Ano do Dragão – e do dragonete

Ano do Dragão – e do dragonete

Bem, como todos já devem saber, 2012 é o Ano do Dragão – oficialmente iniciado neste último final de semana. Para comemorar, tem duas postagens especiais.  Uma vai sair no Cidade Phantástica – sobre essa, vou fazer suspense. A daqui é o começo de um conto, que se tudo der certo sai esse ano. Aos poucos, vocês começam a desvendar Finisterra.

 

A criança corria pelo bosque, sem se preocupar se o seu acompanhante conseguia acompanha-la.  Pisava em folhas e levantava as sementes de dentes-de-leão pelo ar, rindo alto. Era o primeiro dia de Primavera para a jovem herdeira da Borgonha, o primeiro em que finalmente tinha tido autorização de seu pai para percorrer o bosque atrás do palácio de Dijon.

La Marche ofegava atrás de Mairiam. Apesar de ainda não ser tão velho, o maitre d’hôtel – um cargo que misturava o de mordomo, cronista e naquele momento, babá – era adepto de uma vida tranquila, lendo e escrevendo na frente da lareira, organizando as imensas festas do dux da Burgúndia e o acompanhando em viagens curtas. Claro que nem sempre a vida podia ser tão tranquila.

- Mairiam, criança, não corra tanto que não consigo acompanha-la!

Ela riu, já muito a frente.

- Ai, oncle, como você é devagar! Eu lhe espero na fonte!

E sem esperar resposta, simplesmente disparou na frente. Conformado, La Marche se pôs a segui-la. Não havia mesmo muito perigo. O maior inimigo do dux, o rei-mago de Lútecia, havia assinado um tratado de paz com a Burgúndia no começo do Inverno. Os outros, pois haviam muitos, não se atreveriam a ameaçar a família ducal em seu próprio domínio. E as criaturas mágicas da região adoravam Mairiam como se fosse uma delas, o que muito preocupava o maitre d´hotel. A menina de seis anos era chamada de princesa e reverenciada como uma.

- Bom dia, Olivier.

A voz fina vinha de cima, de um galho de árvore.

- Bom dia, Flor-de-Lis – a ninfa saltou para o chão com graça. Como o dux saudava os deuses dos latinos, seus bosques e terrenos eram povoados por ninfas, sátiros, faunos e centauros, enquanto nos bosques do rei-mago residiam fadas e seres correlatos a  Cernnunos e sua corte. – É bom vê-la depois do inverno.

- Igualmente – a criaturinha tinha dois palmos de altura, pele muito branca e cabelos dourados. Usava um lírio como vestido e sorria mostrando os dentes afiados. – A jovem princesa está muito bem, pelo que vi.

- Ah sim, ela é incansável.

A troca de gentileza intrigou La Marche que estava acostumado aos modos fugidios e até mesmo rudes.

- Aconteceu algo durante o inverno?

- Não, foi uma estação tranquila. Mas faz duas noites que eu tenho sentido uma presença estranha entre as árvores. As outras ninfas também sentiram, mas como os Grandes ainda não despertaram não houve muito o que fazer.

Os Grandes eram as criaturas com o mesmo tamanho, ou maiores no caso de centauros, que os humanos. Eles serviam como guardiões do bosque, vigiando suas fronteiras e avisando de qualquer perigo. Porém, durante o inverno eles iam para florestas mais profundas e adormeciam, só despertando na primavera. Dos seres que percorriam aquelas terras durante o inverno, La Marche pouco sabia, pois o dux não deixava que nenhum dos seus servidores entrasse no bosque durante o tempo frio. E o maitre d’hotel se importava muito pouco com essa proibição.

- Ficarei atento e avisarei ao dux, Flor-de-Lis. Obrigado…

Quando ia terminar a frase, foi interrompido por um grito. A voz era tão familiar que seu sangue gelou imediatamente.

- Socorro! Oncle, oncle!

A ninfa arregalou os olhos e La Marche correu. Esqueceu do cansaço, das pernas doloridas de tentar acompanhar a menina … esqueceu de si mesmo e correu. Mairiam era sua responsabilidade, a filha de seu senhor e a herdeira de grande poder. Mas era também a menina que ele ninava todas as noites, que pedia histórias nas longas e escuras tardes de inverno e que lhe trazia uma coroa com as primeiras flores de primavera. Era parte de seu coração.

