Ajudar alguém? Nunca mais.

Maio 12, 2009

É impressionante.

A gente tenta ajudar alguém, até mesmo contra algumas coisas em que você acredita, e só consegue dor de cabeça. Você vê uma pessoa começando, colocando os pés pelas mãos e tenta direcionar melhor.

Enxaqueca a vista.

Nem vou falar o que é não, mas sinceramente a próxima vez que ver alguém fazendo besteira vou sentar e esperar para ver no que dá. E rir no final, claro.

 

***

 

Sobre os meus comentários sobre o selo ‘Anthology’, encerrando o assunto já que vejo uma má vontade crônica em que todos querem atirar pedra mas ninguém parece parar meia hora, ler e pensar (sim, teve comentários não aprovados):

A organizadora da antologia ‘Fiat Voluntas Tua’, Monica Sicuro, colocou no tópico de regulamento na comunidade do Orkut utilizada como forma principal de comunicação, que os autores DEVERIAM vender seus exemplares no decorrer de um mês, ao contrário de sua posição anterior que dizia que os autores PODERIAM.

Qualquer um aqui sabe a diferença entre *dever* e *poder*, certo? A obrigação de vender os livros configuraria uma antologia-loteamento, a qual condeno e ataco.  Só depois – quando o meu post começou a incomodar – as coisas se esclareceram. 

E por mais que o termo ‘consignação’ estivesse no contrato, o contrato só chega na mão do autor depois que ele é selecionado. Logo, essa confusão toda só afastou autores – como dois comentários no post demonstram, de escritores que se manifestaram comigo em pvt  e fizeram o favor de repetir suas opiniões aqui.

Enfim, houve uma falta de organização e de comunicação correta – e não mentiras ou acusações. Como ressaltei, não fui a única a pensar daquela forma e a discordar dessa maneira. Talvez tenha sido apenas a única a ter coragem de levantar a questão.

Eu sinceramente nem queria ter que colocar isso aqui para não expor a Monica, que apesar de inexperiente vem se esforçando e fazendo o melhor trabalho possível. Porém, como tem um monte de gente que fala sem saber do que está falando, coloquei os pingos nos is.

 

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A resposta da Multifoco

Maio 7, 2009

Como vocês podem perceber, o post anterior saiu cortado. Eu iria corrigir, mas acho que posso dizer o que faltava nesse post.

Leonardo Simmer fez a gentileza de responder na caixa de comentário do post da Campanha, e eu vou tomar a liberdade de reproduzir o comentário com as minhas colocações, até porque ele faz um esclarecimento que muito vai interessar aos autores do Brasil:

Em nome da Editora Multifoco, venho aqui esclarecer alguns pontos:

-A editora fará todos os lançamentos acordados. Portanto, a segunda coletânea organizada por você também sairá. O que optamos por não fazer foi lançá-las em seqüência, concentrando esforços na venda e divulgação do título “Espelho Irreais”, cuja tiragem tiragem inicial de 30 exemplares ainda não foi esgotada,mesmo com os 10 livros oferecidos de cortesia aos autores.

-Fico feliz em saber que o lançamento de ‘Ficções Virtuais’ está garantido. O email que recebi do editor da Multifoco em relação a isso não foi nesse sentido. Posso ter entendido errado? Talvez, mas acho que houve então uma falha de comunicação. A tiragem inicial acordada verbalmente era de 50 exemplares (a cortesia é garantida em contrato), sendo que ainda não foi esgotada pela chuva torrencial no lançamento carioca e pela demora do livro em entrar no site da editora – o que só aconteceu no minimo duas semanas após o lançamento.

 -A editora multifoco paga direitos autorais a todos os seus autores e no caso das coletâneas, aos seus organizadores.

Isso nunca foi posto em questão aqui.

