-Explica de novo porque procuramos os responsáveis pelo papiro nos bares?
Com um gesto impaciente, apagou o cigarro antes de responder.
-Tudo o que o bispo nos disse é que o PERGAMINHO foi encontrado nos bolsos de um bêbado, que teve uma síncope na frente de uma delegacia. O histórico dele na Polícia é de ser um ladrão barato de bares.
A explicação não satisfez o monge, que continuou com a cara fechada. Cris deu um muxoxo e entrou no bar. A atmosfera era pesada, olhos direcionados para os estranhos. Vestidos de negro, capas escondendo armas, como anjos belos, e ao mesmo tempo malditos.
A moça aproximou-se do balcão. Pediu uma coca, enquanto o seu acompanhante bebeu água. Em um quarto de hora, todos os freqüentadores do bar rodeavam os agentes da Igreja. Um deles falou, a face retorcida.
-Vocês não são bem-vindos aqui, caça-bruxas miseráveis.
Sem interromper-se, Cris apenas o olhou. Terminou a cerveja, limpou a boca.
-Você está enganado, cara. Não somos caça-bruxas.
Uma gargalhada rouca ecoou.
-Eu vivo fugindo de gente da sua laia há séculos, idiota…Acha que pode me enganar?
Um gesto ágil, a mulher sacou uma arma. Atirou antes que qualquer um pudesse fazer algo.
-Eu caço vampiros, seu imbecil. – o corpo do seu interlocutor estava no chão, uma estaca fina de madeira atravessada no seu coração. – E você pode estar fugindo há séculos, mas não conhecia esse lança-estacas de bolso.
Todos no bar transfiguraram-se. Alguns eram chupadores de sangues. Outros, ela não conseguiu identificar. Talvez algum inocente estivesse perdido ali. Nenhum dos dois caçadores importou-se com isso. Gab usou sua espada para decepar dois, e com rituais mágicos explodiu mais três. Cris mirou sua arma com precisão.
Em pouco tempo, só restavam eles e o barman. Este não se movera durante a briga. Gab falou.
-E você?
-Sou apenas o barman.
-Conhece isso aqui?
Mostrou o pergaminho. Ele assentiu.
-Sim, conheço. O dono é um feiticeiro vodu que costumava aparecer por aqui, mas sumiu. Este é o endereço dele. – anotou em um guardanapo.
Na porta do bar, Cris tirou uma granada explosiva e arremessou para dentro do ambiente.
-Cris…eles podiam ser inocentes…
-Não são. Foram feitos apenas para sentir prazer.
-Será que não podíamos ao menos poupar o barman?
-Sem testemunhas, Gab. Você sabe disso. O fogo purifica…
-Mas isso é mal.
-Às vezes, algum bem sai do mal. Bem-vindo ao lado escuro do Paraíso.
E seguiram até o carro, iluminados pelas chamas do bar. Anjos da Igreja, caçadores de vampiros, feitos de carne e pecados a serem expiados pela missão sagrada.
O mal que vem da vontade de fazer o bem.
Escrito por talkativebookworm 
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