Chegou completamente sem fôlego à fonte em que Mairiam deveria estar. Era uma clareira grande, com um banco de pedra, pequenos canteiros que começavam a florir e uma fonte de onde saía água direto de uma nascente. O bisavô do dux tinha ajeitado aquele recanto para poder fugir de suas obrigações e descansar.

Em um primeiro momento, não viu Mariam. Procurou novamente e encontrou a menina encolhida atrás do banco de pedra.

- Mairiam!

- Oncle, cuidado!

O aviso veio tarde e La Marche foi derrubado por uma criatura de escamas roxas, do tamanho de um sabujo. Preso debaixo das patas da criatura, ele não conseguia distinguir direito o que era. Mas sabia que Mairiam agora tinha uma chance.

- Fuja, menina! Corra!

A menina ainda não tinha se decidido a correr quando a criatura abriu a boca, cheia de dentes afiados. La Marche sentiu que tinha chegado a sua hora e encomendou sua alma aos deuses. Fechou os olhos, esperando a mordida…

E sentiu uma língua áspera de réptil em suas bochechas.

A criatura estava lambendo seu rosto!

Mairiam se aproximou cautelosa.

- Ah, oncle, é um dragãozinho!

Ao ouvir a voz da menina, o réptil saiu de cima do maitre d´hotel e foi até ela, parecendo muito satisfeito em conhecê-la. La Marche ergueu-se, verificando que não havia ferimentos muito profundos. Respirou aliviado e analisou o animal a sua frente.

Era um pouco maior que um sabujo e tinha o rosto alongado de um dragão, porém La Marche jamais ouvira falar em um dragão roxo. As asas, abertas para se exibir para Mairiam, eram grandes demais em relação ao corpo. Mas foi a ausência de uma cauda que o identificou.

- Não é um dragãozinho, Mairiam. É um dragonete, uma criatura criada à imagem de um dragão por magia.

A criação de dragonetes era proibida por serem criaturas instáveis, mas inteligentes como dragões. Alguém tinha desobedecido a lei e precisava ser encontrado. Quem sabe o que mais poderia estar criando escondido?

- Podemos ficar com ele?

- Não, Mairiam. São animais perigosos. Seu pai provavelmente vai sacrificá-lo!

A menina deu um grito de horror.

- Non! Papa não vai matar o meu Imagus!

- Imagus?

- Sim! Ele não é a imagem de um dragão? Pois bem, é o meu Imagus e pronto!

La Marche sentia uma dor de cabeça vindo. Tão grande que nem corrigiu o latim incorreto da menina, afinal deveria ser ‘Imago’. Mas a discussão entre pai e filha que se avizinhava era muito maior do que um reforço nas lições de Mairiam.

- Então vamos voltar, menina. Seu pai é quem vai decidir.

E seguiram os três. Imagus muito feliz entre os dois, Mairiam já colocando o queixo para frente, preparada para enfrentar o pai. E La Marche sentia o peso de um dragão sobre seus ombros cansados.

 

Uma nota: O núcleo principal dos livros de Finisterra é a corte portuguesa – Rui de Pina, Pero Vaz de Caminha, Dom Roderico de Barcelona, Dom Manuel. Mas há um outro núcleo que aparece aqui e ali, entremeado na trama, o do ducado da Burgúndia, liderado pelo dux Carlos, apoiado por seu fiel Olivier de La Marche e contando com a figura da Arquimaga Mairiam e seu animalzinho de estimação. Ele tornou-se um dos personagens mais carismáticos para quem chegou a ler um pedacinho de Finisterra e por isso resolvi que ia desenvolver melhor suas histórias… ;)

 

 

Um conto com outro nome ainda seria o mesmo conto?

Um conto com outro nome ainda seria o mesmo conto?

Sempre que me ponho a pensar na parte que eu menos gosto em ser escritora, chego a conclusão que cada vez me sinto mais agoniada em dar títulos aos meus contos.

