Porque nem todo mundo ama igual. Nem toda família é de comercial de margarina, nem todo o dia é ensolarado e feliz como propaganda de carro, nem todo final é feliz, nem toda mãe deu a luz, nem todo filho sabe o quão difícil é dizer não.
Porque amar é humano. E por isso, também é cruel, como nós somos, sem deixar de ser doce e incondicional.
O título deste post é um oferecimento de Blackmore’s Night, a banda que o Richie Blackmore criou pra pegar a Candice Night
Depois dessa breve palavra de nossos patrocinadores, vamos ao que interesse: falar de literatura, fantástica ainda por cima.
Eu não gosto de comprar livros no escuro, sem ter nenhuma indicação ou recomendação. Gosto de ler resenhas, comentários e opiniões antes de gastar meu precioso e pouco dinheirinho. Tem gente em que eu confio cegamente, quando diz ‘compra’, eu vou lá e compro.
Mr. Jacques Barcia me passou um link, uns três anos atrás, com a seguinte frase “Acabei de comprar na Cultura aqui de Recife. Acho que tu vai gostar, ainda tinha um por lá”. Abri o link para a loja online da Cultura e vi que era um livro da Tor chamado ‘Chronicles of the Black Company’ por salgados R$ 40,00. Sim, eu achei salgado porque pensei que era um pocket. Quando eu vi bem, era um mass paperback (uma encadernação mais parecida com a nossa ‘normal’, mas sem orelhas e papel mais fino) que juntava três romances em um livro só.
Ora, três livros por R$ 40,00 é uma boa pedida. A descrição dizia pouco:
“Darkness wars with darkness as the hard-bitten men of the Black Company take their pay and do what they must. They bury their doubts with their dead. Then comes the prophecy – The White Rose has been reborn, somewhere, to embody good once more.”
Ok, eu tô bem de profecias, obrigada… mas dizer que a escuridão guerreia com a escuridão e que os caras da Companhia Negra enterram suas dúvidas junto com seus mortos…. me fisgou. Sem me preocupar em pesquisar muito mais, comprei e esperei chegar.
Era final de março, o livro chegou na metade de abril. Até eu terminar o que eu estava lendo, chegou maio e… eu li os três livros em menos de dez dias (fui conferir o histórico do Gtalk e tem umas 6 mensagens minhas pro Barcia dizendo “CARA, MUITO F*DA!” e outros no estilo). Eu simplesmente devorei o volume de 700 páginas, li no ônibus, na barca, na rua, em casa – aparecia um tempinho? Lá estava Ana lendo!
(Mas, Ana…. se você gostou tanto, deveria ter falado antes! Por que falar agora? Ahá! Sei de fonte secreta porém segura que BLACK COMPANY SAI NO BRASIL EM 2012! )
Sim, o livro do Glen Cook finalmente vai aportar no Brasil. Eu quero com esse post apresentar a saga para vocês e começar a convencê-los a comprar o livros.
Digam 'olá' pro Glen Cook, vou encher muito o saco de vocês esse ano com ele...
E porque você deve ficar muito feliz com a chegada desses livros ao Brasil?
Bem, é inegável que a grande moda do momento no nosso meio é George R. R. Martin e sua saga “A song of ice and fire”. Vejo centenas de pessoas na internet aplaudindo o realismo do autor, como ele retrata bem a sujeira do jogo político e por aí vai. Vejam bem, a saga de Glen Cook faz isso tudo, vai mais fundo ainda – e começou a ser publicada em 1984, ou seja mais de uma década antes de começar o jogo de tronos.
E o que é a tal Black Company?
(Aviso: não tive acesso aos termos traduzidos, então é uma tradução livre…)
A Companhia Negra é a última das Companhias Livres de Mercenários de Khlatovar, com séculos de história nas costas – história contada nos Anais, responsabilidade do analista/historiador que sempre acompanha a tropa.
No começo de ‘The Black Company’, somos apresentados ao então analista, o médico Croaker – dá pra ver que o índice de sobrevivência é baixo, né?
Povo, este é o Croaker, narrador e protagonista.
A Companhia foi contratada por um feiticeiro , chamado SoulCatcher, para combater pelo Império e defendê-lo de seus inimigos: um grupo de rebeldes chamado de Círculo dos Dezoito. O Império é controlado pela Feiticeira mais poderosa de todos, a Dama (‘Lady’), que foi ressuscitada por um mago pouco habilidoso e aos poucos vem dominando todo o Norte. Seus exércitos são liderados pelos Dez que Foram Tomados (‘The Ten Who Were Taken’ ou ‘Taken’), que só perdem em poder para ela.
Os rebeldes acreditam na profecia e que a Rosa Branca irá ressurgir para novamente derrotar a Dama e os seus servos. A feiticeira, porém, tem uma preocupação ainda maior: seu marido, o Dominador (‘Dominator’), a grande força do Mal. Ele ainda está preso – e sente que ela alcançou a liberdade sem o ajudar. Ele é único cujo poder supera o dela e por isso a Dama teme por sua vida.
