Imago Mundi – Capítulo 1 (versão 0.1)

23 jul

O sol refletia na areia esbranquiçada espalhada sobre o chão da praça de touros. Rui tentava se proteger da luz para acompanhar a peleja que se desenrolava entre homem e criatura. Não por gosto, pois o cronista detestava aquele espetáculo, mas por obrigação, já que era seu dever narrar tudo o que acontecia na corte. O cheiro forte de sangue misturado ao suor do minotauro revoltavam o estômago do cronista. Rui de Pina não era um covarde e já tinha testemunhado batalhas, duelos e assassinatos cruéis. Era, como ele mesmo se vangloriava, um homem vivido. Porém, em seus trinta e cinco anos de vida, jamais tinha conseguido superar o asco a um dos esportes preferidos de sua gente.

A tourada.

Toda a nobreza do Império da Ibéria estava ali, organizada no seu complicado jogo de hierarquias. O imperador exigia a presença dos seus mais próximos e o restante comparecia justamente para tentar se aproximar. Rui até considerava esse jogo mais interessante que a tourada, mas sabendo do amor de seu monarca pelo jogo ficava de olhos fixos na arena para poder rever tudo com seu senhor depois.

Ao seu lado, o conde de Barcelona parecia distraído. A curiosidade do cronista aumentou.

- Está tudo bem, meu senhor? Pareces pensativo.

- Não sei, Mestre de Pina. Tem um cheiro estranho pairando na praça de touros que está me deixando desconfortável.

- Não seria o feitiço de ocultação que o feiticeiro da Corte conjurou para nos proteger da visão da fera?

O nobre pareceu considerar a opção por um instante, descartando-a com um movimento de cabeça.

- Não, não é isso. Conheço a magia de Mestre Coutinho, ela não me afetaria assim. Porém, vejo que também
não estás confortável, Mestre de Pina.

- Não aprecio estes espetáculos sangrentos, meu senhor.

Um golpe bem sucedido fez a platéia vibrar, fazendo a atenção dos dois tornar a estar na cena a frente. O sangue já manchava a área central do espaço, em imensas poças vermelhas. O toureiro erguia a espada fina, em um movimento floreado, enquanto fazia uma volta ao redor do minotauro. A besta, sangrando de cortes por todo o corpo peludo, tentava acompanhá-lo com os olhos sem muito sucesso. Já tinha perdido o machado tosco que usara como arma e mal parecia agüentar-se em pé.

A platéia deu um grito de espanto ao ver o minotauro avançar. Com um urro ainda potente, a criatura apontou os chifres na direção do homem vestido de vermelho, que o encarava com um sorriso nos lábios.

Alguns outros cronistas comparavam os movimentos dos toreadores com uma complicada dança, cheia de beleza fluída e passos difíceis. Para Rui, era uma farsa, uma mascarada, onde se encenavam o sacrifício de uma criatura por alguém muito menos valoroso. Duvidava que aquele homem derrotasse o minotauro fora da arena, com a besta bem nutrida e usando armas que conhecesse. Por isso, não se juntou aos aplausos que os demais deram ao ver a espada aplicar mais um corte no corpo vigoroso da criatura, que caiu de joelhos.

O homem virou as costas para o adversário, indo cumprimentar uma das jovens infantas, parenta do Imperador. Segundo o protocolo, ia oferecer a morte do seu oponente a uma delas. Porém, o minotauro conseguiu ficar de pé, cambaleante. Uma das princesas gritou para avisar o toureiro quando a besta avançou contra ele. O homem ainda tentou desviar-se com um movimento que realmente lembrava o de um dançarino, só que o animal não estava tentando chifrá-lo como da outra vez. Sua intenção era outra e conseguiu cumpri-la. Agarrou a mão que segurava a lâmina fina que tanto o ferira e a arrebatou para si.

Arremessou-a para longe, com o mesmo urro animal que usara antes. Nesse momento, o toureiro tremia, tentando fugir. Para Rui, parecia que o minotauro tinha o mesmo sorriso que o homem tivera antes, se isso fosse possível. Em um movimento inacreditavelmente ágil para um monstro daquele porte, agarrou o homem pelos ombros. Ergueu o corpo sobre a sua cabeça e virou-se para a platéia, para o estrado em que estavam os mais altos dignitários da corte ibérica. Num gesto simples, como de alguém que partisse um pedaço de pão, dividiu o corpo do infeliz toureiro em dois. O pobre coitado sequer teve tempo de gritar.

Rui esperava que pelo menos também não tivesse sentido dor.

O monstro, coberto pelo sangue e pelas vísceras de sua vítima, largou os pedaços de carne e deu outro urro. As damas gritavam e um tumulto começava a se formar. Os poucos soldados presentes na pacifica Salvaterra não estavam todos na Praça. O Imperador tinha uma guarda pessoal formada por alguns nobres que podiam ser das melhores famílias da ilha, porém não eram homens de armas tão formidáveis assim.

E com passos firmes e rápidos, os cascos batendo ritmados no chão, o minotauro corria na direção do Imperador. Em direção ao estrado em que o próprio Rui também estava. Mesmo sabendo ser inútil, o cronista puxou a espada curta que sempre trazia consigo. Se fosse morrer, pelo menos seria com uma lâmina nas mãos, da melhor maneira para depois ser narrada. Porém, não seria agora a hora da sua morte honrosa.

