjos, Tennyson, Keats, algum Baudelaire e nem todo o Bilac.

E do Fernando Ribeiro – que tem óbvias influências de Pessoas, mas que me fez lembrar muito de Augusto dos Anjos, da sua ânsia de minúcias biológicas e escatológicas. Não sei explicar se existe diferença entre ser um compositor e ser um poeta, já que não sou nenhum dos dois. Mas há compositores que nunca me tocaram enquanto poetas. Aqui, o caso foi completamente diferente. Mesmo quando voltei ao livro para editá-lo e revisá-lo (mantendo, na parte em verso,  a grafia portuguesa sem o Acordo, como as poesias foram originalmente apresentadas), por vezes parei e selecionei trechos:

Assiste ao corpo o direito de renunciar ao mundo.
Assiste aos olhos o direito de reclamar legítima
defesa contra as cores.

Mas o estúpido sorriso
E o estúpido caminho
Não me ajudam a
Deixar de estar sozinho.
Uso a táctica do pedestal
Pela última vez
E já ninguém cá chega
Mas também ninguém fica.
(A táctica do pedestal)

Apetece-me o labirinto,
A morte,
A descida.
(Poema d’ amoníaco)

Rastos e restos,
Rasos e fundos.
Armadilhados de sede
no peito desfeito.
Em defesa, acrobacia do nada.
Guerra aberta, dimensionada no tudo.
(Rastos e restos)

Nada espero.
Tudo quero.
Se me dessem o mundo
enfiava-o na mala.
(Mala)

Colher-te das árvores
beber-te das poças
da pele de quem passava
distraído
pela ausência
de quem fomos.
(Bomba de pregos)

Isso é uma amostra. Meu arquivo com quotes desse livro tem quase 25 páginas no Word, só da parte de poesia.

O extrato de romance, ‘O Bairro das Pessoas’, tem uma prosa frenética, desenfreada, enquanto os contos são mais lovecraftianos e lentos em sua composição, com um cuidado especial na construção da atmosfera. Há dois textos de não-ficção: um relato sobre a morte do vocalista do Batóry e um pequeno ensaio sobre Pessoa e Crowley. Os dois, além de informativos, são uma pequena janela para o mosaico de influências que formam a poesia e as composições do autor.

A edição finaliza com um verdadeiro presente aos  fãs do Moonspell: o diário de turnê tem uma sinceridade rasgada, contando as dores de uma turnê, as dificuldades de se manter fiel ao sonho mesmo quando o mainstream musical já não encara o rock pesado (ou melhor dizendo, o rock em geral) tão bem. Sim, o Moonspell é conhecido no meio, tem fãs, mas isso não significa que tudo sejam flores, que os lugares sejam ótimos, que a divulgação ajude – ou que a vida pare de acontecer. E Fernando não esconde nada: o contato nem sempre fácil com os fãs, as más notícias que quebram a rotina, a hipocrisia musical portuguesa… está tudo ali, de forma nua e crua, despudorada, raivosa, amarga, mas gentil e doce por vezes.

Este post é para falar desse livro, do qual tenho um orgulho gigantesco. Mas também para convidar vocês para o lançamento. Com autógrafos. Sim, o Fernando Ribeiro está no Brasil, vai tocar no Rock in Rio e vai fazer uma pequena turnê com a banda. Aproveitando, também irá fazer lançamentos do livro. Serão dois no Rio, um em Curitiba e outro em São Paulo – em São Leopoldo (RS), o lançamento vai ser no show.

Eu estarei em todos (menos no de São Leopoldo) e mal posso esperar para compartilhar esse trabalho com vocês!

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Para que serve a Bienal do Livro?

Começou ontem a maior feira literária (ou de livros, já que não são necessariamente sinônimos) da América Latina: a Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Durante dez dias, o longínquo RioCentro se torna um polo cultural, com palestras, bate-papos, mesas-redondas e livros. Muitos, muitos livros.

E filas, mas deixo para falar das filas  no meu Facebook que é para isso que redes sociais servem.

