Fé cega, faca amolada

(Sim, faz algum tempo que eu prometi, mas a partir de semana que vem, tem atualização lá no Wattpad. Para refrescar a memória de vocês, fica o primeiro capítulo!)

– Tom?

A voz conhecida vinha da sala. Ele sabia de quem era mesmo antes de ouvi-la. A chave rodando na fechadura tinha sido a indicação, pois somente uma pessoa poderia ter feito isso sem ativar os feitiços de alarme e defesa. Terminou de enxugar a cabeça e pensou em se vestir, mas resolveu não se dar ao trabalho. Carlos o conhecia desde criança, já o vira em estado muito pior do que apenas de toalha.

– Estou aqui no quarto.

Saiu e encontrou o homem alto sentado no sofá de dois lugares, ocupando-o como se fosse uma poltrona. Carlos era musculoso devido ao treinamento dos neotemplários, e mantinha os cabelos e barba negros bem aparados. Estava de uniforme, calça cargo e blusa de malha justa pretas, jaqueta prateada e botas reluzentes. O rosto moreno fechado de preocupação ajudava a compor uma figura quase sombria.

– Tudo bem? Não é que eu não adore a sua visita, mas estamos no meio da tarde e alguém pode ter visto você…

– Eles te descobriram, Tom. A ordem de caça está na mesa do Bispo-Comandante.

As pernas do mago falharam e ele sentou na poltrona marrom em frente ao amigo.

– Quanto tempo eu tenho? Quando eles vão vir atrás de mim?

– Mauro falou que amanhã mesmo ele vai separar uma equipe. Com o tumulto na Catedral no último fim de semana, a Ordem está doida para se redimir com a mídia.

Os olhos castanhos do caçador de magos encararam os de Tom por alguns poucos instantes.

– Você vai estar na equipe?

– Não. Mauro acha que eu estou comprometido por causa da sua amizade com Elisabete.

Uma onda de alívio percorreu Tom, que deu um suspiro. Ter que se tornar um fugitivo seria ruim o bastante, sem ter que se preocupar em enfrentar alguém tão querido para se defender.

– Obrigado por tudo. Você tem sido um amigo melhor do que eu mereço.

Carlos levantou e foi até ele. Tom abaixou os olhos, intimidado pela proximidade, mas o soldado levantou seu queixo e o fez encará-lo.

– Amigo, Tom? É assim que você me vê?

Tom se irritou com condescendência que ouviu na voz dele.

– Você sabe que não. E faz muito tempo que ri de mim por causa disso, não é? Afinal, é mesmo ridículo um mago renegado se apaixonar por um caçador…

Antes que continuasse, foi interrompido pela boca de Carlos na sua. Lábios ásperos que escondiam uma língua macia, que invadiu sua boca sem pedir, explorando cada canto e fazendo uma corrente elétrica percorresse seu corpo. O choque inicial passou e Tom correspondeu ao beijo com a mesma fúria. Quando finalmente ficaram sem folego, separaram-se, olhos fixos um no outro.

– Você é muito mais para mim do que um mago, Tom. Desejo você desde que o vi com Bete.

– Eu… Pensei que você não gostasse…

– Você pensou por tempo demais, Tom. Chega.

E o beijou novamente, dessa vez puxando o corpo esguio para os seus braços fortes. Tom, mais seguro de si, reagiu, jogando a jaqueta de Carlos no chão. Sua toalha caiu no chão, deixando-o nu, sentindo o tecido roçar em sua pele. Depois, talvez até tivessem tempo para discutir ou para delicadezas. Agora, precisavam aplacar tantos anos de frustração.

Na madrugada, Tom acordou sozinho. O quarto estava na semipenumbra típica da noite do centro de uma grande cidade e seu corpo todo doía. Olhou ao redor, mas sabia que Carlos já tinha partido, consciente de que ele deveria sair cedo.

Sua vida era realmente irônica. Entrou no banho pensando em quantas vezes se tocara pensando em Carlos, para finalmente tê-lo em sua cama na véspera de se tornar oficialmente um fugitivo. Teria que deixar tudo para trás, não só Carlos, mas seu apartamento, suas coisas, seus amigos. Sua vida antiga tinha terminado para que outra começasse. Seria difícil, mas sobreviveria. Estava sobrevivendo há cinco anos.