O conde de Barcelona surgiu na sua frente, uma figura esguia coberta de preto da cabeça aos pés, sobressaindo a palidez da pele e o cinza chumbo dos olhos. De sua capa, tirou um cano comprido de metal brilhante, decorado com motivos dourados. Pronunciou algumas palavras em uma língua que Rui desconhecia e um estampido forte quase o ensurdeceu. Da ponta do cano saiu uma bola de fogo que ao encontrar o corpo do minotauro se dividiu em uma multidão de pequenos lagartos de fogo. As salamandras consumiram a grande besta em minutos, enquanto os poucos remanescentes da corte ficaram olhando atônitos. No final, sobrou apenas um monte de cinzas que o soprar de um apito fez voar com o vento, o cheiro forte de pólvora e carne queimada, além de umas três salamandras que corriam desnorteadas até serem recolhidas pelo conde.

Rui estava estarrecido. Não era segredo na corte que Dom Roderico era um dos melhores alquimistas de todo o Grande Continente, além de afamado elementalista. Só que aquela exibição foi totalmente inesperada, inclusive pelo Imperador que fez questão de exprimir a sua surpresa em voz alta.

- Meu caro primo, não tinha idéia de que eras capaz de aprisionar salamandras para arremessá-las desta forma.

O conde fez uma breve mesura, inclinando a parte superior do corpo alto e magro.

- É um equipamento que trouxe da minha última viagem às terras do Grande Khan, meu senhor. Lá, os trabalhos combinando pólvora e alquimia são muito difundidos e estudados.

- Percebo que ainda tens muito a contar sobre tua jornada, Dom Roderico. Em Olissipona, irei exigir uma narrativa completa – a atenção de Dom Manuel voltou-se para as demais pessoas – Há algum ferido, além do infeliz toureador?

O major domo, um homenzinho mirrado e de olhos astutos, correu para junto de seu senhor.

- Não, meu Rei. Todos estão bem, tirando duas damas que desfaleceram com o susto.

- Pois bem. Providencie que o infeliz tenha um enterro digno de um bom seguidor do Nazareno e que sua família receba uma boa pensão da Coroa. Primo, Mestre Rui, gostaria da companhia de ambos. Teremos muito a discutir sobre a tourada de hoje.

Os demais dispersaram, o susto esquecido, comentando os detalhes sangrentos do triste espetáculo que tinham assistido. Rui acompanhava os dois nobres a uma distância respeitosa, de modo que pudesse ouvir e ser ouvido sem comprometer o seu lugar na ordem das coisas. Dirigiram-se à tenda montada do lado de fora da praça de touros para acomodar o Imperador após as touradas e dar-lhe um descanso antes do grande baile que haveria de noite. Dom Manuel sentou-se na esculpida cadeira de espaldar alto que fazia às vezes de trono em suas viagens pelo império enquanto Dom Roderico ocupou um sofá estofado, esticando as pernas em um banquinho. Rui ficou em pé, atrás de seu senhor.

- Sentai, Mestre de Pina. O nosso assunto pode estender-se.

Rui acomodou-se em banco, mantendo sua distância e posição. Dom Manuel prosseguiu, a expressão mostrando todo o cansaço que ocultara perante olhares públicos.

- Primo, não posso deixar de agradecer por teres salvado a minha vida. Por mais que nosso mestre-de-armas tenha feito um bom trabalho, não sei se seria capaz de me defender de uma besta daquele tamanho.

- Manuel, tenho um dever contigo, como família e súdito. Não há necessidade de agradecimentos, mas de investigação.

O imperador assentiu.

- Então, Roderico, viste que não foi uma mera fatalidade ou falta de perícia do toureiro. Também percebi isso.

- Gonzalo Lopez era um dos mais afamados matadores de toda a Ibéria, primo. E antes disso, caçou minotauros na Andaluzia. Não acho que iria cometer erros dessa grandeza.

O silêncio seguiu, enquanto os três homens ruminavam pensamentos. Rui, ignorante da fama do morto, não tinha visto os acontecimentos por esse ângulo antes. Levantando-se, Manuel foi até a mesa onde uma jarra de vinho o esperava. Serviu três copos que passou para o primo. Roderico jogou uma pitada de pó em um dos copos e observou por um instante. Como a cor não se alterou, deixou que o primo bebesse e passou um copo para Rui. O assunto voltou enquanto bebiam.

- Além do mais, o feitiço protetor que se colocou na arena deveria impedir que o minotauro nos visse ou nos atacasse.

Dom Roderico refletiu por um instante, a testa franzida embaixo dos cabelos grisalhos. Era pouco mais velho que o Imperador, porém parecia ter quase a idade de seu pai. Rui já servia na corte antes dos dois nascerem

- Manuel, está claro que foi um atentado contra a sua vida. Ainda mais com Isabel prestes a dar a luz… Sabes que minha prima é frágil e provavelmente não vai sobreviver ao parto. Com a morte dos dois, sabes quem poderia reinvindicar o seu trono?