Por falar em ‘é para isso que serve’, queria responder uma provocação, que me chegou tanto via comentários de leitores em um grupo no Facebook (grupo que, aliás, recomendo) quanto da leitura do artigo que saiu hoje na Folha de São Paulo, em especial pela fala da querida Rejane Dias, editora executiva da Autêntica, que diz que um autor adulto pode “ficar perdido na Bienal… para o autor que não é conhecido fica complicado. Se um autor não atrai público, não faz sentido ir.”

Para que serve a Bienal?

Vai depender muito do seu envolvimento com o mundo dos livros e com o mercado editorial. Acompanhem:

  • Se você é leitor, mas consome poucos e bons livros: a Bienal é um lugar excelente para caçar novas aquisições. Editoras que nem sempre tem seus livros expostos nas livrarias fazem estandes. As editoras que tem entrada no varejo costumam levar parte do seu fundo de catalogo e fazem promoções. A diversidade bibliográfica na Bienal é gigantesca e sempre é possível encontrar alguma preciosidade.
  • Se você é leitor consumista, voraz e engajado: bem-vindo ao templo. Tem lançamentos, tem promoções, tem brindes, tem novidades, tem livros difíceis de encontrar. Tem autores internacionais para dar autógrafos. Tem autores nacionais (aos milhares) também. É como se fosse um parque de diversões – tem filas, comida cara, banheiros cheios e gente demais nos fins de semana, mas nos outros dias, depois das escolas, é pra fazer a festa.
  • Se você é autor: e aí não importa muito o tipo, a Bienal é uma excelente forma de crescimento pessoal e profissional. Seu livro está vendendo em um estande? Ótimo. Fique os dias que você conseguir lá! Interaja com o leitor, descubra onde você está acertando, onde está errando. Ainda procurando uma editora para chamar de sua? É um ótimo lugar para fazer contatos, conhecer catálogo e ver onde você tem mais chance no mercado editorial. Agora, atenção. Seja *profissional*. Seja *educado*. Não force a barra. Não ache que alguém tem a obrigação de recebê-lo. Não, não tem.
  • Se você trabalha na cadeia do livro e está procurando oportunidades: maior concentração de pessoas que decidem por metro quadrado. Mas vale o que eu disse ali em cima: Profissionalismo e educação NUNCA são demais.
  • E se você é editor, a Bienal serve para pular o muro que é a livraria e conhecer, olho no olho e cara a cara, o seu público. É onde dá para fazer aquele ajuste fino no marketing e no editorial. Além de ser a chance de rever amigos e encontrar alguns novos. 🙂

Pra mim?

É meu momento de lembrar que, olha, vale a pena. Não somos um país de leitores nem uma pátria educadora, mas tem esperança. Tem gente fazendo livro. Tem gente comprando livro. De todos os tipos. E isso é LINDO.

Não perco de jeito nenhum.

E estarei disponível para abraços, beijos e discussões acaloradas no estande da Aquário, lançando ‘Meu caderno de perguntas’, ‘Anacrônicas’, ‘O outro lado da cidade’ e corujando os outros lançamentos que Estevão e eu editamos: ‘Purgatorial’, ‘Ser pai de menina é…’, ‘As cores do esquisito’, ‘Tomai e bebei’ e os livros do Carlos Ruas!

PS: Vai ter biscoito. E Pirulito.

O Estronho Oeste de Cursed City invade o mundo.

Quem gosta de Western aí levanta a mão?

E quem gosta de Weird Western?

Ih, boiaram? WW é quando você pega aqueles velhos cenários de Faroeste e mistura com o que há de melhor e mais estranho na literatura fantástica. Lobisomens, vampiros, bruxos, duendes…

Essa vertente já se consolidou lá fora e vem aos poucos pegando no Brasil. A primeira antologia do gênero é justamente ‘Cursed City’, da Editora Estronho, da qual participei como convidada. Me diverti muito, afinal sempre gostei dos velhos filmes e livrinhos de bang-bang – meu pai passou esse gosto para mim.