-A editora multifoco tem um modelo diferente de negócio que proporciona muitas oportunidades aos autores, mas tem também suas limitações. Não cobramos dos autores para publicarem, pagamos direitos autorais, fazemos diagramação, arte da capa e oferecemos um espaço (no Rio de Janeiro) para lançamentos e eventos promocionais. Para isso trabalhamos com tiragens entre 30 e 150 exemplares, calculadas com base na expectativa de vendas a curto prazo (lançamento, eventos, aulas, etc) e que é renovada conforme vai havendo demanda. É a eficiência de cada produto (e não a receita absoluta) que garante a empresa a liberdade de investir em mais títulos, dando oportunidades a mais autores. Só colocamos os livros nas principais livrarias do Rio de Janeiro, São Paulo e Recife, depois que eles atingem a marca de 100 exemplares vendidos ou quando há o pedido de alguma livraria.

Foi justamente o perfil diferenciado da editora que atraiu de imediato, me fazendo levar duas antologias executadas com muito carinho e dedicação. Aliás, estou combinando mais eventos no Espaço Multifoco *justamente* para aproveitar esse espaço (não deu pra evitar a repetição) e alavancar a projeção do livro e da editora. Editora, aliás, que eu venho indicando justamente para autores iniciantes com bons trabalhos, que não merecem ser esmagados nas engrenagens das edições on demand, loteadas e etc.

-A Multifoco não vende participação em coletâneas. O que acontece no caso específico do Anthology é que o editor Frodo Oliveira demandou uma quantidade de livros maior do que a multifoco habitualmente faz devido ao grande número de autores e interessados na edição. Para solucionar o impasse, cada autor se comprometeu a consignar (não comprar) 15 livros e tentar vendê-los em um prazo de mais de 30 dias com um desconto de 30% em relação ao preço de capa que proporciona ao autor R$7,50 por livro vendido. Na impossiblidade de vendê-los, os mesmo podem ser devolvidos à editora, sem ônus para o autor, conforme expresso em contrato.

Desculpe, Leonardo, mas acho que houve algum mal-entendido aqui. Como qualquer um pode ver nas comunidades dirigidas ao selo Anthology no orkut, só se o editor fosse visionário. O processo de seleção é aberto – logo podem aparecer 5, 10 ou 2500 autores interessados em participar - e não tem como ele ou qualquer um dos organizadores saber se vão ter 1,5, 10 ou 2500 (quadro ideal!!!) contos bons o suficiente para publicação. O autor já entra na seleção se comprometendo a comprar os livros. No contrato, a questão da devolução sem ônus dos volumes não-vendidos fica relativamente em aberto, já que nada é dito sobre isso – apenas o prazo de 30 dias é citado, além do fato de ser consignação. Isso não é explicado aos autores. Mas acredito sinceramente que os mesmos ficarão satisfeitos em saber que podem devolver os livros não vendidos. ISSO realmente faz alguma diferença e realmente (repetição para dar enfâse) peço desculpas por ter confundido a iniciativa com os abomináveis loteamentos editoriais… Mas isso podia ser melhor explicado, né?

-O resultado econômico do livro é importante para a Multifoco. Trabalhamos com cultura, mas como qualquer empresa, precisamos do lucro para justificar e possibilitar novos investimentos, não só em outros títulos como na própria edição: distribuição, assessoria de imprensa e outros serviços que só podemos oferecer aos livros com bons resultados em relação a tiragem inicial.

Outro ponto que jamais foi questionado. Aliás, eu quero deixar claro que não acusei a editora de absolutamente nada – nem a condenei ao fogo do inferno. Apenas afirmei estar preocupada com a reticência sobre a minha outra antologia e com a possibilidade da Multifoco estar desvirtuando-se da sua excelente proposta original para enveredar nos meandros obscuros da especulação literario-imobiliária. É um alívio saber que foi tudo um mal-entendido, então.

- Para atender ao grande volume de autores que nos procuram, a Multifoco tem uma série de editores parceiros. Esse editores coordenam selos com temas específicos (entre eles ficção científica e fantasia) e são responsáveis pela seleção dos textos / autores para seus respectivos, fazendo isto com autonomia em relação a empresa. Frodo Oliveira é um dos nossos editores e tem feito um excelente trabalho a frente da Anthology. É uma estrutura descentralizada que pretende dar espaço a diversidade da literatura brasileira sem perder o valor do trabalho editorial a que a Ana Cristina se refere.

