E o que a Bienal tem – ou melhor, teve!

Ah, essa bienal teve de tudo.

E quando eu digo de tudo, é T-U-D-O mesmo. Mais do que você espera de uma feira de livros/ festival cultural/ galpão de negócios/ encontro de profissionais/ espaço de exposições. Sim, porque a Bienal é essa mistura – e mais algumas coisas.

Teve editora expulsando autor do estande – afinal, estava vendendo demais. E editor ameaçando autora de outra editora. O que mais vi foi gente fazendo a egípcia ou a maldita. E filas. No estande da BN, teve autor enfrentando crianças doutoras na aparência do boitatá.

 

Mais filas. A decoração chamou a atenção, do sapato gigante ao estande feito de papelão – rima proposital aqui, juro. E se alguns quase ficaram surdos com gritinhos histéricos, eu vi autor tomando susto via telefone. Rolou pegação, cosplay, cachaça – e gelatina de cachaça. (Viva a mineirice da Autêntica e seus quinze anos, comemorar a idade da debutante com cachaça é coisa fina.) A praça de alimentação era variada,  tinha comida ruim, comida boa e a pior pizza ever.

 

E fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiilas. No banheiro, para comer, para entrar em estandes, para andar. Tinha até fila para ficar parado. Ui. E o clima estava bem variado. Apagão, frio, calor, cheiro de peixe frito, de banheiro mal limpo e de gente perfumada. De livros novos, livros velhos, livros usados, livros com plástico, livros de pano – e de papel.

Nas filas – que eram muitas, a fauna era variada. Encontrei blogueiro jornalista e jornalista blogueiro, vi geral caindo do salto e ao mesmo tempo vi quem que ficou no salto dez dias seguidos. Tinha escritor simpático ao lado daquele nojo de pessoa.

Já falei que teve filas? E mesmo assim, na Bienal teve gente achando o Wally e uns que perderam a noção. Montaram o trono de ferro na frente da multinacional e umas cadeiras frias e solitárias na frente das editoras por demanda, onde pobres autores esquecidos esperavam leitores imaginados. Sem querer ser fofoqueira, bem teve autora jogando água em si mesma e microfone que não funcionava. Vi Dom Quixote, só que também vi ””autor”” vendendo fanfic (sendo aplaudido por isso, que horror, que horror).

Duvido que o Jason e o Freddy Krugger que prestigiavam o evento tenham pego fila… Ah, o melhor foi o estande que juntou todo mundo bacana sem cobrar – chato foi ver estande que pediu a alma, os dois rins e 1.500 reais pro autor que quisesse estar ali.

Teve de tudo.

Até livros!

Tinha saldões com livros incríveis e editoras cobrando mais caro que sua própria loja virtual. Teve Caveira de Cristal, livros que rodam, livros em pilha, livros de graça, livros caros, livros baratos, livros pendurados, livros no chão, os menores livros do mundo e livros que não se consegue abrir.

Pessoal bacana por lá?

Preciso listar as incríveis maquiagens de dona Carol Chiovatto, o bom humor reluzente e contagiante de Sergio Pereira Couto, crianças que gostavam de clássicos conversando com o Bruno Anselmi Matangrano, os passarinhos do Estevão Ribeiro e o dragão da Ana Flávia Abreu, a capa dourada da Carolina Munhoz e os vampiros do André ViancoFelipe Castilho que teve que reler seu próprio livro (sentado no tal trono de ferro) depois de ser duramente interpelado pela criançada, Eric Novello fazendo presença VIP, Giulia Moonbatalhando como uma samurai com braços, Martha Argel falando de pássaros, o ofuscante JM Trevisan e o RPG, os pulos do Dennis Vinicius e a fala mansa do Marcelo Amaral. Teve planos de dominação mundial sendo forjados pelo Tomaz AdourErick Sama e Gianpaolo Celli. Teve Rober Pinheiro, lindissimo, desfilando por lá. E Milena Cherubim fingindo que trabalhava. Foi uma bienal tão estranha que o Walter Tierno se dignou a falar comigo! Pasmem vocês.

O que mais teve na Bienal? A Iris Figueiredo esgotando livros no estande, a Barbara Morais sendo fofa, a Alba Marchesini Milenasó de passagem, o Raphael Draccon com a cara mais cansada que eu já vi, palestra da Adriana Lunardi (e o Max Mallmann na platéia), Debora Gimenes Debby Lenon e Margareth Brusarosco atentas à programação da BN, Leandro Reis vendendo livro em cinco estandes diferentes… E minha chefe Carmen Pimentel me procurando por toooooooooooooooda a bienal.

E Felipe Colbert, Juliano Sasseron, Clinton Davisson, Graciela Mayrink, José Roberto Vieira, Roberto Causo, Finísia Fidelli, Cristina Lasaitis.

E teve bem mais gente, só que daqui a pouco o meu voo vai embora e eu tenho que ir pro Rio, voltar pro meu filhote, meu marido, meus gatos, meu cachorro… e a minha estante que agora tem MAIS LIVROS AINDA!

(Ainda bem que Bienal, alternando entre Rio e SP, tem todo ano. Já tô com saudades…)

Sobre anacristinarodrigues
Eu trabalho numa biblioteca. Estudo História. Escrevo. Leio. Traduzo. Uma traça que fala, basicamente.

5 Responses to E o que a Bienal tem – ou melhor, teve!

  1. Essa Bienal foi muito boa, a programação da Biblioteca Nacional estava incrível e quem não viu perdeu. Infelizmente filhotinho adoeceu e perdi os últimos capítulos.
    Boa viagem e até a sua volta para São Paulo.

  2. Adoreeeeei a Bienal 😀

  3. cdelivros disse:

    Super engraçada a postagem, engraçada pra mim que não fui e não sofri com as filas, mas imagino a situação…
    Abs

  4. Felipe disse:

    autora, por favor, conte mais sobre este Wally que a turma estava achando.
    : )

  5. que massa. tava querendo ir e comprar tb 20kg de livros. não fui por motivo de pobreza. parabéns e sucesso. (movendo os fundos e os mundos pra ir no fantasticon, que é a primeira vez que não coincide com feira).

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