Eu não sei o que tomei antes dessa foto, mas deu barato com certeza.

E a poucas semanas do lançamento, a antologia teve destaque até em um blog internacional! Nem preciso dizer que estou ansiosa para ter o livro em mãos.

Weird Westerns From Brazil My Encyclopedia of Weird Westerns was reviewed on the Galvanized blog recently where I discovered the Weird Western is gaining in popularity in Brazil. “Cursed City” is one of the latest Weird Western publications to be published. This is the synopsis from the publisher’s website. Please excuse the translation. Cursed City is an old western town, which like any other, lives with such diverse problems as troublemakers, cruel gunmen, prostitution, … Read More

via Encyclopedia of Weird Westerns

 

Um trechinho do conto procês:

A noite chegou praticamente de uma só vez, sem crepúsculo ou aquela luminosidade que se apaga aos poucos. Ramon recolheu os escravos, tentando não pensar no silêncio que os cercava. Os homens, imensos e imponentes, o seguiam como carneiros. A sensação estranha que o perseguia desde que o primo comprara aqueles escravos continuava. Talvez, quando a colheita terminasse, ele voltasse para o sul. José era um péssimo patron e aquele lugar era estranho demais, sinistro demais, escuro demais.

“Sim, é hora de tomar um rumo diferente na vida. Casar, ter filhos e sair desse buraco.”

Esperou que todos os escravos entrassem no barracão onde dormiam para então trancar a porta com um suspiro. Mais um dia tinha terminado.

Mas assim que começou a se afastar, em direção à cabana que dividia com o primo, ouviu o barulho de um galho quebrando. Podia ser um coiote, mas podia ser algo pior. Por ali, o pior geralmente era o que acontecia.

Olhou ao seu redor e não viu nada demais. A escuridão se estendia pela terra plana, na noite sem lua. O estalo se fez ouvir de novo e de repente uma lâmina gelada encostou em seu pescoço. Uma dor lancinante na nuca e a escuridão que estava ao seu redor finalmente o engoliu.

O que vem por aí: as novidades – I

Agora, posso voltar a respirar. Muita coisa aconteceu, entre animais doentes, trabalho e problemas familiares diversos. Nem sobrou tempo para mais nada – mas semana que vem, o ritmo de blogagem volta ao normal.

Por hoje, quero só começar a contar as novidades:

Pequenos Heróis

E começo bem. O album já vem sendo pensado pelo Estevão desde que eu o conheço, mas só agora tomou sua forma final. Amanhã, vai ser lançado com pompa e circunstância em São Paulo:

Mais informações nesse post que o querido Rober Pinheiro fez.

Espero todos os amigos paulistas por lá!

 

Por onde anda a traça?

Oi, pessoas!

Sumi, mas juro que foi por excelentes causas!

Mas assim…

Vou postar algo aqui hoje que não é muito do meu feitio… mas não tive como deixar de postar isso aqui. Afinal, o seguro morreu de velho.

“Olá,
Meu nome é Bruna e tenho dezesseis anos. Gosto de trocar mensagens, conhecer pessoas pela Internet e adorei seu blog. Por isso, escolhi você para ser meu novo amigo. Eu acredito que vamos nos dar muito bem.
E para isso acontecer, poste esse email no seu blog. Torça para ter sete comentários, ou então você terá MUITO azar.
Se não postar? Vai ser muito pior. Mas você não faria isso.
Você não recusaria o pedido de uma morta, né?”

Vocês devem estar achando que eu sou muito bobo ou que estou pregando uma peça em vocês. Depois de ver o vídeo abaixo, vão entender porque eu tive que fazer isso.
E por favor, COMENTEM!

Cartas aos jovens – Inve$$$tir na carreira de escritor

Olá, queridinhos da tia Ana.

A pergunta de hoje veio do formspring, um serviço interessante:

“po, sua escrota! vc fik flando mal das editora que publica estorias boas cmo Andross! eh recalque cm ctz! seus ctos saum ruim, aposto q foram recusadus! oq vc tem contraqm invezti na carreira?”

