Um conto com outro nome ainda seria o mesmo conto?

Sempre que me ponho a pensar na parte que eu menos gosto em ser escritora, chego a conclusão que cada vez me sinto mais agoniada em dar títulos aos meus contos.

(Os meus wannabe romances até se saem bem nesse quesito, nem que seja com o meu uso descarado do latim)

O que é o título? Um resumo? Um slogan? Uma amostra do que irá ser encontrado naquelas poucas mil palavras? Um chamariz para trazer o leitor àquela história, dentre todas as outras do livro/revista/web?

Sim, porque tem isso ainda. O título é o primeiro contato que o leitor vai ter com o seu texto. Num livro ou revista, isso pode significar apenas que o seu conto vai ficar para depois. Mas… e quando você depende dele para agarrar o leitor pela gola? No caso de um conto publicado online, por exemplo, ou do livro exposto na livraria. Imaginem: a capa mais bacana do mundo com um título simplesmente repulsivo…

O problema é que eu geralmente me concentro na história que tenho que contar, nos seus personagens, na trama, no estilo. Se o título não surge junto com o conto, ao final tenho que pensar em algo – e é muito complicado.

Por muito e muito tempo, fui adepta de três formulas: “substantivo + adjetivo” (ou ‘como dar título a um filme iraniano’, válido na forma inversa), “O ‘x’ do ‘y’” e ” ‘Alguém’ e ‘outro alguém/coisa’ “. Tomei como desafio pessoal mudar um pouco essa linha. Desde o final de 2010, busquei dar títulos mais diversificados e até que tenho conseguido, como ‘Canção para duas vozes’, ‘Aquele que vendia vidas’ e ‘O longo caminho de volta’. Ok, às vezes dá preguiça e eu uso o nome do protagonista do conto, como foi o caso de ‘Cartouche’, mas aos poucos tenho melhorado.

Ainda não cheguei no nível de um Harlan Ellison – ‘Repent, Harlequin!’ Said the Ticktockman, de um P. K. Dick - Flow My Tears, The Policeman Said, só para dar um exemplo – ou mesmo do meu chapa Jacques Barcia, com seu Uma vida possível atrás das barricadas ou o meu preferido, The Greenman Watches The Black Bar Go Up, Up, Up. Mas quando sair um Anacrônicas 3, quem sabe os títulos não chamem mais atenção?

 

10 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Jacques Barcia
    dez 11, 2011 @ 04:44:03

    Sugestão: “Do Y, um X. Z.” Sendo X e Y substantivos e Z um verbo. No gerúndio. :)

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  2. Adriana "Strix"
    dez 11, 2011 @ 05:04:05

    Até que a maioria dos meus contos não me dão trabalho pra nomear (se o nome é bom são ooooutros quinhentos). Sei lá, acho que dei sorte.

    Mas pergunte se algum projeto de romance meu tem nome até sabe Deus quando. =p O mais recente é “aquela história do Vitinho lá”. xD

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  3. Ghad Arddhu
    dez 12, 2011 @ 07:53:58

    Algumas pessoas realmente podem achar estranha a preocupação com o nome de um conto, principalmente pessoas que pregam por aí que a capa de um livro não é importante.

    Como você bem disse, o título é o primeiro contato que algumas pessoas terão com o conto, e com isso o que conta mais é o pensamento do marketing que da poesia ou da escrita pela escrita em si.

    Nomes cativam, atraem ou criam repulsa rapidamente e, mesmo que seja de uma forma bem pequena no primeiro contato, acredito que em algumas vezes esse pequeno cartão de visitas ruim pode atrapalhar a leitura e a atenção ao conto.

    Será que um conto com outro nome ainda seria o mesmo conto? Acredito que apenas seria o mesmo se fosse um conto já lido, do contrário a experiência dada por um nome que se encaixe bem no conto, temática e condução seria esse primeiro contato, a primeira experiência e onde a imaginação começaria a trabalhar.

    Um conto com um nome não adequado poderia criar expectativas que viriam a se frustrar, fosse por focar-se em algo que não condiga com a realidade ou mesmo por não representar em nada o que o conto descreve.

    Também tenho problemas em nomear contos e lembro de ter lido em outros lugares sobre “O X do Y” e “Substantivo + Adjetivo” serem lugar comum, coisa que não atiça a imaginação e não formenta muita curiosidade. Com isso passei a evitar tais tipos de nomes com um pensamento em mente: O Título faz parte do conto.

    Sigo tentando mudar aqui e ali, melhorar cada vez mais e através do diálogo interno chegar a nomes que considero melhor. Quando acontece de chegar ao fim do conto e ainda assim não encontrar um nome, as vezes alguns dias de gaveta servem para encontrar tal nome. O contrário (criar um nome e escrever o conto) quase sempre é mais fácil, mas quem disse que escrever é viver na facilidade?

    Excelente post :)

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  4. Alexandre
    dez 13, 2011 @ 23:29:13

    Pense “slogan”. Isso deve ajudar.

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  5. Cássio
    jan 09, 2012 @ 14:26:54

    O uso do latim é um vício clássico –rs

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