(Os meus wannabe romances até se saem bem nesse quesito, nem que seja com o meu uso descarado do latim)

O que é o título? Um resumo? Um slogan? Uma amostra do que irá ser encontrado naquelas poucas mil palavras? Um chamariz para trazer o leitor àquela história, dentre todas as outras do livro/revista/web?

Sim, porque tem isso ainda. O título é o primeiro contato que o leitor vai ter com o seu texto. Num livro ou revista, isso pode significar apenas que o seu conto vai ficar para depois. Mas… e quando você depende dele para agarrar o leitor pela gola? No caso de um conto publicado online, por exemplo, ou do livro exposto na livraria. Imaginem: a capa mais bacana do mundo com um título simplesmente repulsivo…

O problema é que eu geralmente me concentro na história que tenho que contar, nos seus personagens, na trama, no estilo. Se o título não surge junto com o conto, ao final tenho que pensar em algo – e é muito complicado.

Por muito e muito tempo, fui adepta de três formulas: “substantivo + adjetivo” (ou ‘como dar título a um filme iraniano’, válido na forma inversa), “O ‘x’ do ‘y’” e ” ‘Alguém’ e ‘outro alguém/coisa’ “. Tomei como desafio pessoal mudar um pouco essa linha. Desde o final de 2010, busquei dar títulos mais diversificados e até que tenho conseguido, como ‘Canção para duas vozes’, ‘Aquele que vendia vidas’ e ‘O longo caminho de volta’. Ok, às vezes dá preguiça e eu uso o nome do protagonista do conto, como foi o caso de ‘Cartouche’, mas aos poucos tenho melhorado.

Ainda não cheguei no nível de um Harlan Ellison – ‘Repent, Harlequin!’ Said the Ticktockman, de um P. K. Dick - Flow My Tears, The Policeman Said, só para dar um exemplo – ou mesmo do meu chapa Jacques Barcia, com seu Uma vida possível atrás das barricadas ou o meu preferido, The Greenman Watches The Black Bar Go Up, Up, Up. Mas quando sair um Anacrônicas 3, quem sabe os títulos não chamem mais atenção?

 

#SextaFeiraNegraLiteraria

#SextaFeiraNegraLiteraria

Vamos fazer promoção? Vamos!!!

Para acabar a edição de AnaCrônicas 1, o meu livro de contos está saindo a R$ 12,00. Já ‘Enquanto ele estava morto’, do meu Estevão Ribeiro, está saindo a R$ 10,00

Para quem não pode ir à Primavera dos Livros, vou fazer ‘As cidades indizíveis’, coletânea de Ficções Urbanas da Llyr Editorial, por R$ 25,00 e O Livro dos Gatos – o primeiro livro infantil do Estevão – a R$ 20,00.  E para os amantes de quadrinhos, ‘Pequenos Heróis’ a R$ 25,00 – tudo autografado.

E encontrei aqui uns exemplares de Paradigmas 1, antologia da Tarja Editorial, que vai sair a  R$ 10,00.

Formas de pagamento: depósito bancário no Banco do Brasil, Caixa Econômica e Bradesco. Entre em contato pelo email anacrisrodrigues@gmail.com para tratarmos de negócios!

— A promoção vai valer até segunda-feira, dia 28 – o envio será feito na quarta, dia 30.

Adeus, Senhora dos Dragões

Adeus, Senhora dos Dragões

Hear, hear. It’s the sound of dragons’ tears.

Behold, behold, as dragons’ wings unfold.

Pray, pray. The Dragon Lady has flown away.

 

Acho que todo mundo tem seus velhos favoritos. Aqueles livros que leu na adolescência e vez por outra relê. Para boa parte do mundo nerd, é ‘Senhor dos Anéis’ (do mundo nerd da minha geração, pelo menos).  Nada contra quem gosta de revisitar a Terra Média.

Eu tenho outros lugares a visitar.

Sempre funcionei de forma estranha. Os livros novos, nunca lidos antes, eram absorvidos durante o período de aulas. De março a novembro, desde os 13 anos, pegava os livros novos, empilhava do lado da minha cama – para desespero de mamãe – e ia devorando-os,  um a um.

Chegava dezembro, a pilha era dividida entre os lidos, que iam para o armário-estante, e os não-lidos, que continuavam do lado da cama. Porém, não seriam mais devorados, não até março chegar.