Vamos por um momento ignorar o homicidio doloso cometido contra a última flor do Lácio e nos concentrar na questão do investimento na carreira (de escritor).

A primeira coisa a ser dita é que pagar para publicar um conto em uma coletânea de qualidade duvidosa não é investimento. É egotrip.

E desculpem, mas é humanamente impossível fazer uma coleção de 50 contos de escritores amadores dispostos a qualquer coisa pra publicar ser boa. No máximo, regular – e até agora, não vi nenhuma.

Publicar o seu próprio livro? É um investimento? É, mas de alto risco. Para cada Eduardo Spohr e André Vianco, há dúzias que mal e mal consegue vender seus livros aos parentes, amigos e conhecidos. E centenas que ficam com encalhes eternos na garagem de casa.

O melhor investimento que um escritor pode fazer é em busca de seu aprimoramento profissional.

Isso se traduz em:

– Comprar livros de ficção para acompanhar o mercado editorial.
– Comprar livros sobre a profissão, em todos os seus aspectos. O Brasil ainda é fraco em livros nesse quesito, porém sempre dá para achar um.
– Custear a participação em eventos nos quais você possa entrar em contato com editores, escritores e leitores.
– Fazer cursos, oficinas, seminários. Você pode pensar que isso não existe, pelo menos não voltado à escrita. Bem, você está errado. Cursos e oficinas ligadas à escrita e literatura pululam por aí. O que você precisa é de discernimento para investir no lugar correto. Se você escreve Fantasia, não adianta pagar para participar de uma oficina com um escritor muito premiado mas que tenha preconceito com a literatura de gênero. Você vai sair de lá frustrado (acredite em mim!)

O melhor é ir a lugares que entendam e respeitem a sua escolha de gêneros. Se você mora em São Paulo, o negócio está excelente!

A editora Terracota mantem o Espaço Terracota, que está com inscrições abertas para três cursos.

Um é a pós lato sensu em Criação Literária. Por mais que você possa torcer o nariz para isso, lá fora a escrita criativa é tratada dentro da Academia. Aqui, o curso da Terracota começa a se firmar como uma das melhores alternativas para quem quer realmente seguir este caminho (e se você ainda não se graduou, o curso também é oferecido como curso de extensão). O quadro de professores inclui Nelson de Oliveira e Marcelino Freire e o programa do curso abrange desde a criação literária em blogs até a escrita de romances. Veja mais aqui.

O curso do meu querido Sergio Pereira Couto é sobre um assunto que faz falta a muitos autores brasileiros. Sergio vai falar sobre a pesquisa literária, fundamental para quem quer escrever sobre QUALQUER assunto. As pessoas tem o hábito de pensar que se vai escrever sobre o cotidiano, a pesquisa é desnecessária. Aí, sai um monte de abobrinhas. O Sergio tem cacife para falar do assunto, tendo escrito 35 livros, entre eles romances com um profundo teor histórico. Informações aqui.

E mestre Fábio Fernandes me faz almadiçoar a falta de teletransporte. No seu curso sobre a história da literatura de Ficção Científica, a relação de autores e temas é de dar água na boca:

“cyberpunk – steampunk – space opera – new space opera – new weird – new wave – E.E.”Doc” Smith – Edmond Hamilton – Leigh Brackett – Philip Nowlan – Alex Raymond – Hugo Gernsback – John Campbell – Isaac Asimov – Robert A. Heinlein – Arthur C. Clarke – Frederik Pohl – Hal Clement – Cordwainer Smith – Chad Oliver – Frederic Brown – Poul Anderson – Dan Simmons – Frank Herbert – Iain M. Banks – Samuel Delany – Larry Niven – Octavia Butler – Gene Wolfe – Joanna Russ – John Brunner – Ursula K. LeGuin – Jay Lake – Pat Cadigan – Jeff VanderMeer – William Gibson – China Miéville – Bruce Sterling – Kage Baker – Rudy Rucker – Nancy Kress – John Shirley – M. John Harrison – Greg Bear – Charles Stross – John Varley – Cory Doctorow – Gregory Benford – Neal Stephenson – Carl Sagan – John Meaney – Jack McDevitt – David Marusek – Roger Zelazny – Adam Troy-Castro – Philip K. Dick – Paolo Bacigalupi – Theodore Sturgeon – Robert J.Sawyer – Alfred Bester – Cherie Priest – Joe Haldeman – David Louis Edelman”