É a partir daí que a história se desenrola. Mas nunca pelo ponto de vista da Dama, dos Tomados, da Rosa Branca… E sempre pelo da Companhia, dos mercenários, pela figura do Croaker. Ao contrário do jogo de tronos do George Martin, a série do Cook mostra o lado de quem vai morrer por nada. E isso é muito bom.
Mercenários são aqueles que não tem mais nada a perder e tudo a ganhar. São órfãos, viúvos, enjeitados, bastardos… Sua família é aqueles que servem junto pelo único objetivo da sobrevivência. Ao ler os romances de Glen Cook, é impossível não empatizar com cada um daqueles homens, mesmo sabendo – desde o começo – que eles não estão do lado dos mocinhos.
Goblin e Um-Olho ('One Eye'), dois dos feiticeiros da Companhia.
Os conflitos morais surgem de vez em quando, a dor da perda de amigos e pessoas próximas, a traição vem de lugares inesperados. As cenas de luta e de batalhas são cruelmente realistas, escritas por alguém que realmente esteve na guerra e é muito elogiado por seu conhecimento, não só de estratégia militar, mas do companheirismo que nasce entre quem está numa guerra.
Croaker é um personagem fascinante. É um memorialista em crise, um médico desesperançado – e um romântico incorrigível no lugar mais improvável. É impossível não sentir aquela vergonha alheia por ele de vez em quando, mas é igualmente difícil não torcer por ele em vários momentos. A Dama talvez seja uma das personagens femininas mais marcantes que eu já conheci criada por um homem. Sua história é densa e triste, por incrível que pareça. Os demais também cativam, principalmente os quatro magos que estão na Companhia, implicando o tempo todo uns com os outros mas unidos quando chega a hora de agir.
O leitor acaba se envolvendo de tal forma com a Companhia que passa a torcer por ela, sem se importar muito de que lado está.
A escrita de Cook é quase seca às vezes, de tão direta. O mundo fantástico que ele criou para a sua série só começa a se desenhar realmente bem no segundo livro, mas como o ritmo se mantém sempre constante, você acaba nem percebendo, interessado que está na trama e no seu desenvolvimento.
Agora, é um livro que tem tudo para agradar quem gosta da obra do Martin, mas não só. Primeiro, que o Cook não esconde a magia, ela está ali presente desde sempre. Depois, vem o detalhe dos personagens não serem nobres com ‘problemas de primeiro mundo’ (exceção honrosa ao Davos e a Brienne), mas a ralé do mundo, gente que luta (literalmente) a cada dia só para sobreviver. Talvez a predominância de personagens masculinos possa incomodar um ou outro, mas a Dama compensa muito nesse quesito.
Enfim, preciso dizer que estou em modo fangirl pelo lançamento desse livro no Brasil E MAL POSSO ESPERAAAAAAAAAAAAAAAAAAR!:D
Como vocês foram MUITO legais e o blog teve 100 visitas desde a postagem sobre o livro, decidi que vou compartilhar a minha coleção com meus leitores e repassar um dos meus livros do Glen Cook. Pela enquete via twitter, o escolhido foi The tower of fear – não faz parte da série da Black Company, mas é uma boa introdução ao estilo do autor.
Para participar do sorteio, tem que me seguir no Twitter e retuitar a seguinte frase:
Quero conhecer o autor Glen Cook com ‘Tower of fear’ que a @anadefinisterra está sorteando http://kingo.to/13cD
Deixe um comentário aqui preu saber quem tá realmente interessado em participar: fale porque você se interessou em ler o livro. Não esqueça de dizer quem é você lá no twitter. Viu? Super simples!
O sorteio será no dia 8 de abril
(Quem levou foi o @pablorebello, que comentou via twitter que não conseguiu comentar no post, mas respondeu direitinho)
O céu de inverno na Cidade Sem Nome é completamente igual ao de verão. Íbis sente falta do tempo em que circulava pelo mundo e podia ver o Sol. Sente saudade de estar em algum lugar e de servir a um senhor. No momento, Íbis está em nenhum lugar e não serve a ninguém.
Desavisados podem considerar que Íbis deveria estar feliz por ter conquistado a sua liberdade. Que é um absurdo lamentar estar livre de grilhões. Por isso são desavisados e provavelmente não sentem as correntes presas aos seus próprios tornozelos.
Quando o Eric me chamou para participar, eu fiquei bem receosa. Sou leitora de fantasia urbana desde antes de conhecer o termo e me apaixonei de vez com a coletânea Paper Cities. Mas nunca achei que fosse capaz de escrever um conto nesse gênero, imagine dois – para mim, a minha capacidade de urbanicidade fantástica tinha se esgotado no conto publicado em Cidades Indizíveis.