Nos meses quentes de verão, entre cinema, pátio, shopping, praia, Campo de São Bento, eu me enfiava debaixo do ventilador, pegava uma caixa especial (um  engradado de plástico que surgiu no meu quarto um dia), tirava a toalha que a cobria e encarava meu tesouro.  Uma edição megassurrada de ‘Duna’, uma adaptação da Abril Cultural para ‘Os três mosqueteiros’, a edição da Imago para ‘A dama do falcão’, minha cópia de ‘Ivanhoé’, em capa dura – provavelmente do Círculo do Livro e já sem a contracapa. Meus lugares de verão eram Arrakis, a França de Dumas Pére, Darkover e a Inglaterra de Sir Walter Scott.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fico devendo a capa da minha edição de ‘Ivanhoé’, não achei na web, só de outras edições.

Esses livros foram devidamente recolhidos de meus pais (Os Três Mosqueteiros),  presentes de parentes mais abastados, que assinavam o Círculo do Livro e me passavam os livros que não gostavam (Ivanhoé), compras em sebos de uma guria que ganhava meia metade de um salário para trabalhar 4 tardes por semana numa padaria (na verdade, ‘Duna’ e ‘A dama do falcão’ eu li primeiro em cópias surradas de uma locadora de livros, depois os encontrei em sebos).

Uma tarde de verão, meus quatro favoritos terminados, amigos ocupados… Resolvi visitar o único sebo em que eu conseguia vez por outra encontrar algo diferente das edições paradidáticas de Machado e Alencar. Nessa visita, voltei com dois tesouros. Um era o exemplar mais batido e maltratado de ‘O hobbit’ que jamais vi, com uma mancha rosa de hidrocor e faltando um pedaço da capa. Era da Europa-América, pois ainda faltava um ano para a Martins Fontes trazer Tolkien para o Brasil. O outro…

Meu inglês nem perto, nem de muito longe, era o que é hoje. Mal e mal conseguia jogar meus RPGs no SNES e olhe lá – o RPG de mesa ainda não me encontrara, mas isso viria em breve. Naquela época, havia poucas informações sobre literatura fantástica. Por algum tempo tivemos a Isaac Asimov Magazine nas bancas, mas em Niterói era utopia. Diziam sussurros em becos que até havia um clube de leitores desse tipo de coisa, mas pra mim, era mito.

Encontrar um livro desses só por puro acaso. E eram 3 (todos com as capas iguais, que os gajos da Argonauta não estavam ali para perder tempo com essas frescuras), com um dragão na capa. Escritos por uma mulher, como a Marion! E não era Fantasia, os dragões estavam em outro planeta. Como Darkover!

Eu sabia que aquilo ia me deixar dura até o fim das férias, mas poxa. Um dragão. Um planeta CHEIO de dragões.

Desde aquele verão, Pern juntou-se aos meus demais destinos de férias. Um mundo sob constante ameaça cósmica e dragões como sua última linha de defesa. Personagens complexos e cativantes, uma escrita atraente – mesmo com a tradução da Argonauta atrapalhando. Aprendi inglês e fui atrás de outros livros – comprei muitos, outros acabei pegando emprestado. Mas li muita coisa de Anne McCaffrey.

 

No twitter hoje recebi a notícia da sua morte, aos 85 anos. Acho que só me senti tão órfã literariamente quando soube da morte da Marion Zimmer Bradley.

Enquanto dragões continuarem a fascinar o nosso mundo, seus livros, sua escrita, sua alma continuaram a viver entre nós.

Aquela esquina – o que se perde e o que se ganha.

Aquela esquina – o que se perde e o que se ganha.

Papai tinha uma padaria em Icaraí. Na verdade, ele teve duas no bairro, no espaço de duas décadas. Antes disso, ele trabalhou em outra por dez anos. Faça as contas: eu tenho 33 quando escrevo essa tentativa de crônica, então isso significa que a maior parte da minha vida foi dentro de um lugar que vende pão. Fato que obviamente explica a minha silhueta que sempre tendeu pro rechonchudo, mas que também me ajudou a ter uma relação muito forte com o bairro.