(Sim, boa parte desses autores não saiu no Brasil. Se isso é um problema, talvez seu primeiro investimento deva ser um curso de inglês)

Se o Lula me pagasse um salário digno, até dava para tentar ir a São Paulo uma vez por semana durante seis semanas. Como não é o caso, fico aqui, morrendo de inveja dos paulistas. Se você é de Sampa ou é um afortunado que pode bancar o vai-vem, as inscrições são aqui.

No Rio, tem o curso de Eduardo Spohr, autor de ‘A batalha do apocalipse’, fenômeno de vendas, sobre a Jornada do Herói no Cinema e na Literatura. Vale a pena, mesmo que vocÊ não queira usar a jornada em seus escritos. Fica mais fácil sabendo o que evitar. Inscreva-se aqui.

Porém, se você não mora nem no Rio nem em São Paulo, não desanime. Centros e espaços culturais, além de faculdades, costumam dar cursos livros e de extensão sobre o assunto. Fique de olho nos suplementos literários e nos blogs culturais da sua região.

Stay tunned!

Escrevi meu livro, e agora? – Novidades

Olá, pessoas!

Eu tenho boas notícias. Fiz contato com uma editora, melhor que Clube dos Autores, que pode publicar o livro inspirado na apostila. Isso me fez parar para pensar no que mais eu poderia colocar, comecei a juntar material, links, livros, revirei meus cadernos… e vi que seria um trabalho completamente diferente da apostila, apesar de tratar do mesmo assunto. Continuaria a ter um tom leve, mas sem tantas piadinhas. Talvez colocar ilustrações, etc…

“Pô, Ana, desistiu de liberar o ebook?”

Não, muito pelo contrário. Acabo de dar uma atualizada na apostila e já a disponibilizei no Scribd. Então, vocês já podem baixar, ler e meter o malho aqui nos comentários.

Mas atenção: vocês irão perceber que não tem tudo que falei no outro post. Explico: esta é a versão que apresentei no workshop. Atualizei algumas coisas, mas em essência é o mesmo. Os demais capítulos irão entrar no livro e serão disponibilizados também online assim que o livro for lançado.

É bom porque vamos discutindo o assunto e amadurecendo, trocando links e etc.

Falando nisso, no tópico sobre isso, o pessoal do Oficio Editorial mandou uns bem bacanas, porém o WordPress comeu. Vou colocar aqui pra vocês. Até mais!:)

Congresso internacional do livro digital

O trabalho do editorial

Direito Autoral: eis a questão

Dando notícias

Gente, eu sei que prometi o livro/ebook para quinta-feira passada, mas minha mãe resolveu nos dar um susto. Passou o dia e boa parte da noite internada com pressão alta (culpa das estripulias de seu Leo, meu querido progenitor, como sempre…). E fiquei com ela, fui ao médico e conferimos que na verdade era uma crise de labirintite que, em um efeito dominó, acabou por elevar demais a pressão.

Bem, tudo resolvido, posso voltar a editar o livrinho e terminar as reformulações no blog. Mas como já atrasei mesmo, vou perguntar a vocês: o que querem ler no ‘Escrevi meu livro, e agora?’?