’O longo caminho de volta’ me custou muito para ser escrito. A história da rebelde que volta à Cidade-Biblioteca foi uma catarse para mim, expurgando vários demônios interno. Curiosamente, um ano e meio depois de ser escrito, os conflitos entre Clio e sua cidade natal tomaram paralelos no nosso mundo real, como apontou o Jr Cazeri. Então, Biblos nasceu pronta, vomitada, feita de coisas que eu precisava dizer. Clio foi simplesmente um alter-ego e seus questionamentos refletem muito dos meus. Pensei que meu contato com o gênero como escritora iria parar por ali mesmo.
Afinal, se você me acompanha faz um tempo já percebeu que aos poucos montei a minha identidade de escritora em torno da História. É minha principal fonte de inspiração, temas, personagens, tramas e cenários. Tenho três universos ficcionais construídos nessa base e um quarto que foge um pouquinho, mas ainda tem raízes lá (falo mais sobre isso em breve).
Então, estava cheia de dúvidas para aceitar o convite – e o fiz por um motivo. Eu queria sair da minha zona de conforto, fazer algo diferente, arriscar como eu tinha arriscado em “O longo caminho de volta”.
Um detalhe interessante é que o primeiro trecho do conto, o que retrata a Cidade Sem Nome, já estava rabiscado no meu celular. Sim, eu esbocei aquelas descrições nas teclinhas miúdas de um smartphone. Eram apenas palavras soltas, mas quando surgiu a oportunidade comecei a arranjá-las. Aos poucos, fui pensando no que eu poderia contar ali, o que poderia realmente acontecer.
E foi quando surgiu a ideia de algo maior, de que a Cidade Sem Nome poderia ser um nexo, um foco de várias realidades que tem a função de recolher desgarrados, degredados e desesperados de forma geral. Eu só precisava de um personagem que se encaixasse nessa descrição, que estivesse perdido no mundo e precisasse se encontrar.
Íbis surgiu em uma tarde de chuva, quando vi um morcego desesperado tentando permanecer no galho. Morcegos são criaturas majestosas quando estão no domínio da situação, mas se caem no chão ou se são pegos pela chuva, ficam completamente perdidos. E era isso que eu queria pro meu protagonista. Ao contrário de Clio em ‘O longo caminho de volta’, que é cheia de decisões e certezas, Íbis não sabe direito o caminho que vai seguir, depois de ter perdido tudo.
O conto também foi pensado em questões de estilo. Tentei ter um cuidado maior na construção de frases, mas sem tornar o texto pesado ou enfadonho. Não sei se consegui, isso vocês que vão ter que dizer.
E os dois contos – ‘O longo caminho de volta’ e ‘O rei-máquina’ – são a ponta de um iceberg que aos poucos vou apresentar a vocês.
Um esboço de texto do último fomori, que me veio em um surto de inspiração por causa do dia de St. Patrick. Espero que curtam.
- Finalmente te encontrei, maldito.
O último fomori a andar sobre a superfície da terra abriu um dos olhos. Não precisava dormir, mas gostava de parar e relaxar, escutar os sons daquele e de outros mundos, sentir a brisa trazendo cheiros distantes. Tinha percebido a aproximação do mortal muito antes e estava só esperando para saber o que o velho queria.
- Desculpe o mau jeito, velhote. Soubesse que estava sendo procurado, teria ficado em um lugar mais visível.
- Não deboche de mim, criatura diabólica! Sou um servo do verdadeiro Deus e minha missão é livrar o mundo de coisas como você!
Ao ouvir a ameaça, o fomori abriu os dois olhos e deu um suspiro. O homem estava vestido com uma túnica comprida de linho cru e uma capa de pele sobre os ombros. As sandálias, muito gastas e sujas, testemunhavam o quanto tinha andado pelas estradas nos últimos dias. Seu rosto, vincado de rugas, estava emoldurado por barba e cabelos brancos desgrenhados, com olhos verdes que emanavam ódio e veneno na direção do imortal.
- Você é o tal Cothraige, não é? Que expulsou as serpentes da Irlanda e coisa do tipo.
O velho apontou seu bastão para o fomori que notou, bastante desgostoso, ser um pedaço de carvalho. O pensamento de uma árvore tão ligada ao seu povo ter sido usada para apoiar um louco como aquele começou a irritá-lo.
- Sou Patrício, bispo da Irlanda. Recebi de Deus o dever de consagrar as terras pagãs e eliminar todos os que vão contra a ordem divina do universo.
O fomori levantou-se, sem muita pressa. Só esperava que o Conselho Sidhe não viesse depois acusá-lo de interferir com humanos. Estava em um bosque sagrado e deveria estar livre dessas intromissões. Se o bispo tinha chegado até ele, era por ser bem teimoso.