Apesar da pergunta não lhe ser dirigida, Rui pos-se a pensar. Havia a linhagem Trastamara, aparentada da casa de Avis em várias direções, inclusive por ser a família de D. Isabel. Porém, como era sabido por todos, havia uma maldição envolvendo os nobres castelhanos: eles não podiam se envolver com magia de nenhum tipo. Maximiliano do Império Germânico? O Basileu de Constantinopla? Carlos, dux da Burgúndia? A mãe dele fora tia-avô de D. Manuel… e Carlos jamais escondera de ninguém a sua vontade de possuir a dignidade imperial.

O conde seguiu a mesma linha de raciocínio.

- Manuel, sabemos que teria muitos interessados. Só que poucos teriam coragem de agir dessa forma.

- A esposa de Maximiliano…

- É a Arquimaga. Sob juramento, não pode usar magia para interferir no balanço de poder. E tu conheces Mairiam. Não, não foi Maximiliano.

O imperador deu um soco na mesa.

- Maldito seja o dux. Ele não pode ficar satisfeito com tudo o que já tem?

- Nunca vi Carlos da Burgúndia satisfeito, nem conheço quem tenha. A ambição dele é imensa, primo, e ele tem os recursos e os feiticeiros para fazer um tipo de ataque desses.

Manuel bebeu o resto do vinho de um gole só.

- Vou avisar Mestre Coutinho para tomar as devidas providências em relação ao nosso caro parente. Grato pelo aviso e conselho, Roderico. Agora, devo descansar para o baile de hoje a noite, pois amanhã viajamos de volta para Olissipona.

O que vem por aí…

18 jul

‘E então, Ana, quais são as novidades?’

Blogs

Fc e afins

Como quem é visitante do Comunidade FC já sabe, eu deixei a editoria do blog de notícias. Porém, sigo firme com o seu irmão, o blog criado na rede aoLimiar para abrigar resenhas, artigos, ensaios e textos opinativos sobre… Ficção Científica e coisas afins.

A partir dessa semana, ele será atualizado toda a terça-feira, sem falta, podendo ter outras atualizações semanais.

Nove Gatos

É, eu sei que pode parecer que abandonei o projeto, mas muito pelo contrário. Escrevi os quatro próximos capítulos e o blog volta a atividade nesta segunda, com um post sobre ‘O livro dos gatos’, história criada e ilustrada pelo Estevão, com texto meu. Então, vai ficar assim: 2as, novidades sobre ‘O livro dos gatos’. Às sextas feiras, um novo capítulo de ‘A casa dos nove gatos’.

Science Fiction made in Brasil

Meu blog em inglês sobre FC e Fantasia vai voltar a ativa. Essa semana, na 4a feira, tem post novo sobre onde ler a FC brasileira em outras línguas.

Boêmia literária, a revolução

Todas as 5as, uma troca de ideias sobre literatura, novas/velhas mídias e aquele velho papo de arte x mercado.

Livros

“Escrevi meu livro,e agora?’

O livro será publicado em uma parceria da Fábrica dos Sonhos e do Estronho pela Editora Literata, com prefácio do grande M. D. Amado e ilustrações de Estevão Ribeiro.

A data ainda não está definida, mas faremos o possível para que esteja pronto para o Fantasticon!

“Anacrônicas 2: ‘A ilha dos amores’ e outros contos mágicos”

Com a primeira edição de Anacrônicas perto de se esgotar (existe sim a possibilidade de uma segunda edição, mas isso ainda depende de alguns elementos), já comecei a selecionar contos para um segundo volume.  Nesse livro, irei incluir as flashfictions que publiquei em tweetzines como Nanoism e Thaumatrope.

Gastronomia Phantastica: receitas de outros mundos

O livro está quase finalizado, a capa está no finalzinho, os autores em breve receberão seus contratos… e o blog já está preparado para servir de portal para este banquete literário. ;)

Extraneus

A coletânea que abre a coleção, ‘Medieval Sci Fi’, tem um conto meu – Cartouche, a história de um tecnogitano que rouba um diamante do Duque de Gorgónia, com a ajuda de Noema, sua amiga medusa. A previsão de lançamento é setembro.

À sombra do corvo

Lembram dela? Pois é, ela foi convidada para participar dessa coletânea de poesias sombrias. Ainda não terminei a poesia, mas estou gostando bastante do resultado.

Imaginários 3

A coletânea de contos da editora Draco será lançada durante o Fantasticon 2010. E eu estarei lá!

Escrevi meu livro, e agora? – Novidades

13 jul

Olá, pessoas!

Eu tenho boas notícias. Fiz contato com uma editora, melhor que Clube dos Autores, que pode publicar o livro inspirado na apostila. Isso me fez parar para pensar no que mais eu poderia colocar, comecei a juntar material, links, livros, revirei meus cadernos… e vi que seria um trabalho completamente diferente da apostila, apesar de tratar do mesmo assunto. Continuaria a ter um tom leve, mas sem tantas piadinhas. Talvez colocar ilustrações, etc…

“Pô, Ana, desistiu de liberar o ebook?”

Não, muito pelo contrário. Acabo de dar uma atualizada na apostila e já a disponibilizei no Scribd. Então, vocês já podem baixar, ler e meter o malho aqui nos comentários.