O índice é esse:

1 – Primeiros passos – O que fazer quando se coloca a palavra fim no seu livro
2 – Protegendo o seu original – Creative Commons, registro no E.D.A. e direitos do autor
3 – Os primeiros leitores – Beta-readers, leitores críticos e a diferença entre leitura crítica, copidesque e revisão
4 – Como chegar às editoras – Como, para quem e quando apresentar seu original
5 – Viva, viva, viva a Sociedade Alternativa – Edições independentes online e impressas
6 – Assinando contratos e sobrevivendo a eles – Dicas e conselhos sobre as minucias juridicas a que estamos expostos quando finalmente chegamos lá.
7 – Como mover mundos e fundos para publicar – Vale a pena pagar? Quanto? Para quem? E pelo que?
8 – Afinal, com quantos livros se faz uma canoa? – Tamanho de tiragens e suas vantagens e desvantagens
9 – Divulgação em tempos de web 2.0 – Blogs, redes sociais, eventos, malas diretas, como se chega ao leitor?
10 – Considerações finais

Espero as sugestões de vocês até amanhã a noite, ok?:)

Já tem até capa!

***

Em outra nota, hoje vou aparecer lá na Livraria da Travessa do Shopping Leblon pra adquirir meu exemplar de ‘O caçador de apostolos’, primeiro romance não-atormentado do Leonel Caldela. Confesso que não gostei da trilogia passada no universo do cenário de RPG nascido na extinta Dragão Brasil, mas o autor foi tão recomendado que resolvi dar uma segunda chance.

Quem quiser aparecer por lá, a partir das 19h30, o endereço é Av. Afrânio de Mello Franco, 290.

Fantasia Histórica – Modo de Usar

Não é surpresa para ninguém o quanto gosto de Fantasia Histórica – é bem obvio ao ler a seleção de contos de AnaCrônicas (em que 6 contos podem ser assim classificados) ou no conto que integra a coletânea Espelhos Irreais.

E estou preparando para lançar mais um conto nesse subgênero. ‘Maria e a Fada’ – que assim como ‘Carta a monsenhor’, ‘Os olhos de Joana’ e ‘A morte do Temerário’ pertence a uma série intitulada Burgundia Phantástica – foi selecionado para a coletânea Imaginários III, organizada por Erick Santos para a editora Draco.

A série é composta por contos relativos aos duques da Borgonha, de Felipe de Rouvres a Carlos V. Nem sempre eles são protagonistas: em ‘Carta a monsenhor’, que saiu no primeiro volume de Paradigmas, Felipe de Rouvres é apenas citado por sua morte prematura e em ‘Os olhos de Joana’, Felipe o Bom é o antagonista de Joana d’Arc. Um ponto em comum entre ‘A morte do Temerário’ e ‘Maria e a Fada’ é o seu protagonista, um personagem real bastante influente na corte borgonhesa, o cronista e mordomo Olivier de La Marche. Se no conto da coletânea Espelhos Irreais, o servidor é um narrador, em ‘Maria e a fada’, ele testemunha os fatos:

Era o final do inverno de 1482 e La Marche estava chegando em Gand, uma das cidades mais rebeldes de todas as que compunham os domínios da Borgonha. Maximiliano fizera com que ele viajasse por todos os burgos dos Países Baixos e agora o encaminhara para a Flandres. Era uma tarefa árdua, já que os habitantes daquela região tinham, na visão de La Marche, uma grande tendência à rebeldia e a insubordinação.

E fazia muito frio.

Já via as torres da cidade ao longe e suspirou aliviado. Tinha quase sessenta anos, não era idade para andar a cavalo de um lado para o outro como se fosse mero arauto ou mensageiro. Decidiu que seria sua última missão para o arquiduque. Retirar-se-ia da corte e terminaria suas memórias.

De repente, alguma coisa brilhou no seu campo de visão. Perguntou ao jovem escudeiro que o acompanhava.

– Viu aquilo?

Não esperou resposta e encaminhou seu cavalo naquela direção. Novamente, viu um brilho de relance, como se algo estivesse fugindo dele. Seguiu por alguns minutos até chegar a um lugar sem saída. Só conseguiu ver a ponta de uma cauda dourada sumindo para dentro da terra. No lugar onde passara, algo brilhava no chão. Sentindo as dores dessa sua pequena aventura, desceu do cavalo com cuidado. Aproximou-se e confirmou suas suspeitas. Era uma escama dourada, muito semelhante a que entregara à Maria.