- E isso me inclui, certo? – sacudiu o pó da roupa, ajeitando-se. Usava uma túnica de couro até o meio das coxas e uma calça de lã. Sem capa ou outra roupa, pois também não sentia frio. Os pés estavam descalços, uma forma de manter contato com a terra e lembrar-se de dias melhores. – Bom, você já se apresentou, é a minha vez. Meu nome foi perdido, minha história apagada dos livros e das canções, minha família está exilada nas Colinas Ocas. Eu sou o último dos fomori.
O fomori não conseguiu evitar um meio sorriso ao perceber como os olhos de seu inimigo se arregalaram ao ouvir com quem estava lidando. Os padres do deus morto não eram burros, tinham estudado bem os seus adversários, compilado as lendas antigas das bocas dos bardos e as dissecado, verso por verso. Sabiam da Grande Guerra, sabiam de como os fomoris foram derrotados e exilados. Mas não tinham como saber que um deles ficara, exilado em seu próprio lar.
Patrício recobrou a presença de espírito em um lapso de segundo.
- Não importa quem você é, mas o que você é! É um dos encantados, cria do demônio para afastar os homens de Deus – ele se aproximou de onde o fomori estava, o bastão em riste e os olhos ainda mais venenosos.
- O que você pretende fazer então, homenzinho?
- Destrui-lo com o poder de Deus.
A gargalhada ressoou nos galhos dos carvalhos e abetos que os cercavam. O último fomori sacudiu a cabeça e deixou escapar o glamour que o cercava. A aparência que vestia quando circulava pelos territórios humanos era a de um homem de trinta anos, moreno e rude, estatura média e corpo forte, uma grande cicatriz dominando o lado esquerdo de seu rosto. Mas não era ele. Os fomoris eram chamados pelos habitantes das ilhas de ‘gigantes’. Alguns adicionavam ‘monstros’ nessa descrição.
E o que escolhera ficar não era diferente de sua família, aliás era tido como um dos mais fortes e mais terríveis entre os seus. Rasgou a aparência do viajante humano como se fosse uma roupa velha. Patrício teve que olhar para cima quando ele atingiu os quatro metros de altura. Sua pele tornou-se vermelha como se estivesse coberto de sangue e os olhos brilhavam como trovões. Dentes e unhas eram como facas. Nem nos mais terríveis pesadelos com demônios o cristão poderia ter imaginado uma criatura tão terrível assim.
- É muito fácil salgar as terras dos pixies e usar capangas para espancar druidas e suas famílias, velhote. Mas o que você pode fazer contra mim?
Ele tentou. Murmurou palavras de seu livro sagrado, jogou sal na pele do fomori e fez um círculo com raspas de ferro ao seu redor. O sinal da cruz foi traçado no chão – e imediatamente apagado pelo vento, pois aquele ainda era um bosque que obedecia aos antigos. Todos os truques e artimanhas que o bispo usara com os seres mágicos pequenos mostraram-se inúteis. O fomori simplesmente ficou impassível, observando os movimentos do religioso com um sorriso nos lábios.
Exausto, o mortal caiu de joelhos.
- Desisto, demônio. Você venceu a mim. Pode me matar, mas outros virão me vingar…
- Levanta do chão, velhote. Você não tem idade para ficar na terra fria – com um movimento fluido, pegou Patrício pelos ombros e o ergueu. – Agora vai e me deixe em paz. Você pode continuar se vangloriando de ter expulso as serpentes, mas nunca vai poder dizer o mesmo de um dragão.
Sem esperar resposta, o fomori virou-se e continuou o caminho que interrompera naquela manhã. Sua missão anual, visitar todos os seres encantados que viviam desde a Irlanda até a muralha dos ingleses, já fora cumprida e estava mais do que na hora de voltar para casa.
Pois é, como vocês já devem saber eu trabalho no Programa Nacional de Incentivo a Leitura – Proler. Agora, no ano de 2012, entre ameaças do fim do mundo e a literatura fantástica bombando em nosso país, vamos começar um projeto que vai ajudar a divulgar ainda mais nossos livros e autores.
É o projeto ‘A Fantástica Casa da Leitura’, que vai acontecer durante todo o ano na sede do Proler na Casa da Leitura – e quem sabe, em outros lugares do Brasil, nos mais de 70 comitês filiados ao Proler. Teremos palestras, bate-papos, encontros com o autor, minicursos e várias outras atividades. Em breve, vocês saberão mais!
Para começar com o pé direito, o projeto pegou emprestado um dia que já é tradicional nos eventos da Casa, nas Terças Culturais, aproveitou que março é o mês em que se comemora o dia internacional da mulher e tascou um bate-papo com duas escritoras super talentosas, simpáticas e com muito a dizer.
Dia 20 de março, terça-feira, eu vou mediar a conversa com Eliane Raye, autora de ‘O portal’, e Flávia Côrtes, autora de ‘Senhora das névoas’, a partir das 17:00 hs. Estamos esperando todo mundo lá!