Saiu do chuveiro. A mochila de fuga estava pronta, com duas mudas de roupas, alguns artefatos mágicos e uma caixa que ele tinha trazido da casa dos pais. Evitou a tentação de abri-la, pois não tinha tempo para memorias de uma infância que não tinha lhe pertencido.

Foi até a janela e ficou satisfeito ao ver a chuva fina. Colocou a calça jeans preta e uma blusa de malha branca. O sobretudo cheio de bolsos já estava pronto em cima da cadeira, devidamente equipado. Olhou-se no espelho e ficou satisfeito. O rosto bem barbeado não era tão bonito nem tão feio que chamasse atenção. Não era alto o bastante para se destacar em uma multidão e o cabelo preso ajudaria no disfarce.

Vestiu o sobretudo, colocou a mochila nas costas e encantou o seu cajado para parecer um guarda-chuva. Sempre soubera que o dia de fugir chegaria e achava que estaria pronto. Seu engano estava claro na ardência dos olhos e no nó na garganta que sentia. Desesperançado, virou de costas e saiu. Não se preocupou em trancar a porta, afinal os homens do Templo iriam derrubá-la de qualquer forma.

Ao contrário do que a maioria dos humanos pensa, magos não participavam ativamente de uma sociedade secreta que os acolhia quando decidiam fugir da Ordem e seus templos. Havia rumores aqui e ali de entradas para o Submundo, lugar em que seres encantados tinham construído uma sociedade paralela que acolhia esses fugitivos – pelo preço certo. Tom ouvira esses boatos, claro. Mas eram sempre tão fora da realidade que ele sequer dera atenção.

Sua única opção era recorrer a uma figura conhecida de todos os envolvidos com magia, apóstatas ou não. Era chamada de Dama Cristina e tinha sido a grande defensora dos magos quando surgira a primeira legislação de controle. Aposentada precocemente, ela agora dirigia uma casa de lanches no coração de Icaraí. Decidido, Tom pegou um ônibus. A madrugada já começava a dar lugar a manhã, mas mesmo assim as ruas e os coletivos estavam vazios. Aproveitou o momento para tentar arrumar a cabeça. Não pensar, mas organizar.

A eterna fase de transição que vivera desde os dezesseis anos, quando sua magia finalmente aparecera, tinha terminado. Pelo menos tinha vivido tranquilo durante duas décadas, seus pais já tinham morrido e não havia pontas soltas.

A não ser o casal de irmãos a quem amava.

Bete estava no Círculo, já que aceitara as regras do Templo e submetera a sua magia e seu corpo ao domínio neotemplário. Não a vira desde que fora nomeada Arcana-Mor do Templo de Niterói e sabia que jamais a veria novamente. E isso doía ainda, pois a menina de pele morena e cabelos cacheados tinha sido seu primeiro amor. Só tinha amado uma pessoa tanto quanto a amava.

E finalmente chorou pensando na primeira e única noite com Carlos.

Música ambiente quase inaudível o cercou assim que entrou na lanchonete. O jazz suave inundava a loja de duas portas, quase na frente do Campo Bento, lugar que servia de ponto neutro entre magos e neotemplários. Tom já tinha estado na feira dos fins de semana, onde magos devidamente registrados pelo Templo dividiam espaço com meros artesãos para vender seus produtos. Teoricamente, ele não poderia comprar nada ali além do que era liberado para o público em geral, pois nos registros do Templo de Niterói não constava nenhum mago com o nome de Antônio Reis. Porém, os bolsos cheios de poções do seu sobretudo atestavam que o controle não era tão grande quanto o Templo se gabava.

E ali acabava seu planejamento. Ir até ali era a única pista que tinha para encontrar ajuda; e mesmo essa pista tinha sido conseguida de forma torta, em sussurros e gestos. Era a hora de correr riscos então. Sentou numa das cadeiras que acompanhavam o comprido balcão, escolhendo um lugar bem no meio. Mesmo sendo cedo, já tinha movimento. A lanchonete abria cedo para acolher quem saia do turno da noite e quem pegava cedo no trabalho. Taxistas, porteiros, balconistas e vigilantes dividiam o espaço com quem estava indo para academia antes de ir trabalhar ou estudar.

