Como vocês podem perceber, o post anterior saiu cortado. Eu iria corrigir, mas acho que posso dizer o que faltava nesse post.
Leonardo Simmer fez a gentileza de responder na caixa de comentário do post da Campanha, e eu vou tomar a liberdade de reproduzir o comentário com as minhas colocações, até porque ele faz um esclarecimento que muito vai interessar aos autores do Brasil:
Em nome da Editora Multifoco, venho aqui esclarecer alguns pontos:
-A editora fará todos os lançamentos acordados. Portanto, a segunda coletânea organizada por você também sairá. O que optamos por não fazer foi lançá-las em seqüência, concentrando esforços na venda e divulgação do título “Espelho Irreais”, cuja tiragem tiragem inicial de 30 exemplares ainda não foi esgotada,mesmo com os 10 livros oferecidos de cortesia aos autores.
-Fico feliz em saber que o lançamento de ‘Ficções Virtuais’ está garantido. O email que recebi do editor da Multifoco em relação a isso não foi nesse sentido. Posso ter entendido errado? Talvez, mas acho que houve então uma falha de comunicação. A tiragem inicial acordada verbalmente era de 50 exemplares (a cortesia é garantida em contrato), sendo que ainda não foi esgotada pela chuva torrencial no lançamento carioca e pela demora do livro em entrar no site da editora – o que só aconteceu no minimo duas semanas após o lançamento.
-A editora multifoco paga direitos autorais a todos os seus autores e no caso das coletâneas, aos seus organizadores.
Isso nunca foi posto em questão aqui.
-A editora multifoco tem um modelo diferente de negócio que proporciona muitas oportunidades aos autores, mas tem também suas limitações. Não cobramos dos autores para publicarem, pagamos direitos autorais, fazemos diagramação, arte da capa e oferecemos um espaço (no Rio de Janeiro) para lançamentos e eventos promocionais. Para isso trabalhamos com tiragens entre 30 e 150 exemplares, calculadas com base na expectativa de vendas a curto prazo (lançamento, eventos, aulas, etc) e que é renovada conforme vai havendo demanda. É a eficiência de cada produto (e não a receita absoluta) que garante a empresa a liberdade de investir em mais títulos, dando oportunidades a mais autores. Só colocamos os livros nas principais livrarias do Rio de Janeiro, São Paulo e Recife, depois que eles atingem a marca de 100 exemplares vendidos ou quando há o pedido de alguma livraria.
Foi justamente o perfil diferenciado da editora que atraiu de imediato, me fazendo levar duas antologias executadas com muito carinho e dedicação. Aliás, estou combinando mais eventos no Espaço Multifoco *justamente* para aproveitar esse espaço (não deu pra evitar a repetição) e alavancar a projeção do livro e da editora. Editora, aliás, que eu venho indicando justamente para autores iniciantes com bons trabalhos, que não merecem ser esmagados nas engrenagens das edições on demand, loteadas e etc.
-A Multifoco não vende participação em coletâneas. O que acontece no caso específico do Anthology é que o editor Frodo Oliveira demandou uma quantidade de livros maior do que a multifoco habitualmente faz devido ao grande número de autores e interessados na edição. Para solucionar o impasse, cada autor se comprometeu a consignar (não comprar) 15 livros e tentar vendê-los em um prazo de mais de 30 dias com um desconto de 30% em relação ao preço de capa que proporciona ao autor R$7,50 por livro vendido. Na impossiblidade de vendê-los, os mesmo podem ser devolvidos à editora, sem ônus para o autor, conforme expresso em contrato.
Desculpe, Leonardo, mas acho que houve algum mal-entendido aqui. Como qualquer um pode ver nas comunidades dirigidas ao selo Anthology no orkut, só se o editor fosse visionário. O processo de seleção é aberto – logo podem aparecer 5, 10 ou 2500 autores interessados em participar - e não tem como ele ou qualquer um dos organizadores saber se vão ter 1,5, 10 ou 2500 (quadro ideal!!!) contos bons o suficiente para publicação. O autor já entra na seleção se comprometendo a comprar os livros. No contrato, a questão da devolução sem ônus dos volumes não-vendidos fica relativamente em aberto, já que nada é dito sobre isso – apenas o prazo de 30 dias é citado, além do fato de ser consignação. Isso não é explicado aos autores. Mas acredito sinceramente que os mesmos ficarão satisfeitos em saber que podem devolver os livros não vendidos. ISSO realmente faz alguma diferença e realmente (repetição para dar enfâse) peço desculpas por ter confundido a iniciativa com os abomináveis loteamentos editoriais… Mas isso podia ser melhor explicado, né?