(Confira o evento no Facebook! E lembrando que o Proler já tem página lá!)
Em mais um post da série ‘o que Ana está tramando’, é um prazer imenso anunciar que vocês irão me ver em Porto Alegre na primeira edição da Odisseia de Literatura Fantástica!
Fui convidada pelos organizadores – Duda Falcão e Cesar Alcázar, da Argonautas Editora, e Christopher Kastensmidt – para debater com o público em uma mesa chamada ‘Quero publicar meu conto, quero publicar meu livro’. Ou seja, vou compartilhar várias histórias da minha vida como editora nos últimos 18 meses.
Além disso, o Estevão também vai participar de uma mesa e estaremos com os nossos livros – e os da Llyr – a venda, com descontos e preços especiais!
Quem for do RS, NÃO PODE PERDER! E quem não for, sugiro fortemente que dê um jeito, aproveite essas promos de companhias aereas e apareça por lá no dia 28 de abril.
Muitas novidades nesse começo de ano. E o Carnaval ainda nem chegou.
A editora Draco vem colocando vários de seus títulos disponíveis em formato eletrônico. E criou uma série chamada ‘Contos do Dragão’, com histórias curtas que sairam, em sua maioria, dos livros da série Imaginários.
E isso inclui Maria e a fada, uma fantasia histórica que faz parte da minha série Burgundia Phantastica (junto com Os olhos de Joana e A morte do Temerário)
Eu adoro azul e achei a capa linda! Adoraria ter o conto impresso com essa capinha azul!
Você pode adquirir o seu aqui. Não tem o seu kindle ainda? Você pode ter o livro mesmo assim, para ler em algum dos muitos aplicativos que a Amazon disponibiliza – tem pra PC, Mac, Ipad, Iphone…
E se o problema for o cartão internacional, em breve o conto estará disponível nas lojas brasileiras!
É, eu sei. 2011 passou e eu nem mencionei a Llyr. Mas foi um ano muito estranho, entre a própria novidade de editar, algumas mudanças, a temporada anual de Seu Leopoldo no hospital e meu próprio pré-operatório (já operei, fiz a gastroplastia, estou me recuperando muito bem, obrigada).
Ano passado foi a descoberta de como é bom, cansativo e estressante a vida de editar livros. Aos poucos, estou tomando jeito e me acertando. Acho que esse ano vai ser melhor/mais fácil.
Em 2011, tive o prazer de publicar pessoas que eu já admirava de longa data, como Martha Argel, participar de uma coletânea organizada pelo grande Nelson de Oliveira e na companhia do mito Fausto Fawcett, conhecer o trabalho da Ana Flávia Abreu – que tem na sua saga uma das promessas do ‘YA’ fantástico nacional – e do Júlio Rocha, um dos autores mais ecléticos do Brasil… e de descobrir dois novos escritores que tem tudo para construirem longas e saudáveis carreiras: Dennis Vinicius e Adriano Villa.
(Além de publicar um livro fofo de gatos do meu marido…^^)
E o que vou publicar esse ano?
‘Investigação Paranormal – O círculo dos inquisidores’ do Sergio Pereira Couto. O Sergio é um grande amigo, uma pessoa super-querida, um escritor muito talentoso e que tem uma habilidade imensa para a pesquisa. No ‘Investigação Paranormal’, ele juntou a Inquisição, igrejas e mosteiros espalhados pela Europa e as mais modernas técnicas de… caçar fantasmas. O resultado é uma história surpreendente, com personagens carismáticos. Enquanto o livro não sai, siga o Sergio, leia seu blog e saiba mais sobre o assunto!
‘Palladinum’ de Marcelo Amaral. É um livro bem voltado para o público jovem, uma fantasia de portal dinâmica e bem construída, relatando as aventuras da turma do jornal Página Pirata no Pesadelo Perpetuo. É o primeiro livro do Marcelo, que é designer e ilustrador (a capa é dele). Tem várias ilustrações – que você pode conferir exemplos aqui – e o livro ficou LINDO!
‘O Vento Norte’ de Claudio Villa. Já me perguntaram se é a continuação de ‘Pelo Sangue e Pela Fé’, primeiro livro do Claudio, auto-publicado pelo autor há alguns anos e já resenhado por aqui. Não é, apesar de se passar no mesmo universo ficcional, o mundo de Mirr. Para quem gosta de intrigas políticas e piratas!
‘O último mágico’ de Dennis Vinicius me surpreendeu ainda mais que ‘A Grande Criação de Nicolas’. É um romance mais adulto, voltado para o povo com mais de 14 anos. Fala de amor, responsabilidade, destino e confiança. O Dennis já divulgou uma prévia da capa.
