WorldCon – Dia 2

Pois é, as coisas estão começando a voltar ao normal, porém deadlines pululam na minha frente e uma crise renal me tirou de combate por quase uma semana. Aí tudo embola mesmo, não tem jeito.

Obrigada pela paciência de vocês.

Para quem quiser ouvir mais sobre minha experiência, saiu a última parte dos meus monologos sobre a WorldCon no Papo na Estante. Agradeço os comentários sugerindo que eu tivesse um programa de rádio para falar de FC e Fantasia. Só digo que estou aberta a negociações nesse sentido e adoraria mesmo participar dessa experiência. Mas o podcast tem valido a pena e sido muito divertido.

Ah, sim. No meu post sobre a publicação de The White Shield House na Kalkion, o colega latino americano Miguel Esquirol Rios, responsável por um site boliviano sobre FC e F, deixou um comentário, falando que também esteve na Anticipation e que assistiu alguma das mesas em que participei. Quem quiser ler sobre a experiência dele lá, ele fez um bom relato em seu blog.

E não posso deixar de comentar a exatidão da descrição que o Christopher Kastensmidt – um gringo que habita o RS – fez no seu LJ. Para ele, a Worldcon 2009 foi aquela em que “Ana Cristina Rodrigues andou de um lado para outro de olhos arregalados de espanto”

Bom, mas vamos ao que interessa.

Dia  2

Os organizadores da Anticipation não me conhecem… Tanto que acharam boa ideia colocar um painel meu – exclusivamente meu, só eu falando para a plateia – às 09:00 da manhã. O tema? Olivier de La Marche e Carlos ‘Temerário’. Depois de uma noite pessimamente dormida – afinal, todas elas foram, dormi tarde, acordei cedo e sem conseguir dormir direito de ansiedade para não perder a hora – juntei minhas anotações, minha coragem e fui para o Palais de Congres.

A mesa chamou-se Trough Loyal Eyes: How the chronicler Oliver de La Marche built Charles Duke of Burgundy e foi – pasme! – um sucesso; a sala tinha umas 20/25 pessoas (mais do que o público das minhas mesas em congressos de História da vida) e o roteiro não chegou a ser usado. O público começou a participar, perguntando e acrescentando informações. Falamos sobre a Guerra dos Cem Anos, os Habsburgos, Dom Sebastião, Canudos, a Guerra dos Trinta Anos… entre outras coisas, isso em pouco mais de 50 minutos.  Quase perdi a hora e sai expulsa pelos próximos palestrantes.

Expulsa e correndo, pois estava na hora do Rapid Fire Reading das meninas do Broad Universe. Rapid Fire Reading é a leitura em conjunto de vários autores. Cada uma tinha cerca de 8 minutos para ler um conto ou um trecho de conto maior. Eu peguei pela metade mas cheguei a tempo de ler a versão em inglês de Como nos tornamos fogo? – que foi bem elogiada – e de ouvir Julia Dvorin, Trisha Wooldrige, Elissa Malcon e Roberta Rogow – que leu uma peça de filk.

Uma rápida pausa para o almoço – se não me engano, foi nesse dia que comi em um restaurante que faz macarrão oriental no mesmo estilo que o nosso Spoleto, com a gente escolhendo a massa, os acompanhamentos e o molho. Foi muito bom.

E sorte minha ter comido algo, pois a minha mesa seguinte foi de dar fome nos desafortunados que não conseguiram comer antes. Participar da mesa Food: Ancient, Modern, Future, Near and Far foi um dos momentos mais divertidos da WorldCon pra mim.

