Mãe.

“Ana, acende a luz, tá ficando escuro pra continuar lendo! Menina, sai desse computador, vai na rua! Ligou para sua madrinha? Já deu comida pro periquito? Não, não pode tomar sorvete de noite. Você está de dieta, larga esse bolo. Você passou no vestibular! O dinheiro tá curto, mas vai tudo dar certo. Ai, não sei como você aguenta essa música alta. Vai sair? Me liga assim que chegar. Isso são horas? Que cheiro é esse, é cerveja? Não gostei desse cara, ele colocou a cara nas minhas panelas. Mandou email pra sua prima?Tira esse gato daí agora ou eu faço um tamborim dele! Ana Cristina, vem já aqui. Você precisa ter mais paciência com seu pai. Olha, vai ser difícil, mas vou ficar do seu lado se você quiser ter esse filho. Vai dar tudo certo. Passou no mestrado? E isso é bom, né? Não brigue assim com Miguel, ele é só uma criança. Chegou o telegrama da Biblioteca Nacional! Gostei desse rapaz, ele é alto, né? Ele vai vir pro Rio? Sua tia-avó ligou e quer ver o Miguel. Ana Cristina de Campos Rodrigues, você não tem vergonha dessa pia cheia de louça? Ah, seu livro é curto demais, você precisa escrever um livro de verdade. Não tem problema, depois você faz o doutorado de novo. Você precisa é fechar a boca, não operar. Mas não tem jeito então? Eu vou com o Estevão no hospital. Não se preocupe. Vai dar tudo certo.”

Para dona Marina, que sempre faz dar certo.

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