Mas atenção: vocês irão perceber que não tem tudo que falei no outro post. Explico: esta é a versão que apresentei no workshop. Atualizei algumas coisas, mas em essência é o mesmo. Os demais capítulos irão entrar no livro e serão disponibilizados também online assim que o livro for lançado.

É bom porque vamos discutindo o assunto e amadurecendo, trocando links e etc.

Falando nisso, no tópico sobre isso, o pessoal do Oficio Editorial mandou uns bem bacanas, porém o WordPress comeu. Vou colocar aqui pra vocês. Até mais!:)

Congresso internacional do livro digital

O trabalho do editorial

Direito Autoral: eis a questão

Dando notícias

6 jul

Gente, eu sei que prometi o livro/ebook para quinta-feira passada, mas minha mãe resolveu nos dar um susto. Passou o dia e boa parte da noite internada com pressão alta (culpa das estripulias de seu Leo, meu querido progenitor, como sempre…). E fiquei com ela, fui ao médico e conferimos que na verdade era uma crise de labirintite que, em um efeito dominó, acabou por elevar demais a pressão.

Bem, tudo resolvido, posso voltar a editar o livrinho e terminar as reformulações no blog. Mas como já atrasei mesmo, vou perguntar a vocês: o que querem ler no ‘Escrevi meu livro, e agora?’?

O índice é esse:

1 – Primeiros passos – O que fazer quando se coloca a palavra fim no seu livro
2 – Protegendo o seu original - Creative Commons, registro no E.D.A. e direitos do autor
3 – Os primeiros leitores – Beta-readers, leitores críticos e a diferença entre leitura crítica, copidesque e revisão
4 – Como chegar às editoras – Como, para quem e quando apresentar seu original
5 – Viva, viva, viva a Sociedade Alternativa - Edições independentes online e impressas
6 – Assinando contratos e sobrevivendo a eles - Dicas e conselhos sobre as minucias juridicas a que estamos expostos quando finalmente chegamos lá.
7 – Como mover mundos e fundos para publicar – Vale a pena pagar? Quanto? Para quem? E pelo que?
8 – Afinal, com quantos livros se faz uma canoa? – Tamanho de tiragens e suas vantagens e desvantagens
9 – Divulgação em tempos de web 2.0 - Blogs, redes sociais, eventos, malas diretas, como se chega ao leitor?
10 – Considerações finais

Espero as sugestões de vocês até amanhã a noite, ok?:)

Já tem até capa!

***

Em outra nota, hoje vou aparecer lá na Livraria da Travessa do Shopping Leblon pra adquirir meu exemplar de ‘O caçador de apostolos’, primeiro romance não-atormentado do Leonel Caldela. Confesso que não gostei da trilogia passada no universo do cenário de RPG nascido na extinta Dragão Brasil, mas o autor foi tão recomendado que resolvi dar uma segunda chance.

Quem quiser aparecer por lá, a partir das 19h30, o endereço é Av. Afrânio de Mello Franco, 290.

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Cartas aos Jovens – O ofício do escritor

1 jul

(Ou Conserto da Juventude…)

Olá, meninos e meninas que enchem o saco da tia Ana por email, msn, Gtalk, Twitter ou sinal de fumaça (felizmente ninguém veio me tocaiar na frente de casa ainda).

Tenho recebido muitas dúvidas angustiadas de jovens – na idade ou nas convicções, como diria Mestre Fabio Fernandes – querendo saber como dar os primeiros passos no espinhoso porém gratificante ofício das letras.

Para parar de ficar respondendo a mesma coisa ‘n’ vezes, vou fazer uma série de posts. Hoje, só vou dar uma introdução e fazer um breve merchan.

- O que é preciso para começar a ser um escritor?

Basicamente?

É preciso saber escrever. Só isso. Não precisa de computador, máquina de escrever, acesso a internet, um milhão de amigos, cônjuge rico ou qualquer outra coisa.

Mas quando eu digo que é o básico, é o básico mesmo. É o mínimo que você precisa.

Só que isso vem de um interpretação ao pé da letra do que é ser escritor.

Claro que você quer mais. Você quer ser o Escritor. Você quer revolucionar o mundo. Ou pelo menos vender pra cara…mba. Ou um pouquinho.

Bem, se você for realista, o que você realmente quer é publicar suas histórias, fazer com que as pessoas leiam… e torcer pra que gostem.

Esperar mais do que isso é a abertura para se decepcionar – e muito. E eu não quero isso, não gosto de ver as pessoas infelizes (com algumas exceções, já que eu não sou a Madre Teresa).

Então, para começar nesse árduo ofício, minha primeira recomendação é essa: mantenha os pés no chão. J.K. Rowling conseguiu construir um império a partir de uma edição ridícula de 500 exemplares e André Vianco chegou na Rocco tendo pago a sua primeira publicação? Eles chamam a atenção por serem exceções. Não são a regra, infelizmente. Para cada escritor estabilizado na profissão, há centenas que mal e mal vendem 1000 exemplares por ano. Isso sem contar aqueles que sequer chegam a publicar ou que demoram 2 anos para vender 300 exemplares.

‘Mas, Ana, é sério? É esse o primeiro passo para você?’