Cacos e ecos de conversa flutuavam ao seu redor. A sua direita, um porteiro comentava com outro sobre o tumulto na portaria por causa da briga de um morador com a síndica. Do outro lado, a menina de top verde-limão e cabelos ruivos exagerados flertava abertamente com o balconista, que a ignorava. E Tom só percebeu isso porque o homem o encarava, mal humorado. Era baixo e pálido. Cabelo cortado rente, sobrancelhas negras unidas, barba feita, mas que mesmo assim deixava uma sombra no rosto. Os braços estavam cobertos por uma blusa de manga comprida que usava por baixo do jaleco do uniforme e ele atendia a menina com gestos automáticos e respostas prontas.

– Já foi atendido?

A voz feminina era grave e o mago sobressaltou-se. Não tinha visto mais ninguém atrás do balcão e surpreendeu-se ao ver a dona do estabelecimento a sua frente. Esperava que a Dama fosse uma mulher de idade, mas foi saudado por um rosto jovem, com menos de quarenta anos, e olhos castanhos que o encaravam. O cabelo estava preso em uma rede preta, mas pareciam ser dourado.

– Não, ainda não. Eu queria um café com leite e um pão com manteiga.

– Eu faço, dona Cristina, pode deixar.

– Obrigada, Zé.

Tom pensou em dizer algo para conseguir manter a conversa com ela, mas não foi rápido o suficiente. O rapaz o atendeu com visível má vontade e ele achou melhor sequer arriscar perguntar qualquer coisa sobre o refúgio. Ia ter que esperar uma oportunidade de falar com ela.

Uma mesa ficou vaga e ele levou seu café para lá. No balcão, ia ficar muito claro que estava enrolando. Comeu devagar, esperou o café ficar gelado. A lanchonete esvaziou e a dama Cristina estava no caixa, enquanto o seu ajudante limpava as manchas de café no vidro de balcão. Era a sua chance.

– Queria pagar.

– Foi só o café e o pão?

– Sim… – estendeu a nota de dez reais e enquanto ela conferia o troco, tomou coragem. – E eu precisava de ajuda para encontrar… um lugar.

Ela parou, erguendo as sobrancelhas enquanto o encarava.

– O que você quer dizer com isso?

– Me disseram que a senhora podia me ajudar. Estou… fugindo…

Na mesma hora, ela fechou a gaveta do caixa e devolveu uma nota de dez a ele.

– Se você não sair daqui em dez segundos, vou chamar a Polícia.

– Eu… – o balconista aproximou-se, pressentindo que havia algo de errado pelo tom de voz da chefe. Tom viu a dama pegar o telefone e soube que ela ia cumprir a ameaça. A nota agarrada na mão, saiu tropeçando da lanchonete.

Do lado de fora, a vida seguia o rumo normal de uma quarta-feira de manhã. O sol estava tímido, pessoas caminhavam apressadas, ônibus paravam no ponto a vinte metros dali. E Tom estava perdido, dessa vez de uma forma muito mais definitiva do que antes. Não podia andar a esmo, ou os neotemplários o pegariam. Não tinha mais família na cidade e os dois únicos amigos em quem confiava a sua vida eram servidores do Templo.

Parado, tentando descobrir uma direção, só despertou quando quase foi derrubado. Alguém esbarrou nele, correndo, sem sequer murmurar um pedido de desculpas.

– Ei, cuidado, pô! – por mero instinto de habitante urbano, colocou a mão no bolso. Daquela vez, o pior tinha acontecido. O desconhecido era realmente um assaltante e tinha levado sua carteira. Sem entender direito o porquê, começou a correr na direção em que vira-o sumir.

Sentia um misto de raiva, frustração e impotência enquanto corria. Atravessou a rua sem ver, deixando para trás buzinas e freios. O bandido entrara pelo portão de acesso do Campo, metendo-se na grande alameda que cortava o espaço, levando da rua até o Templo de Niterói, no outro extremo.