Um arrepio percorreu seu corpo. Lembrou-se das velhas histórias contadas na região de Lusignan sobre a fada Melusina aparecer sempre antes de algo terrível. Montou novamente e retomou a trilha, desta vez mais rápido. Ansiava em chegar logo a Gand.

Meu envolvimento com a Fantasia Histórica começou na época de faculdade. Sempre me fascinava, ao ler sobre eventos e personagens, a possibilidade de uma intervenção fantástica. Como se fosse uma História Alternativa – só que o elemento do ‘e se…’ é do plano do sobrenatural e do implausível. Desde que comecei a publicar textos com essa temática – contos ou trechos de Finisterra – tenho recebido comentários e perguntas sobre como conseguir escrever assim, na fronteira do Romance Histórico com a Fantasia.

Bem, vou tentar resumir esse processo em alguns passos:

1- Escolha bem o seu plot para evitar anacronismos. É muito comum, por exemplo, ao querer trabalhar com bruxaria escolher falar da Inquisição na Idade Média. A Inquisição Medieval é muito mais preocupada com a caça aos hereges como os albigenses do que com bruxas e feiticeiras.

2- Após definir o periodo e o local em que sua história vai se passar, é hora de aprofundar a pesquisa. Você pode pensar que jogar no google e ler a wikipedia por alto pode ser suficiente, porém o diabo mora nos detalhes e em ficção histórica os detalhes são os que dão a atmosfera. Caça às bruxas, por exemplo, é muito mais forte nos países protestantes do que nos católicos.

3- Essa questão dos detalhes é importantíssima ao se escrever ficção histórica, sendo fantasia ou não. Mais do que veracidade, o ponto é a verossimilhança – o seu leitor tem que identificar o período histórico sendo retratado.

4- Equilibre as informações que você está compartilhando, sabe como é chato ler ‘Senhor dos Aneis’ quando o Tolkien começa a despejar nomes de reis, batalhas e etc.? Não é por serem reis, batalhas e etc. reais que fica legal. Se duvidar é até mais chato, fica com cara de livro paradidático oficial.

5- Linguagem é tudo. Seu camponês do século XVII não pode falar igual a um caminhoneiro do XXI. Nessas horas, a pesquisa é fundamental e mais complicada. Leia livros escritos na época em que se passa a sua história e preste atenção aos regionalismos. Se sua história se passa em um país em que se fale outra língua e não o português, tente inserir expressões de época na língua local. Mas sem fazer como italianos de novela da Globo. Seu leitor precisa entender o que está sendo discutido.

6- Cuidado com o pedantismo. Não é por estar escrevendo sobre o século XVI que você tem que escrever como se estivesse no século XVI – isso torna a leitura cansativa, dá um tom fake que desagrada ao leitor e fica chato pra caramba. Tente equilibrar a narração usando um português mais correto e sem contrações e gírias.

7- Não tenha medo de criar em cima da História. Toda a História, mesmo a que vem nos livros de escola, é um discurso, produzido em determinado contexto. O ponto é que você está assumindo a sua criação como obra ficcional – os historiadores nunca fazem isso.

8- Particularmente, eu gosto de personagens mais escondidos. São menos batidos e geralmente tem histórias fascinantes.

Basicamente, estas são as minhas dicas. Em Finisterra, eu abusei um pouco mais da liberdade criativa do que nos contos, principalmente em ‘Maria e a fada’. Porém, as aventuras de Pero Vaz de Caminha e Rui de Pina ficam para outro post.

Oh, don’t you fell so small…

It’s time we said goodbye,
Time now to decide.
Oh don’t you feel so small,
Dark is the night for all

It’s time we moved out west
This time will be the best
And when the evenings fall
Dark is the night for all

It’s time to break free
It’s time to pull away
For you and me

It’s time to break free.
We need to celebrate the
mystery.