Juro. Eu acho essencial você ter essa consciência de que não vai conseguir viver dos seus escritos tão cedo e que muito pelo contrário terá que investir na profissão, com cursos, livros, oficinas, viagens, cartões de visita. A saída é convencer seus pais a te bancar (tem gente que consegue, oras) ou ter um emprego que te mantenha vivo e pague as contas.

Sim, vai ser frustrante no começo, você vai ter que escrever nas horas que conseguir roubar da sua vida. Vai dormir pouco, vai deixar de sair ou de ver televisão. Eu só posso dar um conselho aqui: tente escolher uma carreira que você goste. Se seu trabalho for recompensador, será mais fácil parar e escrever. Alguns gênios escrevem sob efeito de depressão, mas de estresse ou estafa são poucos.

É, não disse que ia ser fácil e nem que eu tinha uma fórmula mágica. No próximo post da série, prometo ser um pouco mais prática.

Agora, o momento merchan.

Vocês talvez lembrem da oficina que dei ano passado em São Paulo, intitulada ‘Escrevi meu livro, e agora?’.

As apostilas que forneci pra quem fez a oficina estão circulando por aí, não sei como. Não passei para ninguém em formato digital e as pessoas que participaram não se dariam ao trabalho de escanear pra passar pros outros. Então, como eu não vou ficar me estressando com isso, a partir de amanhã vocês irão encontrar o pequeno manual de auto-ajuda disponível de graça para download em formato pdf e – para quem não gosta de ler no computador – a venda no sistema de demanda pelo Clube dos Autores.

Por hoje, é só!

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Finisterra, o cabo do fim do mundo…

29 jun

É impressionante como desde sexta-feira tem chovido comentários, aqui, no msn, no twitter e no email perguntando sobre o meu grande projeto inacabado, Finisterra.

Vou satisfazer a curiosidade de vocês, fiquem felizes!

Antes de mais nada, nesses quatro anos, o projeto se alterou. O primeiro capitulo estava com cerca de dez mil palavras quando começou a circular por alguns beta readers.  O interesse pelo cenário ficou patente nos comentários que recebi, mas pude ver que a história em si ainda tinha problemas. Eu não estava contente com ela.

Então fui avançado muito pouco e muito devagar, mal e mal chegando no capítulo 3.

Aí veio a Worldcon.

Num arroubo de coragem típico dos loucos e insensatos, passei uma semana vertendo oito mil palavras do primeiro capítulo e me inscrevi numa oficina para escritores. As tutoras foram Delia Sherman e Elaine Isaak. Não conhecia o trabalho da Elaine Isaak, mas conhecia o da Delia Sherman – e deu medo, porque ela é uma Escritora, daquelas que consideram Literatura como Arte.

Foi a melhor coisa que fiz em relação ao livro. E um excelente investimento.

O sistema dessa oficina deveria ser mais utilizado no Brasil, aproveitando os encontros que começam a florescer – como a Fantasticon, que é equivalente em escala menor da convenção mundial. O esquema é até simples. O autor paga uma taxa para se inscrever e envia o trecho – de até dez mil palavras – por email dentro de um determinado prazo (que se encerra uns dois meses antes da convenção). Os organizadores então encaixam os autores em grupos de 3 ou 4 que serão coordenados por dois escritores. Eles procuram afinidades temáticas, muitas vezes até sutis. No grupo que participei, todos eram de Fantasia, e dos 3, dois eram de Fantasia Histórica, outro de Alta Fantasia. Todos leem todos os textos para dar opinião. É muito bacana.

Mas no caso, o estalo que veio foi um comentário da Delia Sherman. Ela leu o mesmo trecho que meus beta-readers leram. E encontrou um ponto: eu estava querendo contar duas histórias, a viagem de Pero e Rui pelo Grande Continente e a de Finisterra propriamente dita.

Sabe aquela hora que você bate na testa e grita ‘Sim, é isso!’? Foi exatamente o que aconteceu.

Quando voltei, comecei a tarefa de reescrever e reestruturar Finisterra, que virou dois livros.

O primeiro está pronto, com 83.564 palavras e está com o título provisório de Imago Mundi - ou seja, ‘A imagem do mundo’. Em resumo, posso dizer que narra a viagem de Rui de Pina e seu aprendiz Pero Vaz de Caminha pelo Grande Continente, em missão para o Imperador da Ibéria Lusitânia. E começa com uma cena de tourada… Ou melhor, minotaurada.

Agora, antes de me lançar a Imago Dei, o título provisório da segunda parte, estou reescrevendo esse primeiro livro, que está engordando a olhos vistos. É um processo que eu não tenho pressa para acabar.

Pronto, agora vocês já sabem. :)

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Fantasia Histórica – Modo de Usar

26 jun

Não é surpresa para ninguém o quanto gosto de Fantasia Histórica – é bem obvio ao ler a seleção de contos de AnaCrônicas (em que 6 contos podem ser assim classificados) ou no conto que integra a coletânea Espelhos Irreais.

E estou preparando para lançar mais um conto nesse subgênero. ‘Maria e a Fada’ – que assim como ‘Carta a monsenhor’, ‘Os olhos de Joana’ e ‘A morte do Temerário’ pertence a uma série intitulada Burgundia Phantástica – foi selecionado para a coletânea Imaginários III, organizada por Erick Santos para a editora Draco.

