Finisterra, o cabo do fim do mundo…

É impressionante como desde sexta-feira tem chovido comentários, aqui, no msn, no twitter e no email perguntando sobre o meu grande projeto inacabado, Finisterra.

Vou satisfazer a curiosidade de vocês, fiquem felizes!

Antes de mais nada, nesses quatro anos, o projeto se alterou. O primeiro capitulo estava com cerca de dez mil palavras quando começou a circular por alguns beta readers.  O interesse pelo cenário ficou patente nos comentários que recebi, mas pude ver que a história em si ainda tinha problemas. Eu não estava contente com ela.

Então fui avançado muito pouco e muito devagar, mal e mal chegando no capítulo 3.

Aí veio a Worldcon.

Num arroubo de coragem típico dos loucos e insensatos, passei uma semana vertendo oito mil palavras do primeiro capítulo e me inscrevi numa oficina para escritores. As tutoras foram Delia Sherman e Elaine Isaak. Não conhecia o trabalho da Elaine Isaak, mas conhecia o da Delia Sherman – e deu medo, porque ela é uma Escritora, daquelas que consideram Literatura como Arte.

Foi a melhor coisa que fiz em relação ao livro. E um excelente investimento.

O sistema dessa oficina deveria ser mais utilizado no Brasil, aproveitando os encontros que começam a florescer – como a Fantasticon, que é equivalente em escala menor da convenção mundial. O esquema é até simples. O autor paga uma taxa para se inscrever e envia o trecho – de até dez mil palavras – por email dentro de um determinado prazo (que se encerra uns dois meses antes da convenção). Os organizadores então encaixam os autores em grupos de 3 ou 4 que serão coordenados por dois escritores. Eles procuram afinidades temáticas, muitas vezes até sutis. No grupo que participei, todos eram de Fantasia, e dos 3, dois eram de Fantasia Histórica, outro de Alta Fantasia. Todos leem todos os textos para dar opinião. É muito bacana.

Mas no caso, o estalo que veio foi um comentário da Delia Sherman. Ela leu o mesmo trecho que meus beta-readers leram. E encontrou um ponto: eu estava querendo contar duas histórias, a viagem de Pero e Rui pelo Grande Continente e a de Finisterra propriamente dita.

Sabe aquela hora que você bate na testa e grita ‘Sim, é isso!’? Foi exatamente o que aconteceu.

Quando voltei, comecei a tarefa de reescrever e reestruturar Finisterra, que virou dois livros.

O primeiro está pronto, com 83.564 palavras e está com o título provisório de Imago Mundi – ou seja, ‘A imagem do mundo’. Em resumo, posso dizer que narra a viagem de Rui de Pina e seu aprendiz Pero Vaz de Caminha pelo Grande Continente, em missão para o Imperador da Ibéria Lusitânia. E começa com uma cena de tourada… Ou melhor, minotaurada.

Agora, antes de me lançar a Imago Dei, o título provisório da segunda parte, estou reescrevendo esse primeiro livro, que está engordando a olhos vistos. É um processo que eu não tenho pressa para acabar.

Pronto, agora vocês já sabem. 🙂

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21 comentários em “Finisterra, o cabo do fim do mundo…

  1. Engraçado, o comentário feito – a segunda história que vc queria contar – eu quase levei para outro lado, o do erro do Tolkien no primeiro livro: a substituição da história pelo world-building, dificuldade confessa em carta, enquanto ele não se decidia por onde começar a história.

    Maaaas… continue escrevendo. 🙂

    1. Felipe, o que ela quis dizer foi que eu queria contar duas histórias, e uma teria Finisterra em si como personagem. Não a questão do excesso de ‘world building’ – que eu cortei bastante na versão que levei pra lá, mas fez falta. Os gringos não tem as referências das Grandes Navegações que nós temos. Aliás, eles não conhecem sequer o termo!

  2. Confesso que fiquei na seca de uma oficina assim por aqui 😛 muito legal isso. Quanto a sua história, fico aqui no aguardo, afinal já tem coisa pronta *0*

  3. Oba, estou mais curioso.

    Tem um restaurante, no Centro, que se chama Finisterra.

    Avise quando estiver em Sampa, a conta será minha, OK ???

    Beijos dp Tio Ivo

    1. O restaurante deve ser de comida galega, já que o cabo de Finisterra mais famoso fica na Galicia. Mas vou cobrar essa promessa!:D

      Beijos!

  4. Muito bem, Ana! Toda história, para ser bem escrita, tem seu tempo certo de cozer e apurar. É que nem trabalho de alquimista… passamos por todas as fases, nigredo, albedo e rubedo, antes de chegar à Grande Obra. Não tenho dúvidas de que você chegará!

    Beijos da sua companheira de reescritas (e xará),

    Ana

  5. Hummm!

    Que ótima notícia, Ana. Essa é a história que está guardada na minha mente há muito tempo.
    Estou aguardando mais notícias sobre.

    Obrigado pela notícia.

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