As músicas de Finisterra

Hoje seria uma daquelas noites de sexta-feira preguiçosas, sem filho, marido ou compromissos além de alimentar os bichos. Perfeita para fechar algumas obrigações.

Mas a comunidade resolveu dar uma grande festa na rua, regada a funk de letras bastante pedagogicas: abaixa lá, enfia aqui, chupa assim e o verbo cozinhar flexionado de forma inadequada. Em altos brados.

Leão tenta o suicidio. Maradona está me olhando com cara de WTF. Pela cara de ‘om’, Fiduma deve ter tomado algum analgesico. Assim, os únicos sóbrios nessa casa somos eu e Dourado. Os periquitos estão dançando e as tartarugas… bem, o jabuti é um depravado e está aproveitando o funk…

Para fugir do barulho, comecei a catar músicas no Youtube e lembrei das que escutei para me inspirar para escrever as ‘Crônicas do Grande Continente’. Como hoje a coisa não está rendendo MESMO, resolvi vir aqui partilhar com vocês e aproveitar para contar um pouco de como foi escrever Imago Mundi.

Quando eu converso sobre isso, a maioria das pessoas acha que eu escuto música clássica e erudita, bem calma. Não é bem assim.

As duas principais influências sonoras, que me acompanham o tempo todo na concepção de mundo, são duas músicas bem mais pesadas.

Primeiro, veio o Mago de Öz e seu ‘Finisterra’:

O Mago de Öz é uma banda espanhola. Se pode dizer que são uma banda de metal, mas com fortes influências de música tradicional ibérica – além de terem uma veia neopagã bem forte.

O clima épico da música – apesar da letra ter pouco a ver – me inspirou muito. A mudança de ritmo, com passagens de coral seguidas pelo vocal rasgado, representa bem a montanha russa que é a vida no Grande Continente.

E logo depois, veio o Moonspell:

Alive, in the end of the Earth! Essa é a música do primeiro embate com o Finisterra.

Sou fã do Moonspell, completamente apaixonada pelo trabalho deles mesmo. Primeiro, pelo som que consegue ser pesado e moderno – eles não tem medo de usar efeitos eletrônicos em algumas músicas como Magdalene e Butterfly FX. Em segundo, pelas referências, que além das musicais, incluem Fernando Pessoa e Lovecraft – do primeiro, usaram um poema em Opium e Fernando Ribeiro, que é poeta, participou da antologia ‘Sombra sobre Lisboa’. Em terceiro, a forte ligação que eles tem com um passado lusitano, expresso em músicas como Alma Mater, Ataegine e Trebaruna (essas duas são deusas do panteão lusitano).

E pra finalizar, porque eu acho o Fernando uma coisa!

Sim, ele tem cara de mau. Mas foi como eu disse no Twitter, minha vida seria diferente se o Harisson Ford tivesse sido o Luke Skywalker e o Mark Hammil o Han Solo. Eu não gostaria de homens maus.

Tem outras coisas, claro.

Para não dizerem que eu fiquei só escutando músicos da Península Ibérica, eu escutei incessantemente 3 cd’s do conjunto de Música Antiga da UFF: Música no tempo das caravelas, O canto da Sibila e Cantigas de amor e louvor. O trabalho deles é fascinante, indo do estudo da música medieval, passando pela reconstrução de seus instrumentos e chegando a buscar correlações com o mundo de hoje.

A música ( Pois que dos Reys) é uma das Cantigas de Santa Maria, uma coleção de cantares e louvores em galaico-português compilados pelo rei Afonso X, o Sábio. E vocês achando que Blind Guardian era música medieval? Sim, é tanto quanto ‘Wheel of time’ ou ‘Senhor dos Anéis’ é Fantasia Medieval.

(Querendo ver mais músicas deles, vejam este canal no Youtube. Os cd’s você compra entrando em contato com eles no site. Sobre as cantigas, o melhor lugar é o centro de estudos de Oxford)

Algumas histórias dentro do conjunto maior das ‘Crônicas’, fora do grupo composto Imago Mundi/Finisterra tem a presença de druidas. E mesmo que assim não fosse, a música folk de influência celta é muito forte como referência.

Os brasileiros do Tuatha de Danann tem várias músicas bem interessantes, mas a que eu mais gosto é Tir Nan Og, que fala da terra da juventude eterna:

Essa música me inspirou muito na cena em que Pero Vaz de Caminha conhece o dragonete Imagus, amigo da Arquimaga Mairiam. Vai me dizer que não dá vontade de dançar ou de sair voando por aí?

Do que já tenho escrito – Imago Mundi completo e aproximadamente um terço de Finisterra, chorei escrevendo uma única cena. Não vou dar spoilers dos meus livros, mas fiquei bem triste. No shuffle do Media Player, tocava Blind Faith:

Nunca mais consegui escutar a música sem ficar um pouco para baixo.

Para finalizar, tem a música que fecha Finisterra  – sim, o final já está escrito. Não pela sua letra – está em gaelico, língua que eu não domino – mas pelo clima:

O Capercaillie é uma banda escocesa que usa música tradicional com bases moderna. Adoro essa música. 🙂

Bom, acho que deu pra falar um pouquinho dos livros e das músicas. E enquanto escrevia, escutei todas no fone de ouvido, eliminando a interferência nefasta do funk alheio. Agora que acabei aqui, vou ali no meu email apoquentar um amigo. 🙂

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