Vou colocar no mercado também as continuações de ‘O portal’ de Eliane Raye e ‘A casa de ossos’ de Adriano Villa. O livro da Eliane é um mistério fantástico passado no Rio de Janeiro tendo a Pedra da Gávea como centro. Já ‘A casa de ossos’ é terror daqueles tradicionais, de dar pesadelos e te fazer pensar duas vezes antes de ir na cozinha de noite.
E quais as Novidades, com ‘N’ maiúsculo?
Eu precisava de um bom romance sobrenatural, já que as minhas autoras (Martha e Ana Flávia) decidiram que esse ano não teriamos livros novos. Me caiu nas mãos, enviado pela Diana Lima (que também é agente do Dennis) ‘O jardim dos anjos’ de Margareth Brusarosco. O encanto veio na hora, não consegui parar de ler. A história tem humor e leveza, ao mesmo tempo em que tem um toque sombrio por trás.
Uma das recompensas de ter sido sempre muito ativo no cenário virtual foi ter conhecido muitos novos autores e acompanhado sua formação. Quando ‘O conservatório’ de Adriana Rodrigues chegou na minha caixa de entrada, eu sabia que ali estava uma obra que valia a pena ser lida. E acertei! Vampiros, confusões e aventuras, com um leve toque de humor.
E eu tinha dois vazios no catalogo da Llyr, pois me faltavam dois subgêneros essenciais… mas que foram preenchidos! (ainda tem um faltando, que é o steampunk! Estou esperado!)
‘A ordem do dragão’ de Alícia Azevedo é a nossa fantasia épica! Passada no universo de Alluim, tem personagens cativantes, relíquias poderosas… e dragões! Sim, eu gosto de dragões – e esse é o ano do dragão, né? Como o Herodes, nosso dragão residente (e namorado da Kôra, protagonista da série da Ana Flávia) está de férias, substitui-lo por deuses-dragões!
E finalmente, aceitei um original de Ficção Científica! ‘Quando Deus morreu’ do mestre Gerson Lodi-Ribeiro! É um orgulho imenso publicar uma obra de um autor tão significativo dentro da ficção especulativa nacional!
(… e ainda teremos algumas surpresas!)
Depois que divulguei essa lista no Facebook, alguns amigos perguntaram ‘o que te faz escolher um original ao invés de outro?’ Taí uma pergunta que pode parecer fácil, mas é complicada de responder.
Pra começo de conversa, decidi que só publico livros que eu gostaria de ter na minha estante. Isso me limita? Muito pouco, pois sou eclética, principalmente em se tratando de literatura fantástica. Leio de quase tudo, de terror ao romance sobrenatural, de FC hard a fantasia épica… Então, não vou me limitar por subgêneros, mas pelo livro em si. Não é porque eu gosto de romance sobrenatural que qualquer semi-paródia levada a sério de Crepúsculo vai passar pelo meu crivo.
O livro precisa prender minha atenção, preciso me importar com a trama e com os personagens, ficar curiosa com até onde tudo aquilo vai. Por isso, eu peço as primeiras 30 páginas do original, antes de receber o manuscrito completo. Se eu passo desse estágio, as chances de querer ler o livro todo são grandes… E já encontrei originais bem escritos, com temas interessantes mas que não me mantiveram presa na frente do computador/papel tensa, querendo descobrir mais. Já larguei originais na primeira página, no primeiro parágrafo…
O autor precisa ter um bom domínio de sua própria língua, CLARO. Até porque, se você não entende a história, como vai se importar com ela? Cuidado na escolha das palavras (sério, para me impressionar não precisa fingir que engoliu um dicionário), evitar erros ortográficos em excesso, olhar bem onde coloca essas vírgulas…
Eu sei que ninguém é perfeito, pessoas cometem erros e originais são diamantes brutos, que precisam ser lapidados. Tem editor que acha que o livro tem que chegar prontinho na sua mão, é só revisar e diagramar antes de imprimir. Eu não. ADORO trabalhar o texto, é a parte que eu mais gosto. Só que quanto menos eu precisar interferir no texto, mais do que o autor escreveu é preservado. E até para agilizar o processo, eu busco escolher os livros que vão me dar menos trabalho.
E por fim, eu analiso a postura do autor. Não sou babá pra ficar pajeando ‘crianças’ que não sabem o que querem da vida. Sou profissional e quero trabalhar com profissionais.Quero um time de pessoas determinadas e competentes.
Não é fácil se tornar meu autor… parabéns pra quem conseguiu agradar a chata ranzinza aqui o suficiente!
Bem, como todos já devem saber, 2012 é o Ano do Dragão – oficialmente iniciado neste último final de semana. Para comemorar, tem duas postagens especiais. Uma vai sair no Cidade Phantástica – sobre essa, vou fazer suspense. A daqui é o começo de um conto, que se tudo der certo sai esse ano. Aos poucos, vocês começam a desvendar Finisterra.
