Os olhos de Joana

A guerra explodia nas terras francesas, divididas entre Henrique, o jovem soberano inglês cujo pai arrancara seu direito sucessório das mãos de um rei fraco e insano, e o filho desse mesmo governante enlouquecido, Carlos de Valois, o Delfim, recém-coroado por aqueles que o apoiavam. Entre os dois, estava Felipe, o maior dos nobres franceses, o primeiro dos pares de França, que entregara sua lealdade ao herdeiro da família Lancaster para aliviar a traição que se abatera sobre sua casa.

Porém, mesmo entre os nobres, a casa da Borgonha não fora a única a aliar-se aos ingleses. Famílias antigas dividiam-se, de acordo com o seu interesse mais imediato, nenhuma delas com a determinação dos borgonheses em retirar os Valois do trono.

Abaixo dos grandes, soldados combatiam. Alguns eram mercenários, outros foram convocados pelo poder dos senhores sobre eles… E poucos, muito poucos, lutavam por acreditarem que era o certo a fazer, como Joana.

O silêncio era o companheiro dela em sua prisão solitária. A ausência dos sons costumeiros das batalhas confirmava o seu presságio, as suas tropas haviam perdido a escaramuça, sem comando depois que caíra prisioneira. Presa por cordas em um poste de madeira, pouco poderia fazer senão aguardar o destino. Sua vida resumia-se a essa espera pelo que aconteceria desde que deixara sua pequena aldeia.

Quando finalmente sons ressurgiram, a porta de sua prisão foi aberta e ouviu passos ecoando no chão de pedra.

– Pois então, feiticeira. Tua loucura acaba aqui.

Amarrada, fez a única coisa que pode. Ergueu os olhos, azuis, e encarou seu inimigo. Nos meses que passara convivendo com os soldados do exército francês, ouvira histórias aterradoras sobre o seu captor. Felipe de Borgonha era retratado como um homem enlouquecido, vivendo apenas para vingar a morte de seu pai, assassinado onze anos atrás, traído em uma trégua pelo então delfim. Unira-se aos ingleses e os exércitos da Borgonha e da Inglaterra devastavam as terras que se mantiveram leais ao homem que traíra o duque borgonhês. Joana estivera sempre do lado do delfim que ajudara a coroar, pois como os seus demais seguidores acreditava que a sucessão não poderia ser decretada pelos homens. Apenas Deus teria o direito de escolher os reis, e o fazia pelas famílias reais. Assim as vozes afirmaram.

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