It’s time we said goodbye,
Time for you and I.
Oh don’t you feel so small,
Dark is the night for all.

Pra vocês terem uma ideia, tem três posts com esse título na caixa de rascunhos do Talkative Bookworm. Não foi uma decisão fácil, nem de rompante, muito pelo contrário eu a venho amadurecendo desde a minha saída do Clube de Leitores de Ficção Científica.

Entrei para o fandom numa sucessão de acasos e coincidências por volta de 2oo4, quando comecei a participar da SciPulp. De lá para cá, tenho me batido, me estressado, me esforçado, perdido noites de sono pensando no coletivo. Justo eu que prometi a mim mesma nunca mais tomar a ação pelo bem comum (isso foi depois de uma participação meteórica em uma gestão de D.A. que até hoje é meu exemplo pessoal de como a truculência se manifesta contra os diferentes).

Levantei a bandeira da literatura de entretenimento e de qualidade, apregoei a heresia de que é possível encontrar literatura na web, insisti que nos juntássemos e deixássemos a mentalidade de ‘ninguém nos vê, logo não existimos’. E agora, cinco anos de atuação intensa?

Talvez sejamos menos invisíveis, talvez mais lidos. Porém, infelizmente, não somos e nunca seremos unidos. Eis nosso supremo moinho de vento, que jamais se tornará um gigante e portanto passível de ser derrotado, meus queridos companheiros quixotescos. A nossa quimera se chama União – e ela não é fúcsia.

Em cinco anos, moderei a maior comunidade no Orkut sobre FC literária, editei zines, livros e sites, promovi novos autores nesses meios, fui no rádio e na tevê, dei entrevistas, fiz leitura crítica, participei de debates e mesas-redondas, me despenquei para eventos para vender livros (meus sim, mas principalmente dos outros). Cuidei do coletivo pensando que cada livro de Ficção Especulativa vendido no país era um beneficio de todos.

Ainda penso assim, porém equilibrei na balança e vi que se meu lado produtora emergiu e floresceu, meu lado escritora ficou deixado de lado. E sinceramente? Ser escritor e não ganhar um centavo com isso não me incomoda. Agora, o outro lado, de produzir, de incentivar o trabalho alheio, de graça e ainda ter a cobrança de um profissionalismo a qualquer custo, começou a me incomodar. As pessoas querem que você escreva, edite, divulgue, promova, retuíte, compartilhe, participe, responda, debate, resenhe, comente, critique, modere, sorteie – ao mesmo tempo e em um absoluto grau de perfeição, sem que ninguém se lembre que seu filho vai a uma escola razoavelmente cara, que internet e luz custam dinheiro e que gatos podem ser atropelados e lhe custar uma pequena fortuna.

Não houve uma gota d’água. Até porque esse balde não se encheu gota a gota. Ele foi sendo preenchido por um fluxo continuo de aborrecimentos, pressões e cobranças. Mas o ponto definitivo foi o resultado do Prêmio, com o reconhecimento que o meu trabalho como escritora teve. Percebi que eu tenho um público potencial que eu deixo de lado para ajudar meus colegas escritores.

Bem, como eu já havia dito, chegou a hora do fandom se virar sem mim.

Não ia escrever nada, afinal pensava não dever explicações a ninguém. Cai em mim e vi que sim, tem pessoas que merecem entender o que está acontecendo comigo, os amigos que espalhei pela rede virtual – que por muitas vezes a extrapolaram – e que me deram tanto apoio. São muitos e eles sabem quem são, nem vou me atrever a nomear para não ser injusta ao esquecer de alguém.

Resumindo tudo?

Olá, amigos leitores. Sou Ana Cristina Rodrigues, *escritora*. E ponto.

As comunidades no Orkut já não estão mais sob minha moderação – menos a “Ficção Científica’, que aguarda a aceitação do novo dono. Essa semana irei procurar novos editores pro “Letra e Video” e pro “Comunidade FC”.

Agora, com licença, tenho que escrever.