Lançamento Paulista de AnaCrônicas

Março 12, 2009

gentleman-coelhoDepois dos cariocas terem adquirido seu exemplar do coelho-valete, é a vez dos paulistas!!!!

Dia 21, a partir das 16hs, começando com um bate-papo sobre Fantasia, FC e otras cosas más com Fábio Fernandes. Vai ser na Cultura do Market Place. Livro a R$ 23,00 .

 

(O coelho-valete, que já é um hit, ganha cada vez mais fãs. O que ilustra esse post foi mandado pelo Luiz Pires do Fabulário. Brigadinha, Luiz!!)


Oráculo – (Cannee, a profetisa, pt. I)

Março 9, 2009

 

Lanço as pedrinhas no chão da minha cabana. Caprichosas, continuam a não dizer o que eu quero saber. Parecem debochar de mim.

Lá fora, a chuva continua a cair.

Kalenna entra, esbaforida.

“É hora, irmã, você tem a resposta?”

Não preciso responder, pois meu desespero é transparente. A caçula da família abaixa os olhos e eu sei que tenta conter as lágrimas.Para evitar que ela se humilhe ainda mais, viro as costas e começo a entoar um cântico. Escuto Kalenna sair da cabana e me visto, devagar, sempre cantando. É a hora.

Prendo o colar azul, herança de nossa mãe. Pinto a pelagem ao redor dos olhos em um tom dourado, a cor da morte. Finalmente respiro fundo e saio. O ar frio é um golpe na minha pele, mas me mantenho firme. Parados ao redor da fogueira tribal estão os Senhores do Céu, aqueles que nasceram com asas. O líder deles me encara, um sorriso no seu rosto de águia.

“Como é feito há séculos e milênios, viemos buscar a resposta à nossa pergunta, Profetisa. É quarta noite do plenilúnio, então diga: qual dos filhos de Margoth irá sucede-la?”

Eu não posso mentir. A mesma força que me orienta nas profecias impede que diga qualquer coisa além da mais pura verdade. Tento não tremer tanto e digo.

“A resposta não foi concedida.”

Os homens-águia se enfurecem. Escuto seus guinchos encherem o ar enquanto o líder deles, em silêncio, apenas me encara sorrindo.

“Vocês, povo-macaco, vivem nas bordas do nosso território apenas por nossa bondade. Somos generosos, damos todas as facilidades que podem precisar… e só pedimos uma pequena retribuição anual.”

Mordo os lábios, sem me importar com a dor que os dentes afiados causam. Minha mãe morreu jovem demais, sem ter tido tempo para me ensinar todos os caminhos. E na primeira vez que meus poderes foram necessários, eu falhara vergonhosamente. Meu povo não me encara, porém vejo o tremor em seus corpos. Eles tem medo – e eu também.

“Profetisa, sabe qual o preço do seu fracasso?”

Sei, mas prefiro ficar em silêncio. Quem sabe os deuses dêem algum sinal. O homem-águia sai da sua posição e anda pela aldeia, encarando o meu povo.

“O preço é sangue, sangue do povo-macado.”

Ele para na frente de Kallenna, minha irmã. Tenho que fazer algo, preciso… Ele é rápido demais, um predador nato. Com as garras, arranca o coração de minha irmã. Os olhos de Mallenna arregalam-se de susto e o corpo cai, pesado, aos pés de seu assassino. O sangue mancha o chão em padrões estranhos e eu olho, hipnotizada.

E finalmente, os deuses falam. A profecia vem, com força, me arrastando em seu turbilhão de imagens. Rosno, os dentes a mostra.

“Tenho agora a sua resposta. Nenhum dos filhos de Margoth irá reinar, porque o povo-macaco irá matá-los…”

Pulo no pescoço do homem-águia, que não esperava um ataque. Meu povo ataca os demais, ferozes e sem temor pois confiam em minhas palavras.

Somos muitos. O sangue das aves é doce e eu urro de prazer com a vingança conseguida. Não me importo se amanhã os demais virão para acabar conosco – e eu sei que eles virão. No momento, só me importa o presente.


Finalmente, uma autora publicada em papel…

Março 9, 2009

O que para muita gente por aí deve significar que finalmente sou ‘escritora’. Desculpem se sou um pouco blasé, mas digo que na verdade só transpus uma barreira e alcancei uma nova mídia/forma de expressão.