Não sei como era no resto do país, porém em Niterói padarias eram até o final da década de 1990 negócios majoritariamente familiares, firmemente ligados à colônia portuguesa e que serviam como ponto de encontro de vizinhos e amigos. Não foram poucas as vezes que minha mãe serviu de conselheira e psicóloga, enxugando lágrimas de esposas traídas, porteiros demitidos. Assim como não foram poucas as pessoas que ela acompanhou da infância à idade adulta, seus sobrinhos que iam comprar balas – e sempre levavam uma quantia muito maior do que a teoricamente compravam – e que anos depois iam levar seus filhos para fazer a mesma coisa. Papai se tornou uma figura conhecida, quase uma lenda urbana. Seus chistes e manias eram conhecidos pela cidade e ter trabalhado com seu Leopoldo era referência suficiente para ser contratado.

Padarias, para mim, sempre foram refúgios. Primeiro, o cheiro. O cheiro interno de uma padaria tinha um quê de azedo, por causa do fermento e da farinha, matérias-primas de 95% do que é feito lá. Já o cheiro do salão de vendas era bem distinto. Uma mistura de pão quente, mortadela sendo cortada, bolo de aipim com coco e salgados recém-fritos que aos finais de semana tinha a adição do frango assado. Existe algo mais cheiroso que frango assado de padaria? O tempero dos frangos foi, até o amargo fim, receita de mamãe, levando orégano, vinho branco, azeite, louro e outras especiarias, preparado por um português tramontano que em sua terra guardava cabras.

Amargo fim?

Três anos atrás, a esquina que a padaria de papai – uma casa com oitenta anos de atividade, comprada de um conterrâneo dele – ocupava foi vendida a uma empreiteira. Negociações e acertos feitos, em pouco menos de seis meses o prédio foi ao chão e a esquina de ponto de encontro virou um canteiro de obras. Na verdade, um fim anunciado. Mercados em todos os seus tamanhos e tipos – super, hiper, extra, mega, ultra – vem aos poucos acabando com o tipo de negócio que o meu pai sabia fazer. Nos poucos espaços que essas grandes multinacionais vem deixando, quase não há espaço para estabelecimentos em que o dono toma cafezinho com o freguês – papai sempre ressaltou que padarias não tem clientes – enquanto discutem o técnico do Vasco. Aos poucos, padarias de esquina, em que vizinhos marcavam hora pra ir e bater papo, vão fechando e sendo substituídas por ‘butiques de pão’ em que gerentes treinados sorriem vazios para clientes cujos nomes não são importantes, franquias cujo pão vem congelado e a mortadela já embalada, cujos salões de venda cheiram a aromatizantes industrializados e os frangos… ah, essas já quase não cheiram.

Senti falta disso ao andar pelo ‘Jardim Icaraí’, um pedaço da divisa entre Icaraí e Santa Rosa que os corretores apelidaram assim para atrair os incautos do outro lado. Não havia um lugar em que pudesse encostar no balcão e pedir uma coca-cola. As padarias viraram butiques de pão, os botecos se transformaram em bares com mesas, cadeiras e latas de refrigerante a R$ 4,00.

Prédios e mais prédios onde só haviam casas, dez construções em um espaço de seis quadras, quase nenhum comércio e nenhum ponto de encontro. Niterói está crescendo, ganhando novos moradores, supermercados que fazem promoções de parar o trânsito – literalmente.

Mas perdeu os Leopoldos e as Marinas que ficavam atrás do balcão esperando os fregueses com pão quente, mortadela recém-cortada, um sorriso no rosto e um espaço no coração.

O que vem por aí – Fantasticon 2011

O que vem por aí – Fantasticon 2011

Como já é costumeiro nessa época do ano, vem aí a 5a Fantasticon!

/todoscomemora

E como também é costumeiro, estarei lá!

/acontabancáriachora

Sim, porque além de palestras, mesas redondas, oficinas e etcs, a Moonshadows monta a melhor loja de literatura fantástica do Brasil durante o evento, com lançamentos e raridades!

E dessa vez, eu irei ajudar a esvaziar a carteira de vocês. Estou participando de três coletâneas lançadas lá, além de dois livros editados por mim – sem contar os outros livros dos quais participei, que também estarão a venda!