A criança corria pelo bosque, sem se preocupar se o seu acompanhante conseguia acompanha-la. Pisava em folhas e levantava as sementes de dentes-de-leão pelo ar, rindo alto. Era o primeiro dia de Primavera para a jovem herdeira da Borgonha, o primeiro em que finalmente tinha tido autorização de seu pai para percorrer o bosque atrás do palácio de Dijon.
La Marche ofegava atrás de Mairiam. Apesar de ainda não ser tão velho, o maitre d’hôtel – um cargo que misturava o de mordomo, cronista e naquele momento, babá – era adepto de uma vida tranquila, lendo e escrevendo na frente da lareira, organizando as imensas festas do dux da Burgúndia e o acompanhando em viagens curtas. Claro que nem sempre a vida podia ser tão tranquila.
- Mairiam, criança, não corra tanto que não consigo acompanha-la!
Ela riu, já muito a frente.
- Ai, oncle, como você é devagar! Eu lhe espero na fonte!
E sem esperar resposta, simplesmente disparou na frente. Conformado, La Marche se pôs a segui-la. Não havia mesmo muito perigo. O maior inimigo do dux, o rei-mago de Lútecia, havia assinado um tratado de paz com a Burgúndia no começo do Inverno. Os outros, pois haviam muitos, não se atreveriam a ameaçar a família ducal em seu próprio domínio. E as criaturas mágicas da região adoravam Mairiam como se fosse uma delas, o que muito preocupava o maitre d´hotel. A menina de seis anos era chamada de princesa e reverenciada como uma.
- Bom dia, Olivier.
A voz fina vinha de cima, de um galho de árvore.
- Bom dia, Flor-de-Lis – a ninfa saltou para o chão com graça. Como o dux saudava os deuses dos latinos, seus bosques e terrenos eram povoados por ninfas, sátiros, faunos e centauros, enquanto nos bosques do rei-mago residiam fadas e seres correlatos a Cernnunos e sua corte. – É bom vê-la depois do inverno.
- Igualmente – a criaturinha tinha dois palmos de altura, pele muito branca e cabelos dourados. Usava um lírio como vestido e sorria mostrando os dentes afiados. – A jovem princesa está muito bem, pelo que vi.
- Ah sim, ela é incansável.
A troca de gentileza intrigou La Marche que estava acostumado aos modos fugidios e até mesmo rudes.
- Aconteceu algo durante o inverno?
- Não, foi uma estação tranquila. Mas faz duas noites que eu tenho sentido uma presença estranha entre as árvores. As outras ninfas também sentiram, mas como os Grandes ainda não despertaram não houve muito o que fazer.
Os Grandes eram as criaturas com o mesmo tamanho, ou maiores no caso de centauros, que os humanos. Eles serviam como guardiões do bosque, vigiando suas fronteiras e avisando de qualquer perigo. Porém, durante o inverno eles iam para florestas mais profundas e adormeciam, só despertando na primavera. Dos seres que percorriam aquelas terras durante o inverno, La Marche pouco sabia, pois o dux não deixava que nenhum dos seus servidores entrasse no bosque durante o tempo frio. E o maitre d’hotel se importava muito pouco com essa proibição.
- Ficarei atento e avisarei ao dux, Flor-de-Lis. Obrigado…
Quando ia terminar a frase, foi interrompido por um grito. A voz era tão familiar que seu sangue gelou imediatamente.
- Socorro! Oncle, oncle!
A ninfa arregalou os olhos e La Marche correu. Esqueceu do cansaço, das pernas doloridas de tentar acompanhar a menina … esqueceu de si mesmo e correu. Mairiam era sua responsabilidade, a filha de seu senhor e a herdeira de grande poder. Mas era também a menina que ele ninava todas as noites, que pedia histórias nas longas e escuras tardes de inverno e que lhe trazia uma coroa com as primeiras flores de primavera. Era parte de seu coração.
Chegou completamente sem fôlego à fonte em que Mairiam deveria estar. Era uma clareira grande, com um banco de pedra, pequenos canteiros que começavam a florir e uma fonte de onde saía água direto de uma nascente. O bisavô do dux tinha ajeitado aquele recanto para poder fugir de suas obrigações e descansar.
Em um primeiro momento, não viu Mariam. Procurou novamente e encontrou a menina encolhida atrás do banco de pedra.
- Mairiam!
- Oncle, cuidado!
O aviso veio tarde e La Marche foi derrubado por uma criatura de escamas roxas, do tamanho de um sabujo. Preso debaixo das patas da criatura, ele não conseguia distinguir direito o que era. Mas sabia que Mairiam agora tinha uma chance.
- Fuja, menina! Corra!
A menina ainda não tinha se decidido a correr quando a criatura abriu a boca, cheia de dentes afiados. La Marche sentiu que tinha chegado a sua hora e encomendou sua alma aos deuses. Fechou os olhos, esperando a mordida…
E sentiu uma língua áspera de réptil em suas bochechas.