Cada um com sua opinião, Leonardo. Eu achei a Solarium muito fraca mesmo. Muito aquém do que poderia ser feito com a quantidade de bons autores novos que vem surgindo por aí e que podem ter ficado intimidados com a impressão de que os livros tem que ser vendidos e pagos a Multifoco  em 30 dias. Quando fui insistentemente chamada para participar de uma das antologias do selo – apesar de ter avisado a organização que não acreditava nesse tipo de edição – esse ponto não foi colocado. Pelo menos dois bons autores que conheço declinaram por causa disso. Soubessem eles – ou eu – que a devolução integral ou parcial dos exemplares pegos em consignação era possível, acredito que eles teriam tentado participar. Quem sabe agora, com a divulgação desse importante ponto, a quantidade de autores dispostos vai ser muito maior.

- Portanto, vale a pena dizer que a Multifoco também está plenamente satisfeita com a qualidades dos textos da Fábrica do Sonhos e pretendemos inclusive transformá-la em um selo independente, lançando outros coletâneas e livros individuais dos talentos da literatura brasileira de fantasia.

Conversemos sobre isso… Afinal, encaixa direitinho nos meus planos de dominação mundial e extinção dos ácaros.:)

Coloco-me a disposição de todos para esclarecimentos.

E quem quiser, pode ir alugar o Leonardo no Espaço Multifoco. Boas cervejas e petiscos a um preço honesto, com música ao vivo. Av. Mem de Sá, 126 – Lapa.

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Então:

- Não é por isso que vamos deixar de divulgar a campanha. Vou alterar o texto do post – mantendo as minhas convicções e opiniões – para refletir o novo status quo.

- Continuo achando que loteamento literário é algo oportunista e que pouco auxilia o escritor. A grande diferença que vejo entre o selo da Multifoco e essa prática é a possibilidade de findos os 30 dias o escritor poder devolver os livros não vendidos. Isso realmente é um diferencial, parabenizo a Multifoco, mas chamo a atenção para o fato de que isso não está claro nos contratos do selo e sequer é deixado claro pelos organizadores. Os autores participantes devem ser informados disso com urgência – muitos ignoram o fato.

- Eu iria declinar do convite – insistente – para participar de uma dessas antologias da Multifoco, por discordar desse compromisso de ter que pagar para publicar, mesmo tendo sido liberada do pagamento. Tanto que estava com o email no rascunho, criando coragem para dizer para a organizadora que me fez o convite, apesar das minhas muitas negativas - uma pessoa esforçada, com muitos méritos e que acabou se enrolando na empolgação do seu primeiro trabalho como editora, prometendo mais do que podia - que não ia mais participar. Agora, sabendo que o que a Multifoco faz é pedir aos autores uma ajuda na venda e divulgação, sem que haja comprometimento de dinheiro nisso, fico até feliz em participar. Mesmo.:)


Demorou mais do que eu pensava…

Maio 6, 2009

Para o sucesso da campanha ‘Espelhos Irreais’ começar a atrair críticos e detratores, que sem saber do que estão falando atiram pedras. Provavelmente é o editor de uma delas.

Eu nem ia aprovar o comentário (oi? O blog é meu e eu faço o que eu quiser), mas enfin, desde os aureos tempos do Quindins, mil-folhas e outros doces de padaria que não recebo um comentário negativo-mimimi.

O bom, caros 4,56 leitores, é que vou dar uma prévia do meu grande post sobre porque eu considero ‘antologias-loteamento’ algo negativo para o escritor, para o leitor e a longo prazo para uma editora que se pretende séria.

“Aldir Blanc” (cujo email é adrianrblanc@gmail.com e o ip que o WordPress registrou foi 189.27.22.107) fez o seguinte comentário desinformado:

Dizem por aí: “Vou ser sincera: não culpo exatamente a editora, porque eles tem certa razão em não querer arriscar muito. Mas estou preocupada porque a Multifoco ”criou” um selo de ”antologias-loteamento”, ou seja o escritor paga para ter um pedacinho de livro para chamar de seu.”
E eu rebato a todos os que possa interessar, que mesmo falando tão mal do tal selo de antologias-loteamento, a pessoa que escreveu isso com tamanho despeito, fez questão de participar das antologias-loteamentos e ainda fez questão de disponibilizar uma capa para a antologia-loteamento, então me pergunto? De quem ela está falando mal mesmo? Será que a hipocrisia fala tão alto a esse ponto de dizer, não participem, mas não reparem no fato de que eu me submeto a isso, para fazer meu curriculo literário…
Interessante, não?