Ele continuou, vendo-o desviar das pessoas que caminhavam. Tom não diminuiu o passo nem tomou o mesmo cuidado e derrubou alguns velhinhos que faziam uma mistura de tai chi com ginástica laboral. Quando o assaltante sumiu atrás do velho coreto, ele acelerou ainda mais.

A porta da entrada de manutenção estava aberta e ele sequer hesitou. Uma raiva surda crescia no seu peito, uma indignação quase assassina. Porém, ali naquele ambiente mal iluminado, respirando uma mistura de mofo e poeira, caiu em si.

– Quem é você e o que fez comigo? – ele tinha estado sobre efeito de uma compulsão. Por isso a corrida desesperada e sem sentido. Não tinha nada na carteira de tão valioso, os documentos estavam na mochila, assim como o grosso do dinheiro. Lembrou da nota que ainda estava amassada em sua mão. Esticou-a e na penumbra pode ler ‘Siga o Coelho Azul’.

– O que isso quer dizer?

Deu um passo para trás, certo de que tinha caído em uma armadilha. Mas antes que conseguisse sair, um calor absurdo o envolveu. Era como se de repente tivesse um cobertor elétrico em cima do seu corpo. A quentura amoleceu seus músculos e sua vontade, as pálpebras começaram a fechar. Ainda lutou, deu três passos curto e sofridos na direção da porta, mas a escuridão finalmente tornou-se total.

Quando recuperou os sentidos, Tom estava em uma cama dura, em um ambiente escuro e que cheirava a terra. Não sentia dor nem desconforto, era como se tivesse acordado de uma soneca no meio da tarde. Espreguiçou-se e estalou todos os ossos das costas.

Olhou ao redor, não esperando muita coisa. Estava certo. Uns móveis gastos, um abajur em cima da mesa de cabeceira que, ligado, mal iluminava até a porta. Suas coisas estavam jogadas em uma cadeira. Levantou, decidido a encontrar respostas.

Andou por um longo corredor, sem encontrar mais ninguém. Uma série de portas iguais fechadas dos dois lados, o número pintado em cada uma era a única diferença entre elas. A luz fluorescente deixava tudo com uma atmosfera de hospital, desmentida pelo cheiro forte de terra e de lugar fechado.

Finalmente chegou a uma sala imensa. Três sofás fechavam um dos cantos, uma televisão de plasma numa das paredes. Uma estante imensa percorria outra parte da sala, com três mesas de jantar na sua frente. Uma mistura de biblioteca, sala de estar e jantar, estranhamente vazia e bem cuidada.

– Boa tarde, Antônio.

Virou-se para cumprimentar a Dama.

– Boa tarde. O que aconteceu?

– Precisávamos trazê-lo até aqui sem despertar muitas suspeitas. Sabemos da ordem de caça e eu já esperava que você nos procurasse… mas não podia parecer que estávamos ajudando um fugitivo. – ela fez um gesto indicando que ele sentasse. Quando Tom se acomodou, ela sentou-se à frente dele.

– Enquanto você estava inconsciente, fizemos uma checagem para saber se tinha algum dispositivo de rastreamento em você. Ainda falta um passo para podermos garantir que você está limpo.

Tom ergueu a sobrancelha. Ele realmente não pensara que fosse tão difícil conquistar a confiança do grupo rebelde, mas teria que se submeter.

– E qual seria, Dama Cristina?

Ela sacudiu a mão.

– Pode ser só ‘Cristina’. O Dama foi invenção daquele blog da Mariana. Não gosto, mas dá uma certa respeitabilidade que ajuda muito a manter o Templo longe dos meus negócios. Bem, por mais que tecnologia e artefatos mágicos sejam úteis, tem uma coisa que não pode ser substituída: um bom farejador.

O mago ficava cada vez mais intrigado.

– Farejador?

– Zé! – Cristina gritou, sem responder. O balconista da lanchonete apareceu, a expressão ainda fechada e carrancuda.

– Ele está pronto?