A criatura estava lambendo seu rosto!
Mairiam se aproximou cautelosa.
- Ah, oncle, é um dragãozinho!
Ao ouvir a voz da menina, o réptil saiu de cima do maitre d´hotel e foi até ela, parecendo muito satisfeito em conhecê-la. La Marche ergueu-se, verificando que não havia ferimentos muito profundos. Respirou aliviado e analisou o animal a sua frente.
Era um pouco maior que um sabujo e tinha o rosto alongado de um dragão, porém La Marche jamais ouvira falar em um dragão roxo. As asas, abertas para se exibir para Mairiam, eram grandes demais em relação ao corpo. Mas foi a ausência de uma cauda que o identificou.
- Não é um dragãozinho, Mairiam. É um dragonete, uma criatura criada à imagem de um dragão por magia.
A criação de dragonetes era proibida por serem criaturas instáveis, mas inteligentes como dragões. Alguém tinha desobedecido a lei e precisava ser encontrado. Quem sabe o que mais poderia estar criando escondido?
- Podemos ficar com ele?
- Não, Mairiam. São animais perigosos. Seu pai provavelmente vai sacrificá-lo!
A menina deu um grito de horror.
- Non!Papa não vai matar o meu Imagus!
- Imagus?
- Sim! Ele não é a imagem de um dragão? Pois bem, é o meu Imagus e pronto!
La Marche sentia uma dor de cabeça vindo. Tão grande que nem corrigiu o latim incorreto da menina, afinal deveria ser ‘Imago’. Mas a discussão entre pai e filha que se avizinhava era muito maior do que um reforço nas lições de Mairiam.
- Então vamos voltar, menina. Seu pai é quem vai decidir.
E seguiram os três. Imagus muito feliz entre os dois, Mairiam já colocando o queixo para frente, preparada para enfrentar o pai. E La Marche sentia o peso de um dragão sobre seus ombros cansados.
Uma nota: O núcleo principal dos livros de Finisterra é a corte portuguesa – Rui de Pina, Pero Vaz de Caminha, Dom Roderico de Barcelona, Dom Manuel. Mas há um outro núcleo que aparece aqui e ali, entremeado na trama, o do ducado da Burgúndia, liderado pelo dux Carlos, apoiado por seu fiel Olivier de La Marche e contando com a figura da Arquimaga Mairiam e seu animalzinho de estimação. Ele tornou-se um dos personagens mais carismáticos para quem chegou a ler um pedacinho de Finisterra e por isso resolvi que ia desenvolver melhor suas histórias…
Sempre que me ponho a pensar na parte que eu menos gosto em ser escritora, chego a conclusão que cada vez me sinto mais agoniada em dar títulos aos meus contos.
(Os meus wannabe romances até se saem bem nesse quesito, nem que seja com o meu uso descarado do latim)
O que é o título? Um resumo? Um slogan? Uma amostra do que irá ser encontrado naquelas poucas mil palavras? Um chamariz para trazer o leitor àquela história, dentre todas as outras do livro/revista/web?
Sim, porque tem isso ainda. O título é o primeiro contato que o leitor vai ter com o seu texto. Num livro ou revista, isso pode significar apenas que o seu conto vai ficar para depois. Mas… e quando você depende dele para agarrar o leitor pela gola? No caso de um conto publicado online, por exemplo, ou do livro exposto na livraria. Imaginem: a capa mais bacana do mundo com um título simplesmente repulsivo…
O problema é que eu geralmente me concentro na história que tenho que contar, nos seus personagens, na trama, no estilo. Se o título não surge junto com o conto, ao final tenho que pensar em algo – e é muito complicado.
Por muito e muito tempo, fui adepta de três formulas: “substantivo + adjetivo” (ou ‘como dar título a um filme iraniano’, válido na forma inversa), “O ‘x’ do ‘y’” e ” ‘Alguém’ e ‘outro alguém/coisa’ “. Tomei como desafio pessoal mudar um pouco essa linha. Desde o final de 2010, busquei dar títulos mais diversificados e até que tenho conseguido, como ‘Canção para duas vozes’, ‘Aquele que vendia vidas’ e ‘O longo caminho de volta’. Ok, às vezes dá preguiça e eu uso o nome do protagonista do conto, como foi o caso de ‘Cartouche’, mas aos poucos tenho melhorado.
Ainda não cheguei no nível de um Harlan Ellison – ‘Repent, Harlequin!’ Said the Ticktockman, de um P. K. Dick - Flow My Tears, The Policeman Said, só para dar um exemplo – ou mesmo do meu chapa Jacques Barcia, com seu Uma vida possível atrás das barricadas ou o meu preferido, The Greenman Watches The Black Bar Go Up, Up, Up. Mas quando sair um Anacrônicas 3, quem sabe os títulos não chamem mais atenção?