Eu acho sinceramente mais interessante saber que alguém se incomoda tanto com o que eu faço a ponto de acordar antes das seis da manhã, vasculhar meu curriculo literário e se dar ao trabalho de falar uma patetada dessas, etc, etc, etc.

O equivocadissimo comentarista mostra total desconhecimento de minha pessoa, da minha trajetória ou mesmo do mercado editorial sério de Fantasia e FC. Além de ter um puta problema com interpretação de textos, já que eu não condeno o escritor que participa de uma antologia destas, e sim a editora que passa a se focar nisso.

Tudo bem, eu explico.

Há uma diferença entre ‘participar de um projeto coletivo’ e ‘fazer questão de participar das antologias-loteamento’. Mas sua ignorância explica-se pelo fato de ter usado um termo que eu cunhei sem saber exatamente ao que eu estava me referindo – a pressa de tacar pedras no que parece ameaçar o seu pequeno status quo deve ter afetado a sua capacidade de pensar.

Sim, eu participei de dois *PROJETOS COLETIVOS* em que o custo de produção foi rateado entre os autores, capitaneado por um organizador que conhece profundamente o assunto de que está tratando e que desde o primeiro momento foi deixado claro que cada um teria que pagar a sua parte para que o produto saísse. Ninguém veio com a historinha de ’seu conto sai de graça, é só vender 20 livros’, sem deixar claro que se você NÃO vender, vai ter que pagá-los do mesmo jeito. Além do mais, foram projetos organizados por escritores de verdade, gente com várias obras publicadas, não pessoas que mal começaram a publicar e já vão achando que sabem organizar uma coletânea.

No caso, falo de Portal Neuromancer e Paradigmas. Tipo, você sabe quem é Nelson de Oliveira, caro errado? Joga no Google.

A diferença essencial: nenhum dos dois projetos foi feito por uma editora que selecionou qualquer coisa. Ambos tinham um número limitado de contos/autores por volume que se não fosse atingido com a qualidade almejada, não sairia.

Paradigmas, por exemplo, era para ter 3 volumes logo de saída. Mas como a qualidade dos contos recebidos PELOS AUTORES CONVIDADOS – sim, o Richard Diegues chamou um por um dos autores que participam dos dois primeiros volumes – não dava para completar três volumes, só dois sairam. O terceiro começa a ser formado agora. Não foi uma iniciativa da Tarja, que só vai se responsabilizar pela distribuição. Foi uma iniciativa do Richard, que aliás colocou a maior parte do dinheiro.

Outra di


Campanha ‘Espelhos Irreais’

Maio 4, 2009

Agora o assunto é sério e venho pedir a ajuda de todos os 4,56 leitores do Talkative Bookworm.

Ano passado, entreguei duas coletâneas para uma editora. As duas foram aceitas, os contratos assinados… A primeira, de Fantasia e FC, foi publicada recentemente. É ‘Espelhos Irreais’, resultado de quatro anos de trabalho na Fábrica dos Sonhos, com cinco contos de autores que estão começando na literatura fantástica, de forma promissora.

A segunda… Bem, a segunda NÃO VAI SAIR enquanto o resultado de vendas da ‘Espelhos Irreais’ não for satisfatório.

Vou ser sincera: não culpo exatamente a editora, porque eles tem certa razão em não querer arriscar muito. Mas enquanto as outras antologias da editora tem vários autores para facilitar sua divulgação, além deles terem o compromisso de tentar vender a antologia por um mês firmado em contrato,  Espelhos tem apenas 5 – 4, se contarmos um inativo – autores para divulgar. Logo, temos menos margem de manobra.

