Olá, Ariel

Foi uma semana pesada e hoje a noite, depois de colocar Miguel e seu braço quebrado na cama, resolvi escrever um pouco. Abri um documento e voltei a uma tentativa de FC space opera mais focada na interação entre personagens em um cenário de guerra (sim, estou jogando RPGs da Bioware).

E essa é uma espécie de fanfic não (muito) declarada. Tô botando tudo o que eu gosto do meu jeito, desenvolvendo propostas e personagens alternativos, e reaproveitando alguns. Um deles foi Ariel, que foi criado para um play by email de “Jornada nas Estrelas”. Naquela cenário, ela era darkovana e nascida emmasca, ou seja, neutra. De acordo com o universo ficcional da Marion Zimmer Bradley, um emmasca não tem órgãos sexuais internos nem externos, sua aparência é andrógina e  geralmente não se identificam como ‘homens’ ou ‘mulheres’, mas como algo distinto. (Há outro tipo de emmasca, que são pessoas neutralizadas por meio de uma operação, mas aí é caso completamente diferente).

Muita coisa mudou no cenário que eu criei, mas a essência do que Ariel é, não. Nessa versão, Ariel nasceu sem características sexuais externas e sem órgãos sexuais internos – não tem útero, não tem testículos, não tem canal vaginal, não tem pênis, não tem clitóris. Vem de um planeta que foi colonizado por humanos, mas que era habitado por uma raça de seres com sexo biológico flutuante (eles tem a capacidade de serem macho ou fêmea, de acordo com a sua vontade). Houve casos raros de miscigenação que geraram descendência fértil e nos mil anos que se passaram, surgiram pessoas como Ariel.

(Yup, bastante parecido com Darkover, I know. Not the point.)

Agora parei na parte emocional de Ariel, que sofre preconceito da sociedade em que está, mas é uma pessoa feliz e bem resolvida. Ela sabe o que ela É e se aceita assim, principalmente porque seus pais a amam e a respeitam, e a apoiaram contra o mundo. Se veste como sente vontade no dia – de vez em quando se submete às convenções do seu mundo e se comporta como ‘filha’ de uma grande casa, que foi o rótulo que os nobres do planeta deram. Fico me perguntando sobre a parte do envolvimento romântico. Como funcionaria para Ariel?

Até o momento em que começa a nossa história, isso nunca foi uma questão para ele. Acabou de completar seu treinamento, ou seja, passou pelo último rito de passagem para a vida adulta. Sempre esteve cercado de gente próxima e querida, e por isso é uma pessoa doce, ativa e afetuosa. Porém, nunca teve um ‘interesse especial’ por ninguém, aquela vontade de compartilhar a vida (e as contas, e os gatos… hum, essa sou eu, pera). Mas Ariel está saindo da zona de conforto e me levando junto.

Sim, sempre pensei em meus personagens como seres sexuais – mesmo os homens-morcego e as onças que falam. Já tenho algumas diretrizes para Ariel. Não acho que ser assexual elimine a possibilidade de uma relação romântica com alguém. Não a pensei como um ser superior, ela não é mais lógica ou menos emotiva. Muito pelo contrário, ele é emotivo, afetuoso, impulsivo, daquelas pessoas que não tem dificuldade em se relacionar com alguém.

E está numa sociedade em que existe o conceito de amor romântico, como a nossa também tem.

Tentando definir como seria para ela, acho que talvez seja mais raro sentir esse ‘amor romântico’, já que boa parte da necessidade de afeto e carinho pode ser suprida seus amigos e familiares. Mas vai que uma hora surja alguém especial, que vai fazer mais falta, que quando entrar numa sala vai lhe fazer faltar o ar, cuja ausência vai causar até dor. (Não acho que nada disso seja relacionado ao sexo). Talvez não tenha uma restrição em relação à pessoa – quando esse sentimento chegar, pode ser por um homem cis, uma mulher trans ou um outro neutro como ela.

E isso deixa uma outra questão: como essa pessoa irá reagir? Vai depender, claro, de quem seja. Mas se pensarmos bem, não é assim com todo mundo?

Sobre talkativebookworm
Eu trabalho numa biblioteca. Estudo História. Escrevo. Leio. Traduzo. Uma traça que fala, basicamente.

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