A mulher sorriu e estalou dois dedos. Amarras saíram da madeira e prenderam os pulsos e os tornozelos de Tom.

– O que…

– Mágica, querido. Ou você nunca desconfiou dos meus motivos para advogar pelos direitos dos magos? Só que tive a sorte de ter um pai estudioso de ciências arcanas e tecnologia mágica. – ela colocou a mão no pescoço, onde uma cruz ankh estava pendurada em um cordão de tecido. – Posso beijar um neotemplário na boca e ele não sentiria uma gota de mágica.

Zé rosnou alto com essas palavras.

– Não gosto quando você brinca assim.

– Desculpe, amor. Você sabe que é só para reforçar o poder do amuleto. Quem precisa de um beato bobalhão quando se tem um lobo?

O olhar que dois trocaram fez Tom sentir-se constrangido, como se estivesse testemunhando um momento muito íntimo. Ele deveria ter imaginado – também – que havia algo entre os dois. Ela deu um sorriso cheio de promessas e ele desviou o olhar para o mago recém-chegado.

– O negócio é o seguinte: eu vou cheirar você. Não é agradável para mim, não vai ser agradável para você, mas é necessário para sabermos se podemos confiar em mais um renegado.

Ele se aproximou, mudando gradativamente, cada passo trazendo uma nova alteração. Quando estava tão perto que Tom podia sentir a respiração dele foi que entendeu o que Cristina quis dizer com “lobo”. Zé era um licantropo.

Fechou os olhos, com medo, mas tranquilo. Não tinha nada a esconder e sabia que eles veriam isso. Porém, foi surpreendido quando, na primeira fungada, a criatura uivou.

– Cheiro de neotemplário. Forte e recente! Ele é um espião!

Demorou um segundo para ele entender. Zé tinha sentido o cheiro de Carlos, por causa da noite que passaram juntos. Não teve tempo para se explicar, pois o lobisomem o socou com força no peito, derrubando-o, ainda preso na cadeira. Sentiu uma pressão na barriga e viu Cristina, o pé o prendendo no chão e os olhos em chamas. Ele tentava em vão juntar força mágica o bastante para pelo menos se soltar, mas seu treinamento precário jogava contra ele.

– Bem, você vai morrer de qualquer jeito. Pode ser longo e sofrido, nas mãos do Zé, ou rápido e tranquilo, um feitiço de sono e a garganta cortada. Depende de quanta verdade você disser. – ela gesticulou, uma aura verde se formando ao redor deles. – Fale!

A mão do licantropo estava no seu pescoço. Ele não tinha saída a não ser responder.

– Eu… eu transei com um templário na noite passada. Carlos foi me avisar da ordem de caça, eu gosto dele há anos, não resisti e foi tudo. Não disse para onde vinha e ele saiu da minha casa antes de mim.

A luz ao redor continuou verde. Cristina bambeou um pouco e Zé a segurou com a mão livre.

– É verdade, amor?

– É sim – ela respondeu com voz fraca. – Bete me falou de um amigo do irmão que ainda estava livre. Pelo visto é ele.

Ela tirou o pé de cima dele e sentou numa cadeira próxima. Zé levantou a cadeira e as amarras sumiram. Tom esfregou os pulsos, ainda espantado com tudo que estava acontecendo.

– Vocês conhecem a Bete?

– Sim, ela é um dos nossos contatos no Círculo de Niterói. Não deve estar sabendo da sua fuga ou teria nos avisado e sua recepção teria sido diferente. Desculpe por isso.

– Tudo bem, eu entendo. – e apesar de tudo, ele entendia mesmo. Vidas estavam em risco ali, eles não podiam se arriscar.

Zé estendeu a mão, o rosto já totalmente humano com uma expressão mais leve.

– Antônio…

– Meus amigos me chamam de Tom.

O licantropo sorriu.

– Tom, bem-vindo ao QG da Resistência Mágica Brasileira.

Anúncios

Um comentário em “Fé cega, faca amolada

  1. Muito bom, Aninha. Você escolheu a dedo o texto pra degustação. Dá vontade de ler mais. Não vejo a hora de botar a mão na obra completa. Sucesso, minina! Bjs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s