Até sexta-feira, irei postar sobre esses lançamentos.

Hoje, vou chamar vocês para a mesa-redonda/bate-papo que vai acontecer no sábado, dia 13, sobre História e Literatura Fantástica. Estarei lá falando das minhas duas grandes paixões profissionais, ao lado de Max Mallmann, Christopher Kastensmidt e Roberto Causo. Por juntar pessoas com vivências e formações bem diferenciadas, que escrevem usando a História como ferramenta cada um ao seu jeito, vai ser muito bacana.

Como todo o evento, o bate-papo é gratuito. A distribuição de senhas começa uma hora antes. E vale a pena conferir toda a programação – que está aqui.

Quem quiser me encontrar por lá, estarei nos três dias. Espero vocês por lá!

Resultado do sorteio AnaCrônicas 2

Resultado do sorteio AnaCrônicas 2

Vamos lá, queridos.

Demorei para selecionar o melhor comentário no post. E aproveitei para só sortear hoje.

Então:

1) O sorteio valendo 1 AnaCrônicas entre quem retuitou o link ficou assim:

Como o Casal Estronho não vale, quem ganhou foi o @arddhu – não lembro se ele já tem  o AnaCrônicas. Se for o caso, o livro é da @apocrypha

2)  E dentre os muitos comentários que recebi – por aqui e por email – para este post, foi dificil escolher o melhor para ganhar o kit. No final, tendo que escolher um, fiquei com o mais detalhado:

Olá, Ana.

Difícil escolha, entre tantas. Li todos os contos que encontrei on line, incluíndo a de Paradigmas; embora tenha gostado de Carta ao Monsenhor, acho que essa deva ser deixada de lado por ter já ter sido publicado noutra coletânea de relevo.
Gosto de suas histórias de Ficção Científica, embora me pareça que você tenha preferência pela Fantasia; mas a maioria das histórias de FC, embora tenham me divertido, são demasiado curtas; assim, escolhi como uma das favoritas O Templo do Amor; foi publicada no Portal Neuromancer, mas esta é uma coleção restrita, portanto, acho que merece ser republicada em papel.

Dos contos de fantasia, gosto daqueles que tenham pano de fundo histórico, e não sejam apenas uma relação de nomes e terras exóticas inventadas sem maior critério ou alicerce, como acontece tanto no gênero; assim, uma das minhas preferidas seria Tríade, por suas raízes pagãs e históricas (adoro ler histórias passadas no Império Romano); mas é muito curta; assim, preferi dar meu voto para A Morte do Temerário. Longo e bem escrito, tem um perfeito background histórico, o que dá um senso de verossimilhança que ajuda muito à leitura.
Também curti Ressaca e Canções e Uivos, mas como só podemos escolher dois, não votei em ambos; o primeiro por ser demasiado curto, o segundo por que não tem o cenário histórico que você tão bem sabe usar em outros contos.
Assim sendo, meus votos vão para: O Templo do Amor e A Morte do Temerário.

O comentário escolhido foi do Sid Castro, que vai ganhar um kit recheado, incluindo um AnaCrônicas 2.

Essa semana, teremos mais notícias!

O que vem por aí – As difíceis escolhas para Anacrônicas 2

O que vem por aí – As difíceis escolhas para Anacrônicas 2

Cês sabem que irei lançar o segundo volume de AnaCrônicas pela Editora Estronho, né? (Falar nisso, a 1a está indo embora… tenho pouquíssimos exemplares aqui).

O M.D. Amado está aqui, arrancando meu couro para que eu feche o livro e mande para podermos lançar logo. Mas eu tenho um problema muito sério: como se escolhe os filhos preferidos, deixando os outros de lado? Não consigo! Para o primeiro volume, nem foi muito complicado. Porém, agora estou sofrendo.

Só que eu tenho leitores fieis e amigos, que me ajudariam em troca da minha gratidão eterna.

Não? E um exemplar do livro mais um kit exclusivo?

Ah, agora interessou.