Ei, não entendam mal! Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida, não só pelo livro em si – que está lindo, lindo, lindo, uma obra de arte – mas pelo carinho de todos. Principalmente do meu marido, querido e amado, que é o grande responsável pelo livro. Literalmente e em todos os sentidos, já que ele diagramou, fez a capa, ilustrou,  ainda foi na editora buscar e entregou na livraria – uma saga quase tão épica quanto a de meus marinheiros indo ao Finisterra, acreditem.

O evento em si foi ótimo. Cheguei às 17:00 – o evento, para mim, estava marcado para as 17:30 – acompanhada de Estevão, Miguel e meus pais. Minhas irmãs, infelizmente não puderam ir, mas ligaram para saber como tinha sido. Surpresa agradável: três amigos da UFF  - Marcão, Adriano Gaucho Comissoli e Berthier Jr – já estavam por lá. A desagradável: a livraria marcou para 18:30.

Hora de respirar fundo e ver o que se podia fazer. Como todos na Leonardo da Vinci são muito solicitos, tudo se resolveu. A mesa foi armada e tudo preparado. Agora, era só começar a assinar os livros – algo que fiz praticamente direto das 18:00 até às 20:00, com poucas pausas.

Meus pais, confessaram depois, estavam preocupados com a possibilidade de não aparecer quase ninguém. Para a nossa felicidade, não tinha motivo para preocupação. Muita gente bacana apareceu por lá. O primeiro autográfo foi para a Cris, minha irmã-hobbit de copo que se arriscou a estrear minha veia de assinaturas/dedicatórias. Espero que ela tenha gostado.

Seguiu-se muitos amigos e colegas… e até mesmo alguns dos meus ídolos-exemplos. Para terem ideia, Braulio Tavares foi um dos primeiros a chegar (e um dos últimos a sair na bebemoração), Gerson Lodi-Ribeiro passou lá antes de ir a faculdade de enologia e voltou para comemorar… Meus queridos globais, Max Mallmann e Lucio Manfredi também foram, assim como meu colega de chapa do CLFC, Eduardo Torres. O pessoal da comunidade ‘Ficção Científica’ esteve lá em peso: Jorge Pereira, Luiz Felipe Vasquez, Ricardo França, Belly e Luana, Lupo, Marcel, Jaqueline, Henrique… Alexandre Lancaster, parceiro eremita em um bocado de projetos, esteve lá (e ficou na comemoração), assim como o Marco Bourguignon, editor da Scarium, que deu uma passadinha por lá, mas não pode ficar. O grande Patati foi, mas não levou suas meninas, impedindo que começassemos a tramar o enlace futuro dos herdeiros das nossas dívidas. A ‘Escritores de Fantasia’ esteve representada por Maykon, Daniel, Heitor e pelo Gerson Couto (‘Eu sou Porto da Pedra…’). O Cyro e o Pedro, da ‘OotS’ apareceram, compraram, já leram e GOSTARAM (perdi)! Reencontrei o Marcelo Di Celio, companheiro de PBEM’s e o queridíssimo Cal, que confirmou: dia 14 de março é dia de falar sobre literatura e paganismo no ESP Niterói. Meus colegas de trabalho também apareceram, como a Cristina e o Iuri – que descobriu no dia anterior que eu escrevia! – assim como a minha chefa linda-adorável-fofa, Dulce.

(Acho que falei todo mundo… se esqueci, gritem que eu acerto – o dia foi muito cheio de emoções!)

A pessoa que mais se divertiu foi, com certeza, Miguel. Ele teve que sair cedo, mas adorou ver a fila imensa que se formou, ajudou a entregar os livros com a dedicatória, correu de um lado pro outro. Difícil saber quem estava mais orgulhoso, ele ou meu pai, meu querido salazarista de estimação.

Depois das 20:00, fomos – claaaaaaaaaro! – comemorar! Gerson voltou a se juntar ao grupo, assim como Octavio Aragão, que não conseguiu ir na livraria mas fez questão de aparecer por lá. Aí, foi aquele bom bate-papo de sempre, com muitos assuntos e risadas.

Quero agradecer MUITO a quem compareceu, a quem não foi mas deu AQUELA força, por email, por comentário, por scrap, etc… E claro, pro pessoal que tá tentando morder o próprio cotovelo de inveja/ciume/raivinha. ;)

Depois, ponho as fotos, aqui e no orkut.

Lembrando: dia 14 de março, tem ESP Niterói comigo falando do livro.