Ressalto que nem Espelhos Irreais nem Ficções Virtuais são antologias pagas. Ainda não é o esquema correto de publicação, em que o autor é pago pelo uso de seu conto, porém ele não vai desembolsar nada e terá seu texto em uma antologia feita da forma mais apurada possível, com a minha integral dedicação, com trabalho e suor meu para ter certeza que o resultado vai compensar.

Então, caro amigo desse blog: AJUDE!

Divulgue o livro, a venda aqui. Leia a ótima resenha do Eric Novello .

Dia 09 de maio vai ser o lançamento paulista, às 20h na Livraria Cultura do Shopping Bourbon Pompéia. Comemore lá conosco! Coloque essa data no seu blog! Avise aos amigos. Mande mensagens pros seus contatos.

Dia 23 de maio, eu vou dar uma palestra para relançar o livro no Rio de Janeiro, sobre Idade Média e Fantasia, no Espaço Multifoco, a partir das 17hs. Apareça lá, divulgue, espalhe!

Em breve, teremos eventos em Belo Horizonte e Vitória.

Ajude a nova literatura fantástica brasileira a colocar a sua cara!


Dias de noite…

Maio 4, 2009

Sabe aqueles dias em que você tem monte de coisas importantes e divertidas/interessantes a serem feitas, mas um misto de inquietude, cansaço e incerteza te assola?

Aqueles dias em que você gostaria de dividir a sua vida para quatro pessoas, pois aí sim todas as tarefas poderiam ser feitas do jeito certo?

Quando o melhor que você consegue é sugerir pautas bizarras e absurdas pro melhor blog de mangá desse lado da internet?

Dias em que as noites se esvaem, você fica no computador e quando dá três da manhã vê que não fez nada? Pois é, são aqueles dias.

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Hoje, passei o dia em um evento trekker. Tirando os encontros de jogadores do meu querido e falecido PBEM (é, era meu. Mais meu do que o dono dele, ou de outras pessoas babacas que ajudaram a afundar com ele), acho que foi meu segundo encontro desde 1998, quando comecei a tomar consciência da existência de um fandom. O primeiro foi na própria AFERJ, na casa de um dos associados em Niterói.

Mestrado – doutorado e outras coisas mais me fizeram deixar de lado esse aspecto mais lúdico do fandom. Aliás, o que me afastou foi o Fandom sério, da literatura, de ‘gente, esqueçam Star Trek‘, que por mais mente aberta que tente ser, sempre, mas SEMPRE vai tender a tachar ‘pessoas que colocam orelhas de epoxi’ como fãs bitolados.

Desde as JediCons do ano passado, estava começando a ver que as coisas não eram bem assim não – eu sempre soube disso, mas tinha me esquecido. Nesses dois eventos, como no de hoje, vi gente adulta, levando a família para se reunir com os amigos, assistir filmes, seriados e documentários, travar conhecimento com gente nova, bater papo sobre Ficção Científica.

O meu saldo desses três eventos é que o fã de ‘Sci Fi’ (um termo bobagento e preconceituoso criado para distinguir séries e filmes ‘blockbusters hollywoodianos’ da verdade Ficção Científica, ALELUIA!) é muito mais receptivo, tem mente  mais aberta e um profundo respeito pelo escritor – vi isso nas pessoas que olhavam os livros expostos, mesmo quando não compravam.

Se for comparar com o fandom ”literário”…

A organização da 2a ExpoCon Trekker 2009 da AFERJ está de parabéns. O lugar é bacana e tudo estava muito legal mesmo. O debate foi bom também, apesar de um pesar…

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A Casa do Escudo Azul

Maio 1, 2009

‘A Casa do Escudo Azul’ estava inédito em versão eletrônica e é um dos ‘pequenos contos mágicos’ presentes no meu primeiro livro, AnaCrônicas. O livro está a venda aqui no blog ou nos sites das livrarias Cultura e Leonardo da Vinci. Espero que gostem.
 