A escritora Cecilia Tan moderou, com a participação de Jon Singer, Jon Courtenay Greenwood e Richard Foss. No começo, estavamos incertos do que iamos falar – afinal, nem o título nem a descrição da mesa ajudavam muito. Mas a moderadora acertou o ponto e logo todo mundo começou a falar sobre as mais estranhas experiências culinárias que já tivemos na vida real e na literária. Jon Courtenay Greenwood cmentou sobre a culinária em seus livros, eu falei sobre mangas, feijoada e a antologia ‘Gastronomia Phantastica’ – que terá novidades em breve, Richard Foss – que além de escritor, é crítico de culinária – comentou sobre suas incursões em restaurantes estranhos. Cecilia Tan foi uma moderadora muito participativa, comentando sobre como ser de uma familia multicultural deixou-a aberta a sabores os mais diferentes. E Jon Singer revelou que adora não só a comida brasileira, mas os nomes que damos a nossos pratos.

Nessa mesa, a audiência foi muito participativa – e no final, duas pessoas se aproximaram para falar comigo. Uma quis dizer que adorava mangas (ouvi isso o resto da convenção) e uma senhora veio falar comigo em um português até bom. Ela tinha morado durante quatro anos no Rio e sentia muitas saudades daqui, lembrou dos restaurantes que serviam feijoada às sextas.

Depois, fui para a mesa do Broad Universe e passei pela fila gigantesca para pegar um autográfo com Neil Gaiman. É, passei – não entrei.  O motivo pra isso? Os organizadores, antecipando a gaiman-mania que tomou conta da WorldCon, dividiram os autográfos do Neil Gaiman em duas sessões, que teriam convites distribuidos antecipadamente. Como a distribuição foi justamente na hora em que eu estava falando, dessa primeira eu fiquei fora. A fila estava imensa, mas todos respeitaram o limite de 2 livros por pessoa (para outros autores, o limite era de 4)… A minha colega Trisha também não conseguiu seu convite, então choramos nossas pitangas na mesa, junto com outras ‘broadies’.

Esses momentos de bate-papo na mesa do grupo foram muito legais, mesmo. As meninas do Broad Universe são profissionais do ramo da literatura, muitas vivem exclusivamente disso, algumas estão começando agora. Todas – Elissa Malcohn, Camilla Alexander, Roberta Rogow, Cecilia Tan, além das já citadas Trisha e Inanna – foram muito receptivas. Ali, eu aprendi muito sobre como funcionam as coisas no mercado americano, que é completamente diferente do nosso – MESMO.

Antes de ir ver a entrega do Prêmio Sidewise – para os melhores da História Alternativa – peguei um autográfo com Karl Schoreder(com uma foto especial pro Eric). A entrega do prêmio demorou pouco, mas foi bem interessante. Os apresentadores conversaram sobre o tema e levantaram um ponto que merece reflexão e debate: a História Alternativa, como gênero literário, já não estaria suficientemente amadurecida para não depender mais da Ficção Cientifica como suporte? Pessoalmente, nunca tinha refletido por esse aspecto – mas achei interessante a colocação. Os vencedores foram o romance Dragon Nine Songs de Chris Roberson (o que não me surpreendeu, dado o tanto que o Gerson Lodi falou do livro) e ‘Sacrifice’ de Mary Rosenblum, que saiu na coletânea Sideways in crime.

O cansaço venceu e eu tive que desistir – perdi um painel moderado por Cheryl Morgan sobre esportes e o futuro.

***

Não se preocupem, o post sobre o dia 3 já está pronto e amanhã eu publico.:)

Anúncios

11 comentários em “WorldCon – Dia 2

  1. “Ali, eu aprendi muito sobre como funcionam as coisas no mercado americano, que é completamente diferente do nosso – MESMO”

    Tá Ana, e nós temos um mercado desde quando?
    😉

  2. Octa e Alex

    O ponto é exatamente esse: não temos um mercado editorial para o nosso nicho. Até existe mercado, mas de uma maneira que abrange tudo, de Paulo Coelho a Zuenir Ventura a Fernanda Young, sem nos deixar espaço nem voz…

    O pior de tudo é que não vejo os autores prejudicados fazerem algo para modificar isso.

  3. Pingback: DROPS | Tudo
  4. Pingback: DROPS | Tudo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s