A série é composta por contos relativos aos duques da Borgonha, de Felipe de Rouvres a Carlos V. Nem sempre eles são protagonistas: em ‘Carta a monsenhor’, que saiu no primeiro volume de Paradigmas, Felipe de Rouvres é apenas citado por sua morte prematura e em ‘Os olhos de Joana’, Felipe o Bom é o antagonista de Joana d’Arc. Um ponto em comum entre ‘A morte do Temerário’ e ‘Maria e a Fada’ é o seu protagonista, um personagem real bastante influente na corte borgonhesa, o cronista e mordomo Olivier de La Marche. Se no conto da coletânea Espelhos Irreais, o servidor é um narrador, em ‘Maria e a fada’, ele testemunha os fatos:

Era o final do inverno de 1482 e La Marche estava chegando em Gand, uma das cidades mais rebeldes de todas as que compunham os domínios da Borgonha. Maximiliano fizera com que ele viajasse por todos os burgos dos Países Baixos e agora o encaminhara para a Flandres. Era uma tarefa árdua, já que os habitantes daquela região tinham, na visão de La Marche, uma grande tendência à rebeldia e a insubordinação.

E fazia muito frio.

Já via as torres da cidade ao longe e suspirou aliviado. Tinha quase sessenta anos, não era idade para andar a cavalo de um lado para o outro como se fosse mero arauto ou mensageiro. Decidiu que seria sua última missão para o arquiduque. Retirar-se-ia da corte e terminaria suas memórias.

De repente, alguma coisa brilhou no seu campo de visão. Perguntou ao jovem escudeiro que o acompanhava.

- Viu aquilo?

Não esperou resposta e encaminhou seu cavalo naquela direção. Novamente, viu um brilho de relance, como se algo estivesse fugindo dele. Seguiu por alguns minutos até chegar a um lugar sem saída. Só conseguiu ver a ponta de uma cauda dourada sumindo para dentro da terra. No lugar onde passara, algo brilhava no chão. Sentindo as dores dessa sua pequena aventura, desceu do cavalo com cuidado. Aproximou-se e confirmou suas suspeitas. Era uma escama dourada, muito semelhante a que entregara à Maria.

Um arrepio percorreu seu corpo. Lembrou-se das velhas histórias contadas na região de Lusignan sobre a fada Melusina aparecer sempre antes de algo terrível. Montou novamente e retomou a trilha, desta vez mais rápido. Ansiava em chegar logo a Gand.

Meu envolvimento com a Fantasia Histórica começou na época de faculdade. Sempre me fascinava, ao ler sobre eventos e personagens, a possibilidade de uma intervenção fantástica. Como se fosse uma História Alternativa – só que o elemento do ‘e se…’ é do plano do sobrenatural e do implausível. Desde que comecei a publicar textos com essa temática – contos ou trechos de Finisterra – tenho recebido comentários e perguntas sobre como conseguir escrever assim, na fronteira do Romance Histórico com a Fantasia.

Bem, vou tentar resumir esse processo em alguns passos:

1- Escolha bem o seu plot para evitar anacronismos. É muito comum, por exemplo, ao querer trabalhar com bruxaria escolher falar da Inquisição na Idade Média. A Inquisição Medieval é muito mais preocupada com a caça aos hereges como os albigenses do que com bruxas e feiticeiras.

2- Após definir o periodo e o local em que sua história vai se passar, é hora de aprofundar a pesquisa. Você pode pensar que jogar no google e ler a wikipedia por alto pode ser suficiente, porém o diabo mora nos detalhes e em ficção histórica os detalhes são os que dão a atmosfera. Caça às bruxas, por exemplo, é muito mais forte nos países protestantes do que nos católicos.

3- Essa questão dos detalhes é importantíssima ao se escrever ficção histórica, sendo fantasia ou não. Mais do que veracidade, o ponto é a verossimilhança – o seu leitor tem que identificar o período histórico sendo retratado.

4- Equilibre as informações que você está compartilhando, sabe como é chato ler ‘Senhor dos Aneis’ quando o Tolkien começa a despejar nomes de reis, batalhas e etc.? Não é por serem reis, batalhas e etc. reais que fica legal. Se duvidar é até mais chato, fica com cara de livro paradidático oficial.

5- Linguagem é tudo. Seu camponês do século XVII não pode falar igual a um caminhoneiro do XXI. Nessas horas, a pesquisa é fundamental e mais complicada. Leia livros escritos na época em que se passa a sua história e preste atenção aos regionalismos. Se sua história se passa em um país em que se fale outra língua e não o português, tente inserir expressões de época na língua local. Mas sem fazer como italianos de novela da Globo. Seu leitor precisa entender o que está sendo discutido.

6- Cuidado com o pedantismo. Não é por estar escrevendo sobre o século XVI que você tem que escrever como se estivesse no século XVI – isso torna a leitura cansativa, dá um tom fake que desagrada ao leitor e fica chato pra caramba. Tente equilibrar a narração usando um português mais correto e sem contrações e gírias.