A Casa do Escudo Azul
 
Caminho determinada, apesar das dores nas pernas. Também, andara por mais de três dias sem parar antes de pegar a barcaça que me levara até Paris. Na pequena viagem pelo Sena, não consegui relaxar, mesmo vendo a maravilha que se descortinou perante meus olhos. Ainda me parece incrível ver as plantações verdejantes onde fotografias antigas mostram crateras e nuvens radiativas.
 
Demorou muito, dois ou três séculos, mas a humanidade recuperou-se da Guerra Final. No começo, todos estavam desorientados e infelizes, acreditando que jamais se reergueriam. Porém, a esperança esteve ali o tempo todo, na forma do Escudo Azul.
 
Sinto orgulho de pertencer a essa organização. Ando pelas ruas de Paris, vejo alguns prédios em ruínas, com placas contando a sua história e maquetes holográficas mostrando como eram antes da Guerra. Ainda não se decidiu no Conselho sobre o destino das ruínas: se serão deixadas como lembrete da nossa capacidade de destruição, se iremos reconstruir os antigos prédios ou se novas construções tomarão seu lugar.
 
Ao lado do mais imponente conjunto dessas ruínas, ergue-se o meu destino, a Casa do Escudo Azul. Suas portas estão sempre abertas, pois não há mais necessidade de temer depredações. Passo por um grupo que discute cultura clássica e reconheço meu irmão entre eles. Aceno de leve pois tenho pressa em terminar a minha missão.
 
Mesmo apressada, não consigo deixar de diminuir o passo e olhar ao meu redor. Sorrio ao cumprimentar antigas estátuas, velhos monumentos e obras de arte seculares. Todo o patrimônio cultural que o Escudo Azul conseguiu salvar da Guerra… Mais do que obras de artes, havia registros históricos, documentos que traziam em si o melhor e o pior da humanidade. E não só o legado material. Na outra ala do edifício, há aulas de canto, dança e outras manifestações, ressuscitadas pelos registros feitos e protegidos por nossos membros.
 
A humanidade reergueu-se com a ajuda da cultura que o Escudo Azul salvara. No meio do século XX, preocupados com o rumo cada vez mais belicoso que a humanidade tomara para si, pesquisadores e amantes da cultura criaram uma estratégia para proteger o maior patrimônio da humanidade caso o pior acontecesse.
 
Demorou, mas aconteceu. A Guerra Final arrasou tudo, com o uso indiscriminado de armas nucleares e ataques químico-biológicos. Uns poucos bolsões de pessoas morando a quilômetros de distância uns dos outros foi tudo o que restou… Isso e todo o acervo cultural salvo pelo Escudo Azul. Claro, nem tudo fora salvo. Eu cresci ouvindo minha mãe suspirar pelos murais de Diego Rivera e pelas formas arquitetônicas arrojadas de Brasília, a obra-prima de Niemeyer.
 
Mas fora o suficiente. Aos poucos, o Escudo Azul fora redistribuindo o patrimônio cultural à população, ajudando a construir novos museus e arquivos, instruindo-os nas formas culturais que foram perdidas. A base para a reconstrução fora esse legado. Por isso, vivemos em algo muito próximo de um paraíso.
 
Chego na sala principal. A diretora do Escudo Azul me recebe com um sorriso caloroso. Respondo, cumprimentando minha mãe com um abraço. Estou ansiosa para mostrar o resultado da minha expedição.
 
Depois da cultura disseminada no admirável mundo novo, o Escudo Azul dedicara-se a procurar relíquias perdidas pelo mundo, nas ruínas deixadas pela Guerra. Eu me tornei a melhor dessas exploradoras.
 
Minha última missão fora no norte da Europa, uma região conhecida como Países Baixos. Com os bombardeios, os diques ali construídos arrebentaram, inundando toda a região, que fora um dos mais importantes pólos culturais da humanidade. Eram freqüentes as jornadas até lá, sempre muito recompensadoras.
 
A minha não fora exceção. Abri o pacote que trazia junto ao peito e o estendi para minha mãe. De todos os tesouros que recuperara para o Escudo Azul, nenhum era tão significativo.
 
Ela sorriu ao ler o título: De Optimo Reipublicae Statu deque Nova Insula Utopia. “A utopia” de Tomas Morus, primeira edição de 1516.