Vamos falar sobre inclusão e representatividade na literatura fantástica brasileira? – Encontrão na Odisseia

Sim, vamos.

A pergunta foi só retórica. Vocês não tem opção.

Quem me conhece sabe que eu sou chata ao ponto de ser insuportável quando se trata de representatividade. Fico profundamente irritada quando percebo que os grupos sociais em que me movimento são pouco inclusivos ou criam ambientes hostis para que se discuta a representatividade de ‘minorias’ (termo que uso livremente aqui, significando grupos sociais que não tem os mesmos direitos e/ou a mesma possibilidade de atuação devido a limites impostos legal ou socialmente).

E a literatura fantástica brasileira é um desses. Se for observar, é um pequeno paraíso para homens de classe média brancos, cisheteros e do Sul/Sudeste. Seja entre os que conseguem entrar nas grandes editoras, seja entre os que publicam nas pequenas, sejam os que vão aos eventos.

Quer um exemplo?

A representatividade feminina na 4a Odisseia de Literatura Fantástica, que vai acontecer agora em abril, na cidade de Porto Alegre.

No primeiro dia, 10/04, dia de bate-papo com as escolas e da palestra, de 11 participantes, 6 mulheres – o que é um bom número, né?

Mas nos dias efetivos da Odisseia, o quadro muda e bastante.

No dia 11/04, dos 21 participantes, apenas 5 são mulheres, sendo que em uma das mesas não tem nenhuma. No dia 12/4, entre os 18 somos apenas 4 mulheres, sendo que em 3 mesas não tem nenhuma.

No total, 51 participantes. 15 mulheres.

Além disso, temos 3 mesas sobre autores específicos ( Baum, Moore e King). Três autorEs.

Nem me pergunte quantos são negros. E por todos os deuses, nem pense em perguntar quantas são mulheres e negras, para que eu não me contorça.

Pensando nisso e dentro do espírito do genial Manifesto Irradiativo, do qual sou uma das primeiras signatárias, decidi, junto com mr. Jim Anotsu, conclamar todas as pessoas que estarão na Odisseia a participar do 1o Encontrão Irradiativo para debater e pensar a questão da representatividade e da inclusão na literatura fantástica.

Para que possamos falar sobre racismo sem que alguém solte a nova Lei de Godwyn da internet literária brasileira (‘querem proibir Lobato porque dizem que ele era racista’). Para que possamos expor nossos problemas sem que ninguém venha dizer que isso é mimimi de feminazi.

Nosso encontro será no dia 11 de abril, a partir das 13:45 – como ainda não conheço o espaço, fica pré-marcado de nos encontrarmos na mesa da Aquário Editorial e depois irmos procurar um lugar para nos reunirmos.

A Odisseia acontece em Porto Alegre, no Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo.

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Sobre talkativebookworm
Eu trabalho numa biblioteca. Estudo História. Escrevo. Leio. Traduzo. Uma traça que fala, basicamente.

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