#EuLeioOMundo

Mais uma campanha de apoio ao autor nacional invade as redes sociais. Sinceramente, até simpatizo com campanhas espontâneas, vindas de leitores que querem divulgar autores que eles conheceram faz pouco tempo, que os fascinam por estarem ali tão próximos e poderem mostrar mundos novos. Acho realmente bacana quando são os consumidores que elogiam e aplaudem a qualidade do produto, quando é a platéia que ovaciona o espetáculo que assistiu.

Só que não leio livros ou autores nacionais.

Leio livros. Muitos. Compro muitos e muitos, quase um por semana (isso agora que estou *tentando* me conter)

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Esses eu comprei ontem. Mas juro que estou tentando parar.

Claro que leio o que os meus amigos escrevem e o que eles publicam, sempre que possível. E isso independe da nacionalidade, já que tenho amigos aqui, ali e mais acolá!

Escolho livro por sinopse, capa, resenha, cheiro, simpatia, carisma, sorte, destino, tédio, proximidade física da prateleira, pelos dados que os deuses jogam com o Universo ou pelo resultado da partida de pôquer do Nada com a Anti-Matéria. 

Tem dias que entro no sebo e quero pegar um encadernado, com as bordas gastas e anotações nas bordas. Daqueles que deram o nome à essas lojas, verdadeiros templos da Poeira e dos Ácaros.

 
E semanas em que acordo e só quero o livro novo da modinha, com a anja que se apaixonou pelo vampiro que caça fantasmas com ajuda de um bruxinho. Dane-se o preço, se é ruim e se preciso rodar todas as poucas livrarias da cidade atrás dela.

Às vezes, de noite, pego meu Kindle, digito palavras aleatórias e escolho o livro com a pior capa possível. Ou com a sinopse mais bizarra. Ou o mashup mais esquisito (Meowmorphosis foi uma dessas compras mais esquisitas que fiz e me diverti HORRORES). Simplesmente deixo os códigos binários regerem minhas próximas leituras.

Não me lembro, mesmo, de ter pego um livro, no sebo, na livraria, no Kindle, na vida, porque o autor é queniano ou nasceu em Abu Dhabi. Até já escolhi por querer um livro escrito por uma mulher ou por um autor mais novo. 

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Parte da Pilha de Livros a Ler. É bem multinacional.

Afinal, quem pede passaporte é a Alfândega.

Então, caro integrante do meu séquito de 3,6574 leitores, sabe o que sugiro a você?

Leia. Leia de tudo, leia o mundo. Pegue um livro porque é o que você quer fazer, sem se importar por motivos, bandeiras ou convicções.

Cada página lida é a bandeira de um país que só você pode visitar e só você conhece. Cada livro que você termina é um atlas completo, o universo inteiro e mais alguns outros cabem ali, na sua estante.

De onde veio o autor é mero detalhe.

Sobre talkativebookworm
Eu trabalho numa biblioteca. Estudo História. Escrevo. Leio. Traduzo. Uma traça que fala, basicamente.

2 Responses to #EuLeioOMundo

  1. Cara, de vez em quando até me pego pensando coisas como “dessa vez quero um alemão” ou “acho que nunca li um italiano contemporâneo”, até entender a leitura como um passaporte para as diferentes culturas e lugares. Só que acho essas campanhas de facebook de um simplismo besta – basta ler autor nacional? Nossa, Paulo Coelho, os Veríssimos, Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca etc são nacionais – e não costuma ser deles que essas campanhas falam. E restringir-se a um lugar só, uma cultura só, um nicho só dentro desta cultura é muito empobrecedor.

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