-O resultado econômico do livro é importante para a Multifoco. Trabalhamos com cultura, mas como qualquer empresa, precisamos do lucro para justificar e possibilitar novos investimentos, não só em outros títulos como na própria edição: distribuição, assessoria de imprensa e outros serviços que só podemos oferecer aos livros com bons resultados em relação a tiragem inicial.
Outro ponto que jamais foi questionado. Aliás, eu quero deixar claro que não acusei a editora de absolutamente nada – nem a condenei ao fogo do inferno. Apenas afirmei estar preocupada com a reticência sobre a minha outra antologia e com a possibilidade da Multifoco estar desvirtuando-se da sua excelente proposta original para enveredar nos meandros obscuros da especulação literario-imobiliária. É um alívio saber que foi tudo um mal-entendido, então.
- Para atender ao grande volume de autores que nos procuram, a Multifoco tem uma série de editores parceiros. Esse editores coordenam selos com temas específicos (entre eles ficção científica e fantasia) e são responsáveis pela seleção dos textos / autores para seus respectivos, fazendo isto com autonomia em relação a empresa. Frodo Oliveira é um dos nossos editores e tem feito um excelente trabalho a frente da Anthology. É uma estrutura descentralizada que pretende dar espaço a diversidade da literatura brasileira sem perder o valor do trabalho editorial a que a Ana Cristina se refere.
Cada um com sua opinião, Leonardo. Eu achei a Solarium muito fraca mesmo. Muito aquém do que poderia ser feito com a quantidade de bons autores novos que vem surgindo por aí e que podem ter ficado intimidados com a impressão de que os livros tem que ser vendidos e pagos a Multifoco em 30 dias. Quando fui insistentemente chamada para participar de uma das antologias do selo – apesar de ter avisado a organização que não acreditava nesse tipo de edição – esse ponto não foi colocado. Pelo menos dois bons autores que conheço declinaram por causa disso. Soubessem eles – ou eu – que a devolução integral ou parcial dos exemplares pegos em consignação era possível, acredito que eles teriam tentado participar. Quem sabe agora, com a divulgação desse importante ponto, a quantidade de autores dispostos vai ser muito maior.
- Portanto, vale a pena dizer que a Multifoco também está plenamente satisfeita com a qualidades dos textos da Fábrica do Sonhos e pretendemos inclusive transformá-la em um selo independente, lançando outros coletâneas e livros individuais dos talentos da literatura brasileira de fantasia.
Conversemos sobre isso… Afinal, encaixa direitinho nos meus planos de dominação mundial e extinção dos ácaros.:)
Coloco-me a disposição de todos para esclarecimentos.
E quem quiser, pode ir alugar o Leonardo no Espaço Multifoco. Boas cervejas e petiscos a um preço honesto, com música ao vivo. Av. Mem de Sá, 126 – Lapa.
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Então:
- Não é por isso que vamos deixar de divulgar a campanha. Vou alterar o texto do post – mantendo as minhas convicções e opiniões – para refletir o novo status quo.
- Continuo achando que loteamento literário é algo oportunista e que pouco auxilia o escritor. A grande diferença que vejo entre o selo da Multifoco e essa prática é a possibilidade de findos os 30 dias o escritor poder devolver os livros não vendidos. Isso realmente é um diferencial, parabenizo a Multifoco, mas chamo a atenção para o fato de que isso não está claro nos contratos do selo e sequer é deixado claro pelos organizadores. Os autores participantes devem ser informados disso com urgência – muitos ignoram o fato.
- Eu iria declinar do convite – insistente – para participar de uma dessas antologias da Multifoco, por discordar desse compromisso de ter que pagar para publicar, mesmo tendo sido liberada do pagamento. Tanto que estava com o email no rascunho, criando coragem para dizer para a organizadora que me fez o convite, apesar das minhas muitas negativas - uma pessoa esforçada, com muitos méritos e que acabou se enrolando na empolgação do seu primeiro trabalho como editora, prometendo mais do que podia - que não ia mais participar. Agora, sabendo que o que a Multifoco faz é pedir aos autores uma ajuda na venda e divulgação, sem que haja comprometimento de dinheiro nisso, fico até feliz em participar. Mesmo.:)