Muito bem, tudo muito simples: vou colocar aqui todos os meus contos publicados e disponíveis. Quem quiser participar, tem que deixar um comentário aqui escolhendo dois contos e explicando o motivo de querer vê-los no AnaCrônicas 2. O melhor comentário vai receber um kit exclusivo, com o livro autografado e todo o material de divulgação – que já está sendo pensado e vai ter algumas surpresas. Mas caprichem nos comentários! Dizer ‘gosto mais desses’ não vale.

Para incentivar a moçada, quem retuitar a seguinte frase:

“A @anadefinisterra precisa de nossa ajuda para escolher os contos de AnaCronicas 2 pro @estronho http://kingo.to/AcB”

Ganha um AnaCrônicas e um Enquanto ele estava morto – e caso já tenha o livro, pode trocá-lo por qualquer outro que eu tenha aqui em casa.

Vamos lá, então?

As promoções estão valendo até o dia 15/05/2011 – e tem que me seguir e ao @estronho no Twitter pra ganhar no sorteio!

Em papel:

“Estranhos na noite” in Moon, Giulia (ed.) Scarium Especial – Vampiros, 2006

“Lentidão” in Scarium Especial – Pulp, 2007

‘O templo do Amor’ in Oliveira, Nelson de (org.). Portal Neuromancer, 2008 – online

“A morte do Temerário” in Rodrigues, Ana Cristina (org) Espelhos Irreais,Multifoco, 2009 – online

“Brinco de prata” in Moon, Giulia (Ed.) Scarium 25 – Especial Mulheres, 2009

Carta a Monsenhor’ in Diegues, Richard (org) Paradigmas 2, Tarja, 2009

Online

Correndo nas sombras

Gotas de Júpiter

Triade

Canções e uivos

Canções de papel machê

Ressaca

Evolução

Oráculo

O homem bomba

Quase um genocida

Isabel e a roseira

Queda e paz

O rei está morto

Conto estranho de Ano Novo

O sino

Suave é

O vermelho do teu sangue

A camponesa e o cavaleiro

Cerejeira

Morgana fala

A dama da noite

Lua Negra

O caso da estatueta roubada

A vila na areia

Vazio

Quem inventou o amor

O que vem por aí – Mulheres insanas

O que vem por aí – Mulheres insanas

O trabalho do Marcelo Amado a frente do Estronho e Esquesito tem 15 anos. Eu o conhecia de longe/perto, acompanhando pela internet a movimentação, visitando sempre que alguém mandava o link. Nos meados e meandros de 2009 e 2010, começamos a nos aproximar. Pontos em comum não faltavam: ambos somos irremediaveis otimistas e trabalhadores do coletivo, gostamos de escrever contos, de internet e de coisas bizarras.

A aproximação gerou uma grande amizade e uma forte parceria. Tenho contos em 3 coletâneas estronhas e o segundo volume de AnaCrônicas vai sair pela editora Estronho.

E sou a prefaciadora de uma antologia exclusivamente feminina: Insanas… elas matam!

Tive o privilégio de ler os contos em primeira mão e fiquei sinceramente impressionada com a imaginação de nossas escritoras. São autoras que começaram a pouco tempo, algumas publicam pela primeira vez com textos fortes.

Se você é sensível, melhor ficar longe. O sangue aqui escorre sem pudores, sem medos, sem vergonhas. Elas realmente seguiram a linha que o editor pediu e colocaram para fora toda a crueldade humana.

A arte da capa é maravilhosa e aqui vocês podem ver o material de divulgação – tem marcadores e bottons.

Foi uma tarefa ardua para não estragar a surpresa e passar o clima do livro.

Escrevi, além do prefácio, um poema que foi usado na orelha do livro. Como na imagem não dá pra ler muito bem, resolvi postá-la aqui. Enjoy.

Insana

Quando ela diz que te ama,
Isso te engana.

Ela jura que te deseja
Enquanto te beija.

Achas que ela te quer
Que afinal encontrou  a tua mulher.

Ela passa a língua nos lábios
E enche os teus com beijos rápidos

Há um brilho no seu olhar
Ela diz que é por te amar.

Mas quando ela arrancar teu coração,
O sangue quente escorrendo por sua mão.
O rio vermelho que mancha a tua cama
Finalmente verás o quanto ela é insana.