7- Não tenha medo de criar em cima da História. Toda a História, mesmo a que vem nos livros de escola, é um discurso, produzido em determinado contexto. O ponto é que você está assumindo a sua criação como obra ficcional – os historiadores nunca fazem isso.

8- Particularmente, eu gosto de personagens mais escondidos. São menos batidos e geralmente tem histórias fascinantes.

Basicamente, estas são as minhas dicas. Em Finisterra, eu abusei um pouco mais da liberdade criativa do que nos contos, principalmente em ‘Maria e a fada’. Porém, as aventuras de Pero Vaz de Caminha e Rui de Pina ficam para outro post.

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Oh, don’t you fell so small…

26 jun

It’s time we said goodbye,
Time now to decide.
Oh don’t you feel so small,
Dark is the night for all

It’s time we moved out west
This time will be the best
And when the evenings fall
Dark is the night for all

It’s time to break free
It’s time to pull away
For you and me

It’s time to break free.
We need to celebrate the
mystery.

It’s time we said goodbye,
Time for you and I.
Oh don’t you feel so small,
Dark is the night for all.

Pra vocês terem uma ideia, tem três posts com esse título na caixa de rascunhos do Talkative Bookworm. Não foi uma decisão fácil, nem de rompante, muito pelo contrário eu a venho amadurecendo desde a minha saída do Clube de Leitores de Ficção Científica.

Entrei para o fandom numa sucessão de acasos e coincidências por volta de 2oo4, quando comecei a participar da SciPulp. De lá para cá, tenho me batido, me estressado, me esforçado, perdido noites de sono pensando no coletivo. Justo eu que prometi a mim mesma nunca mais tomar a ação pelo bem comum (isso foi depois de uma participação meteórica em uma gestão de D.A. que até hoje é meu exemplo pessoal de como a truculência se manifesta contra os diferentes).

Levantei a bandeira da literatura de entretenimento e de qualidade, apregoei a heresia de que é possível encontrar literatura na web, insisti que nos juntássemos e deixássemos a mentalidade de ‘ninguém nos vê, logo não existimos’. E agora, cinco anos de atuação intensa?

Talvez sejamos menos invisíveis, talvez mais lidos. Porém, infelizmente, não somos e nunca seremos unidos. Eis nosso supremo moinho de vento, que jamais se tornará um gigante e portanto passível de ser derrotado, meus queridos companheiros quixotescos. A nossa quimera se chama União – e ela não é fúcsia.

Em cinco anos, moderei a maior comunidade no Orkut sobre FC literária, editei zines, livros e sites, promovi novos autores nesses meios, fui no rádio e na tevê, dei entrevistas, fiz leitura crítica, participei de debates e mesas-redondas, me despenquei para eventos para vender livros (meus sim, mas principalmente dos outros). Cuidei do coletivo pensando que cada livro de Ficção Especulativa vendido no país era um beneficio de todos.

Ainda penso assim, porém equilibrei na balança e vi que se meu lado produtora emergiu e floresceu, meu lado escritora ficou deixado de lado. E sinceramente? Ser escritor e não ganhar um centavo com isso não me incomoda. Agora, o outro lado, de produzir, de incentivar o trabalho alheio, de graça e ainda ter a cobrança de um profissionalismo a qualquer custo, começou a me incomodar. As pessoas querem que você escreva, edite, divulgue, promova, retuíte, compartilhe, participe, responda, debate, resenhe, comente, critique, modere, sorteie – ao mesmo tempo e em um absoluto grau de perfeição, sem que ninguém se lembre que seu filho vai a uma escola razoavelmente cara, que internet e luz custam dinheiro e que gatos podem ser atropelados e lhe custar uma pequena fortuna.

Não houve uma gota d’água. Até porque esse balde não se encheu gota a gota. Ele foi sendo preenchido por um fluxo continuo de aborrecimentos, pressões e cobranças. Mas o ponto definitivo foi o resultado do Prêmio, com o reconhecimento que o meu trabalho como escritora teve. Percebi que eu tenho um público potencial que eu deixo de lado para ajudar meus colegas escritores.

Bem, como eu já havia dito, chegou a hora do fandom se virar sem mim.

Não ia escrever nada, afinal pensava não dever explicações a ninguém. Cai em mim e vi que sim, tem pessoas que merecem entender o que está acontecendo comigo, os amigos que espalhei pela rede virtual – que por muitas vezes a extrapolaram – e que me deram tanto apoio. São muitos e eles sabem quem são, nem vou me atrever a nomear para não ser injusta ao esquecer de alguém.

Resumindo tudo?

Olá, amigos leitores. Sou Ana Cristina Rodrigues, *escritora*. E ponto.

As comunidades no Orkut já não estão mais sob minha moderação – menos a “Ficção Científica’, que aguarda a aceitação do novo dono. Essa semana irei procurar novos editores pro “Letra e Video” e pro “Comunidade FC”.

Agora, com licença, tenho que escrever.

Pois é…

4 mai

Um cansaço que ameaça virar uma enxaqueca enquanto tenho zilhões de coisas para fazer e até mesmo anunciar aqui para vocês.

Primeiro, quero agradecer a todos que colaboraram com a iniciativa de ajudar a minha castigada terra. As doações recebidas já foram compradas e enviadas para escolas municipais. Consegui arrecadar R$ 300,00 e doei mais R$ 100,00. Parece pouco, mas acreditem, fez muita diferença.

