Retrospectiva livros de 2008 – II

Dezembro 3, 2008

Continuando a série e pedindo desculpas pelo PÉSSIMO post de ontem, repleto de repetições, erros, etc… Não vou ficar corrigindo, senão o ânimo acaba e não posto.

Voltando a vaca fria, hoje vou falar do melhor livro brasileiro do ano para mim. E não, não tem nada a ver com os muitos livros de FC e Fantasia lançados. Desses alguns foram bons, alguns pretensiosos demais, a maioria razoaveis. Mas a todos faltou… Alma. E alma não falta no primeiro romance da Fal Azevedo. Apesar de ser o primeiro romance, isso não quer dizer que a Fal seja principiante nesse negócio de escrever. Tem anos de estrada no seu blog, o maravilhoso Drops da Fal! além de dois ótimos livros de contos/crônicas, Crônicas de Quase Amor e O Nome da Cousa.

Em Minusculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite, acompanhamos a dolorida trajetória de Alma (é, lá em cima eu fiz um trocadilho, me processem) entre altos e baixos, recomeçando longe da cidade. A história flui, reflui, vai e volta com delicadeza, nos envolvendo nos fluxos da vida de alguém que já perdeu tanto e mesmo assim ainda tem muito para mostrar.

A trama envolve, os problemas de Alma sendo apresentados de forma não linear, indo e vindo de acordo com as lembranças dela. O mais interessante é que a narração partida, contando de forma pulada três ou quatro episódios por capitulo fecha bem, sem deixar o livro confuso ou chato.

Um dos baratos do livro é percveber os truques de construção coletiva. Os emails e as receitas que Alma cita são verdadeiros, parte das correspondências secretas que Fal recebe, na corrente humana e de amizades que se formou em torno de seu blog. Talvez seja isso, junto com o talento e o carisma humano da própria Fal, que torne esse pequeno romance tão cheio de vida. Mesmo que Alma pareça desesperançada e descrente, há força e vida em torno dela.

Sinceramente, essa qualidades ainda faltam na nossa literatura especulativa para que ela se torne tão humana quanto esse pequeno e maravilhoso livrinho.


Retrospectiva livros de 2008 – I

Dezembro 2, 2008

Então.

Mestre Fábio Fernandes deu a deixa e eu preferi elaborar. Mas assim, começar um round-robin de ‘Ô, li 259 livros esse ano’ é meio chato, eu sou péssima pra listas e tal.

Vamos tentar – eu disse TENTAR – postar uma mini-resenha de um ou mais livros lidos nesse ano de 2008.

Comecemos por ums que terminei faz pouco tempo.

Orphans of Chaos de John C. Wright foi lançado em 2005 e disponibilizado gratuitamente pela Tor em formato digital no ‘ebook stravaganza’ que antecedeu o lançamento do portal (que é algo wunderbar). O livro, o primeiro da trilogia Chronicles of Chaos, parece ser mais uma fantasia de orfãos que procuram saber mais sobre suas origens.

[Spoilers mais a frente...]

 

[Eu avisei...]

O tchan da história são justamente essas origens. Amelia, Victor, Vanity, Colin e Quentin não são apenas pequenos órfãos, mas reféns em uma guerra antiga e feroz entre os Titãs e Olimpianos – eles são filhos de titãs, ou Saturnianos. Sim, o contexto que envolve a história envolve os mitos gregos clássicos (temperados aqui e ali com outras visões como a romana e a germânica). Embora as cinco crianças não sejam personagens centrais na mitologia, vários deuses aparecem, como Afrodite, Ares, Boreas, Hermes, Hefesto, além das raças mágicas, como sereias, ciclopes…

A história segue o rumo mais óbvio, que é o caminho que eles percorrem para descobrir sobre suas origens e como isso afeta a vida que tem. Por mais estranho que o orfanato aparentasse ser, com apenas cinco crianças impedidas de ter contato pleno com o mundo exterior, nada os preparou para estar no meio de uma trama envolvendo forças cósmicas – literalmente, já que alguns dos envolvidos moram fora da Terra.

Um dos pontos altos é que se a história aparenta ser de Fantasia num primeiro olhar, aos poucos vai misturando elementos de FC, como o conceito de múltiplas dimensões.  Um dos personagens tem a capacidade de operar na 4a dimensão e Wright constroe essa possibilidade de forma verossimel. Poucas vezes li uma explicação ficcional sobre esse paralelismo dimensional tão convincente – e coerente com o próprio universo narrativo. A própria lógica dos poderes de cada um dos personagens é algo bem tratado, já que são vistos como paradigmas: se o personagem vê o mundo de certa forma, ele responderá assim.

O autor também sabe como lidar com seus personagens. Orfãos ou não, titânicos ou humanos, mesmo sendo super-poderosos – que vão descobrir no decorrer do livro – as crianças são exatamente isso: crianças, passando pela díficil fase de crescimento que é o início da puberdade. Se os ‘ajudantes dos antagonistas’  (não são exatamente vilões) são meio caricatos, os seus chefes compensam – mesmo aparecendo pouco nesse primeiro livro.

Apesar do final ser frustrante, o ebook cumpriu sua missão e estou encomendando o segundo volume.