Nesse mês de abril, recebi muitos convites para participar de projetos muito legais. Alguns eu pude aceitar, outros eu infelizmente declinei. Não, apesar do que se está espalhando por aí não recebi – mas teria recusado se fosse o caso – convite para participar de… ”’peoplefics”’ disfarçadas de entrevistas – ou vice-versa. Se apareci em tal coisa, foi a minha revelia, sem ter sido comunicada ou ter autorizado. É aquilo: eu não preciso usar o nome dos outros para conseguir o meu espaço. Tem quem precise usar o meu.

Porém, vamos às coisas realmente importantes.

Primeiro: recebi um convite do mui querido Afonso Pereira, do Contos Fantásticos, para participar da seleção do seu concurso. Infelizmente, foi no meio daquele tumulto das chuvas e acabei não podendo fazer parte dessa iniciativa, que já gerou um monte de contos bacanas. Deem uma passada lá.:)

Um convite que aceitei foi do também querido M. D. Amado (sim, tem muitas pessoas que eu quero bem nesse meio e me convidam para projetos e iniciativas que valem a pena) para ser um dos autores do volume 1 da coleção Estraneus, a consolidação em papel do trabalho de anos no Estronho e Esquesito. E como fã inveterada de Darkover e Pern, a alegria foi ainda maior ao saber que o tema desse volume é Medieval Sci Fi! Adorei, estou bolando uma coisa muito bacana.

Os outros convites literários serão revelados a seu tempo, aguardem. ;)

Agora, eventos:

Dia 06 de maio começa o ciclo SpaceBlooks, de debates sobre FC na charmosa livraria Blooks em Botafogo, com Braulio Tavares falando de cyberpunk. O Octavio Aragão, que é mais que querido, é padrono-mentor, me convidou para falar no segundo dia de debates, no dia 13 de maio, para falar sobre FC e Internet com outro absolutamente adorado que é o Fábio Fernandes. E no dia 20, tem meu padrinho amado Gerson Lodi-Ribeiro e meu amigo-de-fé-irmão-camarada Alexandre ‘Lancaster’ Soares falando sobre steampunk. Apareçam lá no dia 13, porque eu terei uma surpresa! ;)

(A programação completa vocês conseguem aqui)

E tem conto ‘meu’ aparecendo por aí. Meu primeiro conto profissional!!

Opa, Ana, explica isso aí!

Vejamos: Anacrônicas foi mezzo independente, editado em parceria com a editora/gráfica. Minhas participações na coleção Paradigmas e na Portal Neuromancer foram colaborativas. E Espelhos Irreais, apesar de ter contrato e tudo, foi praticamente editado por demanda.

Mas agora, meu unico trabalho foi escrever – um conto romântico. Com vampiros!

Vampiros, Ana? Você?

Eu, não. Ela.

A pedido dos queridos (não disse que tem muita gente fofa nesse meio) Erick Santos e Eric Novello, participei da nova coletânea da Editora Draco, Meu amor é um vampiro. Desde que aceitei o convite, uma coceguinha crescia em mim, de criar uma nova persona literária, que trabalhasse com uma faceta que mantenho escondida. Confesso publicamente meu guilty pleasure: adoro romances agua-com-açúcar. Daqueles beeeeeeem melados, tá?

Até conversei com eles sobre isso, mas acabei deixando de lado. Mas quando foram finalizar a capa, disseram que meu nome ficava grande demais, teria que abreviar.

Oras, pensei, porque não mudar logo? Afinal, o conto é diferente de tudo que já tornei público, uma linha que é totalmente nova para mim. Vamos começar de novo, do zero, uma autora! Assim nasceu a Cristina Rodriguez, o pseudônimo menos disfarçado do mundo. Não é para me esconder que a criei mas sim para mostrar um lado novo de mim.

Hoje, é só… estou cansada demais pra conversar mais com vocês. Amanhã, eu volto pra contar como anda o nosso zoológico particular.

Sampa, sampa, sampa

29 abr

Um aviso rápido: estou em São Paulo pro 3 Simpósio Iberoamericano de História da Cartografia. Adorando as mesas e as pessoas, de várias universidades brasileiras, latino-americanas, norte-americanas e europeias. O bom de estudar mapas é que qualquer conversa vira rapidamente uma troca de figurinhas.

Os trabalhos estão muito bons, alguns, claro, me interessam mais. O melhor é o debate final. Queria entender melhor o espanhol pra poder acompanhar mais as discussões por vezes acaloradas que surgem.

Mas para não deixar vocês sem mim, eu postei um artigo no FC e Afins sobre História Alternativa e gostaria muito de saber a opinião de vocês.

Ah, eu estou cheia de novidades: livro novo, blog novo, site novo, Anacrônicas 2, conto em antologia, convites para participar de antologias, Spaceblooks, artigos. Mas por enquanto, posso falar muito não que é pros invejosos de plantão não secarem a minha pimenteira.

Na volta, eu falo mais.

Porém, deixo uma enquete: vocês gostariam de um blog sobre Cartografia Histórica/História da Cartografia?